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Sociedades médicas lançam estudo nacional sobre diabetes e risco cardiovascular

Canal S+

As Sociedades Portuguesas de Diabetologia (SPD) e de Cardiologia (SPC) vão iniciar, em março, um estudo nacional “de larga escala” sobre diabetes e risco cardiovascular, uma iniciativa “inédita em Portugal” que envolverá mais de 20.000 participantes, foi ontem divulgado.

Promovido e coordenado cientificamente pela SPD e SPC, em parceria com a IQVIA que é responsável pela execução técnica e análise estatística, e com a SYNLAB que assegura a componente laboratorial, o estudo chama-se Pulsar Portugal e está a ser precedido por um piloto em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, que arrancou este mês e visa servir de “teste”.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da SPC, Cristina Gavina, explicou que Gaia foi o concelho escolhido para o teste “pelas características da população, em jeito de salto para a caracterização geral da população portuguesa”.

O Pulsar Portugal, que tem uma duração prevista de 18 meses, irá avaliar a prevalência da diabetes (diagnosticada e não diagnosticada), os principais fatores de risco cardiovascular na população adulta (18/79 anos), a qualidade de vida associada a diferentes níveis de risco, bem como a incidência e mortalidade por eventos cardiovasculares (enfarte agudo do miocárdio, AVC e insuficiência cardíaca) após cinco e 10 anos do início do estudo.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na Europa e em Portugal, representando 42,5% dos óbitos europeus e 25,9% dos óbitos nacionais.

A diabetes, uma das doenças crónicas de maior prevalência na Europa, representa um importante fator na carga de doença e encontra-se frequentemente associada a complicações cardiovasculares.

Segundo a responsável, os dados atualmente existentes em Portugal têm mais de uma década, não refletindo a evolução demográfica, clínica e social do país.

Este é um estudo extremamente ambicioso, mas que tem uma relevância crítica, porque vai tentar caracterizar a prevalência dos fatores de risco em Portugal a partir dos 18 anos. Temos alguns dados das pessoas que são seguidas nos cuidados de saúde primários e podemos calcular uma aproximação daquilo que poderá ser a prevalência dos fatores de risco, mas nunca fazemos rastreios sistemáticos de fatores de risco cardiovascular. O nosso país tem alguma limitação nesse sentido”, descreveu a presidente da SPC.

Para colmatar esta lacuna, estas duas sociedades portuguesas querem lançar dentro de menos de três meses o “Pulsar Portugal”, um estudo exclusivamente presencial, gratuito para os participantes, cujos rastreios serão realizados num laboratório de análises clínicas próximo da área de residência de quem for selecionado, isto para garantir cobertura geográfica nacional, proximidade ao domicílio e equidade no acesso.

Os participantes terão acesso a recolha de dados clínicos e demográficos, medições antropométricas e pressão arterial e análises laboratoriais completas.

Os participantes vão receber os resultados de análises que, algumas delas são feitas fora daquilo que é um rastreio convencional e, inclusivamente, não são compartilhados a nível do SNS [Serviço Nacional de Saúde]. E vamos fazer isso de forma gratuita. Vão ter acesso a resultados e vão poder discutir com os seus médicos. Vão ficar com uma caracterização do seu risco, ajudando-os, provavelmente, no futuro a tomar determinadas decisões relativamente ao que querem fazer, ao seu estilo de vida”, descreveu a responsável em jeito de apelo à participação.

O convite aos participantes será aleatório através de um ‘sms’ depois de uma pré-seleção, por sexo e idade, com base na listagem de utentes dos centros de saúde.

Ao participante basta dizer ‘sim’ e depois deslocar-se a um centro de recolha de análises parceiro da iniciativa.

Pessoas entre 40 e 79 anos serão convidadas a integrar uma ‘coorte’ longitudinal, acompanhada durante 10 anos, através dos registos clínicos das Unidades Locais de Saúde, mediante consentimento informado.

Assim, é objetivo do Pulsar Portugal criar uma base de dados científica para melhorar a compreensão dos fatores de risco, apoiar o desenvolvimento de políticas de prevenção e favorecer a tomada de decisão no contexto das Unidades Locais de Saúde.

Acreditamos que este será um trabalho particularmente importante se pensarmos que hoje em dia o financiamento na saúde vai ser definido também por aquilo que é a complexidade das doenças, a carga das doenças nos vários locais (…). Aliás foi aprovado no Parlamento Europeu um plano com financiamento associado a estes temas: doença cardiovascular, rastreios”, considerou Cristina Gavina.

Inteligência Artificial anuncia era do autoexame para descobrir Alzheimer, Parkinson ou cancro

Jornal de Notícias

Um auricular que deteta sinais precoces de Alzheimer ou uma aplicação que digitaliza a íris à procura de vestígios de cancro são algumas das ferramentas com inteligência artificial (IA) que tem como objetivo disseminar o autoexame das doenças.

"A medicina preventiva não funciona hoje porque ninguém quer ir ao médico a toda a hora para fazer exames. Mas e se soubéssemos quando precisamos de ir?"

Ramses Alcaide, CEO da startup Neurable

Anéis, pulseiras e relógios inteligentes, omnipresentes na recente feira de tecnologia CES em Las Vegas, já conseguem monitorizar o ritmo cardíaco, a pressão arterial e os níveis de glicose, com diferentes graus de precisão.

Respondem a uma forte procura pública, ilustrada por um estudo publicado há dias pela OpenAI, que mostra que mais de 200 milhões de utilizadores da Internet consultam semanalmente o ChatGPT sobre assuntos relacionados com a saúde.

O grupo liderado por Sam Altman lançou na semana passada o ChatGPT Health, que utiliza o histórico médico do utilizador, com o seu consentimento, e dados recolhidos por várias aplicações de dispositivos conectados.

Utilizando a tecnologia de eletroencefalograma (EEG), a Neurable, com sede em Boston, desenvolveu um 'headset' que regista e interpreta a atividade cerebral.

Além disso, a startup está a desenvolver uma funcionalidade que compara os dados com o histórico do utilizador, que pode detetar desvios, um possível sinal de patologia, explicou Ramses Alcaide, cuja empresa se foca no 'software' em parceria com fabricantes de equipamentos.

"Um Apple Watch pode identificar Parkinson, mas apenas quando se começa a sentir tremores", destacou Alcaide.

Com o EEG, "pode ver as coisas antes que os sintomas físicos apareçam", garantiu.

Não se trata de um diagnóstico, mas de um alerta precoce, que também pode avisar os utentes sobre a depressão ou o início da doença de Alzheimer, entre outras coisas.

A Neurable está a colaborar com o Exército ucraniano para avaliar a saúde mental dos soldados que regressam da frente de batalha, bem como dos prisioneiros de guerra, e para detetar possíveis casos de perturbação de stress pós-traumático (PSPT).

A jovem empresa francesa NAOX desenvolveu auscultadores com EEG ligados a um pequeno dispositivo, concebido especificamente para a epilepsia.

Melhor do que detetar convulsões, que são geralmente "muito raras", o dispositivo reconhece picos - descargas elétricas breves e anormais no cérebro - que são "muito mais difíceis de ver" e características de um estado epilético, de acordo com Marc Vaillaud, médico e chefe de inovação da NAOX.

Ao contrário do auricular da Neurable, os auriculares NAOX, que receberam aprovação da FDA (agência para os medicamentos e alimentação dos Estados Unidos), são concebidos para serem utilizados à noite, recolhendo várias horas de dados a cada utilização.

OMS pede aumento urgente de impostos sobre bebidas açucaradas e alcoólicas

Observador

A Organização Mundial de Saúde (OMS) apelou ontem para que os países reforcem urgentemente a tributação sobre bebidas açucaradas e alcoólicas, argumentando que estão cada vez mais baratas e que impulsionam doenças.

De acordo com a OMS, as bebidas açucaradas e alcoólicas estão a tornar-se mais acessíveis em grande parte do mundo devido a impostos baixos ou mal ajustados, contribuindo para o aumento da obesidade, diabetes, doenças cardíacas, cancros e lesões, sobretudo entre os jovens.

Numa conferência de imprensa em Genebra, na Suíça, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, realçou que os impostos são “ferramentas poderosas” para reduzir consumos nocivos e financiar serviços essenciais.

Em dois relatórios globais ontem divulgados, a OMS sublinha que sistemas fiscais frágeis mantêm preços artificialmente baixos enquanto os sistemas de saúde enfrentam custos crescentes associados a doenças evitáveis.

Na maioria dos países, estes impostos são muito baixos, mal concebidos, raramente ajustados e, muitas vezes, desalinhados com os objetivos de saúde pública”, destacou Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante a apresentação dos documentos.

Como resultado, o álcool e as bebidas açucaradas tornaram-se mais acessíveis, enquanto as doenças e lesões associadas ao seu consumo continuam a exercer uma pressão crescente sobre os sistemas de saúde, as famílias e os orçamentos”, lamentou o diretor-geral da OMS.

Os relatórios revelam que 116 países tributam refrigerantes, mas muitos produtos com elevado teor de açúcar — como sumos naturais, bebidas lácteas adoçadas ou cafés prontos a beber — continuam isentos. Embora 97% dos países taxem bebidas energéticas, não houve progressos desde 2023.

Portugal, por exemplo, aplica um imposto especial de consumo progressivo sobre bebidas açucaradas, com taxas que aumentam consoante o teor de açúcar: menos de 25 g/L (grama por litro), entre 25 e 50 g/L, entre 50 e 80 g/L e acima de 80 g/L.

No caso do álcool, 167 países aplicam impostos, mas estes não acompanham a inflação, tornando o consumo mais acessível. O vinho permanece isento em pelo menos 25 países europeus, incluindo Portugal.

O diretor do Departamento de Controle de Doenças Crónicas e de Prevenção da Violência e dos Traumatismos da OMS, Etienne Krug, alertou que o álcool barato “fomenta violência, lesões e doenças”, enquanto os custos recaem sobre a sociedade.

A OMS destacou ainda que a carga fiscal média representa apenas 2% do preço de um refrigerante comum e que poucos países ajustam os impostos à inflação, permitindo que produtos prejudiciais se tornem progressivamente mais baratos.

Tedros Adhanom Ghebreyesus lembrou ainda a iniciativa “3 por 35”, lançada em 2025, que “visa apoiar todos os países na utilização de impostos sobre a saúde para aumentar os preços reais do tabaco, do álcool e das bebidas açucaradas até 2035”, reduzindo o consumo e protegendo a saúde global.

Há mais microplásticos em floresta rural do que numa grande cidade

Euronews 

Os microplásticos estão a infiltrar-se nos espaços verdes, frequentemente vistos como um refúgio face às cidades poluídas, enquanto especialistas lançam alertas sobre potenciais riscos para a saúde.

Uma nova investigação da Universidade de Leeds alerta que fragmentos minúsculos de plástico foram encontrados em maior quantidade em ambientes rurais do que em locais urbanos. Cientistas afirmam que árvores e outra vegetação capturam partículas de microplástico da atmosfera e as depositam nos bosques.

Publicado na revista Environmental Pollution, o estudo de três meses detetou até 500 partículas microscópicas de plástico por metro quadrado por dia numa área de bosque, quase o dobro das recolhidas num grande centro urbano.

Os investigadores analisaram microplásticos em três locais de Oxfordshire, Inglaterra: um bosque rural, uma cidade suburbana e a cidade de Oxford.

A equipa recolheu amostras a cada dois a três dias, de maio a julho de 2023, usando um espetroscópio de alta resolução, que mede como a radiação infravermelha é absorvida pelas substâncias na amostra. Isso permitiu identificar exatamente de que são feitos os materiais.

Durante os três meses, foram identificados 21 tipos diferentes de plásticos em quatro intervalos de tamanho. Alguns tinham apenas 25 a 50 micrómetros (milésimo de milímetro), equivalentes a bactérias de grande dimensão e menores do que um grão de pólen ou de areia.

Nos bosques rurais, a maioria das partículas encontradas era de politereftalato de etileno. Conhecido como PET, este plástico é frequentemente usado em roupa e em artigos de cozinha, como recipientes para alimentos.

Na cidade suburbana, o polietileno, usado para fabricar sacos de plástico, foi o mais comum. A maioria das partículas na cidade de Oxford era de álcool vinílico de etileno, um polímero amplamente usado em embalagens alimentares multicamada, componentes de sistemas de combustível automóvel e filmes industriais.

A nossa investigação revela que os ambientes rurais não estão necessariamente a salvo dos microplásticos transportados pelo ar e destaca como características naturais, como as árvores, influenciam os padrões de poluição”, afirma Gbotemi Adediran, docente de geoquímica da superfície terrestre e principal cientista do estudo.

A presença generalizada de microplásticos mais pequenos suscita preocupações quanto a potenciais riscos para a saúde por inalação, independentemente de se viver numa cidade ou numa aldeia rural”.

Nesta notícia poderá ainda ler sobre:

  • Como se deslocam os microplásticos

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