Notícias da Saúde em Portugal 842

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Comunicado sobre a situação epidemiológica de sarampo em Portugal

DGS

A Direção-Geral da Saúde informa que, desde 1 de janeiro de 2026, foram confirmados 7 casos de sarampo em Portugal, distribuídos por várias regiões do país – Norte, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

O Comunicado está disponível aqui.

Infeções sexualmente transmissíveis bateram recordes em toda a Europa em 2024

SIC NOTÍCIAS

A clamídia continua a ser a Infeção Sexualmente Transmissível mais frequentemente relatada, mas os casos de gonorreia e sífilis aumentaram muito.

As infeções sexualmente transmissíveis atingiram níveis recorde na Europa em 2024, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), que aponta para aumentos acentuados na gonorreia e sífilis e lacunas crescentes nos testes e prevenção.

Os dados de 2024 mostram que os casos de gonorreia chegaram aos 106.331, um aumento de 303% desde 2015, os de sífilis mais do que duplicaram no mesmo período, chegando a 45.577.

A clamídia continua a ser a Infeção Sexualmente Transmissível (IST) mais frequentemente relatada, com 213.443 casos, e o linfogranuloma venéreo também continuou a apresentar "transmissão contínua", com 3.490 casos relatados.

Nos mais recentes relatórios, o ECDC indica que os dados mostram uma “transmissão sustentada em vários países” e pede ações urgentes para evitar a disseminação, inclusive entre mulheres em idade reprodutiva.

Segundo o centro europeu, as IST bacterianas subiram em toda a Europa e as notificações de gonorreia e sífilis, juntamente com a sífilis congénita, atingirem os níveis mais altos em mais de uma década.

"Sem tratamento, essas infeções podem causar complicações graves, como dor crónica e infertilidade e, no caso da sífilis, problemas cardíacos ou no sistema nervoso".

Alerta o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.

Sífilis pode ser transmitida a recém-nascidos

Aponta como "mais preocupante" o facto de, entre 2023 e 2024, se ter registado um aumento de quase 100% nos casos de sífilis congénita, em que a infeção é transmitida diretamente aos recém-nascidos, "levando a complicações potencialmente permanentes", segundo Bruno Ciancio, chefe da Unidade de Doenças de Transmissão Direta e Preveníveis por Vacinação.

"Proteger a sua saúde sexual continua a ser simples. Use preservativo com parceiros novos ou múltiplos e faça o teste se apresentar sintomas como dor, corrimento ou úlcera", apelou.

O relatório também identificou obstáculos mais amplos à testagem e à prevenção que exigem ação: 13 dos 29 países que reportaram dados ainda cobram ao paciente pelos testes básicos destas infeções.

Segundo o centro europeu, a implementação de forma desigual de serviços específicos e as estratégias nacionais desatualizadas limitam o impacto de intervenções "comprovadamente eficazes", pois muitas estratégias de prevenção não têm em consideração as mudanças de comportamento pós-pandemia.

O ECDC recomenda que os países europeus melhorem os protocolos de triagem pré-natal para garantir que a sífilis seja diagnosticada e tratada de forma rápida e correta, de acordo com o estágio da infeção, para prevenir a transmissão para o feto durante a gravidez.

Em janeiro de 2026, o ECDC tinha divulgado orientações específicas sobre o uso da doxiciclina para profilaxia pós-exposição (doxi-PEP) para apoiar os esforços de prevenção das IST.

Reverter as tendências crescentes de casos de IST exige serviços de prevenção acessíveis, acesso facilitado a testes, tratamento mais rápido e notificação mais eficaz de parceiros para interromper a transmissão, avisam os responsáveis do ECDC, que instam as autoridades de saúde pública a atualizarem urgentemente as estratégias nacionais e a fortalecerem os sistemas de vigilância para melhor monitorizar o impacto dos esforços de prevenção.

Carta aberta alerta Bruxelas que novas regras sobre parteiras podem levar a "décadas de estagnação"

OBSERVAÇÃO

Carta aberta à Comissão Europeia, subscrita por 11 portugueses, critica falta de ambição na revisão da diretiva sobre qualificações das parteiras, inalterada desde 1980.

Mais de 200 especialistas e representantes de organizações europeias, incluindo 11 de Portugal, alertaram para o risco de “décadas de estagnação” se as regras comunitárias previstas sobre as qualificações profissionais das parteiras entrarem em vigor.

A posição consta de uma carta aberta à Comissão Europeia (CE), subscrita por personalidades da área de saúde materna e obstetrícia e por representantes de organizações da sociedade civil de vários países europeus, com vários alertas sobre a revisão que está a decorrer da diretiva comunitária relativa às qualificações profissionais mínimas para as parteiras.

“Esta atualização, a primeira em mais de 20 anos, corre o risco de levar a décadas de estagnação”, salienta o documento a que a Lusa teve acesso, lamentando que as propostas já apresentadas pela CE “careçam de ambição” e de alinhamento com as normas internacionais exigidas atualmente.

Se forem adotadas na sua forma atual, as alterações propostas “irão enfraquecer a posição da União Europeia (UE) como líder mundial nesta área”, avisam ainda os subscritores, entre os quais professoras e professores desta área de universidades portuguesas, assim como a Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras (APEO).

Em Portugal, a Ordem dos Enfermeiros apresentou ao Ministério da Saúde uma proposta para acompanhamento e vigilância da gravidez de baixo risco, de forma autónoma, pelos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica (EESMO).

A carta aberta refere que o anúncio de 2024 de que a diretiva seria revista constituiu uma “oportunidade histórica e geracional”, mas as propostas preliminares apresentadas pelo executivo comunitário “não refletem adequadamente” os contributos dados desde então pelas várias entidades e especialistas europeus da área da obstetrícia e saúde materna.

Segundo o documento, a diretiva de 2005 é um instrumento jurídico que estabelece os padrões mínimos de formação que permitem o reconhecimento automático das qualificações profissionais, mas as suas disposições relativas à obstetrícia praticamente não sofreram alterações substanciais desde 1980.

“Quarenta e seis anos depois, este texto já não reflete o que as parteiras fazem, os serviços que a evidência científica comprova que prestam da melhor forma, ou o que a comunidade internacional reconheceu como o padrão para cuidados de alta qualidade em saúde sexual, reprodutiva, materna, neonatal e do adolescente”, realça.

Segundo o documento, vários países europeus aplicam a atual diretiva “como se fosse um padrão máximo em vez de mínimo”, limitando a mobilidade e o desenvolvimento profissional dos profissionais desta área.

Uma parteira formada num país como a Croácia ou a Grécia pode descobrir que as suas competências são inadequadas para trabalhar como parteira na Alemanha ou na Suécia”, explicam os subscritores da carta aberta, para quem em causa está uma falha que impede a UE de aproveitar ao máximo o potencial dos seus profissionais mais qualificados.

“Esta atualização é o momento para alterar isso, mas apenas se a atualização for substancial”, alerta ainda o documento, que apela à CE que adote um texto atualizado e “totalmente alinhado” com as normas globais da Confederação Internacional de Parteiras e as orientações da Organização Mundial da Saúde.

Pretende ainda que a nova diretiva contribua para a resiliência do sistema de saúde, alegando que uma obstetrícia forte torna os sistemas de saúde mais resilientes, mesmo em crises, e que ligue explicitamente a atualização prevista à estratégia global de saúde da UE.

MedSUPPORT | Testemunho da semana

“Desde o primeiro momento que entrei para a clínica e tive de trabalhar diretamente com a MedSUPPORT que sinto apoio, mesmo sendo algum assunto que não seja da vossa responsabilidade, há sempre uma ajuda, uma dica.”

Sr.ª Juliana Costa (Rececionista) - Sorriso Distinto - Clínica Médica, Lda. - Barcelos

Transposição de diretiva sobre amianto foi insuficiente - SOS Amianto

S+

A associação SOS Amianto alertou na passada quinta-feira que a transposição da diretiva europeia de proteção contra o amianto deixou de fora “um dos critérios mais importantes” para a regulação e apelou para mais exigência.

O Presidente da República, António José Seguro, promulgou na passada quarta-feira o diploma que transpõe a diretiva 2023/2668, sobre a proteção dos trabalhadores contra os riscos de exposição ao amianto durante o trabalho, que altera o decreto-lei n.º 266/2007, de 24 de julho.

Na passada quinta-feira, em comunicado, a Associação Portuguesa de Proteção contra o Amianto (SOS Amianto) aponta que a diretiva foi transposta cinco meses depois do prazo e acrescenta que um dos critérios mais importantes para regular o setor das empresas que trabalham com amianto não foi incluído.

“Portugal deve ambicionar estar entre os países mais exigentes da União Europeia e não entre os que ficam para trás”, diz a associação, que admite que o diploma do Governo representa um avanço importante mas mantém “lacunas críticas na proteção dos trabalhadores”.

A SOS Amianto pede ao Governo a revisão do diploma com a “implementação rigorosa e sem ambiguidades”, através da criação de uma equipa de trabalho com especialistas.

Também propõe a criação de um Registo Nacional de Exposição ao Amianto, a criação de um Programa de Diagnóstico precoce de Doenças Relacionadas com o Amianto e a revisão do Modelo de Compensação às vítimas.

A exposição ao Amianto continua a matar e cada atraso, cada exceção ou esquecimento e cada zona cinzenta traduzem-se na continuidade da colocação de vidas em risco”, alerta a associação no comunicado.

O amianto é um grupo de minerais fibrosos naturais que foi muito usado na construção e na indústria e que provoca vários tipos de cancro. Segundo a associação morrem por ano mais de três dezenas de pessoas devido à exposição ao amianto.

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