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Notícias da Saúde em Portugal 756
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Uma nova solução para um velho problema feminino
Observador
O prolapso dos órgãos pélvicos pertence a essa geografia do corpo feminino que raramente é nomeada — muitas vezes até dentro do consultório médico.
O prolapso acontece quando os músculos e ligamentos enfraquecem e deixam de conseguir manter na posição habitual a bexiga, o útero ou o intestino.
Sem esta sustentação, estes órgãos podem deslocar-se, descendo e provocando desconforto. Apesar de pouco falada, trata-se de uma condição frequente, associada ao envelhecimento e respetivo enfraquecimento progressivo dos músculos e tecidos e também a situações que aumentam a pressão intra-abdominal, como a gravidez e o parto, além de profissões fisicamente muito exigentes ou a prática de atividades desportivas de impacto.
O pudor que rodeia esta condição faz com que seja difícil saber ao certo quantas mulheres sofrem com ela, mas alguns estudos referem que, na faixa etária dos 50 aos 89 anos, pelo menos 30% das mulheres experimentam algum grau de prolapso.
Esta é uma condição geralmente progressiva que, nos estádios iniciais, pode ser travada com fisioterapia específica. Quando o diagnóstico é tardio ou não há intervenção, a situação tende a agravar-se e, em muitos casos, a cirurgia torna-se a única opção.
O problema é que a cirurgia, para muitas mulheres, acabou por se transformar num novo foco de sofrimento.
Existem várias técnicas cirúrgicas para tratar o prolapso, mas durante décadas uma das abordagens mais utilizadas recorreu à implantação de malhas ou redes sintéticas, concebidas para reforçar os tecidos e reposicionar os órgãos.
A partir de meados da década de 2010 começaram a surgir alertas e queixas. A Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora norte-americana, começou a receber um volume crescente de notificações de efeitos adversos associados às malhas transvaginais usadas no tratamento do prolapso dos órgãos pélvicos e da incontinência urinária.

O ponto de viragem chegou em abril de 2019. “A FDA proibiu as malhas sintéticas para o tratamento do prolapso transvaginal porque se percebeu que provocam erosão do tecido vaginal, devido à sua elevada rigidez, estão frequentemente associadas a infeções e apresentam uma taxa de reoperação de cerca de 30%”, diz Elisabete Silva, professora na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e investigadora no Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI).
Licenciada em Engenharia Biomédica pelo Instituto Politécnico de Bragança, com mestrado e doutoramento na mesma área pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a cientista tem desenvolvido uma parte significativa da investigação na área do pavimento pélvico, nomeadamente na modelação da incontinência urinária e do prolapso dos órgãos pélvicos.
Desde a proibição imposta pela FDA, em 2019, começou a trabalhar no desenvolvimento de implantes de malha biodegradável, capazes de substituir, com sucesso, as malhas sintéticas banidas nos Estados Unidos.
O problema das malhas sintéticas — que foram proibidas nos EUA mas não na Europa — é que, na verdade, nunca tinham sido pensadas para o fim que acabaram por ser usadas. “Começaram por ser utilizadas no tratamento da hérnia abdominal e só posteriormente nos prolapsos”, explica a investigadora.
Ora, o problema é que, ao contrário da parede abdominal, o pavimento pélvico está sujeito a forças constantes e em várias direções. Essa pressão contínua, associada à rigidez das malhas sintéticas, acaba por provocar lesões.
Enquanto nos Estados Unidos estas malhas sintéticas deixaram de ser usadas, na Europa não foram proibidas. Em Portugal, na maioria dos casos, a opção tem sido evitá-las.
Os cirurgiões recorrem a suturas ou tentam reconstruir a estrutura com tecido nativa da própria doente. Mas esta abordagem também está longe de ser perfeita. Este tipo de cirurgia falha quase 30% dos casos.
É aqui que entram as malhas biodegradáveis. À primeira vista, a ideia levanta uma dúvida óbvia: se a malha desaparece com o tempo, como é que o suporte se mantém?
A resposta está no ritmo da degradação. “O que pretendemos é uma degradação lenta que acontece ao longo de três anos”, explica. “À medida que a malha se degrada, espera-se que se forme fibrose e crescimento de novo tecido, que vai acabar por manter o suporte.”
Estas malhas usam uma tecnologia chamada Melt Electro-Writing. Trata-se de um processo de impressão 3D de alta precisão, que permite criar fibras microscópicas, muito mais finas e organizadas e que, neste caso, depois de muitos testes de design, tem a capacidade de se deformar em mais de uma direção, tornando-as adaptáveis à cavidade pélvica. A investigadora está também a trabalhar para incorporar medicamentos na própria malha.
“Porque uma das principais causas das re-operações associadas às malhas sintéticas é a infeção.”
A ideia passa por integrar antibióticos e, eventualmente, anti-inflamatórios diretamente na estrutura da malha, permitindo uma libertação lenta e controlada. É também aqui que surge um dos principais desafios técnicos imediatos.
A tecnologia de impressão usada recorre a temperaturas elevadas — pouco compatíveis com fármacos, que são sensíveis ao calor.
“O grande desafio vai ser baixar a temperatura de impressão.”
Até agora, os testes foram feitos em laboratório e com tecidos, mas ainda não com seres vivos, ou seja, em modelos animais.
O projeto está, por isso, numa fase intermédia: o conceito está definido, o protótipo existe e os resultados laboratoriais são promissores — mas o caminho até à aplicação clínica ainda está a ser percorrido.
Novo método prevê crises de asma com 90% de precisão
Notícias Saúde
A asma é uma das doenças crónicas mais comuns no mundo, afetando mais de 500 milhões de pessoas.
As exacerbações da asma, vulgarmente conhecidas como crises de asma, são uma das principais causas de morbilidade e de custos com os cuidados de saúde.
Mas apesar da prevalência da doença, os médicos não dispõem atualmente de biomarcadores fiáveis para identificar quais os doentes que apresentam um risco elevado de crises futuras. Os métodos atuais falham frequentemente em distinguir entre doentes estáveis e aqueles propensos a exacerbações graves.
Investigadores do Mass General Brigham, nos EUA, e do Instituto Karolinska, na Suécia, identificaram um novo método para prever as exacerbações da asma com um elevado grau de precisão. O estudo foi publicado na revista Nature Communications.
O estudo analisou dados de três grandes grupos de pessoas com asma, totalizando mais de 2.500 participantes, com base em décadas de registos médicos eletrônicos.
Os investigadores utilizaram uma abordagem de alto rendimento chamada metabolómica para medir pequenas moléculas no sangue de indivíduos com asma.

Identificaram uma importante relação entre duas classes de metabolitos, os esfingolípidos e os esteroides, e o controlo da asma e perceberam que a relação entre esfingolípidos e esteroides poderia prever o risco de exacerbação ao longo de um período de cinco anos.
Em alguns casos, o modelo conseguiu diferenciar o tempo até à primeira exacerbação entre os grupos de alto e baixo risco em quase um ano completo.
“Um dos maiores desafios no tratamento da asma é que atualmente não temos uma forma eficaz de prever qual o doente que terá uma crise grave em breve. As nossas descobertas resolvem uma necessidade crítica ainda não satisfeita. Ao medir o equilíbrio entre esfingolípidos e esteroides específicos no sangue, podemos identificar doentes de alto risco com 90% de precisão, permitindo aos médicos intervir antes que ocorra uma crise.”
Os investigadores acreditam que estas descobertas representam um passo significativo em direção à medicina de precisão para a asma.
Um ensaio clínico baseado nestas proporções poderia ser facilmente implementado em laboratórios padrão, ajudando os médicos a identificar os doentes que parecem estáveis, mas que apresentam desequilíbrios metabólicos subjacentes.
EMA e FDA definem 10 princípios comuns para o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de medicamentos
INFARMED, I.P.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a congénere norte-americana, a Food and Drug Administration (FDA), acordaram dez princípios comuns de boas práticas na utilização de inteligência artificial (IA) ao longo do ciclo de vida do medicamento, um domínio acompanhado de perto pelas autoridades reguladoras nacionais, incluindo o INFARMED, I.P., enquanto membro da Rede Europeia de Autoridades de Medicamentos.
De acordo com informação publicada pela EMA, esta iniciativa visa promover uma utilização segura, ética e alinhada da IA, desde a investigação inicial e ensaios clínicos até à produção, monitorização da segurança e tomada de decisões regulamentares.
Os princípios agora definidos fornecem orientações de carácter transversal sobre a aplicação da IA na geração de evidência científica e na monitorização dos medicamentos em todas as suas fases.
São dirigidos a promotores de investigação, fabricantes, bem como a requerentes e titulares de autorizações de introdução no mercado.

Este enquadramento conjunto servirá de base para o desenvolvimento de futuras orientações específicas em diferentes jurisdições e reforça a cooperação internacional entre autoridades reguladoras, entidades responsáveis por normas técnicas e outros intervenientes relevantes.
Na União Europeia (UE), o desenvolvimento de orientações nesta matéria já se encontra em curso, com base no paper sobre IA publicado pela EMA em 2024.
Segundo Olivér Várhelyi, Comissário Europeu para a Saúde e o Bem-Estar Animal, estes princípios representam "um primeiro passo de uma cooperação renovada entre a União Europeia e os Estados Unidos no domínio das novas tecnologias médicas", demonstrando como é possível conciliar inovação com os mais elevados padrões de segurança dos doentes.
A iniciativa conjunta da EMA e da FDA resulta do trabalho colaborativo desenvolvido após a reunião bilateral UE–EUA realizada em abril de 2024.
Está também alinhada com a missão da EMA de promover uma utilização segura e responsável da IA, conforme definido na Estratégia da Rede Europeia de Agências do Medicamento (EMANS) até 2028, bem como no plano de trabalho plurianual sobre Dados e IA da EMA e dos Chefes das Agências do Medicamento (HMA), em particular no âmbito do grupo conjunto sobre dados (NDSG-Network data Steering Group).
Mulheres não só têm mais dores de cabeça como duram mais tempo, diz estudo
Jornal de Notícias
Investigadores procuraram estudar a prevalência e a duração média das dores de cabeça e concluíram, em estudo publicado em dezembro de 2025, que as mulheres sofrem o dobro dos homens com as enxaquecas devido a períodos mais longos.
Esta nova investigação trouxe à luz uma maior "diferença entre os sexos" no que diz respeito à "perda de saúde".
"São 739,9 anos vividos com incapacidade por cem mil habitantes, mais do dobro da perda de saúde entre os homens, 346,1 anos por cem mil habitantes", lê-se no artigo publicado na revista científica The Lancet.
Ao detalhe, os investigadores indicam que "as mulheres passaram consistentemente mais tempo com dor de cabeça em todas as faixas etárias e definições de caso do que os homens".
No caso da enxaqueca definitiva, o tempo com a patologia "aumentou constantemente com a idade", sendo que nas mulheres cresceu dos 9,30% abaixo dos 35 anos para uma taxa de 12,77% acima dos 50 anos ou mais, refere a análise que pode ser consultada no original aqui.

Numa análise em que os investigadores pedem estudos mais detalhados para encontrar as causas que empurram tantas mulheres para este estado de saúde, são avançadas algumas hipóteses de análise.
Se a flutuação de estrogénio é um dos fatores que tem vindo a ser estudado ao longo de décadas, com a perimenopausa e menopausa a trazerem riscos de incidência acrescidos, os analistas consideram que esse pode ser apenas um fator, estando em investigação outros.
Estima-se que, em Portugal, a enxaqueca atinja, em média, uma em cada cinco mulheres.
Estudo nacional da MiGRA- Associação de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias indica que "93% das pessoas (mais de nove em cada dez) se sentem incompreendidas e 74% afirmam sentir falta de compreensão até por parte de profissionais de saúde".
Quase oito em cada dez doentes (79%) "têm crises com duração superior a quatro dias por mês", "14% vivem mais de metade do mês com dor e 5% sofrem-na diariamente", afirmou a entidade em agosto de 2025.

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