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Notícias da Saúde em Portugal 757
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Mais de 87% das pessoas com 85 anos ou mais vacinadas contra a gripe. Portugal perto da meta da OMS
Jornal de Notícias
De acordo com os resultados da terceira vaga do Vacinómetro, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) que desde 2009 monitoriza em tempo real a taxa de cobertura de vacinação contra a gripe, 87,1% das pessoas com 85 ou mais anos já estão vacinadas, 47,8% dos quais por recomendação do médico.
Em declarações à Lusa, Jorge Ferreira, presidente da SPP, fala de resultados "muito animadores" e de um "resultado robusto" da vacinação, lembrando que a vacina recomendada para esta faixa etária é a de dose elevada, cerca de quatro vezes superior à vacina normal relativamente à carga de antigénios que vai proporcionar e que está associada a uma "muito maior eficácia na prevenção de complicações".
"Proporciona uma resposta imunitária maior, protege melhor em relação às complicações mais receadas da gripe, reduz as hospitalizações por gripe, de uma forma muito clara, e é adequada para pessoas que têm uma resposta imune mais fraca", explicou o especialista, que considera que os resultados do vacinómetro espelham "o sucesso da disponibilização gratuita da vacina para esta população".
Os dados mostram que Portugal está cada vez mais próximo da meta de 75% definida pela Organização Mundial da saúde (OMS) para a vacinação das pessoas com 65 anos ou mais, fixando-se esta estimativa agora em 72,6%.

"Estamos muito perto da tal meta proposta de 75% que a Organização Mundial de Saúde ambiciona, mas estamos claramente muito acima até dos números comuns no resto da Europa", disse o responsável.
Os resultados mostram ainda que 71% dos portadores de doença crónica também estão vacinados. Destes, 75,6% das pessoas com doença respiratória já receberam a vacina da gripe, o mesmo acontecendo com 75% dos diabéticos e 73,7% da população com doença cardiovascular.
Contrariamente à adesão nos adultos, o grupo de crianças entre os seis e os 24 meses é, até ao momento, o que menos se vacinou, com um total de apenas 38,6%.
"As crianças dependem, naturalmente, da vontade dos pais de os vacinar e, por isso, é importante também reforçarmos que as crianças são, de facto, um grupo de risco para a gripe", considera o presidente da SPP.
Quanto às intenções de vacinação, os dados mostram que 22,9% das pessoas não vacinadas com 85 ou mais anos de idade tencionam ainda vacinar-se, o mesmo acontecendo com 22,1% dos profissionais de saúde e com 13,9% dos doentes crónicos não vacinados.
Cancro ou outra doença? Novo teste sanguíneo ajuda a resolver o mistério
Notícias Saúde
Quando os doentes procuram cuidados médicos devido a sintomas inespecíficos, como fadiga, dor ou perda de peso, é muitas vezes difícil determinar se a causa é cancro, outra doença grave ou algo completamente inofensivo.
Num novo estudo, investigadores do Instituto Karolinska e do Hospital Danderyd, em conjunto com a Universidade de Örebro, o Instituto Real de Tecnologia KTH e o SciLifeLab da Universidade de Uppsala, investigaram se as proteínas no sangue podem fornecer pistas precoces.
O estudo analisou amostras de sangue de quase 700 doentes encaminhados para o Centro de Diagnóstico do Hospital Danderyd e do Hospital Universitário de Örebro, na Suécia.
As amostras foram colhidas antes do início da investigação diagnóstica e, utilizando um método para análise de proteínas em larga escala, foram medidos os níveis de 1.463 proteínas diferentes no plasma.
Os investigadores identificaram, depois, uma combinação específica de proteínas, conhecida como assinatura proteica, que pode ser associada ao diagnóstico de cancro.
“O estudo demonstra o potencial da proteómica em larga escala para extrair informações clinicamente relevantes a partir de pequenas quantidades de sangue”

Os investigadores desenvolveram, então, um modelo capaz de distinguir os doentes oncológicos daqueles com outras doenças, como as inflamatórias, autoimunes ou infecciosas, com elevada precisão.
“Um ponto forte do estudo é que o grupo de controlo era composto, em grande parte, por doentes com outras doenças graves que podem causar sintomas semelhantes aos do cancro”, explica Charlotte Thålin, médica do Hospital Danderyd, professora do Instituto Karolinska e investigadora principal do estudo.
Os investigadores realçam que o método não deve substituir os exames de imagem ou as biópsias, mas sim servir como um auxílio para priorizar quais os doentes que devem ser investigados mais a fundo.
“O método pode ajudar a identificar quais os doentes que devem ser priorizados para diagnósticos adicionais, por exemplo, com PET-CT, evitando investigações desnecessárias em doentes sem cancro”, afirma Fredrika Wannberg, médica no Hospital Danderyd e estudante de doutoramento no Instituto Karolinska.
Mais estudos são necessários antes que o método possa ser utilizado clinicamente e o passo seguinte é testá-lo nos cuidados primários, onde a incidência de cancro é menor do que nos cuidados especializados.
ONU alerta: mundo entrou na era de '"falência hídrica global". O que significa isto?
Euronews
A atividade humana empurrou o mundo para uma era de "falência hídrica global", afirmam especialistas, que pedem uma transformação urgente e baseada na ciência.
Um novo relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU) alerta que décadas de desflorestação, poluição, degradação dos solos, sobreafetação de água e esgotamento crónico das águas subterrâneas, agravados pelo aquecimento global, causaram 'danos irreversíveis' ao abastecimento de água do planeta e à sua capacidade de recuperação.
Defende que termos como 'stress hídrico' e 'crise da água' já não refletem com rigor a realidade atual, que está a provocar 'fragilidade, deslocações e conflito' em todo o mundo.
Que significa 'falência hídrica'?
O relatório da UNU define falência hídrica como "sobreexploração persistente das águas superficiais e subterrâneas face às afluências renováveis e a níveis seguros de esgotamento". O termo também implica "perda irreversível ou proibitivamente onerosa de capital natural associado à água".
A falência hídrica não diz respeito ao aspeto mais húmido ou mais seco de um lugar, mas ao equilíbrio, à contabilidade e à sustentabilidade. Mesmo regiões que têm cheias todos os anos podem estar em falência hídrica se gastarem além do seu "rendimento" anual de água renovável.
"A agricultura representa a esmagadora maioria do uso de água doce e os sistemas alimentares estão estreitamente interligados por comércio e preços. Quando a escassez de água fragiliza a agricultura numa região, os efeitos repercutem-se nos mercados globais, na estabilidade política e na segurança alimentar noutros lugares. Isto torna a falência hídrica não uma sucessão de crises locais isoladas, mas um risco global partilhado".

Com base em conjuntos de dados globais e evidência científica recente, o relatório compila um retrato 'preocupante' das tendências da água, atribuindo a 'grande maioria' à atividade humana.
Entre os sinais, 50% dos grandes lagos do mundo perderam água desde o início dos anos 1990, com 25% da humanidade a depender diretamente desse recurso, e dezenas de grandes rios já não chegam ao mar em parte do ano.
410 milhões de hectares de zonas húmidas naturais, uma área quase equivalente ao tamanho da UE, foram eliminados nas últimas cinco décadas. A perda global de glaciares desde a década de 1970 aumentou 30%.
A salinização danificou cerca de 100 milhões de hectares de terras aráveis e 70% dos principais aquíferos (que armazenam e transmitem água subterrânea) mostram declínio de longo prazo.
“A falência hídrica está a tornar-se um motor de fragilidade, deslocações e conflito. Gerir este fenómeno de forma justa, garantindo que as comunidades vulneráveis são protegidas e que perdas inevitáveis são partilhadas de forma equitativa, não é central para manter a paz, a estabilidade e a coesão social.”
Nesta notícia poderá ainda ler sobre:
"Reconfigurar" a agenda global da água
Cientista alemã da Católica recebe bolsa para estudar leucemias infantis precoces
Canal S+
A cientista alemã Nina Schmolka, do Centro de Investigação Biomédica da Católica, foi distinguida com uma bolsa da Organização Europeia de Biologia Molecular para instalar um laboratório que vai permitir aprofundar o estudo de leucemias infantis precoces.
Citada em comunicado ontem divulgado pela Universidade Católica Portuguesa, a investigadora refere que o seu trabalho "centra-se em compreender como as células sanguíneas se desenvolvem no embrião e de que forma este conhecimento pode ser utilizado para prevenir a transformação patológica das células do sangue e para desenvolver futuras estratégias terapêuticas".
"A formação do sangue nos adultos está relativamente bem compreendida: ocorre na medula óssea e depende de células estaminais sanguíneas. Em contraste, o desenvolvimento embrionário do sangue começa mais cedo, no saco vitelino, e ocorre inicialmente sem células estaminais clássicas", disse Nina Schmolka à Lusa.
Justificando a relevância do seu trabalho, a investigadora salientou que "estudos recentes demonstraram que a maioria das leucemias em crianças muito pequenas, incluindo bebés com menos de dois anos, tem frequentemente início antes do nascimento, durante a gravidez".
"Estas alterações precoces incluem modificações genéticas que fazem com que células sanguíneas normais se tornem cancerígenas. Como a nossa investigação analisa os processos moleculares que controlam o desenvolvimento precoce do sangue, pretendemos identificar novas vias biológicas que, no futuro, possam ser alvo de terapias para tratar a leucemia infantil", sublinhou, assinalando que "estas mesmas vias poderão também ser relevantes para determinadas formas de leucemia em adultos".

A investigação de Nina Schmolka pretende "identificar vias que, quando desreguladas, conduzem a leucemias infantis precoces" ou que possam ser aplicadas para melhorar a geração 'in vitro' de células estaminais hematopoiéticas, células presentes na medula óssea, no sangue periférico e no sangue do cordão umbilical que têm a capacidade de se transformar em todos os tipos de células do sangue, sendo por isso importantes para a regeneração do sistema sanguíneo e imunológico e para o tratamento de doenças como leucemias (cancros sanguíneos).
"Atualmente, muitos doentes dependem de transplantes de medula óssea de dadores compatíveis. No futuro, a produção de células estaminais do sangue em laboratório poderá ajudar a ultrapassar a escassez de dadores e os problemas de compatibilidade imunológica", afirmou a cientista do Centro de Investigação Biomédica da Católica.

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