Notícias da Saúde em Portugal 214

Quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Hospital de Santo António, no Porto, cria primeiro Banco de Córneas

Jornal de Notícias

O Centro Hospitalar Universitário de Santo António, no Porto, vai lançar nesta sexta-feira o primeiro Banco de Córneas em Portugal. A cerimónia realiza-se às 9 horas e contará com a presença do ministro da Saúde, Manuel Pizarro.

A criação do Banco de Córneas surge da necessidade de aumentar o número de doentes transplantados e o tempo de conservação dos tecidos. Isto porque o Santo António recebe cerca de 200 córneas por ano, mas o número de doações é insuficiente para o programa de transplantação.

“O Hospital de Santo António foi pioneiro na transplantação de córnea, em 1958”, recorda a unidade de saúde. Até 1980, fazia-se uma média de nove transplantes por ano. Nas duas últimas décadas, com os avanços tecnológicos e cirúrgicos, passou-se a fazer entre 150 e 200 por ano. A expectativa é, agora, aumentar significativamente esse número.

A conservação das córneas deixa de ser feita exclusivamente com córneas refrigeradas e passa a funcionar em meio de cultura (córneas de cultura), permitindo alargar os critérios de colheita, além do prazo de validade e a qualidade dos tecidos colhidos.

Com o novo banco, espera-se duplicar o número de doentes transplantados, bem como doar córneas a outros hospitais.

Alimentos à base de plantas melhoram a saúde e o ambiente

Jornal de Notícias

Segundo Eric Lambin, membro do Grupo de Conselheiros Científicos Principais da Comissão Europeia, uma mudança nos regimes alimentares é fundamental para combater a obesidade e as alterações climáticas.

A saúde humana está indissociavelmente ligada à alimentação e ao ambiente. O mundo, incluindo a Europa, enfrenta situações de emergência nas três frentes.

O atual sistema alimentar prejudica a saúde das pessoas ao contribuir para a obesidade e destrói o ambiente ao provocar, entre outras, emissões de gases com efeito de estufa e perda de biodiversidade.

Tendo em conta os desafios e os riscos elevados, a revista Horizon planeia uma série de artigos em cinco partes, até ao final de 2023, sobre "alimentação sustentável". O objetivo é realçar as promessas de introduzir melhorias fundamentais neste domínio, nomeadamente com a ajuda da investigação e da inovação.

O início da série de hoje prepara o terreno com uma entrevista com Eric Lambin, professor de geografia e ciências da sustentabilidade na Universidade Católica de Lovaina na Bélgica. Lambin é também membro do Grupo de Conselheiros Científicos Principais (GCSA) da Comissão Europeia, que produziu um parecer científico em junho de 2023, intitulado "Towards Sustainable Food Consumption" [Rumo a um consumo alimentar sustentável]. O parecer foi solicitado pela Comissária Europeia da Saúde e Segurança dos Alimentos, Stella Kyriakides.

Clique na imagem para aceder à entrevista integral

1. A alimentação, a saúde e a sustentabilidade estão ligadas há milhares de anos. Porque é que as pessoas atualmente devem prestar especial atenção a este domínio?

2. O que significaria concretamente um sistema alimentar mais sustentável?

3. Que papel pode a UE desempenhar para garantir que os alimentos são mais saudáveis e ecológicos?

4. O que recomenda o GCSA em termos de ação da UE neste domínio?

5. Que papel desempenha o aconselhamento científico, incluindo o do GCSA, na elaboração de políticas?

6. Como é que os consumidores podem contribuir para a mudança?

7. Qual deve ser o equilíbrio entre o comércio de géneros alimentícios internacional e local?

8. Como pode a UE ajudar a garantir que os pequenos agricultores sejam tratados de forma justa?

9. Quais são os principais desafios sociais e políticos à mudança?

10. Que papel desempenha o bem-estar dos animais em tudo isto?

Estudo científico abre caminho à cura da toxoplasmose que afeta grávidas e imunodeprimidos

S+

Um estudo científico hoje publicado, liderado por um investigador da Gulbenkian, detetou o tipo de proteínas injetado nas células pelo parasita que causa a toxoplasmose, abrindo caminho à cura da doença que pode ser fatal para grávidas ou imunodeprimidos.

Em declarações à Lusa, Moritz Treeck explicou que o estudo, publicado hoje na revista Cell Host & Microbe, permitiu “identificar as proteínas que o parasita injeta nas células humanas onde vivem” e que têm impedido uma resposta adequada do sistema imunitário.

O Toxoplasma gondii é um dos parasitas com mais sucesso do mundo animal, infetando vários tipos de espécies. Nuns casos, o parasita é tolerado (como sucede com os gatos) e noutros acaba por ter danos graves de saúde.

“O parasita consegue infetar qualquer animal e para sobreviver nesses diferentes elementos o parasita tem de superar o sistema imunológico” de cada espécie, explicou Moritz Treeck.

Após alterações genéticas do parasita, o grupo de investigadores realizou o seu mapa genético e identificou as proteínas que são injetadas nas células humanas.

A partir de agora, será possível, através da identificação das proteínas existentes num paciente, desenvolver métodos mais eficazes de combate à doença, explicou.

O método inovador de mapeamento das proteínas trazidas pelo toxoplasma - o Dual Perturb-Seq - poderá ajudar também no combate a outras doenças em que exista este tipo de relação patogénica entre o parasita e o hospedeiro, como é o caso da salmonela ou a tuberculose.

Este “método requer que possamos modificar geneticamente os parasitas patógenos intracelulares” a estudar, acrescentou o investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência.

A equipa de investigador concluiu que o toxoplasma liberte mais de 200 proteínas na célula hospedeira, e a maioria das funções dessas proteínas ainda é desconhecida.

Uma das principais descobertas deste estudo é a identificação de uma proteína, a TgSOS1, que é necessária para alterar uma via chave de sinalização imunológica do hospedeiro.

Esta descoberta salienta o papel fundamental do parasita na reprogramação da transcrição das células hospedeiras durante a infeção e no estabelecimento de uma infeção persistente.

Agora, a equipa de Moritz Treeck vai investigar as proteínas injetadas pelo toxoplasma noutras espécies.

O Wellcome Trust, o Instituto Francis Crick e o Instituto Gulbenkian de Ciência financiaram o desenvolvimento deste projeto.

Investigadores portugueses e espanhóis unidos na descoberta de medicamentos para inativar vírus como o VIH, Zika ou SARS-CoV-2

sapo.pt

Um grupo de cientistas liderado por Miguel Castanho, docente e investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em parceria com investigadores da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, está a trabalhar no desenvolvimento de medicamentos antivirais inovadores capazes de chegar ao cérebro e inativar vírus, como dengue, Zika, VIH ou SARS-CoV-2, evitando os seus possíveis efeitos neurológicos e ajudando a promover a saúde mental. Com financiamento da Comissão Europeia, o consórcio espera também incluir vírus que possam, entretanto, surgir e causar novas pandemias.

Estamos a falar de vários vírus, alguns dos quais subvalorizados pela população, o que é um erro.

Miguel Castanho

“É o caso da SIDA, que persiste como um problema sério; do sarampo, que levanta preocupações a nível mundial desde que alguns grupos começaram a optar por não se vacinar ou do SARS-CoV-2, que se sabe pode também provocar danos neurológicos.”

A esta lista juntam-se ainda os responsáveis pelo Zika, dengue e chikungunya, cuja ameaça, devido às alterações climáticas e à expansão das colónias de um tipo específico de mosquito, o chamado mosquito-tigre, já detetado no norte, sul e centro da Europa, incluindo Portugal e Espanha, se torna cada vez mais real.

“Estamos a trabalhar no desenvolvimento de um medicamento que deverá ter duas características inovadoras importantes: ser de largo espetro, porque uma mesma espécie de mosquito pode transportar várias espécies de vírus, como dengue, Zika ou chikungunva, e ser capaz de proteger o cérebro dos fetos em mulheres grávidas, porque um desses vírus, o Zika, tem capacidade de causar microcefalia nos bebés. Poderá vir a ser um medicamento preventivo, que protege contra o desenvolvimento de infeções, ou um medicamento curativo, isto é, que inativa vírus que já iniciaram um processo de infeção no corpo”, esclarece o investigador do IMM.

David Andreu, investigador da Universidade Pompeu Fabra, reforça a importância desta parceria e do alerta da Organização Mundial de Saúde sobre o chamado Longo Covid. “É certo que o fim da pandemia de Covid-19 já foi decretado, mas há uma chamada de atenção, que se traduziu num plano de abordagem de emergência para a doença, isto devido aos milhões de casos de Longo Covid que vão continuar a necessitar de cuidados médicos".

Esta continua a ser, de resto, uma preocupação, com a OMS a estimar uma sobrecarga enorme para os serviços de saúde, que precisam de dar resposta aos doentes que continuam a viver com o impacto da Covid, procurando tratamentos que lhes devolvam a qualidade de vida, não só ao nível físico, mas também psicológico, o que justifica também a aposta deste grupo de investigadores.

Em 2024 os europeus acima de 65 anos serão mais do que os jovens com menos de 15 anos

euronews.com

OMS recomenda exercício físico e comida saudável para evitar doenças associadas ao envelhecimento e insta os governos a preocuparem-se com políticas para os mais idosos.

A população da Europa está a envelhecer rapidamente; no próximo ano estima-se que os maiores de 65 anos superarão os menores de 15 anos e os hábitos e atitudes precisam ser ajustados em conformidade.

Essa é a mensagem de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que defende estilos de vida mais saudáveis para garantir o bem-estar na idade avançada.

O ponto de partida é uma alimentação melhor, diz o relatório, e os governos deveriam fazer mais.

Stephen Whiting, Conselheiro de Desporto e Saúde, da OMS, explica: “Para promover uma alimentação saudável é preciso reformular os alimentos, reduzir o teor de sal dos alimentos, eliminar as gorduras trans, o consumo de açúcar. Além disso, as campanhas de comunicação e de sensibilização pública específicas para os idosos poderiam ser benéficas, mas também o desenvolvimento de ambientes amigos dos idosos através do desenho e planeamento urbano."

Manter-se ativo e praticar exercícios regularmente também é crucial. A OMS diz que não são apenas os indivíduos que beneficiam do facto de manter a forma, são também os estados.

“Publicámos um relatório em colaboração com a OCDE, no início deste ano, sobre o custo da inatividade física nos sistemas de saúde da União Europeia e estimamos que poderiam ser poupados 8 mil milhões de euros por ano se mais pessoas fossem fisicamente ativas e cumprissem as recomendações da OMS sobre os níveis de atividade física”, diz Whiting.

O relatório insta os governos a concentrarem-se no envelhecimento saudável e afirma que a idade não precisa de estar associada a doenças como o cancro, a diabetes e a demência se forem fornecidas bases para que as pessoas protejam o seu bem-estar, e aconselha o investimento na prevenção de problemas de saúde na velhice.

Exercício físico e comida saudável

De acordo com o relatório da OMS para a Europa sobre o envelhecimento saudável, recomenda-se que as pessoas com 65 anos ou mais façam “exercícios aeróbicos de intensidade moderada” durante pelo menos duas horas e meia por semana. Isto pode ser uma caminhada rápida.

Alternativamente, para pessoas em boa forma, recomenda-se 75 minutos por semana de exercícios vigorosos, como natação ou corrida.

O documento afirma que também é vital que mais idosos façam fortalecimento muscular pelo menos dois dias por semana para melhorar a mobilidade e prevenir quedas e aconselha as pessoas com doenças crónicas a fazerem tanto exercício quanto forem capazes.

Stephen Whiting diz que a pandemia de COVID mostrou que pessoas mais saudáveis são mais capazes de resistir a doenças.

“Existem dados que mostram que a inatividade física, o sobrepeso e a obesidade foram um enorme fator de risco para resultados graves de COVID e COVID longa. Portanto, este é um momento realmente oportuno para realmente investir na prevenção, sejam elas futuras emergências, futuras pandemias, eventos de calor e emergências relacionadas com as alterações climáticas, promover a atividade física e dietas saudáveis para todos os grupos populacionais, bem como para os idosos, é uma situação em que todos ganham e é uma intervenção rentável”, conclui.

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