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Notícias da Saúde em Portugal 759
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Recolha mundial de leite infantil: Nestlé, Danone e Lactalis retiram produtos após alerta de toxina
Euronews
Três das maiores empresas lácteas do mundo, Nestlé, Danone e Lactalis, recolheram grandes lotes de leite em pó para bebés após detetarem contaminação por cereulida, toxina que pode causar vómitos, diarreia e cólicas abdominais.
A contaminação foi rastreada a um único fornecedor chinês de óleo de ARA (ácido araquidónico), ingrediente crítico nas fórmulas de gama alta de leite em pó para bebés.
Lactalis foi a mais recente empresa a anunciar a recolha de seis lotes da marca Picot de leite em pó para bebés, distribuídos por 18 países.
Os lotes afetados estão à venda desde janeiro de 2025, com prazos de validade até março de 2027.
“Perante o alerta, e em paralelo com as análises pedidas ao fornecedor do ingrediente em causa, a LNS (Lactalis Nutrition Santé) iniciou de imediato testes num laboratório independente acreditado para avaliar os produtos potencialmente afetados”, declarou a Lactalis em comunicado.
A recolha da Danone é, para já, menor, com apenas um lote produzido na Tailândia recolhido a pedido da Agência Alimentar de Singapura antes de chegar ao mercado.
“Todos os nossos produtos são fabricados em conformidade com rigorosas normas de segurança alimentar e qualidade e passam por testes exigentes antes de sair das nossas fábricas”, disse a empresa à Euronews Health, acrescentando que os produtos foram bloqueados por precaução.

Nestlé foi a primeira a retirar do mercado leite em pó para bebés em mais de 60 países, após detetar contaminação numa das suas instalações nos Países Baixos.
A recolha voluntária tornou-se numa das maiores de sempre, afetando várias marcas, como SMA, Beba, Guigoz e Alfamino.
“A segurança alimentar e o bem-estar de todos os bebés permanecem a nossa principal prioridade”, afirmou a Nestlé após a recolha.
“Compreendemos que esta notícia possa causar preocupação e estamos empenhados em fornecer informação clara e transparente e apoio a pais e cuidadores ao longo de todo o processo”, acrescentou a empresa.
Segundo uma investigação da foodwatch Países Baixos, a Nestlé confirmou pela primeira vez no início de dezembro de 2025; no entanto, as recolhas públicas só começaram na primeira semana de janeiro.
“Porque só soubemos em janeiro de 2026 que sessenta países foram afinal afetados pela recolha de leite em pó para bebés devido à presença de Bacillus cereus, quando em dezembro eram apenas nove?”, afirmou Nicole van Gemert, diretora da foodwatch Países Baixos.
Nestlé afirmou que, até à data, não foram confirmadas doenças associadas aos produtos em causa.
Sestas ajudam cérebro a recuperar e a funcionar melhor
Jornal de Notícias
O cérebro pode recuperar e melhorar a sua capacidade de aprendizagem através de uma breve sesta, e não apenas com o sono noturno mais longo, concluiu uma investigação.
A investigação publicada ontem demonstra que até uma sesta é suficiente para reorganizar as ligações entre as células nervosas, permitindo que a nova informação seja armazenada de forma mais eficaz, de acordo com o estudo realizado por especialistas do Centro Médico Universitário de Freiburg (Alemanha), dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG) e da Universidade de Genebra (UNIGE).
"Mesmo curtos períodos de sono aumentam a capacidade do cérebro para codificar novas informações", salientou Christoph Nissen, diretor do estudo, atualmente chefe do Centro de Medicina do Sono dos hospitais de Genebra e professor de Psiquiatria na UNIGE, num comunicado de imprensa do HUG.
O cérebro está constantemente ativo ao longo do dia, processando novas impressões, pensamentos e informações.
Isto fortalece as ligações entre as células nervosas (sinapses) que são fundamentais para a aprendizagem, mas pode levar à saturação, reduzindo a capacidade do cérebro para continuar a aprender.

O sono ajuda a regular esta atividade excessiva sem perda de informação importante, e agora um novo estudo mostra que esta "reinicialização sináptica" pode ocorrer com apenas uma sesta à tarde, "libertando espaço para a formação de novas memórias", observou Nissen.
O estudo analisou 20 jovens adultos que, em duas tardes diferentes, dormiram uma sesta de 45 minutos ou permaneceram acordados.
A sua atividade cerebral foi analisada através de métodos não invasivos, como a estimulação magnética transcraniana e os eletroencefalogramas.
Os resultados mostraram que, após a sesta, a força geral das ligações sinápticas no cérebro diminuiu, um indício do efeito reparador do sono, enquanto, ao mesmo tempo, a capacidade do cérebro para formar novas ligações melhorou significativamente.
O estudo oferece uma explicação biológica para o facto de as pessoas geralmente terem um melhor desempenho após uma sesta à tarde, especialmente em profissões ou atividades que exigem um elevado nível de desempenho mental ou físico, como música, desporto ou funções críticas de segurança.
MedSUPPORT | Testemunho da semana
"Resolvem tudo o necessário acerca dos problemas da clínica."
Posição dos braços afeta qualidade de manobras de reanimação cardiopulmonar
Canal S+
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FEUP) revelou que a posição dos braços e o posicionamento do reanimador têm implicações na qualidade das compressões torácicas em doentes que estão em risco de vida, foi ontem revelado.
Num resumo partilhado com a agência Lusa, a FMUP revela que a qualidade das compressões foi medida através de simuladores e a fadiga muscular através de sensores de eletromiografia, durante três minutos de compressões ininterruptas realizadas por profissionais de saúde experientes, designadamente médicos, enfermeiros e paramédicos.
“Os resultados foram claros: compressões realizadas a 90.° [ombros alinhados com os pulsos, como é recomendado] asseguram maior qualidade e menor fadiga, enquanto que a 105.° [posição frequentemente observada, com os ombros do reanimador ligeiramente recuados] levam a uma queda precoce no desempenho e maior esforço muscular”
Os investigadores concluíram que as características físicas dos reanimadores, como altura e peso, também influenciam a performance.
“Reanimadores mais altos ou mais pesados tendem a conseguir compressões mais profundas e com menor fadiga”, lê-se nas conclusões de um trabalho que resultou em três artigos científicos publicados na revista Resuscitation Plus.

Paralelamente, posições mais elevadas, por exemplo, usando um banco, permitiram manter compressões eficazes, durante mais tempo.
Mas, pelo contrário, as posições instáveis, como de joelhos na cama, comprometeram rapidamente a qualidade da reanimação.
Agora, com base nos resultados, investigadores recomendam que “ao nível individual” é importante “treinar e executar compressões com os braços a 90.°, privilegiando posicionamentos ergonómicos, nomeadamente através do uso de plataformas ou do ajuste da altura da cama.
“Ao adotar uma posição elevada, mas estável, o reanimador consegue tirar partido do peso do próprio corpo, atrasando a fadiga muscular”, acrescentam.
Ao nível organizacional, “é essencial que as salas de emergência disponham de condições que favoreçam a ergonomia (como camas ajustáveis e bancos de apoio) e que os programas de treino integrem 'feedback' objetivo não apenas sobre a técnica das compressões, mas também sobre a postura, o posicionamento do reanimador e a ergonomia do espaço, tendo em conta as suas características antropométricas e o seu nível de aptidão física”, conclui.
Porque é que alguns tumores se espalham? Estudo tem respostas surpreendentes
Notícias Saúde
Porque é que alguns tumores se espalham enquanto outros permanecem localizados?
Os mecanismos que regem o potencial metastático das células dos tumores são ainda em grande parte desconhecidos e compreendê-los é essencial para otimizar o tratamento dos doentes. Foi isso que conseguiram fazer cientistas da Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça, com o seu novo trabalho.
Utilizando células de cancro do cólon, os investigadores identificaram os critérios que influenciam o risco de metástase e detetaram assinaturas de expressão genética que podem ser utilizadas para avaliar a sua probabilidade.
A equipa criou então uma ferramenta de inteligência artificial (MangroveGS) capaz de transformar estes dados em previsões para muitos tipos de cancro com uma fiabilidade incomparável.
Estes resultados, publicados na revista Cell Reports, abrem caminho para um tratamento mais preciso e para a descoberta de novos alvos terapêuticos.
“A origem do cancro é frequentemente atribuída às ‘células anárquicas. No entanto, o cancro deve ser entendido como uma forma distorcida de desenvolvimento. O desafio, portanto, é encontrar as chaves para compreender a sua lógica e forma. E, no caso das metástases, identificar as características das células que se vão separar do tumor para criar outro noutra parte do corpo.”
A metástase continua a ser a principal causa de morte na maioria dos cancros, sobretudo no cancro do cólon, da mama e do pulmão.
Atualmente, o primeiro sinal detetável do processo metastático é a presença de células dos tumores circulantes no sangue ou no sistema linfático. Nessa altura, já é tarde demais para travar a sua propagação.
Além disso, embora as mutações que levam à formação dos tumores originais sejam bem compreendidas, nenhuma alteração genética isolada pode explicar porque é que, em geral, algumas células migram e outras não.
“A dificuldade reside em conseguir determinar a identidade molecular completa de uma célula, uma análise que a destrói, enquanto se observa a sua função, que exige que se mantenha viva”, explica o professor Ruiz i Altaba.

“Para isso, isolamos, clonamos e cultivamos células dos tumores”, acrescenta Arwen Conod, professora sénior do Departamento de Medicina Genética e Desenvolvimento da Faculdade de Medicina da UNIGE e coautora principal do estudo.
“Estes clones foram depois avaliados in vitro e num modelo murino para observar a sua capacidade de migrar através de um filtro biológico real e gerar metástases.”
As assinaturas de expressão genética obtidas foram integradas num modelo de inteligência artificial desenvolvido pela equipa de Genebra.
“A grande novidade da nossa ferramenta, chamada ‘Assinaturas Genéticas de Mangue (MangroveGS)’, é que explora dezenas, até mesmo centenas, de assinaturas genéticas. Isto torna-a particularmente resistente a variações individuais”, explica Aravind Srinivasan, estudante de doutoramento no Departamento de Medicina Genética e Desenvolvimento da Faculdade de Medicina da UNIGE e coautor principal do estudo.
Após o treino, o modelo alcançou uma precisão de quase 80% na previsão da ocorrência de metástases e recidiva do cancro do cólon, um resultado muito superior ao das ferramentas existentes.
Além disso, as assinaturas derivadas do cancro do cólon podem também prever o potencial metastático de outros tipos de cancro, como o do estômago, pulmão e mama.
Graças ao MangroveGS, as amostras de tumores são suficientes: as células podem ser analisadas e o seu RNA sequenciado no hospital, e a pontuação de risco metastático é transmitida rapidamente aos oncologistas e aos doentes através de um portal encriptado do Mangrove, que analisou os dados anonimizados.
“Esta informação evitará o tratamento excessivo de doentes de baixo risco, limitando os efeitos secundários e os custos desnecessários, ao mesmo tempo que intensificará a monitorização e o tratamento daqueles com alto risco”, acrescenta Ariel Ruiz i Altaba.

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