Notícias da Saúde em Portugal 748

As notícias diárias à distância de um clique - sempre às 12:00h

A surpreendente ligação entre a luz natural e o açúcar no sangue

Notícias Saúde

As doenças metabólicas atingiram proporções epidémicas na nossa sociedade, impulsionadas por um estilo de vida sedentário aliado ao desalinhamento circadiano, ou seja, à falta de alinhamento entre os nossos relógios biológicos intrínsecos e os sinais ambientais.

Além disso, passamos quase 90% do nosso tempo em ambientes fechados, com uma exposição muito limitada à luz natural. Para investigar o papel específico da luz natural no metabolismo humano, sobretudo no controlo glicémico, um grupo de investigadores realizou um estudo em pessoas com diabetes tipo 2.

Quando expostos à luz natural, os participantes apresentaram níveis de glicose no sangue mais estáveis ​​e uma melhoria geral do seu perfil metabólico. Estes resultados, publicados na revista Cell Metabolism, fornecem a primeira evidência do impacto benéfico da luz natural em pessoas com diabetes tipo 2.

“Passamos grande parte dos nossos dias sob iluminação artificial, que tem uma intensidade luminosa mais baixa e um espectro de comprimento de onda mais estreito do que a luz natural. A luz natural é também mais eficaz na sincronização do relógio biológico com o ambiente. Será que a falta de luz natural é a culpada por doenças metabólicas como a diabetes tipo 2?”

Joris Hoeks, professor associado da Universidade de Maastricht

A equipa de investigação recrutou 13 voluntários com 65 anos ou mais, todos com diabetes tipo 2, que passaram 4,5 dias em espaços especialmente concebidos na Universidade de Maastricht, iluminados ou com luz natural através de grandes janelas, ou com luz artificial.

Após um intervalo de pelo menos quatro semanas, regressaram para uma segunda sessão, desta vez noutro ambiente de iluminação.

Este modelo experimental permite-nos examinar as mesmas pessoas em ambas as condições, o que limita a variabilidade individual nos nossos resultados”, explica Joris Hoeks.

Surpreendentemente, mesmo durante a curta duração da experiência, foi observado um impacto significativo: nas pessoas expostas à luz natural, os níveis de glicose no sangue permaneceram dentro do intervalo normal durante mais horas por dia, com menos variabilidade.

Para melhor compreender as alterações positivas observadas no metabolismo do organismo, os cientistas recolheram amostras de sangue e músculo dos voluntários antes, durante e após cada tratamento com luz.

“Em conjunto, os resultados mostram claramente que o relógio biológico e o metabolismo são influenciados pela luz natural. Isto pode explicar a melhoria da regulação da glicemia e a melhor coordenação entre o relógio central no cérebro e os relógios nos órgãos”, explica Charna Dibner, professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de Genebra (UNIGE) e dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG)

Este estudo, o primeiro estudo cruzado controlado do mundo, envolveu apenas um pequeno grupo de idosos com diabetes tipo 2 durante um curto período de tempo. Ainda assim, é a primeira evidência do efeito benéfico da luz natural na saúde metabólica, em comparação com a luz artificial a que tendemos a estar expostos a maior parte do tempo.

O próximo passo será estudar as interações entre a exposição à luz natural e a saúde metabólica em condições reais, equipando os voluntários com detetores de luz e dispositivos de medição de glicose durante várias semanas”, afirma Jan-Frieder Harmsen, autor principal do estudo.

Este estudo também destaca o impacto, muitas vezes negligenciado, da arquitetura dos edifícios na nossa saúde.”

Tratar a obesidade custa "300 e tal euros por mês"

CNN

São já mais de metade os portugueses que sofrem de obesidade ou excesso de peso em Portugal.

É o que revelam os dados de 2022, respetivos à população adulta: 37,3% dos portugueses tinha excesso de peso e 15,9% cumpria os requisitos de um quadro de obesidade.

Os sistemas de saúde deixaram há muito de estar indiferentes ao problema e, por isso, têm investido em soluções. Há, portanto, uma saída, que pode passar pela medicação.

O Ozempic, que é um dos nomes mais populares entre os medicamentos usados para o tratamento da obesidade, foi "desenhado e estudado para a diabetes", mas a molécula que compõe este medicamento tornou-se um fenómeno para tratar o excesso de peso.

O Ozempic tornou-se notícia por causa disso, mas também é notícia por causa de acontecimentos como o da endocrinologista Graça Vargas, que recentemente foi acusada em Portugal de ter receitado, de forma fraudulenta, medicamentos antidiabéticos no valor de mais de 9,7 milhões de euros, num esquema em que as receitas eram emitidas através do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para garantir a comparticipação estatal destes fármacos a utentes que na verdade queriam perder peso.

Para a também endocrinologista Maria João Oliveira, este caso pode ser reflexo de um problema maior. "Infelizmente, no nosso país não temos qualquer comparticipação dos fármacos para a obesidade, o que não está correto - temos obesidades gravíssimas em que a única solução possível acaba por ser a cirurgia", afirma à CNN Portugal.

"Estamos perante uma situação complicada, porque estes fármacos custam imenso dinheiro", sublinha Maria João Oliveira, lembrando que a obesidade deve receber atenção médica e tratamento adequado - é reconhecida como um problema de saúde pública.

O problema, diz, é que os pacientes não conseguem suportar estes fármacos - que "custam 300 e tal euros por mês".

"No Wegovy, um miligrama custa 153 euros; 1,7 miligramas custam à volta de 200 euros; e 2,4 miligramas custam 244 euros", explica a presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas.

E há uma diferença substancial entre o Ozempic e o Wegovy: o primeiro é comparticipado pelo Estado (mas para o tratamento da diabetes), ao contrário do segundo, que foi concebido para o tratamento da obesidade, mas não tem qualquer comparticipação.

A boa notícia é que a lista de soluções, outrora limitada aos fármacos injetáveis, acaba de ser alargada aos medicamentos de administração oral, que começam esta semana a ser vendidos nos EUA.

O novo formato traz consigo pelo menos duas vantagens ao tornar o processo menos invasivo e mais barato para a carteira dos utentes. Apesar de ser expectável que a Agência Europeia do Medicamento (EMA) acabe por aprovar a comercialização do Wegovy em comprimido, ainda não há uma data para a chegada do fármaco ao mercado português.

"O tratamento da obesidade, seja ele farmacológico ou cirúrgico, é custo eficaz porque as pessoas não só não têm uma série de doenças metabólicas, mentais e mecânicas, mas também são mais produtivas para a sociedade. Se eu tiver uma pessoa que não trabalha, que não tem capacidade, essa pessoa tem custos porque eu não estou a tratar a obesidade, mas estou a tratar as 200 doenças associadas."

Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM)

Paula Freitas lamenta o facto de nenhum fármaco para o tratamento da obesidade ser comparticipado no país, "apesar de Portugal há 21 anos ter sido pioneiro a considerar a obesidade uma doença".

Nesta notícia poderá ainda ler sobre:

  • Como funcionamento o tratamento - que pode ser para sempre

  • Efeitos adversos (e quem não pode tomar)

7 sinais no sangue podem antecipar várias doenças crónicas

Notícias Saúde

Um pequeno conjunto de biomarcadores comuns no sangue consegue prever quais os idosos que vão desenvolver combinações específicas de doenças crónicas e com que rapidez, revela um novo estudo do Instituto Karolinska, publicado na Nature Medicine.

Viver com várias doenças crónicas em simultâneo, o que é conhecido como multimorbilidade, é comum entre os idosos e impõe uma pressão considerável, não só sobre a pessoa, mas também sobre os serviços de saúde.

Um estudo liderado por investigadores do Centro de Investigação sobre o Envelhecimento do Instituto Karolinska, na Suécia, identificou um pequeno número de biomarcadores sanguíneos que podem prever o risco de multimorbilidade.

Os investigadores analisaram 54 biomarcadores presentes no sangue de mais de 2.200 participantes, que refletem processos biológicos como a inflamação, a saúde vascular, o metabolismo e a neurodegeneração.

De seguida, examinaram a relação entre estes e três medidas de multimorbilidade: número total de doenças, cinco padrões comuns de doenças e a rapidez com que as doenças se acumularam ao longo de um período de 15 anos.

Verificámos que certos biomarcadores no sangue, especialmente aqueles relacionados com o metabolismo, estavam fortemente associados tanto a combinações específicas de doenças como à rapidez com que as novas doenças se desenvolviam”, afirma a primeira autora do estudo, Alice Margherita Ornago, estudante de doutoramento no Centro de Investigação sobre o Envelhecimento do Departamento de Neurobiologia, Ciências do Cuidado e Sociedade do Instituto Karolinska.

Sete biomarcadores revelaram-se particularmente significativos. Cinco deles foram consistentemente associados a todas as medidas de multimorbilidade consideradas no estudo. Outros dois estiveram especificamente relacionados com a velocidade de progressão da doença ao longo do tempo.

O nosso estudo sugere que as perturbações no metabolismo, as respostas ao stress e a regulação energética estão entre os principais fatores que impulsionam a multimorbilidade nos idosos”, afirma o investigador principal, Davide Liborio Vetrano, professor associado do mesmo departamento.

Isto abre a possibilidade de utilizar análises sanguíneas simples para identificar indivíduos de alto risco, permitindo intervenções mais precoces no futuro”.

Os investigadores planeiam agora acompanhar como estes biomarcadores sanguíneos mudam ao longo do tempo e estudar se as mudanças no estilo de vida ou os medicamentos podem afetar o processo.

Espera por tratamento de fertilidade passou de três anos para três meses no Hospital São João

Jornal de Notícias

Começando pelas infraestruturas, aumentaram para o dobro, tendo agora cerca de 650 metros quadrados. A equipa também foi reforçada, sendo composta por 20 pessoas, entre médicos, enfermeiros, biólogos, administrativos e auxiliares.

Ao todo, entre a obra e os equipamentos adquiridos, foram gastos aproximadamente dois milhões de euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

O Centro de Responsabilidade Integrada de Medicina de Reprodução (CRI) foi criado em 2023, mas a procura elevada motivou esta expansão.

Os grandes objetivos do investimento passavam por "duplicar a produção, ter instalações de referência a nível nacional e internacional e, por fim, resolver o problema do diagnóstico genético pré-implantatório em Portugal".

"Quando criámos o CRI, havia um histórico de procura deste procedimento de 400 casais por ano. Fechámos 2025 com 900 casais, conseguindo dar resposta a todos os doentes que nos procuram", explicou Manuel Melo, diretor de gestão do CRI.

Atualmente, após a realização do Teste Genético Pré-implantacional (PGT), que vai permitir garantir que estão reunidas as condições necessárias para que o tratamento proporcione uma gravidez saudável, o tempo de espera para o início do mesmo ronda os quatro meses.

A inauguração oficial das novas instalações do CRI está agendada para o próximo mês, com a garantia de Manuel Melo de que nessa data serão anunciadas "soluções absolutamente inovadoras no que toca ao aumento da literacia e acompanhamento dos doentes, bem como de libertação de médicos para trabalho mais clínico".

Obrigado por ler a medsupport.news.

A equipa da MedSUPPORT.

p.s. Se gostou desta newsletter, partilhe-a com os seus amigos e colegas! Todos podem subscrever aqui a medsupport.news.

Reply

or to participate.