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Notícias da Saúde em Portugal 750
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Japoneses criam plástico que desaparece no mar em duas horas
Jornal de Notícias
Investigadores japoneses desenvolveram um novo plástico biodegradável que se decompõe totalmente em água salgada em apenas duas horas, sem gerar resíduos nem microplásticos.
O material, criado pelo Instituto RIKEN e descrito na revista "Journal of the American Chemical Society", combina celulose vegetal com iões especiais que se ligam como ímanes, formando uma estrutura resistente e flexível.
Ao contrário dos plásticos biodegradáveis convencionais, que demoram anos a degradar-se e libertam micropartículas nocivas, este novo polímero desfaz-se de forma segura no oceano.

Inicialmente duro e frágil, o material ganhou elasticidade com a adição de cloreto de colina, permitindo-lhe esticar até 130% sem perder resistência. Embora ainda não esteja pronto para produção em larga escala, os cientistas acreditam que este avanço representa um passo decisivo para reduzir a poluição plástica.
Produzido a partir de celulose - uma das substâncias mais abundantes da Natureza - o novo plástico poderá vir a ser usado no dia a dia sem impacto ambiental, contribuindo para a proteção dos ecossistemas marinhos e do Planeta.
Cancro não vai ter vacina mas pode ser controlado
SIC Notícias
Dois terços das pessoas que têm cancro já não morrem de cancro, mas não vai haver uma vacina, pelo que rastreio, prevenção, controlo e informação devem ser a aposta, resumiu o investigador Manuel Sobrinho Simões.
"Todos os anos, no mundo, aumenta muito o número de cancros. Mas as pessoas que morrem por cancro não têm aumentado. O que significa que, todos os anos, melhoramos a taxa de controlo. Não podemos falar em cura, mas falamos em controlo. Perceber isso é muito importante, e é isto que fazemos nestas sessões", descreveu, em declarações à Lusa, o diretor do IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto)
O patologista que foi Prémio Pessoa em 2002 falava a propósito da quinta edição do ciclo "Tratar o Cancro por Tu", que começa amanhã e se prolonga até 12 de março, levando cientistas e especialistas a "tornar a linguagem tão acessível quanto possível" em sessões em Matosinhos, Guarda, Évora, Viana do Castelo, Guimarães e Angra do Heroísmo.
"Felizmente, dois terços das pessoas que têm cancro já não morrem de cancro. Portanto, é um resultado muito bom", descreveu o anfitrião da iniciativa.
Por outro lado, embora a palavra cancro continue "a ter uma ressonância em Portugal muito assustadora", 70% das pessoas com cancro da mama "já não morrem de cancro da mama".

Na iniciativa "Tratar o Cancro por Tu", pretende-se, por isso, falar sobre "muitas doenças a que as pessoas chamam cancro" mas que pode ser tratada, "que vai ficar bem, que pode ficar curada ou, se não for curada, vai ser controlada".
Sobrinho Simões alerta que apenas se conseguem antecipar 40% dos casos de cancro com rastreio e, quanto aos restantes 60% dos casos, cada vez mais vão aparecer situações que se conseguem controlar. Outra coisa "em que se melhorou muito foi no rastreio", mas a maior parte dos cancros (90%) "não são herdados dos pais".
"O cancro é uma doença genética, porque as células malignas têm alterações genéticas, mas na grande maioria dos casos não têm a ver com a pessoa, no sentido de herdarem essas alterações dos pais", destacou.
Em causa estão, por exemplo, "alterações genéticas secundárias de fumar", já que "o tabaco induz mutações genéticas, mas não é hereditário".
Estudo: IA assinala riscos de mais de 100 doenças numa só noite de sono
Euronews
Um novo modelo de inteligência artificial (IA) consegue indicar se uma pessoa está em risco de desenvolver mais de 100 problemas de saúde, com base na qualidade do seu sono.
O SleepFM, um modelo de linguagem de grande dimensão (LLM) desenvolvido por investigadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, analisa a atividade cerebral, a frequência cardíaca, os sinais respiratórios, os movimentos das pernas e dos olhos durante o sono para avaliar o risco de doença.
Num novo estudo publicado na Nature, os investigadores treinaram o modelo de IA com mais de 580.000 horas de dados de sono recolhidos de 65.000 doentes entre 1999 e 2024.
Os dados provinham de clínicas do sono, unidades médicas que avaliam padrões de sono durante a noite, e foram divididos em segmentos de cinco segundos, que funcionaram como palavras para treinar os LLM.
“O SleepFM está, no essencial, a aprender a linguagem do sono”, disse James Zou, professor associado de ciência de dados biomédicos em Stanford e coautor do estudo.

Os investigadores complementaram estes dados com os registos de saúde individuais dos doentes das clínicas do sono, para treinar o SleepFM a prever doenças futuras.
O modelo de IA acertou em pelo menos 80% das vezes ao prever se um doente iria desenvolver doença de Parkinson, doença de Alzheimer, demência, cardiopatia hipertensiva, enfarte, cancro da próstata e cancro da mama. Previu também corretamente a morte de doentes em 84% dos casos.
“Registamos um número impressionante de sinais de saúde quando estudamos o sono”, disse Emmanuel Mignot, professor de medicina do sono em Stanford.
Os autores do estudo referem que a combinação de todos os dados ajudou o modelo a alcançar as previsões mais precisas. Por exemplo, sinais corporais dessincronizados, como um cérebro que parece adormecido mas um coração que parece acordado, eram sinal de problemas.
Stanford indicou que irá acrescentar, numa fase seguinte, dados de dispositivos "wearables" à base de dados do SleepFM, para melhorar ainda mais as previsões do modelo.
Estudo mostra que não há dois tumores iguais… nem dois tratamentos
Notícias Saúde
Investigadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego lideraram o primeiro ensaio clínico do mundo a demonstrar que os tratamentos contra o cancro podem ser personalizados de forma segura e eficaz com base no ADN exclusivo do tumor de cada pessoa.
Os resultados do estudo, publicados no Journal of Clinical Oncology, revelaram que individualizar os tratamentos com múltiplos medicamentos, de acordo com as mutações tumorais específicas de cada doente, através de testes moleculares, pode aumentar significativamente o sucesso do tratamento.
“Cada doente e cada cancro são únicos, e o mesmo deve acontecer com a forma como os tratamos”, afirma Jason Sicklick, autor sénior do estudo.
“Os nossos resultados demonstram que a oncologia de precisão a nível individual é possível. Quando o tratamento de cada doente é orientado pelo ADN distintivo do seu tumor, podemos tratar o cancro com maior precisão.”
O ensaio clínico utilizou a sequenciação genómica avançada para identificar as alterações que impulsionam o cancro de cada pessoa. Os médicos desenvolveram, então, planos de tratamento personalizados com doses cuidadosamente ajustadas de medicamentos para cada pessoa, visando precisamente essas alterações moleculares, o oposto de uma abordagem única para todos.

Entre um grupo de 210 pessoas com cancros avançados que foram tratadas, quase 95% apresentavam perfis de ADN tumoral distintos, ou seja, não existiam dois cancros iguais. Isto levou a 157 regimes de tratamento diferentes, incluindo 103 novas combinações de medicamentos que nunca tinham sido testadas em conjunto antes.
Os doentes cujas terapias eram mais adequadas às suas mutações tumorais obtiveram melhores resultados de tratamento, aumentando as suas hipóteses de resposta e sobrevivência. É importante salientar que aqueles que receberam novas combinações de medicamentos não apresentaram efeitos secundários mais graves do que os doentes que receberam as terapêuticas padrão.
“O estudo mostra o que é possível quando deixamos que a biologia do doente guie o seu tratamento”, explica Shumei Kato, professora de Medicina na Escola de Medicina da UC San Diego e oncologista clínica.
“Este estudo reflete a força da nossa abordagem multidisciplinar baseada em equipas, combinando liderança científica, experiência em ensaios clínicos e a infraestrutura necessária para levar as descobertas diretamente aos doentes. É um exemplo poderoso de como estamos a moldar o futuro da oncologia de precisão e a colocar o doente no centro de cada decisão”, reforça Diane Simeone, diretora do Moores Cancer Center.
“Em vez de uma abordagem única para todos, estamos a caminhar para uma abordagem personalizada”, conclui Sicklick.

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