- MedSUPPORT.News
- Posts
- Notícias da Saúde em Portugal 763
Notícias da Saúde em Portugal 763
As notícias diárias à distância de um clique - sempre às 12:00h


Obesidade infantil a subir, OMS pede comida mais saudável nas escolas
Euronews
A alimentação saudável nas escolas pode moldar a dieta das crianças para toda a vida, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao divulgar novas orientações globais destinadas a melhorar o que as crianças comem durante o dia escolar.
Pela primeira vez, a agência de saúde da ONU apela aos países para adotarem uma "abordagem de toda a escola" à alimentação, garantindo que as refeições, os lanches e as bebidas disponíveis dentro das escolas e nos contextos que as rodeiam sejam saudáveis e nutritivos.
As recomendações surgem numa altura em que os países enfrentam aquilo que a OMS descreve como a "dupla carga" da malnutrição: a obesidade infantil está a aumentar em todo o mundo, enquanto a subnutrição continua a ser um problema persistente em muitas regiões.

Em 2025, cerca de um em cada dez crianças e adolescentes em idade escolar (cerca de 188 milhões no mundo) viviam com obesidade, ultrapassando pela primeira vez o número de crianças com baixo peso.
A obesidade infantil aumenta o risco de diabetes, cancro, doenças cardíacas, AVC e outras patologias crónicas na idade adulta.
“A alimentação que as crianças têm na escola, e os ambientes que condicionam o que comem, podem ter um impacto profundo na aprendizagem e consequências para toda a vida na sua saúde e bem-estar. Garantir uma nutrição adequada na escola é crucial para prevenir doenças mais tarde e formar adultos mais saudáveis”
No novo guia, a OMS recomenda que as escolas definam normas claras para aumentar a disponibilidade e o consumo de alimentos e bebidas saudáveis, limitando ao mesmo tempo as opções pouco saudáveis, como produtos com elevados teores de açúcar, sal e gorduras não saudáveis.
A agência apoia também o recurso a intervenções de “nudging”, como alterar a forma como os alimentos são expostos e apresentados, ou o seu preço.
Segundo a Base de Dados Global da OMS sobre a Implementação de Ações de Alimentação e Nutrição, 104 países tinham políticas de alimentação escolar saudável em outubro de 2025.
Mas, embora quase três quartos incluíssem normas obrigatórias para as refeições escolares, menos de metade restringia a publicidade de alimentos pouco saudáveis dirigida a crianças.
Atingir objetivos difíceis recompensa. Cientistas descobrem mecanismo cerebral
Jornal de Notícias
Investigadores descobriram porque é que um grande esforço pessoal desencadeia mais prazer, sendo a causa uma substância química cerebral, a acetilcolina, que regula a quantidade de dopamina libertada ao receber uma recompensa, com base no esforço investido.
O estudo realizado por investigadores da Universidade de Stanford (Estados Unidos) concluiu que quanto maior for o esforço feito para alcançar algo, maior será o prazer de o obter e maior será o valor atribuído.
Os investigadores quiseram descobrir porque é que os seres humanos estão programados para valorizar mais algo quando investem recursos significativos nisso (medidos em dinheiro, esforço, força de vontade ou tempo), ou seja, aquilo a que no mundo dos negócios se chama "custos irrecuperáveis".
Mas, embora os economistas acreditem que estes custos devem ser evitados devido à sua baixa rentabilidade, a verdade é que os seres humanos estão programados para os assumir.
"Tomamos decisões erradas com base naquilo que investimos em algo, mesmo que a probabilidade de obter uma vantagem objetiva seja nula", explicou Neir Eshel, professor assistente de psiquiatria e ciências comportamentais em Stanford.
A 'culpada' é a dopamina, a substância química que leva o cérebro a desejar algo e a repetir esse desejo (é a base dos vícios) e que está diretamente relacionada com o prazer, a aprendizagem e a formação de hábitos.
"Mas há uma diferença entre desejar algo e gostar disso", sublinhou Eshel.
Para melhor compreender a diferença entre desejo e gostar, Eshel realizou experiências em ratos, cujos resultados foram publicados em novembro passado na revista Neuron.

Nas experiências, definiram 'custo' como o número de vezes que os ratos eram obrigados a colocar o focinho numa caixa (0 a 50 vezes) ou o risco de receberem choques elétricos nas patas para aceder à recompensa, que poderia ser água com açúcar ou estimulação elétrica instantânea com a libertação de dopamina numa estrutura cerebral chamada corpo estriado.
Na experiência, primeiro saciaram os animais com recompensas sem 'custo' e depois aumentaram gradualmente o esforço, obrigando os ratos a colocar o focinho na caixa ou aumentando a intensidade dos choques elétricos nas patas necessários para obter a recompensa.
Descobriram que quanto maior a recompensa, mais dopamina o cérebro libertava, mas também que o custo para obter a recompensa desencadeava uma maior libertação deste neurotransmissor no corpo estriado.
Os cientistas questionaram que sentido ou vantagem evolutiva poderia haver no cérebro para recompensar o esforço.
Para Eshel, uma possível explicação é que "num ambiente com recursos limitados (como a maioria), quando normalmente só recebemos uma recompensa após um trabalho muito árduo, podemos precisar de uma elevada libertação de dopamina para nos motivar a repeti-lo".
Depois de um novo estudo com ratos, cujos resultados foram publicados na quarta-feira na revista Nature, Eshel e os seus colegas foram um passo mais além e demonstraram porque é que um maior esforço leva a uma maior libertação de dopamina, um mecanismo determinado, por sua vez, pela acetilcolina.
Este neurotransmissor é essencial para associar a quantidade de dopamina libertada ao receber uma recompensa com o esforço necessário para a obter, concluiu o estudo.
Ser noctívago está associado a pior saúde cardiovascular especialmente nas mulheres
Observador
Adultos de meia-idade e idosos, particularmente mulheres, que são noctívagos apresentam uma saúde cardiovascular pior em comparação com pessoas mais ativas durante o dia, segundo um estudo publicado no Journal of the American Heart Association.
Para realizar o estudo, os investigadores analisaram dados de saúde de mais de 300 mil adultos, com uma idade média de 57 anos, do Biobanco do Reino Unido (uma das bases de dados biométricas mais abrangentes do mundo) para analisar como os cronotipos, a preferência natural de um indivíduo pelo horário de sono, afetam a saúde cardiovascular.
Quase 8% dos participantes disseram ser “definitivamente pessoas noturnas”, que se deitavam tarde (por exemplo, às 02h00 da manhã) e eram mais ativos ao final do dia.
Aqueles que se identificaram como “definitivamente pessoas matutinas” eram mais ativos nas primeiras horas do dia e deitavam-se mais cedo (por exemplo, às 21h00), representando quase um quarto dos participantes.
O estudo avaliou a saúde cardiovascular dos participantes através de métricas como a dieta, atividade física, consumo de tabaco, qualidade do sono e níveis de peso, colesterol, glicemia e pressão arterial.
A análise constatou que, em comparação com os cronotipos intermédios, as pessoas “vespertinas” ou noturnas apresentaram uma prevalência 79% superior de uma pontuação geral fraca de saúde cardiovascular.
Além disso, os noctívagos apresentaram um risco 16% maior de sofrer um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral durante um seguimento médio de aproximadamente 14 anos, em comparação com aqueles com um cronotipo intermédio.
O estudo também associou os cronotipos vespertinos a piores pontuações de saúde cardiovascular nas mulheres do que nos homens.

Grande parte do aumento do risco cardiovascular entre as pessoas noturnas deve-se aos seus maus hábitos de vida e a fatores de saúde cardíaca, particularmente ao uso de nicotina e ao sono inadequado.
“As pessoas noturnas experimentam frequentemente desalinhamento circadiano, o que significa que o seu relógio biológico interno pode não estar alinhado com o ciclo natural da luz e da noite ou com os seus horários diários típicos”, explicou o autor principal do estudo, Sina Kianersi, investigador da Divisão de Distúrbios do Sono e do Ritmo Circadiano do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard Medical School, ambos em Boston.
“As pessoas noturnas são mais propensas a envolver-se em comportamentos que podem ter um impacto negativo na saúde cardiovascular, como dietas inadequadas, tabagismo e sono inadequado ou irregular”, acrescentou.
No entanto, as conclusões do estudo não são totalmente negativas para as pessoas noturnas, observou Kristen Knutson, presidente da declaração de 2025 da American Heart Association, que não participou no inquérito.
“Estes resultados mostram que o maior risco de doença cardíaca entre os cronotipos vespertinos se deve, em parte, a comportamentos modificáveis, como o tabagismo e os padrões de sono. Portanto, estes indivíduos têm opções para melhorar a sua saúde cardiovascular”, frisou.
De facto, a declaração científica da American Heart Association, liderada por Knutson, sugere que o cronotipo individual deve ser considerado na escolha de intervenções ou tratamentos.
O tipo de hidratos de carbono que consome pode afetar o risco de demência
Notícias Saúde
Um novo estudo sugere que tanto a quantidade como o tipo de hidratos de carbono que as pessoas consomem podem influenciar fortemente o risco de desenvolver demência.
As conclusões são de um trabalho colaborativo liderado pelo grupo de investigação em Nutrição e Saúde Metabólica (NuMeH) da Universitat Rovira i Virgili (URV), pelo Centro de Tecnologia Ambiental, Alimentar e Toxicológica (TecnATox) e pelo Instituto de Investigação em Saúde Pere Virgili (IISPV), Espanha.
Embora a idade continue a ser um dos fatores de risco mais importantes para a demência, os investigadores sublinham que as escolhas associadas aos estilos de vida também desempenham um papel fundamental.
Uma rotina saudável, em particular uma dieta equilibrada, pode ajudar a retardar o declínio cognitivo e a promover um envelhecimento mais saudável.
Os hidratos de carbono constituem a maior parte da maioria das dietas, fornecendo cerca de 55% da ingestão energética diária. Uma vez que os hidratos de carbono afetam diretamente os níveis de açúcar no sangue e de insulina, a sua qualidade e quantidade podem ter um grande impacto na saúde metabólica e em doenças relacionadas com a função cerebral, incluindo o Alzheimer.
Um dos principais focos do estudo foi o índice glicémico (IG), a medida da rapidez com que os alimentos ricos em hidratos de carbono elevam os níveis de glicose no sangue após a ingestão.
A escala do IG, de 0 a 100, classifica os alimentos com base nesta resposta. Alimentos como o pão branco e a batata têm uma pontuação elevada, o que significa que causam picos rápidos de açúcar no sangue, enquanto alimentos como os cereais integrais e a maioria das frutas tem uma pontuação mais baixa e levam a aumentos mais lentos.
Para investigar os efeitos a longo prazo, os investigadores examinaram dados de mais de 200.000 adultos no Reino Unido que não tinham demência no início do estudo.
Os participantes responderam a questionários detalhados que permitiram aos cientistas estimar o índice glicémico e a carga glicémica das suas dietas regulares. Durante um período médio de seguimento de 13,25 anos, 2.362 participantes foram diagnosticados com demência.

A análise revelou um padrão claro: as dietas baseadas em alimentos com baixo índice glicémico foram associadas a uma menor probabilidade de desenvolver demência, enquanto as dietas com alto índice glicémico foram associadas a um maior risco.
As pessoas cujas dietas se enquadravam na faixa de baixo a moderado índice glicémico apresentaram um risco 16% menor de desenvolver Alzheimer. Em contrapartida, dietas com valores glicémicos mais elevados foram associadas a um aumento de 14% do risco.
“Estes resultados indicam que seguir uma dieta rica em alimentos com baixo índice glicémico, como frutas, leguminosas ou cereais integrais, pode diminuir o risco de declínio cognitivo, Alzheimer e outros tipos de demência”, afirma a líder do estudo, Mònica Bulló, professora do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia da URV, investigadora do ICREA e diretora do Centro TechnATox da URV.
De um modo geral, as descobertas reforçam a importância de prestar atenção não só à quantidade de hidratos de carbono que as pessoas consomem, mas também ao tipo que escolhem.
Incorporar a qualidade dos hidratos de carbono nas estratégias alimentares pode ser um passo importante na redução do risco de demência e na promoção da saúde cerebral a longo prazo.

Obrigado por ler a medsupport.news.
A equipa da MedSUPPORT.
p.s. Se gostou desta newsletter, partilhe-a com os seus amigos e colegas! Todos podem subscrever aqui a medsupport.news.
Reply