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Notícias da Saúde em Portugal 719
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Resistência aos antibióticos mata 35 mil pessoas por ano na Europa
Jornal de Notícias
"Estima-se que as infeções resistentes aos antimicrobianos causem mais de 35 mil mortes por ano na UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu], representando um encargo substancial para os indivíduos, as sociedades e os sistemas de saúde", adiantou o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) num comunicado que assinala o Dia Europeu da Consciencialização sobre os Antibióticos.
Segundo o centro europeu, o aumento da resistência antimicrobiana registado em vários países mostra que a "Europa não está no bom caminho" para atingir quatro das cinco metas estabelecidas para 2030 nesta área.
Desde 2019, a incidência estimada de infeções da corrente sanguínea causadas pela bactéria Klebsiella pneumoniae resistente à classe de antibióticos carbapenemes aumentou mais de 60%, apesar da meta de redução de 5% até 2030.

Da mesma forma, as infeções causadas pela Escherichia coli resistente às cefalosporinas de terceira geração aumentaram mais de 5%, contrariando o objetivo de uma redução de 10%, alertou o ECDC, avisando que o consumo de antibióticos também aumentou em 2024, quando estava prevista uma diminuição de 20%.
"O aumento da resistência antimicrobiana, juntamente com a escassez de novos tratamentos eficazes, constitui uma grave crise de saúde pública em evolução na Europa e no mundo", salientou ainda o comunicado.
Para a diretora da ECDC Pamela Rendi-Wagner, o combate à resistência antimicrobiana exige inovação em três frentes principais - "ações enérgicas" para o uso responsável de antibióticos, práticas sustentadas de prevenção e controlo de infeções e o desenvolvimento de novos antibióticos.
De acordo com o centro europeu, o aumento das infeções resistentes coloca em risco procedimentos que salvam vidas, como transplantes de órgãos, tratamentos contra o cancro, cirurgias e cuidados intensivos.
Alertou ainda que o desenvolvimento global de antibióticos continua a ser limitado, especialmente contra microrganismos prioritários para a saúde pública, como as bactérias resistentes aos carbapenemes.
Investigadores portugueses criam plataforma de treino para médicos com recurso a IA
SIC Notícias
Da teoria à prática vai uma grande distância e nos profissionais de saúde só o contacto com doentes permite um treino mais eficaz. Para acelerar a aprendizagem dos médicos, a Medtiles, uma startup da Faculdade de engenharia da Universidade do Porto, criou uma aplicação que usa inteligência artificial para simular casos clínicos.
“O tutor foca-se principalmente no desenvolvimento e geração semiautomático de casos clínicos para ajudar os guias de boas práticas a serem traduzidos num contexto mais específico hospitalar e num contexto mais pessoal e mais personalizado dependendo da formação dos clínicos”, explica João Reis, cofundador da Medtiles e especialista em IA

O “tutor” é uma ferramenta de apoio à aprendizagem e à decisão. Uma espécie de ChatGPT para médicos. Já está a ser usado em hospitais na formação em Via verde AVC, uma doença em que cada minuto conta.
Através do treino nesta plataforma, numa situação real a decisão do médico será mais rápida e segura. A equipa da Medtiles garante que a plataforma é útil no ensino da medicina por ser uma área em constante evolução em que se torna difícil acompanhar todos os avanços.
A plataforma recolhe informação atualizada e fidedigna em artigos científicos e bases de dados médicas e adapta-se aos conhecimentos e à disponibilidade dos médicos. Desenvolvido por médicos e engenheiros, em breve o Tutor poderá também ser aplicado em casos de trauma.
Calçado "barefoot". Podologista e ortopedista explicam o que é, o que vale, riscos e benefícios
Jornal de Notícias
O calçado e o conforto, e mesmo a saúde dos pés, nem sempre caminham lado a lado. Os impactos dos saltos altos, das botas fofas, mas sem reforços laterais nos tornozelos e com risco de entorses, as solas demasiado finas e as biqueiras estreitas há muito que estão sob o radar de especialistas, que procuram alertar para as especificidades de cada uso e de cada pessoa.
Recentemente, a aposta nos "barefoot" - modelo de calçado conhecido por ter biqueira larga , com ou sem dedos dos pés bem marcados, sola fina e flexível, ausência de altura, recurso a materiais leves e respiráveis e a sensação de quase andar descalça - tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos e a oferta multiplica-se em Portugal.
Mas quais os impactos e o que deve ser acautelado se vai optar por este tipo de produto?
Para a podologista Carla Ferreira, "a decisão de utilizar calçado "barefoot" deve integrar uma avaliação clínica criteriosa e uma reflexão sobre as necessidades do indivíduo, ou seja, não deve ser baseada apenas nas suas vantagens anatómicas e funcionais", considera.

O ortopedista Luís Frederico Braga concorda e considera tratar-se de uma opção "fisiológica e anatómica para o pé e para a marcha", salvaguardando a existência de "várias opções de sola com maior ou menor proteção ou rigidez consoante a necessidade e preferência do doente".
Refere, por isso, ser uma opção ideal para "um período de recuperação de uma cirurgia e na prevenção das doenças dos pés, por não constituir uma agressão como acontece com inúmeras marcas do mercado".
Contudo, a podologista deixa também alguns avisos e cita a investigação para o fazer.
"A evidência científica atual destaca que a adoção do 'barefoot' não é universalmente recomendada", em particular "indivíduos com alterações estruturais, instabilidade articular ou determinadas patologias".
A especialista alerta para o facto de "a ausência de apoio e de amortecimento pode aumentar o risco de lesões, sobretudo em fases iniciais de adaptação" e sublinha que "a transição brusca para este tipo de calçado pode potenciar sobrecarga nos músculos e tendões do pé, levando a microlesões ou desconforto persistente". A solução passa por "avaliação individualizada e uma adaptação progressiva e segura".
Cientistas da Stanford Medicine descobrem vírus responsável pelo lúpus
Notícias Saúde
É um dos vírus mais comuns, estimando-se que cerca de 90% dos adultos sejam portadores do Epstein-Barr (EBV).
Agora, um grupo de investigadores da Stanford Medicine, nos EUA, descobriu que este vírus é o responsável pelo lúpus eritematoso sistémico, uma doença autoimune crónica.
Quando chegamos à idade adulta, a grande maioria já foi infetada pelo EBV, que se transmite através da saliva e cuja infeção acontece, normalmente, na infância, quando se partilha uma colher ou se bebe no mesmo copo, ou ainda durante a adolescência, quando se troca um beijo. Aliás, é mesmo o responsável pela mononucleose, conhecida como “doença do beijo”.
E, uma vez portador do vírus, esta é uma condição que fica para sempre, ainda que a pessoa possa ser assintomática. Ou seja, o EBV, que pertencem a uma grande família de vírus, incluindo os responsáveis pela varicela e pelo herpes, pode ficar latente e, sob certas condições, reativar-se, algo que os investigadores comprovaram agora ser o caso quando se trata do lúpus.

Neste caso, acredita-se que o EBV tem a capacidade de induzir o descontrolo num número ínfimo de células imunitárias e de convencer um número ainda maior a lançar um ataque generalizado aos tecidos do corpo, descobertas feitas no âmbito de um estudo publicado na revista Science Translational Medicine.
Cerca de cinco milhões de pessoas em todo o mundo vivem com lúpus, uma doença em que o sistema imunitário ataca o conteúdo do núcleo das células, causando danos na pele, articulações, rins, coração, nervos, entre outros órgãos e tecidos, o que provoca diversos tipos de sintomas.
Apesar de existir tratamento, que permite que os doentes possam levar uma vida razoavelmente normal, há, no entanto, situações que podem ser muito graves e que podem mesmo resultar em morte, não existindo, até ao momento, uma cura.
Ainda que nem todos os portadores do EBV desenvolvam lúpus, todos os que têm lúpus estão infetados pelo EBV, uma ligação de que há muito se suspeitava, ainda que sem provas. Até agora.

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