Notícias da Saúde em Portugal 766

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Resistência Antimicrobiana na Cavidade Oral: O impacto da IA pode ser revolucionário.

Jornal Dentistry

A cavidade oral é hoje reconhecida como um dos ecossistemas microbianos mais complexos do organismo humano e um importante reservatório de genes de resistência antimicrobiana, frequentemente designado como resistoma oral.

A elevada densidade bacteriana, a organização em biofilme e a exposição repetida a antimicrobianos fazem da boca um ambiente particularmente propício à seleção e manutenção de resistência.
Nos últimos anos, a investigação científica tem-se afastado progressivamente do paradigma exclusivo da erradicação bacteriana, privilegiando estratégias que visam desorganizar o biofilme, modular o microbioma e reduzir a pressão seletiva dos antibióticos.


A IA não atua apenas como um "filtro", mas como uma ferramenta de precisão cirúrgica em três frentes principais:

Diagnóstico de Precisão e Prescrição 
Atualmente, muitos antibióticos são prescritos com base em sinais clínicos visíveis. A IA pode mudar esse cenário através da análise de Biofilme: Softwares de visão computacional podem analisar imagens microscópicas ou fluorescência para identificar patógenos específicos, diferenciando infecções bacterianas de inflamações virais ou fúngicas.
Sistemas de Apoio à Decisão (CDSS): Algoritmos que cruzam o histórico do paciente, alergias e taxas de resistência locais para sugerir se o antibiótico é realmente necessário ou qual a molécula de espectro mais estreito e eficaz.

Descoberta de Novos Antimicrobianos
A investigação para a criação de novos medicamentos é lenta e cara. A IA acelera isso drasticamente:.
Triagem Virtual  -  Modelos de Deep Learning podem analisar milhões de compostos químicos em segundos para encontrar moléculas que matem bactérias resistentes, como as presentes em abscessos periapicais crónicos.
Peptídeos Antimicrobianos (AMPs) -  A IA ajuda a projetar peptídeos sintéticos que destroem a membrana bacteriana sem causar resistência, oferecendo uma alternativa aos antibióticos tradicionais.

— Monitorização em Tempo Real (Vigilância Epidemiológica)
Dados Conectados  -  Redes de clínicas dentárias podem alimentar uma base de dados global, alertando os médicos dentistas sobre o surgimento de espécies super-resistentes na sua região específica.
Previsão de Risco  -  Algoritmos podem identificar que pacientes têm maior probabilidade de desenvolver infeções pós-operatórias, permitindo uma abordagem preventiva não medicamentosa.

O papel do médico dentista no futuro "IA-Assistido"
A IA não substitui o julgamento clínico, mas oferece uma "segunda opinião" baseada em dados o que reduz a incerteza.

ACSS atualiza e reforça referencial técnico para edifícios e unidades de saúde em 2025

ACSS

A Unidade de Instalações e Equipamentos da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) promoveu, ao longo de 2025, um conjunto alargado de atualizações e novas publicações técnicas, reforçando o quadro normativo e de boas práticas aplicável ao planeamento, projeto, construção e requalificação de infraestruturas de saúde em Portugal.

Estas iniciativas refletem a necessidade de alinhar os referenciais técnicos com a evolução tecnológica, os requisitos regulamentares, as exigências de segurança — incluindo o comportamento sismo-resistente — e as atuais práticas clínicas e operacionais do setor da saúde.

Entre as principais publicações e atualizações realizadas, destacam-se:

  • RETEH Recomendações e Especificações Técnicas do Edifício Hospitalar V. 2025documento estruturante que consolida os princípios técnicos aplicáveis aos edifícios hospitalares;

  • ET 02/2006Especificações técnicas para gás combustível em edifícios hospitalares (versão 2025);

  • ET 05/2007Especificações Técnicas para o Comportamento Sismo-Resistente de Edifícios Hospitalares;

  • ET 07/2009Especificações técnicas para tubagem em instalações de águas de edifícios hospitalares;

  • ET 08/2010Especificações técnicas para ar comprimido técnico em edifícios hospitalares;

  • ET 11/2020Especificações Técnicas para o Dimensionamento de Ascensores de Edifícios Hospitalares Sujeitos a Condições Sísmicas;

  • RT 15/2025Recomendações Técnicas para Unidades de Reprocessamento de Dispositivos Médicos de Uso Múltiplo (NOVO)

  • RT 16/2025Recomendações Técnicas para Consultas Externas e Exames Especiais.

  • Guia de Boas Práticas para o Setor da Saúde – reforço das orientações transversais aplicáveis às diferentes tipologias de unidades.

Com este conjunto de documentos, a ACSS reafirma o seu compromisso com a qualificação do edificado da saúde, a segurança de utentes e profissionais e a promoção de soluções técnicas coerentes, atualizadas e alinhadas com as necessidades do Serviço Nacional de Saúde.

Hospital espanhol faz primeiro transplante facial de dadora que pediu morte medicamente assistida

Público


Um hospital em Barcelona fez o primeiro transplante parcial de cara do mundo a partir de uma dadora que havia solicitado morte assistida. No mundo, foram realizados, ao todo, 54 transplantes faciais.
O transplante foi feito no ano passado no Hospital Vall d’​Hebron, onde se realizou aquele que é considerado o primeiro transplante total de cara bem-sucedido no mundo, em 2010. O primeiro transplante de cara (parcial) foi feito em França, em 2005, e até agora há registo de um total de 54, três deles no Vall d’​​Hebron.


Numa conferência de imprensa esta segunda-feira em Barcelona, os coordenadores da equipa médica que fez o transplante explicaram que, por se tratar de uma dadora que tinha escolhido a morte assistida, foi possível fazer um trabalho de planeamento e o uso de tecnologias, como softwares 3D, impossíveis noutras situações.

“Pudemos sentar-nos com os engenheiros e, com modelos de software, pudemos planear as melhores opções de reconstrução e adaptação das estruturas de osso para conseguir a melhor função possível, até ao match máximo”

Joan-Pere Barret, chefe da unidade de cirurgia plástica e queimados do Hospital Vall d’Hebron

O médico sublinhou que um transplante de cara “é considerado muito complexo” e por isso “há poucos a nível mundial”.

A mulher que recebeu o transplante esteve também na conferência de imprensa esta segunda-feira e foi apresentada apenas como Carme aos jornalistas. A mulher contou que ficou com a cara desfigurada por causa de uma infecção bacteriana, o que a impedia de comer ou de “sair à rua e tomar um café” e lhe dificultava a respiração.


“Já começo a comer, posso falar, tenho sensibilidade na zona do transplante, já tomo um café. Não me importa sair à rua e posso fazer vida normal. Recuperei uma qualidade de vida que não imaginava que voltaria a ter”, disse aos jornalistas. Carme está agora a fazer fisioterapia para trabalhar e recuperar diversas funções da cara ou associadas à cara e espera estar “completamente bem, fantástica” dentro de um ano.

Cerca de 100 profissionais do Vall d’​Hebron estiveram envolvidos neste transplante, desde os das áreas da cirurgia plástica a psiquiatras.

Projeto português sobre demência é um dos finalistas de prémio milionário

SIC Notícias

O objetivo do dispositivo criado por portugueses é aumentar a longevidade da independência daqueles que vivem com demência. O projeto foi desenvolvido em casa dos doentes.

Um projeto português de um dispositivo para ajudar pessoas que vivem com demência a manter a sua independência é um dos cinco finalistas do Prémio Longitude Demência no valor de 1,15 milhões de euros.

O Autonomous (Autónomo) é um sistema de sensores que pode ser posicionado em diferentes locais da casa de uma pessoa para a ajudar a manter a sua independência após o diagnóstico de demência, preservando a rotina e a confiança" e "mantendo o controlo

Ricardo Graça e Ana Vasconcelos, investigadores da Associação Fraunhofer Portugal Research e coordenadores do projeto

O sistema utiliza inteligência artificial e inclui um pequeno computador - que fica na casa do utilizador para proteger a sua privacidade -, ligado a câmaras e microfones e a um "smartwatch" utilizado pela pessoa com demência, que a lembra das suas rotinas e de verificar, por exemplo, se deixou o fogão ligado e uma torneira ou o frigorífico abertos.

Para os investigadores, os principais benefícios incluem o bem-estar emocional, aumento da autoestima, estímulo mental, saúde física e a ligação social, já que vivendo na sua casa os doentes podem continuar "na sua comunidade local, mantendo ligações com amigos e vizinhos".

Desenvolvido por uma equipa do centro de investigação aplicada Associação Fraunhofer Portugal Research, no Porto, em parceria com a Universidade Carnegie Mellon (Estados Unidos) e a LUCA School of Arts (Bélgica), o projeto Autonomous contou ainda com a participação de pessoas que vivem com demência, "um requisito fundamental" do prémio.

"Desenvolvemos o Autonomous em conjunto com pessoas com demência, familiares e cuidadores em três países (Portugal, Bélgica e Itália), envolvendo mais de 150 pessoas", incluindo "81 pessoas com demência, 28 cuidadores dedicados e 34 profissionais de saúde"

Ricardo Graça e Ana Vasconcelos, investigadores da Associação Fraunhofer Portugal Research e coordenadores do projeto

Acrescentaram que o dispositivo foi testado em casa de doentes e que "os testes-piloto confirmaram uma perceção geral positiva e uma elevada utilidade, validada pelo pedido de três participantes para continuar a utilizar a solução após a conclusão do estudo".

Ricardo Graça e Ana Vasconcelos disseram ainda que passarão "o próximo ano a fazer os ajustes finais necessários" para preparar o modelo "para o mundo real" e que não pretendem patenteá-lo.

Em termos de comercialização, indicaram estar "focados no licenciamento da tecnologia a instituições que oferecem apoio domiciliário a pessoas com demência", considerando que "estas organizações são os parceiros ideais", tendo em conta que "os custos de produção são atualmente elevados".

O projeto português foi escolhido em 2024 para a final do Prémio Longitude Demência, juntamente com outros quatro (dois do Reino Unido, um dos Estados Unidos e outro da Austrália), de um grupo global de 24 semifinalistas.

Cada um dos finalistas recebeu 300.000 libras (345.000 euros) para desenvolver as suas ideias e criar "soluções práticas, concebidas especificamente para pessoas que vivem com demência".

O objetivo deste prémio é promover "a criação de ferramentas personalizadas baseadas em tecnologia, cocriadas com pessoas que vivem na fase inicial da demência, ajudando-as a viver de forma independente durante mais tempo".

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