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Estudo reforça suspeita que vírus Epstein-Barr pode causar esclerose múltipla

CNN

O vírus Epstein-Barr, comum e causador da mononucleose, desencadeia uma reação do sistema imunitário que pode danificar o cérebro e contribuir para o desenvolvimento de esclerose múltipla (EM), segundo uma nova investigação pelo Instituto Karolinska, na Suécia.

A hipótese de o vírus Epstein-Barr (EBV) causar esclerose múltipla tem vindo a ser estudada há anos por vários grupos científicos.

Agora, a nova investigação, publicada na terça-feira na revista Cell, forneceu novos dados que confirmam a ligação entre as duas doenças.

Sabe-se que todas as pessoas que desenvolvem esclerose múltipla já tiveram mononucleose infecciosa, ou "doença do beijo", causada por um vírus que geralmente infeta jovens e muitas vezes não apresenta sintomas.

O novo estudo mostrou que, quando o sistema imunitário combate o vírus Epstein-Barr, certas células T — que normalmente atacam o vírus — podem também reagir e atacar uma proteína cerebral, a anoctamina-2 (ANO2).

Este fenómeno, chamado mimetismo molecular, faz com que as células imunitárias confundam as proteínas do próprio organismo com as do vírus.

A equipa também descobriu que estas células T com reações cruzadas são significativamente mais comuns em pessoas com esclerose múltipla do que em indivíduos saudáveis.

"Os nossos resultados fornecem evidências mecanísticas de que as respostas imunitárias ao vírus podem danificar diretamente o cérebro na esclerose múltipla. Esta é uma doença neurológica complexa e os mecanismos moleculares podem variar entre doentes"

Olivia Thomas, primeira autora do estudo

O estudo baseou-se em investigações anteriores que mostram que os anticorpos mal direcionados após a infeção pelo vírus Epstein-Barr podem desempenhar um papel significativo no desenvolvimento da esclerose múltipla.

Para o confirmar, a equipa analisou amostras de sangue de pessoas com esclerose múltipla e comparou-as com as de indivíduos saudáveis.

Os investigadores conseguiram isolar células T que reagem tanto à proteína EBNA1 como à proteína ANO2 do vírus em pessoas com esclerose múltipla.

Além disso, experiências em ratos demonstraram que estas células podem exacerbar sintomas semelhantes aos da esclerose múltipla e causar danos cerebrais.

De acordo com os autores, estes resultados ajudam a explicar porque é que algumas pessoas desenvolvem esclerose múltipla após uma infeção pelo vírus Epstein-Barr e outras não.

Bastam poucos minutos e pequenas mudanças para ganhar um ano extra de vida

SIC Notícias

Alguns minutos mais de atividade física moderada por dia e de sono, assim como comer um pouco mais de vegetais estão ligados a menores riscos de mortalidade, indicam dois estudos publicados esta terça-feira.

Um dos estudos, divulgado na revista médica The Lancet, revela que "caminhar a uma velocidade média de 5 km/h (quilómetros por hora) durante cinco minutos extra por dia, está associada a uma redução de 10% em todas as mortes na maioria dos adultos (...) e a cerca de 6% de todas as mortes nos adultos menos ativos".

Um outro, divulgado na eClinicalMedicine, refere que, "para as pessoas com os piores hábitos de sono, atividade física e alimentação, fazer alguns ajustes combinados nestes comportamentos pode ter um impacto significativo na esperança de vida".

Mais cinco minutos de sono, dois minutos de atividade física moderada a vigorosa (como caminhar rapidamente ou subir escadas) e meia porção adicional de vegetais por dia seriam suficientes para, teoricamente, os indivíduos com piores hábitos de sono (5,5 horas/dia), atividade física (7,3 min/dia) e nutrição (pontuação de qualidade da dieta de 36,9/100) ganharem um ano extra de vida, segundo um comunicado do grupo Lancet de divulgação dos dois trabalhos.

"O maior benefício foi observado quando os 20% menos ativos da população aumentaram a sua atividade em 5 minutos por dia".

Tendo analisado dados de mais de 135.000 adultos em sete coortes (grupos com características comuns) na Noruega, Suécia e Estados Unidos, bem como do Biobanco do Reino Unido, com um seguimento médio de oito anos, o estudo constatou ainda que mais 10 minutos diários de atividade física moderada poderia levar "a uma redução de 15% das mortes entre a maioria dos adultos e a uma redução de 9% entre os menos ativos".

Segundo o comunicado, "o efeito global destas alterações menores e alcançáveis no risco de morte da população em geral não tinha sido estudado anteriormente".

Também o estudo divulgado na eClinicalMedicine é o primeiro do tipo "a investigar as melhorias mínimas combinadas no sono, na atividade física e na alimentação necessárias para conduzir a uma esperança de vida significativamente mais elevada e a anos vividos com boa saúde".

Neste caso foram analisadas quase 60.000 pessoas da coorte do Biobanco do Reino Unido, recrutadas entre 2006 e 2010 e seguidas durante uma média de oito anos, tendo os autores utilizado um modelo estatístico para calcular a esperança de vida e os anos vividos com boa saúde com diferentes variações de comportamentos.

"Comparativamente com as pessoas com os piores hábitos de sono, atividade física e alimentação, o modelo sugeriu que a melhor combinação destes comportamentos - sete a oito horas de sono por dia, mais de 40 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa e uma alimentação saudável -estava associada a mais de nove anos adicionais de esperança de vida e a anos vividos com boa saúde", indica o comunicado.

Estas descobertas podem ser úteis para incentivar as pessoas com hábitos inadequados nestas áreas a tentarem mudar os seus comportamentos, no entanto, os investigadores alertam que são necessários mais estudos para analisar a sua aplicação "na prática clínica e de saúde pública".

Os autores do estudo divulgado na revista The Lancet sobre os benefícios da atividade física e as consequências danosas do sedentarismo assinalam que as descobertas sobre o impacto de mesmo pequenas mudanças positivas na saúde pública "visam destacar os potenciais benefícios para a população como um todo e não devem ser utilizadas como aconselhamento personalizado".

Autotestes agora disponíveis podem impulsionar novas reduções nas DST em tendência de queda

Euronews

Novas opções de teste e tratamento para algumas das infeções sexualmente transmissíveis mais comuns estão a tornar-se disponíveis, uma tendência que especialistas esperam que mantenha a pressão em baixa sobre as taxas de infeção nos Estados Unidos.

No ano passado, a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) aprovou o primeiro teste em casa capaz de detetar três infeções comuns em mulheres: gonorreia, clamídia e tricomoníase, bem como o primeiro kit doméstico para o vírus que causa o cancro do colo do útero.

A agência terminou o ano ao aprovar dois medicamentos diferentes para a gonorreia, as primeiras novas opções para a doença em décadas.

São notícias positivas depois de os casos de infeções sexualmente transmissíveis terem atingido níveis preocupantes antes e durante a pandemia de COVID-19, que perturbou o rastreio, a educação e o tratamento em saúde sexual em todo o país.

Mas os anos da pandemia também trouxeram avanços positivos nos testes. A mesma tecnologia usada nos primeiros testes de venda livre ao coronavírus está agora a ser aplicada em kits domésticos para a sífilis e outras infeções sexualmente transmissíveis. Antes, a FDA limitava sobretudo o uso destes testes a profissionais de saúde.

A empresa de testes Visby Medical lançou no ano passado o seu teste três-em-um para mulheres, após a aprovação da FDA em março. O teste, baseado em urina, inclui uma zaragatoa vaginal e um pequeno dispositivo eletrónico que processa os resultados e envia-os para uma aplicação online para análise.

O teste, que custa 150 dólares (cerca de 127 euros), inclui ainda uma consulta de telemedicina com um profissional de saúde que pode discutir os resultados e prescrever antibióticos ou outra medicação, se necessário.

Todo o processo, desde comprar o teste até obter uma receita, pode demorar apenas seis horas, face a vários dias no modelo tradicional, diz Gary Schoolnik, diretor clínico da Visby.

Antes, um enfermeiro ou médico teria de recolher uma amostra, enviá-la para o laboratório, obter os resultados e marcar depois uma consulta de seguimento para os discutir.

A FDA aprovou o teste da Visby com base em resultados de estudos que mostraram que detetou corretamente as três infeções, com taxas de precisão de cerca de 98% ou superiores. É semelhante aos testes realizados em hospitais e clínicas.

Por exemplo, em maio, a FDA aprovou o kit de teste da Teal Health para o HPV, o vírus que causa o cancro do colo do útero. A Teal Wand da empresa permite às mulheres recolher a própria amostra vaginal, que é colocada num tubo e enviada para um laboratório para processamento.

As diretrizes federais atualizadas para o rastreio do HPV, publicadas no início deste mês, recomendaram pela primeira vez a auto-recolha.

Com mais pessoas a testar em casa, pode tornar-se mais difícil acompanhar as taxas de infeção nacionais, até aqui reportadas por um pequeno número de grandes laboratórios de testes. Além disso, os novos testes e fármacos têm preços mais elevados, o que pode limitar o acesso.

INEM atendeu em 2025 máximo histórico de 1,6 milhões de chamadas de emergência

Jornal de Notícias

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) registou em 2025 um máximo histórico de 1,6 milhões de chamadas de emergência atendidas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), mais 166 mil chamadas do que em 2024.

As chamadas recebidas foram maioritariamente devido a situações de trauma (246.267), outros problemas clínicos (220.261), alterações do estado de consciência (195.318) e dispneia [dificuldades respiratórias] (158.600), e refletem a diversidade e complexidade das ocorrências avaliadas diariamente pelas equipas do CODU, informou o INEM em comunicado.

Das 1.656.891 chamadas atendidas em 2025, em 109.521 casos, que corresponderam a uma média de 300 chamadas por dia, verificou-se, após triagem, tratarem-se de situações que não configuravam uma emergência médica, tendo sido encaminhados para a Linha SNS24.

O INEM reforça que o 112 só deve ser utilizado em emergências, quando existe perigo de vida iminente, e apela à colaboração dos cidadãos para garantir uma resposta rápida e eficaz aos que mais precisam.

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