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Notícias da Saúde em Portugal 746
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Como os jogos do Super Mário Bros. ajudam a combater o burnout
Notícias Saúde
Um novo estudo, publicado pela JMIR Serious Games, refere que os videojogos clássicos e populares, como os jogos Super Mario Bros. e do Yoshi, podem oferecer benefícios emocionais significativos para os jovens adultos.
A investigação descobriu que estes jogos leves e familiares podem despertar um sentido de encantamento infantil que aumenta a felicidade geral, o que, por sua vez, reduz o risco de burnout.
A equipa de investigação realizou entrevistas aprofundadas a estudantes universitários e um inquérito para compreender como e por que razão estes jogos são tão populares.

Os alunos descreveram os jogos do Super Mario Bros. e do Yoshi como inspiradores e que remetem para experiências despreocupadas da infância. Muitos disseram que os jogos ofereciam uma pausa revigorante da pressão académica, das constantes exigências digitais e da cultura do “sempre ligado” que afeta os jovens adultos de hoje.
A pesquisa confirmou estas perceções. Aqueles que sentiram maior encantamento infantil enquanto jogavam também relataram maior felicidade geral. Por sua vez, os jogadores mais felizes apresentaram um risco significativamente menor de burnout.
O estudo, liderado por investigadores do Imperial College London, em Inglaterra, e da Universidade Kyushu Sangyo, no Japão, está entre os primeiros a identificar o encantamento infantil como um caminho psicológico que liga o uso quotidiano de jogos ao bem-estar mental.
“Este estudo sugere que o caminho para combater a síndrome de burnout em jovens adultos pode estar não só no bem-estar tradicional, mas também na recuperação da alegria. Jogos como Super Mario Bros. e Yoshi podem oferecer um antídoto potente para o cinismo e a fadiga característicos da síndrome de burnout”, afirma o autor Andreas B. Eisingerich.
Os jogos que evocam o encantamento infantil podem ter um potencial inexplorado como ferramentas para o bem-estar mental. Para os jovens adultos que enfrentam elevados níveis de stress e pouco tempo livre, as brincadeiras do dia-a-dia podem, discretamente, contribuir para a resiliência de formas anteriormente negligenciadas.
Gota de sangue da ponta do dedo pode detetar Alzheimer
Jornal de Notícias
Um estudo que envolveu o Instituto de Saúde Carlos III (Madrid) e o Centro de Investigação de Alzheimer ACE, em Barcelona, divulgado ontem na revista Nature Medicine, detalhou um novo método para detetar esta doença utilizando uma gota de sangue obtida da ponta do dedo e seca num cartão.
O procedimento foi testado em 337 doentes em sete centros europeus para encontrar proteínas relacionadas com Alzheimer e outras alterações cerebrais no líquido cefalorraquidiano, alcançando 86% de precisão na identificação de alterações relacionadas com a doença.
Cerca de uma em cada nove pessoas com mais de 65 anos sofre desta doença, segundo a Alzheimer's Association.
Os exames de diagnóstico atuais, como a análise do líquido cefalorraquidiano ou técnicas de imagem cerebral (como a TAC ou a PET), são frequentemente invasivos, dispendiosos ou inacessíveis, e também detetam a doença quando esta já está bastante avançada.
Um dos desafios da investigação atual é melhorar os exames de sangue como método de diagnóstico precoce.

Para superar este desafio, o presente estudo centra-se na análise de biomarcadores a partir de gotas de sangue recolhidas da ponta do dedo e secas num cartão. Trata-se de um teste que os doentes podem realizar sozinhos, sem ajuda externa, como foi o caso neste estudo.
Os autores verificaram que os níveis da proteína p-tau217 em amostras obtidas através da impressão digital apresentaram uma elevada semelhança com os resultados dos exames de sangue convencionais e permitiram a identificação de alterações relacionadas com a doença de Alzheimer no líquido cefalorraquidiano com 86% de precisão.
Outros dois biomarcadores associados à doença, o GFAP e o NFL, foram também medidos com sucesso e apresentaram um elevado grau de concordância com os testes de diagnóstico tradicionais.
Os investigadores alertaram também que este procedimento de diagnóstico ainda não está pronto para uso clínico e requer um desenvolvimento adicional.
No entanto, os resultados sugerem que esta técnica simples pode possibilitar diagnósticos em larga escala, incluindo para pessoas com recursos limitados.
“IA permite diagnosticar otite infantil em 10 segundos”: aparelho criado no Porto quer ser aliado dos pais contra as dores de ouvidos
SIC Notícias
Diagnosticar uma otite sem sair de casa é o objetivo do Otitest, criado no Porto pela MetaBlue Solutions.
A start-up portuense desenvolveu um dispositivo que, com recurso a inteligência artificial, identifica sinais de infeção no ouvido das crianças em apenas 10 segundos.
Ainda está em testes, mas deverá chegar ao mercado este ano. Até lá, e se quiser, pode pedir um aparelho para testar.

O Otitest utiliza sensores óticos para recolher dados e um algoritmo de machine learning para classificar o risco: baixo, médio ou alto. A tecnologia responde a um problema comum: otites são uma das principais causas de ida às urgências pediátricas.
“Queremos dar aos pais informação fiável para evitar deslocações desnecessárias”, explica Raul Almeida, fundador da MetaBlue Solution. O dispositivo não substitui o médico, mas ajuda a gerir melhor os primeiros sinais e a decidir quando procurar ajuda.
O projeto está integrado na agenda Health from Portugal e envolve hospitais, universidades e especialistas em pediatria.
A comercialização está prevista para 2026, após validação clínica e certificação europeia. Até lá, a equipa continua a testar o aparelho com famílias e profissionais de saúde.
Novo estudo mostra como o relógio interno do corpo pode influenciar o risco de demência
Euronews
As pessoas com relógios internos menos robustos e mais irregulares poderão ter um risco acrescido de desenvolver demência, de acordo com um novo estudo.
A investigação, publicada na Neurology, a revista médica da Academia Americana de Neurologia, concluiu que a perturbação dos ritmos circadianos está associada a uma maior probabilidade de demência - com um aumento de 45% entre as pessoas cuja atividade diária atinge o seu pico mais tarde.
O ritmo circadiano é o relógio interno do corpo que regula os ciclos de 24 horas de alterações físicas, mentais e comportamentais, como o ciclo sono-vigília, a libertação de hormonas, a digestão e a temperatura corporal. É orientado pelo cérebro e fortemente influenciado pela exposição à luz.
Quando os ritmos circadianos são robustos, o relógio do corpo alinha-se bem com o dia de 24 horas e envia sinais claros para as principais funções do corpo. As pessoas com ritmos mais fortes tendem a manter horários regulares para o sono e a atividade diária, mesmo quando o seu horário ou as estações do ano mudam.
Pelo contrário, quando os ritmos são fracos, é mais provável que as mudanças de luz e de rotina desviem o relógio biológico do seu rumo. As pessoas com padrões menos estáveis são mais propensas a alterar os seus horários de sono e de atividade.
As alterações temporárias, como o jet lag e o trabalho por turnos, podem afetar negativamente o sono, o humor e a saúde em geral, quando repetidas ou prolongadas.
Com o envelhecimento, os ritmos circadianos tornam-se mais fracos e irregulares. As pessoas mais velhas tendem a deitar-se e a acordar mais cedo e a ter um sono mais fragmentado.
"As alterações dos ritmos circadianos ocorrem com o envelhecimento e as provas sugerem que as perturbações do ritmo circadiano podem ser um fator de risco para doenças neurodegenerativas como a demência", afirmou a autora do estudo Wendy Wang, professora assistente de epidemiologia e medicina interna na UT Southwestern.
"O nosso estudo mediu estes ritmos de repouso-atividade e descobriu que as pessoas com ritmos mais fracos e mais fragmentados, e as pessoas com níveis de atividade que atingiram o pico no final do dia, tinham um risco elevado de demência", acrescentou.
A investigação analisou mais de 2.000 participantes nos Estados Unidos, com uma idade média de 79 anos, nenhum dos quais sofria de demência no início do estudo. Os participantes usaram pequenos monitores cardíacos durante cerca de duas semanas, permitindo aos cientistas seguir os padrões de repouso e de atividade e avaliar a força do ritmo circadiano de cada pessoa.

Os investigadores seguiram depois os participantes durante três anos, durante os quais 176 pessoas desenvolveram demência.
Dividiram a coorte em três grupos, com base na força do ritmo, medida pelas diferenças entre os períodos mais e menos ativos de uma pessoa num dia.
Os resultados mostraram que as pessoas do grupo de ritmo mais fraco tinham quase 2,5 vezes mais risco de desenvolver demência do que as do grupo de ritmo mais forte.
Observaram também que as pessoas cujo pico de atividade se verificava no final da tarde - a partir das 14h15 - tinham um risco 45% maior de desenvolver demência do que as que tinham um pico de atividade mais cedo.
Este tipo de horário atrasado pode causar um desfasamento entre o relógio do corpo e os sinais ambientais, como as horas tardias e a escuridão.
"As nossas descobertas também preparam o terreno para futuras investigações que avaliem o papel potencial das intervenções no ritmo circadiano, como a terapia da luz, a utilização de melatonina ou as modificações do estilo de vida na prevenção da demência", escreveram os investigadores.
Um horário de sono regular, bem como rotinas de exercício e exposição à luz natural, especialmente de manhã, provaram ser intervenções eficazes e não invasivas para ajudar a manter os ritmos circadianos.

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