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Liga Contra o Cancro prevê investir 15 milhões de euros em equipamentos de rastreio

Observador

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) estima investir 15 milhões de euros na alteração do rastreio primário do cancro da mama, passando para um exame que permitirá detetar cancros ainda mais precocemente, disse na passada sexta-feira o presidente.

“Isto vai implicar um esforço muito grande por parte da Liga Portuguesa contra o Cancro. Mas é muito importante porque vamos apanhar, provavelmente, mais cancros iniciais. São imagens que vão de milímetro a milímetro, o que efetivamente melhora a sensibilidade da leitura e, obviamente, permite que cancros muito pequenos sejam detetados mais precocemente”

Vítor Veloso, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro

Vítor Veloso estima que os vários núcleos da LPCC necessitem, no total, de 15 milhões de euros e espera que o processo esteja concluído no espaço de dois anos.

O exame por tomossíntese já era feita na consulta de aferição (ou seja, após um exame suspeito na mamografia) em alguns núcleos da LPCC, mas agora vai ser feito em larga escala no próprio rastreio.

O método baseia-se na aquisição de múltiplas projeções de raios-X de baixa dose, que são posteriormente reconstruídas computacionalmente, permitindo a obtenção de imagens tridimensionais com cortes de aproximadamente um milímetro de espessura.

Esta abordagem reduz o efeito da sobreposição do tecido mamário e melhora a deteção e caracterização das lesões.

É uma tecnologia que pretende ultrapassar algumas limitações da monografia com “aumento da acessibilidade sem comprometer a segurança do doente”, acrescentou, avançando que Portugal vai-se tornar o primeiro país da Europa em que a tomossíntese mamária será o exame primário da mama.

Taxas de hipertensão arterial em crianças quase duplicaram em 20 anos

CNN

As taxas globais de hipertensão, ou tensão arterial elevada, na infância e adolescência quase duplicaram desde 2000, colocando mais crianças em risco de terem problemas de saúde mais tarde.

Em 2000, cerca de 3,4% dos rapazes e 3% das raparigas tinham hipertensão. Em 2020, esses números aumentaram para 6,5% e 5,8%, respetivamente”, compara Peige Song, investigadora da Escola de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang, na China.

Peige Song é uma das autoras de um estudo que descreve as descobertas publicadas, em meados de novembro, na revista The Lancet Child and Adolescent Health.

A obesidade infantil é um fator de risco significativo, porque está associada a fatores como resistência à insulina, inflamação e função vascular, explica Peige Song.

Fatores alimentares, como o consumo elevado de sódio e alimentos ultraprocessados, também podem contribuir para o risco de hipertensão, assim como a má qualidade do sono, o stress e a predisposição genética, acrescenta.

Muitas crianças também se movimentam menos do que as gerações anteriores e passam mais tempo em atividades sedentárias, como o uso de ecrãs, o que pode estar também a aumentar o risco, diz ainda a especialista.

Também estamos a começar a tentar perceber que outros fatores, incluindo poluentes ambientais, podem contribuir”, acrescenta também Mingyu Zhang.

O estudo não acompanhou apenas as taxas de hipertensão nos Estados Unidos. Os investigadores analisaram dados de 96 estudos em 21 países.

Outra consideração importante feita pela equipa do estudo é como a tensão arterial difere dentro e fora do consultório médico.

Algumas crianças podem ter tensão arterial normal em casa, mas uma leitura mais alta no consultório, enquanto outras podem ter uma tensão arterial mais baixa no consultório do que o normal.

O resultado mostra que uma única leitura pode não ser suficiente e que pode haver necessidade de soluções mais escaláveis para uma melhor monitorização e tratamento da hipertensão em todo o mundo, acrescenta ainda Peige Song.

Cientistas rejuvenescem o sistema imunitário usando o fígado como "substituto" do timo

SIC Notícias

Com o passar dos anos, o sistema imunitário perde gradualmente eficácia, tornando o organismo mais vulnerável a infeções, cancro e outras doenças.

Agora, uma equipa de cientistas do MIT e de Harvard descobriu uma nova forma de rejuvenescer um dos seus componentes essenciais, com potencial para melhorar a saúde na terceira idade, segundo a investigação publicada na revista Nature.

A investigação, conduzida por uma equipa do Broad Institute do MIT e da Universidade de Harvard, centrou-se no timo, um pequeno órgão localizado atrás do esterno, na parte superior do tórax.

O timo é crucial para o desenvolvimento das células T ou linfócitos T, um tipo de célula imunitária responsável por identificar e eliminar ameaças como vírus, bactérias e células cancerígenas.

A partir do início da idade adulta, o timo começa a encolher e a perder atividade, o que limita a produção de novas células T e contribui para o enfraquecimento do sistema imunitário.

Em experiências com ratinhos, os investigadores conseguiram reutilizar parte do fígado para desempenhar temporariamente algumas das funções do timo.

À medida que envelhecemos, o sistema imunitário começa a decair. Queríamos perceber como manter este tipo de proteção imunitária durante mais tempo, e foi isso que nos levou a pensar em formas de reforçar a imunidade", diz o neurocientista do MIT, Mirco Friedrich.

Numa primeira fase da experiência, a equipa comparou o sistema imunitário de ratinhos jovens e idosos. Essa análise permitiu identificar três proteínas de sinalização essenciais, cujos níveis diminuem com a idade: DLL1, FLT3-L e IL-7.

Estas proteínas desempenham um papel central na transformação de células imaturas em células T funcionais e na sua manutenção.

Com base nesses resultados, os investigadores desenvolveram um tratamento com mRNA, o ácido ribonucleico mensageiro que funciona como um conjunto de instruções para a produção de proteínas. O tratamento foi administrado através de injeções repetidas no fígado de ratinhos idosos.

Um aspeto que os cientistas salientaram é que o aumento da produção de células T induzido pelo fígado foi temporário. Isto reduz o risco de uma estimulação excessiva do sistema imunitário, que poderia provocar inflamação ou levar o organismo a atacar os seus próprios tecidos.

Apesar dos resultados encorajadores, os cientistas sublinham que é ainda necessário demonstrar a viabilidade desta abordagem em humanos.

Os próximos passos incluem testes noutros animais e a exploração de diferentes proteínas de sinalização e tipos de células imunitárias.

Universidade do Porto mostra que idosos com solidão utilizam mais recursos de saúde

RTP Notícias

"Quanto maior o nível de solidão, maior é a utilização de recursos de saúde", é a conclusão resultante de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

O estudo, intitulado "A solidão como determinante da utilização dos serviços de saúde em idosos" e publicado na revista European Geriatric Medicine, envolveu a realização de um inquérito a mais de 300 pessoas idosas residentes no Baixo Alentejo (correspondente ao distrito de Beja).

Trata-se de "uma região predominantemente rural, envelhecida e socialmente vulnerável", explicou a FMUP, referindo que os resultados mostram que "mais de metade dos participantes referiram solidão leve e cerca de 15% apresentaram níveis de solidão severa".

Segundo os investigadores, "a falta de identificação da solidão como qualquer outro fator de risco contribui para a medicalização do sofrimento social e para respostas de saúde menos ajustadas às necessidades reais das pessoas idosas".

Por isso, são necessárias "mudanças estruturais na forma como a solidão é reconhecida e tratada" e é preciso reforçar o "investimento em transportes, espaços públicos, programas comunitários e estratégias de envelhecimento ativo".

"A solidão é prevenível, identificável e dispõe de tratamento adequado", lembram os autores do trabalho, que contou com a colaboração das médicas e investigadores Ângela Mira e Cristina Galvão, da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), que abrange 13 dos 14 concelhos do distrito de Beja.

Integrar o rastreio sistemático da solidão nos cuidados de saúde e implementar modelos de prescrição social, como atividades comunitárias, programas intergeracionais ou grupos de vizinhança, são duas das medidas que os investigadores apontam no estudo como "uma resposta eficaz e alinhada com a evidência internacional".

"A solidão afeta negativamente a saúde dos idosos e acarreta uma maior pressão sobre o sistema de saúde. A solução não pode passar pela prescrição de mais comprimidos, mas sim por reforçar este sentido de comunidade", defendeu Paulo Santos.

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