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Notícias da Saúde em Portugal 733
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Tratamento inovador cura doentes com cancro raro no sangue
Jornal de Notícias
Um tratamento inovador, que edita o ADN dos glóbulos brancos para transformá-los num "medicamento vivo", está a demonstrar resultados promissores contra cancros sanguíneos agressivos. Oito crianças e dois adultos com leucemia linfoblástica aguda foram tratados recentemente e quase dois terços encontram-se em remissão.
A leucemia linfoblástica, um tipo raro de cancro no sangue, ocorre quando células precursoras de linfócitos passam a multiplicar-se de forma descontrolada, substituindo rapidamente as células saudáveis da medula óssea. Nos casos em estudo, os tratamentos convencionais, como quimioterapia e transplante de medula, tinham falhado. Sem alternativas, a medicina experimental tornou-se na última esperança.
"Eu achava que ia morrer e que não seria capaz de crescer e fazer tudo aquilo que as crianças merecem", contou à BBC a britânica Alyssa Tapley, de 16 anos, natural de Leicester.
Alyssa foi a primeira pessoa no Mundo a receber o tratamento no Great Ormond Street Hospital, em Inglaterra, em 2022, e permanece, até ao momento, livre da doença.
Investigadores da University College London (UCL), a maior universidade de Londres, e do Great Ormond Street Hospital recorreram a uma técnica sofisticada de edição genética para transformar células T (células responsáveis pela defesa do organismo) de um dador saudável em verdadeiras "máquinas de combate". O objetivo é destruir as células T cancerígenas dos pacientes.
A técnica utilizada, denominada BE-CAR7, baseia-se na edição genética, permitindo alterar com grande precisão letras específicas do código genético. Uma única mudança numa dessas "bases" do ADN pode alterar profundamente o comportamento de um gene, tal como substituir uma letra numa palavra pode mudar o seu significado.

No total, os cientistas realizaram três edições específicas nas células T do dador. Essas alterações tornam o tratamento "pronto para uso", dispensando a necessidade de compatibilidade entre dador e paciente, e permitem que as novas células ataquem e eliminem todas as células T do doente, sejam saudáveis ou cancerígenas.
"Há alguns anos, isto seria apenas ficção científica", afirmou Waseem Qasim, investigador da UCL e do hospital pediátrico londrino: "É um tratamento profundo e exigente, mas quando funciona, os resultados podem ser extraordinários."
De acordo com os resultados publicados na revista científica "New England Journal of Medicine", 82% dos pacientes no estudo apresentaram uma "remissão muito profunda" após o tratamento e puderam receber um transplante. 64% permanecem livres da doença.
O tratamento de Alyssa implicou destruir por completo o sistema imunitário anterior e reconstruir um novo. Para evitar infeções, passou quatro meses internada sem poder ver o irmão.
Hoje, precisa apenas de consultas de rotina anuais, leva uma vida normal e está a concluir o ensino secundário. Quer aprender a conduzir e pensa no futuro com entusiasmo.
Regulador alerta para riscos das "ecografias emocionais"
SIC Notícias
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) alertou ontem para os riscos das "ecografias emocionais", sublinhando que estes exames só devem ser realizados em "contexto clínico" e não podem ser prestados com fins recreativos, como a "mera visualização" do feto.
O aviso do regulador da saúde surge na sequência de várias reclamações de utentes a relatarem a "realização de ecografias designadas como 'emocionais', '3D/4D/5D não diagnósticas' ou equivalentes, que se apresentam como serviços de caráter recreativo, com o propósito de proporcionar às grávidas e respetivas famílias uma experiência visual e sentimental".

De acordo com a ERS, estas práticas "podem implicar a exposição desnecessária do feto a ultrassons e desvirtuam a finalidade médica e diagnóstica da ecografia obstétrica, contrariando as recomendações técnico-científicas vigentes".
A ERS recorda ainda que a lei em vigor estabelece que a realização de ecografias é uma atividade médica enquadrada na tipologia de Unidades de Radiologia ou de Clínicas ou Consultórios Médicos, exigindo a presença de médico especialista, condições técnicas adequadas e emissão de relatório clínico.
Alerta também que a violação da lei "constitui contraordenação punível com coima", tal como o funcionamento de estabelecimentos não registados ou não licenciados para a tipologia de atividade exercida.
A entidade acrescenta que a publicidade a serviços de ecografia está sujeita ao regime jurídico, sendo proibidas mensagens que atribuam finalidades médicas inexistentes, omitam a identificação do prestador ou induzam o público em erro quanto à natureza diagnóstica do exame.
UE alerta para aumento de infeções graves por Listeria na Europa
Diário de Notícias
As alterações nos hábitos alimentares e o envelhecimento da população podem estar a contribuir para o aumento de infeções graves por Listeria na Europa, alertou ontem, 9 de dezembro, a União Europeia (UE).
De acordo com o novo Relatório de Zoonoses da UE “Uma Só Saúde”, da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), as doenças transmitidas por alimentos continuam a afetar pessoas de todas as faixas etárias, sobretudo os grupos mais vulneráveis.
“Todos os anos, milhares de pessoas adoecem após consumir alimentos contaminados, sendo ovos, carne e produtos prontos a consumir as principais fontes de infeção”, lê-se num comunicado.
Em 2024, a Listeria foi responsável pela maior proporção de hospitalizações e mortes entre todas as infeções alimentares notificadas na UE: cerca de sete em cada dez pessoas infetadas precisaram de cuidados hospitalares e uma em cada 12 morreu.
A tendência crescente de casos nos últimos anos pode estar ligada ao envelhecimento da população, ao aumento do consumo de alimentos prontos a consumir e a práticas inadequadas de conservação.
Apesar de os níveis de contaminação serem baixos, variando entre 0% e 3% das amostras analisadas, são as salsichas fermentadas os produtos mais frequentemente contaminados.
Além da Listeria, outras infeções como Campylobacter e Salmonella continuam a ser as mais comuns na Europa, com a carne de aves e os ovos entre as principais fontes de infeção.

Em 2025, apenas 14 Estados-membros da UE cumpriram integralmente as metas de redução da bactéria nas aves.
Em Portugal, estão confirmados 44 focos ativos e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) tem vindo a alertar para o risco elevado de disseminação, recomendando medidas adicionais de prevenção.
A transmissão do vírus para humanos é rara, com casos esporádicos reportados em diferentes regiões do mundo. Contudo, quando ocorre, a infeção pode levar a um quadro clínico grave.
“O controlo das bactérias transmitidas por alimentos ao longo da cadeia alimentar exige esforço contínuo e coordenação entre setores”, destacou o chefe da Unidade de Riscos Biológicos e Saúde e Bem-Estar Animal da EFSA, Frank Verdonck.
As autoridades sublinham que a “maioria das doenças transmitidas por alimentos é evitável” e recomendam práticas de higiene adequadas, como manter o frigorífico a cinco graus Celsius (ºC) ou menos, consumir alimentos antes do prazo de validade, cozinhar bem carne e aves, lavar mãos e utensílios após manusear produtos crus e separar alimentos cozinhados dos crus.
Grupos vulneráveis, como idosos, grávidas e pessoas com imunidade debilitada, devem evitar alimentos de maior risco, “como produtos prontos a consumir, leite não pasteurizado e queijos de pasta mole feitos com o mesmo”.
Um em cada sete portugueses com obesidade não reconhecem ter a doença
SIC Notícias
Um em cada sete portugueses com obesidade não reconhecem ter a doença, segundo um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) que concluiu pela persistência de lacunas de conhecimento e baixos níveis de literacia.
Apesar de mais de 90% dos inquiridos reconhecerem a obesidade como uma doença crónica que precisa de tratamento, só menos de metade (47,5%) sabe que o critério de classificação é ter um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30.
Em declarações à Lusa, a investigadora Ana Rita Pedro disse que os dados sobre o não reconhecimento da doença foram os que mais surpreenderam os investigadores.
"Podemos estar a falar de uma ausência de conhecimento sobre o que é a obesidade, e por isso a pessoa não sabe se tem. Pode ser também uma questão relativa ao estigma [da pessoa não se rotular como obesa] (...), uma espécie de uma negação da condição de saúde, ou pode ser uma questão de literacia", explicou a investigadora.
A 9.ª edição do estudo Saúde que Conta, que vai ser divulgado hoje, pretendeu avaliar o conhecimento e atitudes em relação à obesidade na população adulta portuguesa, assim como o nível de literacia em saúde, analisando também a influência de fatores demográficos e socioeconómicos.
No total, foram validadas 3.333 respostas recebidas entre novembro de 2024 e fevereiro deste ano.

Embora 35,5% da amostra total tenha critérios de obesidade, apenas 20,45% reportou ter a doença, revelando "um hiato de perceção".
Os dados mostram ainda que as pessoas quando confrontadas com questões relacionadas com a sua esfera social, como, por exemplo, qual é a probabilidade de dar emprego a uma pessoa com obesidade, ou qual é a probabilidade de ter um amigo com obesidade, reportam probabilidades muito altas.
Já quando confrontadas com perguntas mais da sua esfera pessoal ou da vida íntima - por exemplo, qual a probabilidade de ter um encontro amoroso com uma pessoa com obesidade ou confiar os cuidados dos seus filhos a uma pessoa com obesidade -, os valores descem substancialmente.
As pessoas com obesidade percecionam um maior nível de discriminação contra quem tem a doença e, em relação à perceção corporal, os dados deixam um alerta para a discriminação de género.
A especialista sublinha ainda o papel das redes sociais nesta matéria: "somos diariamente confrontadas com a exposição do corpo feminino com estes 'ideais' de padrão do corpo feminino e acabamos por ter um olhar muito mais crítico do que para um corpo masculino".
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Literacia em saúde

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