Notícias da Saúde em Portugal 764

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Medicamentos autorizados em 2025 reforçam acesso a terapêuticas essenciais em Portugal

INFARMED, I.P.

Em 2025, o INFARMED, I.P. autorizou a introdução no mercado de 928 novos medicamentos, num ano marcado por um forte contributo dos medicamentos genéricos e pela relevância da indústria farmacêutica nacional no acesso a terapêuticas seguras, eficazes e de qualidade.

Do total de medicamentos autorizados, 79% correspondem a medicamentos genéricos, confirmando a importância deste segmento na promoção da concorrência e na sustentabilidade do sistema de saúde.

Destaca-se ainda a autorização de 236 medicamentos de indústria nacional, bem como de 38 medicamentos considerados essenciais, ou seja, fármacos indispensáveis às necessidades prioritárias de saúde da população e para os quais deve ser assegurado um abastecimento contínuo e regular no sistema de saúde.

O sistema nervoso central assume particular destaque, concentrando 22,5% do total de medicamentos autorizados por procedimento nacional, seguido do aparelho cardiovascular (17,8%) e dos medicamentos relacionados com o sangue (15,3%).

Os medicamentos antineoplásicos e imunomoduladores representam 12,7%, refletindo a aposta contínua em terapêuticas para doenças oncológicas e autoimunes.

Outras áreas relevantes incluem as hormonas e medicamentos usados no tratamento das doenças endócrinas (10,3%), os anti-infecciosos (7,0%) e os medicamentos do aparelho digestivo (3,0%).

Em 2025, foi igualmente autorizada a introdução no mercado de vários primeiros medicamentos genéricos, alargando as opções terapêuticas disponíveis e contribuindo para a redução de custos para os utentes e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Partilhar sentimentos pode acelerar a recuperação após um AVC

Notícias Saúde

Os sobreviventes de AVC que se sentem desconfortáveis ​​em partilhar os seus pensamentos e sentimentos sobre a sua doença e o futuro apresentam uma recuperação física e cognitiva mais lenta após o AVC, mostra um estudo apresentado na Conferência Internacional de AVC de 2026 da American Stroke Association.

“Ao lidar com o stress e o trauma intenso, muitas pessoas beneficiam de um ambiente social acolhedor onde podem conversar sobre o que estão a viver. No entanto, quando os sobreviventes de AVC se sentem desconfortáveis ​​em partilhar os seus pensamentos/sentimentos porque acreditam que falar sobre o assunto deixará os outros desconfortáveis, ​​ou que os outros não vão querer ouvir as suas preocupações, estas restrições à partilha podem ser prejudiciais para a sua saúde.”

E. Alison Holman, autora principal do estudo e professora de enfermagem na Escola de Enfermagem Sue & Bill Gross da Universidade da Califórnia

Os investigadores quiseram perceber se as restrições sociais à partilha de sentimentos e emoções previam a solidão e a incapacidade funcional e cognitiva um ano após um AVC.

A análise incluiu mais de 700 participantes do estudo STRONG, realizado em 28 locais nos EUA, que já tinha revelado que a recuperação um ano após um AVC é pior se na vida da pessoa antes do AVC tiver havido um nível mais elevado de stress e trauma, se apresentou sintomas de stress pós-traumático enquanto ainda estava hospitalizada após o AVC ou se possuía determinadas variações genéticas.

No estudo atual, os investigadores avaliaram a perceção dos participantes sobre as restrições sociais três meses após o AVC, após o período inicial de recuperação.

Os sobreviventes de AVC identificaram uma pessoa de quem dependem regularmente, geralmente um familiar que atua como cuidador, e responderam a duas perguntas sobre as suas interações com essa pessoa:

A análise constatou que, um ano após o AVC, as pessoas que se sentiam menos capazes de partilhar abertamente os seus sentimentos aos 90 dias tinham maior probabilidade de enfrentar diversos desafios:

  • Sentiam-se mais sós, relatando que se sentiam mais excluídas, isoladas ou sem companhia na última semana.

  • Tinham mais dificuldade nas atividades diárias, como alimentar-se ou tomar banho (precisavam de mais ajuda no geral).

  • Apresentavam maiores problemas com as capacidades cognitivas, incluindo a memória, a atenção e a linguagem.

Para os cuidadores, Holman recomenda: “criar um espaço seguro para que as pessoas falem sobre o AVC, deixem-nas falar sobre os seus sentimentos e sobre o que estão a passar, para que possam processar o que aconteceu e o que está a acontecer. No entanto, não tentem forçar, porque nem todos têm de verbalizar as suas emoções. Oferecer um espaço seguro para que partilhem, se necessário, é fundamental”.

Os investigadores observaram que, se estes resultados forem confirmados em estudos futuros, poderão ser desenvolvidas intervenções para ajudar os sobreviventes a enfrentar menos desafios sociais.

MedSUPPORT | Testemunho da semana

“Tenho os serviços da MedSUPPORT há um ano, desde então que sinto a minha clínica segura de todos os processos de licenciamento. Além disso tenho muito mais tempo para me preocupar com a gestão da clínica, uma vez que tenho uma empresa super capaz e eficiente a tratar de todos os outros processos.”

Dra. Rita Caetano - I.R.O.N. Instituto de Reabilitação Oral Norte - Porto

Medicina estética é cada vez mais popular entre os homens

Jornal de Notícias

Os homens recorrem cada vez mais à cirurgia estética, uma tendência particularmente assinalável no Médio Oriente e na América Latina, de acordo com os dados apresentados na quinta-feira em Paris, no congresso mundial do setor (IMCAS).

Entre 2018 e 2024, o número de procedimentos cirúrgicos realizados em homens aumentou 95%, e os tratamentos estéticos não cirúrgicos (injeções, tratamentos a laser ou peelings) para pacientes do sexo masculino cresceram 116%, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS).

Em comparação, os aumentos atingiram os 59% e os 55%, respetivamente, para as mulheres.

"Esta tendência, particularmente acentuada no Médio Oriente e na América Latina, reflete uma profunda transformação das normas sociais e uma crescente aceitação dos procedimentos estéticos por parte dos homens, que ainda representam apenas 16% de todos os procedimentos", de acordo com uma análise de mercado apresentada no congresso IMCAS, que decorre até 31 de janeiro em Paris.

No entanto, prevê-se um aumento da pressão competitiva, particularmente nos mercados de injeções de toxina botulínica e de ácido hialurônico, dois segmentos que, em conjunto, representam mais de metade do mercado global de medicina estética e movimentaram 9,6 mil milhões de euros em 2025.

"As gerações Z (1997 e 2012) e Millennials (1980-1995) estão a aceder à medicina estética muito mais cedo do que as gerações anteriores", segundo a IMCAS.

Com aproximadamente 45% da quota de mercado global, os Estados Unidos continuaram a dominar o mercado mundial em 2025, representando o maior número de procedimentos estéticos não cirúrgicos e dominando o segmento da toxina botulínica (56% da procura global).

AlphaGenome: nova IA da Google decifra e prevê alterações no ADN

Euronews

O nosso ADN resulta de milhões de combinações no genoma que dão origem ao corpo humano. Mesmo alterações mínimas nestas sequências, ou na forma como atuam, podem alterar o funcionamento de todo o organismo e causar doenças como o cancro.

O AlphaGenome, a nova ferramenta de inteligência artificial (IA) da Google, consegue ler longos segmentos de ADN e prever o comportamento de diferentes regiões, estimando como alterações podem conduzir a doenças.

Recorrendo à aprendizagem profunda e inspirado no modo como o cérebro processa informação, foi concebido para ajudar os cientistas a compreender o funcionamento do ADN.

“Acreditamos que o AlphaGenome pode ser um recurso valioso para a comunidade científica, ajudando os cientistas a compreender melhor a função do genoma, a biologia da doença e, em última análise, a impulsionar novas descobertas biológicas e o desenvolvimento de novos tratamentos”

Google DeepMind

Como funciona o AlphaGenome?

O modelo lê até um milhão de letras do ADN com precisão ao nível de cada letra, algo impossível com ferramentas anteriores.

Apenas cerca de 2% do ADN humano codifica diretamente proteínas, os blocos que desempenham a maior parte do trabalho nas nossas células.

Os 98% restantes foram durante muito tempo descartados como “ADN lixo”; porém, longe de serem inúteis, estas sequências funcionam como painéis de controlo que regulam o modo como trabalham os outros 2%.

Muitas variantes associadas a doenças escondem-se aqui, afetando a atividade dos genes sem alterar as proteínas.

O AlphaGenome é o primeiro modelo de aprendizagem profunda capaz de abordar esta parte do ADN e prever o seu funcionamento.

O modelo consegue estimar de que forma pequenas alterações genéticas, as chamadas variantes, podem afetar a atividade dos genes ou perturbar processos normais associados a doenças como o cancro.

Como funciona na prática?

Como exemplo real, os investigadores concentraram-se num tipo de leucemia aguda, um cancro dos glóbulos brancos, em que células T imaturas, componentes do sistema imunitário, crescem descontroladamente.

Alguns casos de leucemia são causados por pequenas alterações no ADN que não modificam a própria proteína, mas alteram a intensidade ou o momento em que determinados genes se ativam.

O modelo AlphaGenome comparou a sequência de ADN normal com a mutada e previu a probabilidade de a mutação aumentar a atividade de genes próximos.

O modelo está atualmente disponível gratuitamente para cientistas em investigação não comercial; é uma ferramenta de investigação, não destinada a uso clínico.

Como pode ajudar?

Em biologia molecular, pode funcionar como uma ferramenta de laboratório virtual, permitindo testar ideias por simulação antes de realizar experiências dispendiosas.

Em biotecnologia, pode ajudar a conceber terapias genéticas ou a melhorar moléculas que visam tecidos específicos.

Ainda assim, os cientistas alertam que, como todos os modelos de IA, o AlphaGenome vale tanto quanto os dados usados no seu treino.

A maioria dos dados existentes em biologia não é muito adequada à IA: os conjuntos de dados são demasiado pequenos e pouco normalizados”, disse Ben Lehner, responsável por genómica generativa e sintética no Wellcome Sanger Institute, no Reino Unido.

Segundo o investigador, o principal desafio agora é como gerar os dados para treinar a próxima geração de modelos de IA.

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