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FDI promove utilização das Normas ISO para elevar padrão de tratamentos em saúde oral

OMD

No âmbito da sua assembleia geral, realizada durante o congresso mundial de medicina dentária, em Xangai (China), de 9 a 12 de setembro, a Federação Dentária Internacional (FDI) adotou nove declarações políticas.

Uma delas, intitulada “Alignment of oral health care with ISO Standards”, traduz-se no apoio total ao desenvolvimento e à utilização dos documentos ISO que se enquadram no âmbito do ISO/TC 106 (Dentistry).

No contexto da medicina dentária, o comité técnico ISO/TC 106 (Dentistry) é o responsável por desenvolver normas, requisitos de desempenho e um padrão de segurança para a utilização de materiais dentários. Estas diretrizes constituem a referência para uma prática clínica de alta qualidade porque, além de harmonizarem procedimentos, são a base de um modelo à escala global.

Em linha com este apoio estratégico, a FDI estabeleceu compromissos claros. Primeiro, passará a incluir e a referenciar as Normas ISO no desenvolvimento dos seus documentos de orientação para a prestação de cuidados de saúde oral.

Depois, para reforçar a importância da adesão a estes padrões, o organismo compromete-se ainda a incentivar o cumprimento destas normas na criação de políticas de saúde oral, assim como a desenvolver ações de formação, sublinhando a sua importância e aplicação.

Esta declaração política da FDI demonstra que a adesão às Normas ISO é um fator crucial para elevar e harmonizar o padrão dos tratamentos em saúde oral a nível mundial.

ULS de Coimbra utiliza Inteligência Artificial para melhorar exames de radiologia

Canal S+

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra passou a utilizar ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no apoio ao processo de radiologia em unidades de proximidade e nos serviços de urgência, reforçando a capacidade de resposta local.

Em comunicado enviado à agência Lusa, aquela estrutura salientou que a solução permite também melhorar a qualidade do processo diagnóstico e a eficiência assistencial.

As ferramentas de IA estão a ser aplicadas aos exames de radiologia convencional realizados nos Centros de Saúde de Arganil e Tábua, nos Centros de Atendimento Clínico de Cantanhede (Hospital João Crisóstomo) e no Hospital Geral (Covões), e estão também disponíveis para os serviços de urgência, "contribuindo para uma resposta mais célere em contexto agudo e para a redução do tempo de permanência".

A tecnologia permite o processamento automático das imagens e a identificação rápida de sinais sugestivos de patologias torácicas e de alterações ósseas, incluindo fraturas.

Segundo o comunicado, "poucos minutos após a realização do exame, são acrescentadas ao estudo imagens complementares com realce visual dos achados identificados, funcionando como suporte adicional à análise clínica e facilitando uma leitura mais rápida e consistente, particularmente relevante em contexto de urgência e doença aguda".

Alexandre Lourenço considerou que “a integração de ferramentas avançadas de análise de imagem apoia práticas clínicas mais céleres, consistentes e sustentadas, com impacto direto na fluidez dos circuitos assistenciais”.

A decisão clínica mantém-se integralmente sob responsabilidade dos profissionais de saúde. As ferramentas de IA assumem exclusivamente um papel de apoio à decisão, enquadrado pelos princípios de segurança, qualidade e responsabilidade que orientam a atuação da ULS de Coimbra”, sublinhou.

O desenvolvimento do projeto está a ser realizado de forma faseada pelo Departamento de Transformação e Inovação Digital da ULS de Coimbra, em articulação com o Serviço de Imagem Médica e com os profissionais de radiologia das unidades envolvidas.

A iniciativa, agora integrada no plano de contingência, será alargada até ao final do primeiro trimestre aos Centros de Saúde de Mira, Mortágua e Pampilhosa da Serra, bem como ao Centro de Diagnóstico de Pneumologia de Coimbra, que prestará apoio aos Centros de Saúde de Celas, Norton de Matos e Fernão Magalhães.

Já desistiu das resoluções de Ano Novo? Pode ser o melhor para a saúde

SIC Notícias

Se já desistiu de três dos cinco grandes objetivos para este novo ano, não se sinta culpado. Porque, ao contrário do que pode pensar, desistir de algumas metas pode ser o mais saudável que tem a fazer, especialmente se essas metas são irrealistas e nos deixam mais ansiosos do que outra coisa.

Alguns dos objetivos mais comuns incluem não comer açúcar durante um mês, perder 8 kg em dois meses, não comer pão, fazer jejum intermitente, correr uma maratona, ou outros que se prendem muito com a componente estética da nossa saúde.

Mas, na verdade, a saúde é muito mais do que isso, e nenhum destes garante que se vá sentir melhor.

Se a coisa que melhor lhe faz é lanchar com uma avó ou tio de 15 em 15 dias e comer um bolo de laranja caseiro que tem algum açúcar, está tudo bem. Da mesma forma, se odeia correr ou se nunca correu, a maratona não será certamente um objetivo saudável. E por favor não deixe de comer pão se adora a torrada que come de manhã, porque nenhum alimento de forma isolada determina se tem uma alimentação saudável ou não.

Se o convenceram que basta aguentar os 21 dias e o hábito fica para sempre, saiba que não é bem assim.

Criar um hábito pode demorar meses, e o que faz mais diferença na sua sustentabilidade é que seja um objetivo realista, simples e compatível com o seu estilo de vida.

O que posso fazer para mudar?

Comece com coisas pequenas e concretas: não beber refrigerantes à hora de almoço, trocar o elevador pelas escadas, ou deixar o telemóvel de lado às refeições.

E estas coisas pequenas valem em qualquer dia, não precisa de ser dia 1 de janeiro, 1 de setembro, aliás nem precisa de ser uma segunda-feira. Na saúde, não há 8 ou 80. Tudo conta e, por isso, cada decisão que tomar para se sentir melhor faz diferença.

Lembre-se também que há mudanças que não acontecem se as necessidades básicas não estiverem asseguradas. Se dorme mal, trabalha demais ou tem uma depressão por tratar, mais vale começar por aí.

É bom traçar objetivos e pensar onde nos queremos ver daqui a um ano, mas não desanime se já falhou num ou noutro, porque perceber que um objetivo não é alcançável e ter a coragem de o largar e redefinir pode ser muito mais saudável.

O que acontece quando o nosso sistema imunitário, por erro, ataca o sistema nervoso?

Notícias Saúde

Revisão científica sobre doenças neurológicas autoimunes revela detalhes sobre o que acontece no nosso corpo quando o sistema imunitário, por erro, produz anticorpos que atacam uma proteína essencial para o funcionamento normal dos nervos.

O resultado é hiperexcitabilidade, ou seja, sinais elétricos descontrolados que provocam atividade muscular contínua e involuntária.

As doenças neurológicas autoimunes, como a Esclerose Múltipla, são condições em que o sistema imunitário, por erro, ataca estruturas do próprio sistema nervoso central ou periférico, como neurónios, axónios, mielina ou proteínas específicas.

Uma dessas proteínas denomina-se Contactin-associated protein-like 2 (CASPR2) e é essencial para o funcionamento normal dos nervos, porque ajuda a organizar os canais que regulam os sinais elétricos. Quando tudo está bem, esses sinais chegam aos músculos de forma ordenada, permitindo os movimentos normais do nosso corpo.

Pelo contrário, quando o sistema imunitário produz anticorpos que atacam essa proteína, ocorre inflamação, danos nos neurónios e diversos sintomas neurológicos.

É como se alguém sabotasse os semáforos numa cidade: o trânsito (os sinais elétricos) fica caótico. Nos nervos, isso traduz-se em hiperexcitabilidade, ou seja, sinais elétricos descontrolados que provocam movimentos musculares involuntários, espasmos e alterações na comunicação entre nervos e músculos.

Uma equipa de investigadores, entre os quais o neurologista João Moura (ULS Santo António, ICBAS-U.Porto), apoiado pela Fundação Bial, publicou a revisão Neuromyotonia and CASPR2 Antibodies: Electrophysiological Clues to Disease Pathophysiology na revista científica Biomolecules, que se foca nos anticorpos que atacam a proteína CASPR2 e aprofunda em particular o seu papel na Neuromiotonia, também conhecida como síndrome de Isaacs, uma doença neuromuscular rara caracterizada por hiperexcitabilidade dos nervos periféricos, que provoca atividade muscular contínua e involuntária.

A revisão analisa estudos já existentes para explicar como estes anticorpos interferem com os canais de potássio nos axónios, estruturas fundamentais para manter o equilíbrio elétrico dos nervos.

Estes canais funcionam como “válvulas” que controlam a entrada e saída de cargas elétricas, garantindo que os sinais nervosos são transmitidos de forma segura. Quando os anticorpos atacam a CASPR2, estas válvulas deixam de estar bem organizadas, e os nervos entram num estado de hiperexcitabilidade, enviando sinais repetidos e fora de tempo.

O artigo descreve também as manifestações clínicas mais típicas, como neuromiotonia (contrações musculares persistentes e involuntárias, que podem causar rigidez e fadiga) e mioquimias (movimentos ondulatórios visíveis sob a pele, como se os músculos “tremessem” em pequenas ondas).

Além disso, discute os desafios no diagnóstico destas doenças raras, que muitas vezes são confundidas com outras patologias neurológicas. Nem todos os doentes apresentam anticorpos detetáveis nos exames atuais (os chamados casos seronegativos), o que torna a investigação ainda mais necessária.

Este trabalho é importante porque ajuda a consolidar o conhecimento atual e a identificar lacunas na investigação, abrindo caminho para diagnósticos mais rápidos e precisos e, no futuro, para tratamentos mais eficazes”, reflete João Moura.

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