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Mais de metade das pessoas recorrem à automedicação e a maioria não diz ao médico

Jornal de Notícias

Mais de metade das pessoas recorrem à automedicação, segundo um estudo divulgado hoje, que mostra uma prática mais disseminada do que se pensa e também usada na saúde mental, sendo que a maioria não diz ao médico.

Os investigadores alertam para a necessidade de garantir que a automedicação seja parte da integração de cuidados e defendem que, para isso acontecer, as pessoas devem ter acesso a informação clara e acessível, para saber quando podem tratar um problema por si, e deve haver estruturas de proximidade que consigam avaliar a necessidade e orientar o utente e uma comunicação entre os prestadores.

O relatório hoje divulgado faz parte da Cátedra em Economia da Saúde, enquadrada na Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação "la Caixa", o BPI e a Nova SBE.

No documento, a que a Lusa teve acesso, os investigadores Pedro Pita Barros e Carolina Santos reconhecem que o sistema deve ter um apoio estruturado à automedicação, que quando usada da melhor forma pode aliviar os serviços de saúde de casos que não precisam de cuidados médicos específicos.

"Compreender as circunstâncias em que a automedicação é percecionada como bem-sucedida, e aquelas em que falha, é por isso essencial para desenvolver estratégias de saúde pública que promovam um autocuidado seguro", consideram.

O trabalho, que resultou de inquéritos feitos em 2025 a mais de 1600 pessoas em Portugal - de várias geografias, condição social e económica faixas etárias - mostra que mais de metade dos inquiridos (51,85%) disse já ter recorrido à automedicação em algum momento, indicando "uma prática muito mais disseminada do que habitualmente se reconhece".

O fenómeno é mais prevalente em grupos etários mais jovens (entre os 25 e 34 anos), com 66,26% destes a confessarem ter-se automedicado pelo menos uma vez. Por oposição, entre as pessoas com 85 ou mais anos, foram 39,62% os que afirmaram nunca ter recorrido à automedicação.

Níveis mais elevados de rendimento e de escolaridade estão também associados a uma maior frequência de automedicação. Quanto à escolaridade, enquanto 60,77% dos inquiridos com ensino superior disseram ter recorrido à automedicação no passado, essa proporção desce para 47,64% entre os que têm níveis de escolaridade inferiores.

Este resultado sugere que "a automedicação pode refletir, em parte, dificuldades no acesso a cuidados de saúde profissionais", dizem os investigadores.

A maioria dos inquiridos (57,3%) referiu que, na última vez que se automedicou, o fez por já ter enfrentado um problema semelhante no passado e 30,4% apontou a existência, em casa, de medicamentos disponíveis para tratar a situação em causa.

Quando questionados sobre como obtiveram informação acerca do medicamento, mais de metade (54,24%) disse ter-se baseado em experiências anteriores com o mesmo fármaco, 37,96% por aconselhamento na farmácia e 7,56% por recomendações de familiares ou amigos.

Nos casos em que as pessoas optam por se automedicar, as farmácias continuam a ser o local privilegiado para obter medicamentos, um resultado que os investigadores dizem evidenciar uma "fronteira difusa" entre o autocuidado e a "automedicação orientada".

Ainda assim, entre os que já se automedicaram, mais de um terço (38,2%) disse ter usado medicamentos que já tinha em casa devido a episódio anterior de doença.

Os investigadores avisam que a automedicação também se estende a áreas como a saúde mental e as doenças crónicas, em que o autodiagnóstico incorreto, o adiamento do recurso a cuidados profissionais, as interações medicamentosas ou o uso inadequado podem representar riscos acrescidos.

Novo teste sanguíneo pode diagnosticar doença de Crohn antes de sintomas

Jornal de Notícias

Uma equipa de cientistas desenvolveu um teste sanguíneo que pode prever a doença de Crohn anos antes do aparecimento dos sintomas, abrindo caminho para o diagnóstico precoce e, potencialmente, para a prevenção através de uma vacina.

O teste permite medir a resposta imunitária de uma pessoa à flagelina, uma proteína presente em bactérias intestinais da família "Lachnospiraceae".

Segundo os cientistas, a presença de anticorpos contra a flagelina muito antes do aparecimento de quaisquer sintomas sugere que esta reação imunitária pode contribuir para desencadear o aparecimento da doença, em vez de ser uma consequência da mesma, refere em comunicado o Instituto de Investigação Lunenfeld-Tanenbaum, no Canadá, que conduziu o trabalho, descrito na publicação "Clinical Gastroenterology and Hepatology".

A equipa acompanhou 381 familiares de primeiro grau de pessoas com doença de Crohn, dos quais 77 desenvolveram a doença posteriormente. Destes, 28 apresentaram respostas elevadas de anticorpos, sendo mais fortes em irmãos.

Os investigadores confirmaram que a resposta de pré-doença à flagelina das bactérias "Lachnospiraceae" estava associada à inflamação intestinal e à disfunção da barreira intestinal, ambas características da doença de Crohn.

Em pessoas saudáveis, as bactérias coexistem pacificamente no intestino e desempenham um papel essencial na manutenção da saúde digestiva. Na doença de Crohn, no entanto, o sistema imunitário parece desencadear uma resposta anormal contra microrganismos normalmente benéficos, adianta a nota do Instituto de Investigação Lunenfeld-Tanenbaum.

Os resultados ontem divulgados do trabalho realizado por investigadores do Instituto Lunenfeld-Tanenbaum, que carecem de validação em mais estudos, perspetivam, segundo os autores, o potencial para a criação de uma vacina dirigida à flagelina das bactérias intestinais em pessoas consideradas de alto risco para prevenir o aparecimento da doença de Crohn.

Quase três em dez portuguesas adiam rastreio do cancro do colo do útero por razões laborais

Jornal de Notícias

Mulheres portuguesas são as que mais protelam datas de consultas de rastreio de cancro de colo do útero devido ao trabalho. Estudo realizado em território nacional, Bélgica, Itália, Holanda, Polónia e Espanha coloca as portuguesas como recordistas neste adiamento ou mesmo anulação da consulta.

Estudo feito junto de mais de cinco mil mulheres com idades entre os 16 e os 64 anos, quase 900 das quais em Portugal, revela as razões que as levam a adiar ou cancelar consultas para retardar o cancro do colo do útero, sendo que a existência previa e HPV pode ser um fator determinante no desenvolvimento da doença.

A análise revelou que "as pessoas que efetivamente adiaram as suas consultas foi em Portugal, sendo os compromissos profissionais o argumento usado por 28%, um valor superior à média dos outros países", lê-se no comunicado que acompanha o estudo Cervical Cancer Europe Study 2025.

Ao detalhe, as conclusões da análise indicam "a necessidade de maior flexibilidade no local de trabalho, uma vez que 76% das mulheres que atrasaram a consulta de rastreio trabalham a tempo inteiro e 28% dizem-se sobrecarregadas, o que evidencia a necessidade de maior flexibilidade no local de trabalho, pedida por 23% de todas as mulheres inquiridas", indica a mesma nota.

Tratando-se de um cancro que afeta mais de 600 mil mulheres em todo o mundo e o segundo tumor maligno mais previamente nas portuguesas, com cerca de 500 casos identificados todos os anos, estudo considera que "um processo de marcação de consulta mais fácil ou conveniente (33%), uma melhor comunicação por parte dos profissionais de saúde (32%) ou opções alternativas de rastreio, como a auto-colheita vaginal para o teste de rastreio (25%)" poderiam ajudar a combater o absentismo das consulta.

Alguns conservantes alimentares associados a maior risco de cancro e diabetes

Euronews 

Os conservantes químicos presentes em alguns produtos de charcutaria, frutos secos, queijos e chocolates podem aumentar o risco de alguns tipos de cancro e de diabetes de tipo 2, segundo os autores de dois novos estudos importantes.

Os estudos, publicados no BMJ e na Nature Communications, referem que um consumo mais elevado de determinados aditivos conservantes está associado a uma incidência 47% mais elevada de diabetes de tipo 2 e até 32% mais elevada de alguns tipos de cancro, em comparação com um consumo mais baixo.

"Este estudo traz novas perspetivas para a futura reavaliação da segurança destes aditivos alimentares pelas agências de saúde, considerando o equilíbrio entre o benefício e o risco para a conservação dos alimentos e o cancro", escreveram os autores do estudo sobre o cancro.

Os conservantes pertencem à família dos aditivos alimentares e são amplamente utilizados pela indústria alimentar mundial para prolongar o prazo de validade dos produtos.

Para a análise da diabetes, os conservantes foram agrupados em não antioxidantes, que inibem principalmente o crescimento microbiano ou retardam as alterações químicas que conduzem à deterioração, e antioxidantes, que retardam ou impedem a deterioração dos alimentos, limitando a oxidação.

Uma maior ingestão de conservantes não antioxidantes foi associada a uma incidência 49% mais elevada de diabetes tipo 2. No caso dos aditivos antioxidantes, a incidência de diabetes de tipo 2 foi 40% superior quando o consumo dos participantes era elevado.

O estudo sobre o cancro, para além de analisar a ingestão global de conservantes, também examinou 17 substâncias individuais.

Embora não tenha sido encontrada qualquer associação entre o consumo total de conservantes e a incidência global de cancro, verificou-se que o consumo mais elevado de determinados conservantes estava associado a cancros específicos.

O sorbato de potássio, habitualmente utilizado nos produtos lácteos e nos produtos de pastelaria para evitar o crescimento de bolores e leveduras, foi associado a uma incidência 14% mais elevada de cancro em geral e a um risco 26% mais elevado de cancro da mama, segundo os investigadores.

O nitrito de sódio, um agente de cura encontrado no bacon, fiambre, salsichas e outras carnes, foi associado a uma incidência 32% mais elevada de cancro da próstata, enquanto o nitrato de potássio, outra substância de cura, foi associado a um risco acrescido de cancro geral (13%) e de cancro da mama (22%).

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou as carnes processadas, incluindo fiambre, bacon, salame e salsichas, como um agente cancerígeno do Grupo 1.

Os acetatos, reguladores de acidez e agentes aromatizantes comuns, foram associados a um aumento de 15% do risco de cancro global e de 25% do risco de cancro da mama.

Embora seja necessária mais investigação para compreender melhor estas ligações, os investigadores afirmaram que estes novos dados apoiam uma reavaliação dos regulamentos que regem a utilização destes aditivos pela indústria alimentar para melhorar a proteção dos consumidores.

Entretanto, apelam aos fabricantes para que limitem a utilização de conservantes desnecessários e apoiam as recomendações para que os consumidores privilegiem os alimentos frescos e minimamente processados.

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