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Notícias da Saúde em Portugal 762
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Investigação associa menopausa a efeitos semelhantes aos de doença de Alzheimer
Diário de Notícias
Uma investigação divulgada ontem, 27 de janeiro, na revista Psychological Medicine da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, indica que a menopausa está ligada à perda de massa cinzenta e a alterações cerebrais semelhantes às observadas na doença de Alzheimer.
Segundo o estudo, isto poderá explicar porque é que as mulheres são mais propensas à demência do que os homens.
A investigação visou perceber os efeitos da menopausa no cérebro e se a terapia de reposição hormonal (TRH) ajuda a prevenir o declínio cognitivo.
Foram analisados os casos de quase 125.000 mulheres, classificadas em três categorias: pré-menopausa, pós-menopausa que nunca utilizou terapêutica hormonal e pós-menopausa que utilizou TRH.
Além de responderem a questionários com perguntas relacionadas com a experiência da menopausa, saúde mental autodeclarada, padrões de sono e saúde em geral, algumas participantes realizaram testes cognitivos, incluindo testes de memória e tempo de reação.
Cerca de 11.000 foram também submetidas a exames de ressonância magnética (RM), permitindo aos investigadores analisar a estrutura dos seus cérebros.
Descobriu-se que a menopausa está associada à perda de massa cinzenta, vital para as funções mentais, memória, emoções e movimento, e pode também causar ansiedade, depressão e problemas de sono.
Entre as participantes, a idade média de início da menopausa foi de aproximadamente 49,5 anos, enquanto a idade média em que as mulheres que receberam uma prescrição de terapêutica hormonal de substituição (THS) iniciaram o tratamento foi de cerca de 49 anos.

Não foram observadas diferenças significativas entre os três grupos em termos de desempenho ao nível da memória, mas o estudo revela que as mulheres na pós-menopausa que não faziam terapêutica hormonal de substituição (THS) tiveram tempos de reação mais lentos do que aquelas que ainda não tinham entrado na menopausa ou que faziam a terapêutica.
"À medida que envelhecemos, os nossos tempos de reação tendem a abrandar, isto faz parte do processo natural de envelhecimento e acontece tanto com as mulheres como com os homens", assinala Katharina Zuhlsdorff, do Departamento de Psicologia da Universidade de Cambridge, citada pela agência noticiosa espanhola EFE.
Christelle Langley, do Departamento de Psiquiatria da mesma universidade afirma, citada no site da universidade, que “a maioria das mulheres passará pela menopausa” e que “este pode ser um acontecimento que muda as suas vidas, independentemente de fazerem terapia de reposição hormonal ou não”.
Apelando a que se seja “mais sensível não só em relação à saúde física, mas também à saúde mental das mulheres durante a menopausa” e que se reconheça que “estão a enfrentar dificuldades”, Langley defende que “um estilo de vida saudável”, mantendo-se ativo, tendo uma alimentação equilibrada e praticando exercício físico regularmente, “é particularmente importante durante este período para ajudar a minimizar alguns dos seus efeitos”.
Alargamento da idade dos dadores de sangue para 70 anos abrandará quebras
Jornal de Notícias
A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepobades) saudou o alargamento da idade dos dadores de sangue até aos 70 anos, após reunião com a tutela, considerando que pode abrandar a quebra registada nos últimos anos.
"Os dadores agora podem dar sangue até aos 70 anos", afirmou à Lusa o presidente da Fepobades, Alberto Mota, depois de ter estado reunido com a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, acrescentando que os mais jovens passarão a ter acesso a um questionário online para acelerar o processo de colheita.
O responsável indicou que os dadores vão começar também a receber SMS e emails com os resultados das análises.
"Estamos a perder dadores todos os anos", afirmou Alberto Mota, lembrando que a medida representa "uma lufada de ar" e que podem ser ganhas "algumas centenas de dadores de sangue" nos próximos cinco anos.
Em Portugal, a idade para dar sangue estava situada entre os 18 e os 65 anos, mas a partir do início do ano já é permitida até aos 70.
De acordo com Alberto Mota, a Fepobades deve comunicar à tutela "casos que não aceitem dadores até aos 70 anos".

A federação voltou a alertar para a falta de profissionais nos Centros de Sangue e da Transplantação (CST) do IPST, I.P. do Porto, Coimbra e Lisboa.
O presidente da Fepobades alertou ainda Ana Povo para "urgência de regulamentação" do Estatuto do Dador que não é atualizado desde 2013.
"Há muitos assuntos que não são cumpridos pelas administrações hospitalares", realçou, defendendo que as regras devem ser publicadas para garantir que "tudo o que está no estatuto seja cumprido".
Alberto Mota recordou ainda que a federação tem alertado para normas que, apesar de estarem em vigor, não eram aplicadas.
"Desde 2015, é permitido que jovens de 17 anos acompanhados pelo tutor possam dar sangue, e só há meia dúzia de meses é que esta regra começou a ser cumprida", lembrou, reforçando que a Fepobades estará vigilante para assegurar que a nova regra dos 70 anos "é mesmo para cumprir".
Apesar de o inverno e as gripes tornarem o mês de janeiro menos favorável às colheitas, Alberto Mota acredita que não haverá quebras significativas. "Vamos trabalhar para manter a reserva estável nas várias regiões do país", concluiu.
Dois dias de consumo de aveia reduzem o nível de colesterol
Notícias Saúde
Uma dieta de curta duração à base de aveia parece ser surpreendentemente eficaz na redução dos níveis de colesterol. É o que mostra um estudo da Universidade de Bona, na Alemanha.
Os participantes sofriam de síndrome metabólica, uma combinação de excesso de peso, hipertensão e níveis elevados de glicose e lípidos no sangue.
E ao consumirem uma dieta com restrição calórica, composta quase exclusivamente por aveia, durante dois dias, os seus níveis de colesterol melhoraram significativamente em comparação com um grupo de controlo. Mesmo após seis semanas, este efeito manteve-se estável.
Aparentemente, a dieta influenciou a composição da microbiota intestinal. Os produtos metabólicos, gerados pelo microbioma, parecem contribuir significativamente para os efeitos positivos da aveia.

Os participantes foram instruídos para consumirem exclusivamente aveia, previamente cozida em água, três vezes por dia. Só podiam adicionar algumas frutas ou legumes às refeições.
Um total de 32 mulheres e homens completaram esta dieta e consumiram 300 gramas de aveia em cada um dos dois dias, ingerindo apenas cerca de metade das suas calorias normais. Um grupo de controlo foi também submetido a uma dieta com redução calórica, embora esta não incluísse aveia.
Ambos os grupos beneficiaram da mudança na dieta. No entanto, o efeito foi muito mais pronunciado nos participantes que seguiram a dieta à base de aveia.
“O nível de colesterol LDL, particularmente prejudicial, desceu 10% para estes, uma redução substancial, embora não totalmente comparável ao efeito dos medicamentos modernos. Também perderam dois quilos em média e a sua pressão arterial diminuiu ligeiramente.”
Mas como é que a aveia exerce o seu efeito benéfico?
“Conseguimos identificar que o consumo de aveia aumentou o número de certas bactérias no intestino”, explica Linda Klümpen, colega de Simon e autora principal do estudo.
O microbioma tem sido cada vez mais o foco de investigação nas últimas décadas. Afinal, sabe-se hoje que as bactérias intestinais desempenham um papel decisivo no metabolismo dos alimentos e libertam também os subprodutos metabólicos que criam no seu ambiente. Subprodutos que fornecem energia, entre outras coisas, às células do intestino, permitindo-lhes desempenhar melhor as suas funções.
Além disso, os micróbios enviam alguns dos seus produtos pelo corpo através da corrente sanguínea, onde podem ter diversos efeitos.
“Por exemplo, conseguimos demonstrar que as bactérias intestinais produzem compostos fenólicos ao decompor a aveia”, afirma Klümpen. “Estudos em animais já demonstraram que um deles, o ácido ferúlico, tem um efeito positivo no metabolismo do colesterol. O mesmo parece ocorrer com alguns outros produtos metabólicos bacterianos”.
As amibas invisíveis que estão a preocupar o mundo
Notícias Saúde
Os investigadores ambientais e de saúde pública estão a chamar a atenção para um grupo pouco conhecido de agentes patogénicos que pode representar um perigo global crescente: as amibas de vida livre.
Num novo artigo, publicado na revista Biocontaminant, a equipa explica que estes organismos microscópicos estão a disseminar-se pelo mundo, impulsionados pelas alterações climáticas, pela deterioração dos sistemas hídricos e pelos esforços limitados de monitorização e deteção.
As amibas são organismos unicelulares que ocorrem naturalmente no solo e na água. A maioria é inofensiva, mas certas espécies podem causar doenças graves e, por vezes, fatais.
Um dos exemplos mais conhecidos é a Naegleria fowleri (frequentemente chamada de amiba devoradora de cérebros), que pode causar uma infeção cerebral rara, mas quase sempre fatal. A infeção pode ocorrer quando a água contaminada entra pelo nariz durante atividades como a natação.
Porque é que estas amibas são tão difíceis de controlar?
“O que torna estes organismos particularmente perigosos é a sua capacidade de sobreviver a condições que matam muitos outros micróbios”, explica o autor correspondente Longfei Shu, da Universidade Sun Yat-sen, na China. “Podem tolerar altas temperaturas, desinfetantes fortes como o cloro e até viver dentro de sistemas de distribuição de água que as pessoas consideram seguros.”

Os investigadores salientam ainda que as amibas podem atuar como hospedeiras protetoras para outros micróbios causadores de doenças: as bactérias e os vírus podem sobreviver no interior das amibas, protegidos dos processos de desinfeção que normalmente os eliminariam.
Este efeito, chamado ‘cavalo de Troia’, permite que os agentes patogénicos nocivos persistam e se propaguem pelos sistemas de água potável, podendo também desempenhar um papel no aumento da resistência aos antibióticos.
Estima-se que o aumento das temperaturas globais agrave o problema, permitindo que as amibas termofílicas se espalhem para regiões onde antes eram incomuns. Vários surtos recentes ligados à exposição à água de recreio já aumentaram a preocupação pública em vários países.
Os autores defendem uma estratégia coordenada de One Health que reúna a saúde pública, a investigação ambiental e a gestão dos recursos hídricos. Realçam a necessidade de uma melhor vigilância, de ferramentas de diagnóstico mais rápidas e precisas e de tecnologias avançadas de tratamento de água para reduzir os riscos antes que as infeções ocorram.

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