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Há quanto tempo não lava a garrafa de água? Pode estar a beber milhões de bactérias

SIC Notícias

O uso de garrafas de água reutilizáveis tornou-se um hábito comum um pouco por todo o mundo. Uns fazem-no por ser prático, outros porque estão preocupados com o ambiente.

Especialistas citados pela BBC e pela agência Associated Press (AP) alertam que este tipo de recipientes podem conter milhões de bactérias por mililitro após apenas 24 horas de uso.

A contaminação ocorre não apenas pela água armazenada, mas principalmente pelo contacto com a boca, mãos, superfícies externas e pelo armazenamento prolongado à temperatura ambiente.

O especialista em segurança alimentar Carl Behnke, da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, realizou um estudo que revelou níveis elevados de bactérias em garrafas reutilizáveis. Segundo Behnke, muitas pessoas nem quiseram conhecer os resultados das análises.

Mais tarde, quando saíram os resultados, confirmou-se que as garrafas estavam repletas de bactérias.

O mesmo estudo concluiu que as garrafas que continham bebidas como sumos, chás, café ou shakes de proteína estavam mais contaminadas do que as que continham apenas água.

No entanto, a água potável quando mantida por longos períodos dentro da garrafa pode estimular a multiplicação de microrganismos.

Segundo a professora de microbiologia clínica Primrose Freestone, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, as bactérias presentes na boca são facilmente transferidas para o interior da garrafa a cada gole. Em pessoas com um sistema imunitário mais fragilizado, isso pode aumentar o risco de infeções gastrointestinais.

De acordo com dados da AP, muitas pessoas lavam as garrafas apenas com água fria, o que não remove os chamados biofilmes, uma camada escorregadia onde as bactérias se acumulam e se multiplicam.

A recomendação dos especialistas é clara: as garrafas devem ser lavadas após cada uso ou, no mínimo, várias vezes por semana, utilizando água quente (acima de 60 °C) e detergente.

Sempre que possível, o uso da máquina de lavar loiça em ciclos intensos é considerado uma das formas mais eficazes de higienização. Após a lavagem, o ideal é deixar a garrafa secar ao ar livre, já que ambientes húmidos favorecem o crescimento de microorganismos.

Outro ponto levantado pelos especialistas é o material das garrafas.

Embora a estratégia de limpeza seja mais importante do que o tipo de recipiente, os especialistas sugerem que garrafas de aço inoxidável ou vidro tendem a ser alternativas mais seguras em relação às de plástico.

"Este é apenas um pequeno passo, mas que pode ajudar muito a nossa saúde", afirmou Ivy Sun, especialista em hotelaria da Universidade da Geórgia do Sul, que estuda a contaminação de garrafas de água

Gripe à mesa: Vitaminas C e D, zinco e selénio são os aliados da temporada

Jornal de Notícias

As gripes e constipações fazem parte do menu de inverno para muitos. E embora os números da última semana tragam resultados ligeiramente mais otimistas, estamos sempre a tempo de trabalhar na prevenção.

A alimentação desempenha um papel importante na prevenção e na recuperação de doenças, mesmo quando a infeção é causada por razões virais, como a gripe.

Ainda que os números de contágio mais severos tenham diminuído na última semana, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), nunca é tarde para melhorar o menu à mesa, prevenindo doenças, mas sabendo que tal nunca substitui o recurso à medicina em casos mais agudos.

Começando pelo que se pode fazer em casa, a nutricionista Joana Martins releva a importância de ingerir "nutrientes como vitamina C, vitamina D, zinco e selénio, que contribuem para uma resposta imunitária eficaz".

Devem-se, por isso, privilegiar alimentos como "citrinos, kiwi, peixe gordo, ovos, marisco, leguminosas e frutos secos".

Afinal, como sublinha Joana Martins, "uma dieta equilibrada é a primeira linha de defesa". Do lado contrário, "o consumo excessivo de açúcar, álcool e ultraprocessados deve ser evitado".

Quando se está já doente, a prioridade é, como afirma a nutricionista, "a hidratação, conforto digestivo e redução da inflamação".

Em concreto, recomendam-se "água, chás e sopas".

"Os caldos caseiros, especialmente de frango ou legumes, ajudam a repor líquidos e minerais e podem aliviar a congestão", enumera Joana Martins.

"Ingredientes como gengibre e mel destacam-se pelos seus efeitos anti-inflamatórios e pelo alívio da tosse e da dor de garganta", recorda.

Stress e queda de cabelo: o que diz a ciência e possíveis tratamentos

SIC Notícias

O stress é uma realidade cada vez mais frequente na sociedade moderna, com impactos comprovados que ultrapassam o âmbito da saúde mental e atingem também a saúde física e podem contribuir para a queda de cabelo.

O que diz a ciência sobre stress, ansiedade e queda de cabelo?

Estudos recentes demonstram que o stress crónico e níveis elevados de ansiedade são fatores determinantes para alterações no ciclo capilar e perda de cabelo. O organismo, sob stress continuado, aumenta a produção de cortisol — a chamada “hormona do stress” — que pode desencadear respostas biológicas adversas no couro cabeludo:

  • Bloqueio da regeneração capilar: O cortisol prolonga a fase de repouso dos folículos pilosos, reduzindo a quantidade de cabelos em crescimento e aumentando a queda.

  • Inflamação e alterações hormonais: O stress ativa mecanismos inflamatórios e desequilibra outras hormonas fundamentais para a saúde capilar.

  • Desregulação das defesas imunológicas: Stress excessivo pode fazer com que o organismo passe a atacar o próprio folículo capilar, o que explica casos de queda súbita e intensa.

  • Outras manifestações: Além da queda, stress e ansiedade contribuem para alterações do couro cabeludo, incluindo aumento da oleosidade, descamação e prurido.

Níveis elevados de cortisol reduzem a circulação sanguínea no couro cabeludo e dificultam a absorção adequada de nutrientes pelos folículos.

Isto pode acelerar a queda de cabelo e, nos casos mais graves, desencadear formas de alopécia, como a alopécia areata.

As consequências não são apenas estéticas: a perda de cabelo pode ter um impacto profundo no bem-estar emocional e na qualidade de vida, especialmente nas mulheres, que são mais vulneráveis à condição por questões hormonais e psicológicas.

Normalmente, a queda ocorre de forma rápida, em 1 a 2 semanas, enquanto a recuperação natural leva de 3 a 4 meses após a resolução da causa que desencadeou a situação de stress.

Quando o controlo do stress não é suficiente, é essencial recorrer a soluções avançadas, nomeadamente tratamentos personalizados que recorrem a tecnologias inovadoras.

Nesta notícia poderá ainda ler sobre:

  • Exemplos de tratamentos personalizados que recorrem a tecnologias inovadoras

Startup de investigadora portuguesa que mede relógio biológico interno vence mais um prémio na Alemanha

Jornal de Notícias

A 'startup' da investigadora Ângela Relógio, a TimeTeller, venceu o Prémio dos Fundadores de Hamburgo 2025, que se soma a outros galardões conquistados pela empresa responsável por medir o ritmo circadiano individual ao nível molecular.

O ritmo circadiano é o nosso ritmo de 24-horas que regula a hora de quase todos os processos celulares, fisiológicos e comportamentais do nosso corpo.

"Do ponto de vista prático, o objetivo é usar essa informação para determinar o melhor horário para administrar tratamentos, aumentando a eficácia e reduzindo efeitos secundários, em especial em pacientes com cancro, onde os efeitos secundários podem ser enormes", apontou.

A TimeTellers nasceu a partir de mais de uma década de investigação académica na área dos ritmos circadianos, da oncologia e da medicina de sistemas.

"Ao longo do meu trabalho científico, tornou-se mais evidente que o "relógio interno", ou o "bioritmo" de cada pessoa influencia fortemente a eficácia e a toxicidade de tratamentos médicos, sobretudo em oncologia", adiantou a investigadora portuguesa.

A tecnologia da TimeTeller baseia-se num teste de saliva simples e não invasivo. A partir da saliva, é analisada a expressão de genes ligados ao relógio biológico interno (o chamado relógio circadiano), quantificando o RNA desses genes. Com recurso a modelos matemáticos e inteligência artificial, é possível determinar como funciona o ritmo interno de cada pessoa.

"O principal objetivo científico é medir de forma precisa o ritmo circadiano individual ao nível molecular. Esta informação permite indicar qual o melhor horário para administrar um tratamento médico, de modo a aumentar a sua eficácia e reduzir efeitos secundários. Embora a nossa aplicação inicial seja na oncologia, estamos também a desenvolver e a testar a tecnologia noutras áreas, como a doença de Parkinson, a saúde da mulher, o desporto e a longevidade"

Ângela Relógio, professora na MSH Medical School Hamburgo e especialista em medicina circadiana e biologia de sistemas

Para além da medicina, a tecnologia pode "ajudar a identificar os melhores horários para atividades do dia a dia", como "a exposição à luz, o sono, as refeições ou o exercício físico", e quem sabe, "até apoiar as seleções nacionais portuguesas a encontrar os melhores horários de treino e otimizar o desempenho nas próximas competições".

A TimeTeller recebeu do Prémio de Fundadores de Hamburgo (Hamburger Gründerpreis 2025), um "reconhecimento muito importante, tanto a nível pessoal como para a equipa", confessou Ângela Relógio.

Ao longo dos últimos anos, a inovação da TimeTeller foi reconhecida por vários prémios e distinções, incluindo o Gründungspreis+ do Ministério Federal Alemão da Economia (BMWK) e o Health Innovation Award do Health Innovation Port Hamburg em 2023, entre outros.

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