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Expodental: benefícios para médicos dentistas portugueses

OMD

A Expodental 2026 realiza-se no próximo mês de março, nos dias 11, 12 e 13. Este encontro de medicina dentária terá lugar em Madrid e é organizado pela IFEMA, em colaboração com a Fenin (Federação Espanhola de Empresas de Tecnologia em Saúde).

No âmbito da colaboração com a OMD, os médicos dentistas portugueses inscritos na Ordem podem aceder gratuitamente ao evento. Para tal, no momento da inscrição devem utilizar o código: OMDED26.

Este é um evento científico multidisciplinar, direcionado para o setor da medicina dentária, que este ano tem como o tema principal “O Caminho para a Inovação Dentária”. Os participantes encontram aqui um espaço privilegiado para atualizar conhecimentos sobre as várias áreas da saúde oral e uma feira dedicada à inovação e networking.

Aceda á página do evento em https://www.ifema.es/en/expodental.

Tatuagens podem causar cancro? Estudos pedem cautela

EuroNews Health

As tatuagens estão mais populares do que nunca, mas estudos recentes sugerem uma ligação entre a tinta permanente e alguns tipos de cancro. Até que ponto as pessoas se devem preocupar?

De mangas tribais a borboletas tatuadas na zona lombar, os humanos tatuam a pele há milhares de anos.

Para muitas pessoas, o receio de se arrepender no futuro é a principal preocupação. Mas um número crescente de estudos sugere que as tatuagens podem comportar riscos mais sérios para a saúde.

A popularidade das tatuagens tem vindo a aumentar nos últimos anos, com cerca de 13 a 21 por cento da população da Europa Ocidental a ostentar pelo menos uma, segundo um estudo publicado no European Journal of Public Health.

Apesar desta difusão, sabe-se surpreendentemente pouco sobre os potenciais efeitos na saúde a longo prazo.

Estudos anteriores já tinham encontrado indícios de que a tinta das tatuagens se acumula nos gânglios linfáticos, o que pode provocar inflamação e, em casos raros, linfoma (um tipo de cancro do sangue).

Mais recentemente, um estudo de 2025 da Universidade do Sul da Dinamarca (SDU) concluiu que as pessoas com tatuagens têm um risco acrescido de desenvolver cancro da pele e linfoma.

Recorrendo a uma coorte (grupo de indivíduos com características em comum” de gémeos selecionados aleatoriamente, os investigadores compararam os que tinham algum tipo de cancro com os que não tinham. De acordo com o estudo, publicado na revista BMC Public Health, os gémeos tatuados apresentavam quase quatro vezes mais risco de cancro da pele.

O trabalho aponta também para o papel da dimensão das tatuagens, sugerindo que desenhos maiores do que a palma da mão podem aumentar ainda mais o risco.

"Temos provas de que existe uma associação entre a quantidade de tinta e o risco no caso do linfoma e do cancro da pele"

Signe Bedsted Clemmensen, coautora do estudo e professora assistente de bioestatística na SDU

Importa sublinhar, no entanto, que estes resultados ainda são muito preliminares e limitados pela multiplicidade de fatores em jogo. Tipos de tinta, localização das tatuagens, subtipos de cancro e outros fatores genéticos e ambientais têm de ser considerados para uma análise mais rigorosa.

Conservantes alimentares associados ao cancro e à diabetes tipo 2

CNN Portugal

Dois estudos recentes sublinham a preocupação sobre os conservantes e enfatizam a importância para a saúde pessoal e pública de consumir alimentos frescos, integrais e minimamente processados

Os conservantes comuns utilizados para manter os alimentos seguros e prolongar o prazo de validade podem estar associados a um risco mais elevado de vários tipos de cancro e de diabetes tipo 2, de acordo com dois novos estudos realizados em França.

“Estas são descobertas muito importantes para os conservantes que são não só amplamente utilizados nos mercados francês e europeu, mas também nos Estados Unidos”

Mathilde Touvier, investigadora principal do estudo NutriNet-Santé

O NutriNet-Santé, que teve início em 2009, compara os relatórios, elaborados através da Internet, sobre a dieta e o estilo de vida de mais de 170.000 participantes, com os seus dados médicos armazenados no sistema nacional de saúde francês.

“Estes são os dois primeiros estudos no mundo que investigam as associações entre a exposição a estes aditivos alimentares e o cancro e a diabetes de tipo 2 e por isso temos de ser muito cautelosos com a mensagem. Obviamente, os resultados precisam de ser confirmados".

Touvier, que é também diretora de investigação no Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica em Paris

Cancro e conservantes

O estudo sobre o cancro, publicado na revista The BMJ, examinou de perto o impacto de 58 conservantes em cerca de 105.000 pessoas que não tinham cancro em 2009 e que foram seguidas durante 14 anos. Só foram incluídas as pessoas que responderam a questionários alimentares sobre a sua dieta a cada 24 horas, referindo marcas específicas. As pessoas que comiam mais alimentos com conservantes foram comparadas com as que comiam menos.

Os investigadores analisaram a fundo 17 conservantes consumidos por pelo menos 10% dos participantes e descobriram que 11 deles não tinham qualquer relação com o cancro. No entanto, os seis que estavam ligados ao cancro são considerados GRAS, ou “geralmente reconhecidos como seguros” nos alimentos pela Food and Drug Administration dos EUA. Estes são o nitrito de sódio, o nitrato de potássio, os sorbatos, o metabissulfito de potássio, os acetatos e o ácido acético.

O nitrito de sódio, um sal químico normalmente utilizado em carnes processadas, como bacon, fiambre e charcutaria, foi associado a um aumento de 32% no risco de cancro da próstata. O seu primo, o nitrato de potássio, foi associado a um risco 22% mais elevado de cancro da mama e a um aumento de 13% em todos os tipos de cancro. A Organização Mundial de Saúde há muito que considera a carne processada como um agente cancerígeno, com uma ligação direta ao cancro do cólon.

Os estudos observacionais estão sujeitos a erros devido à falta de controlo das variáveis que também podem influenciar os resultados. No entanto, de acordo com o editorial publicado com o estudo, um dos principais pontos fortes deste estudo foi a sua capacidade de ajustar os conservantes de fontes naturais e outros aditivos alimentares, assim como a “avaliação detalhada da ingestão de conservantes, através de registos dietéticos repetidos a cada 24 horas”.

Além disso, ambos os estudos controlaram variáveis como a atividade física, o tabaco, o consumo de álcool, a utilização de medicamentos e fatores relacionados com o estilo de vida.

“A conclusão de que classes específicas de conservantes estão associadas a um risco acrescido de alguns cancros foi robusta a todos estes ajustamentos, o que indica que se trata de uma questão que merece respeito e requer mais investigação”, garante David Katz.

Diabetes de tipo 2 e conservantes

O estudo sobre a diabetes de tipo 2, publicado na revista Nature Communications, analisou o papel dos conservantes e o risco potencial de diabetes de tipo 2 em cerca de 109.000 participantes do NutriNet-Santé que não tinham a doença no início do estudo.

Concluiu-se que 12 dos 17 conservantes analisados pelos investigadores estavam associados a um risco quase 50% superior de desenvolver diabetes de tipo 2 nas pessoas que os consumiam em níveis mais elevados.

Além disso, 5 dos mesmos conservantes que causam cancro - sorbato de potássio, metabissulfito de potássio, nitrito de sódio, ácido acético e acetato de sódio - também aumentavam o risco de desenvolver diabetes de tipo 2. Neste caso, a probabilidade aumentou 49%, segundo a investigação.

“Uma vez que estes dois estudos são os primeiros a analisar o papel dos conservantes no desenvolvimento do cancro e da diabetes de tipo 2, será necessária muito mais investigação para confirmar e alargar os resultados”

Anaïs Hasenböhler, a primeira autora de ambos os estudos, que é estudante de doutoramento na Equipa de Investigação em Epidemiologia Nutricional da Universidade Sorbonne Paris Nord.

Obesidade: perder peso não chega, é preciso tratar a doença

SIC Notícias

Tratar a obesidade vai muito além de controlar o peso: é necessário abordar uma doença crónica, complexa e multifatorial, com impacto profundo na saúde e na qualidade de vida. O alerta é do médico especialista em cirurgia da obesidade, António Albuquerque.

A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial, que afeta milhões de pessoas em Portugal e no mundo. Está associada a um risco aumentado de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, cancro, infertilidade, apneia do sono e redução significativa da esperança e da qualidade de vida. Apesar disso, continua muitas vezes a ser encarada como um problema de falta de força de vontade, quando hoje sabemos que se trata de uma verdadeira doença metabólica.

Nos últimos anos, o tratamento da obesidade tem conhecido uma enorme evolução, sobretudo com o aparecimento de novos fármacos e com o aperfeiçoamento das técnicas de cirurgia bariátrica e metabólica. Mas é fundamental compreender o que cada abordagem faz e, sobretudo, o que não faz.

O tratamento farmacológico: uma ferramenta, não uma cura!

Os novos medicamentos para a obesidade, em particular os análogos das hormonas intestinais como o GLP-1, têm ganho grande visibilidade mediática. Estes fármacos atuam principalmente ao nível do cérebro e do tubo digestivo, promovendo diminuição do apetite, aumento da saciedade e atraso do esvaziamento gástrico. O resultado é uma redução da ingestão alimentar e, consequentemente, perda de peso.

No entanto, é essencial esclarecer alguns pontos. Estes medicamentos não tratam a obesidade enquanto doença. Não alteram a absorção de gorduras, não modificam de forma estrutural o metabolismo e não eliminam o excesso de tecido adiposo de forma duradoura. A obesidade é, por definição, um estado de armazenamento excessivo de gordura corporal, e não apenas um aumento do apetite.

Além disso, os dados científicos mostram que, após a suspensão da terapêutica farmacológica, o reganho de peso é muito frequente e significativo. Ou seja, enquanto o medicamento é tomado, há perda de peso; quando é interrompido, o organismo tende a regressar ao estado anterior. Isto levanta questões importantes sobre a duração do tratamento, os custos a longo prazo e a exposição prolongada a fármacos cujos efeitos secundários de muito longo prazo ainda não são totalmente conhecidos.

Cirurgia bariátrica: mais do que “reduzir o estômago”

Ao contrário do que muitas pessoas ainda pensam, a cirurgia bariátrica não é apenas uma cirurgia “para comer menos”. Procedimentos como o bypass gástrico em Y de Roux, o bypass gástrico de anastomose única ou as derivações biliopancreáticas atuam através de vários mecanismos combinados e profundamente estudados.

Estes procedimentos envolvem:

  • Redução do tamanho do estômago, limitando a quantidade de alimentos ingeridos;

  • Derivação de uma parte variável do intestino delgado, reduzindo a absorção de gorduras;

  • Estimulação natural de hormonas intestinais, como o GLP-1, PYY e outras, produzidas pelo próprio organismo e não análogos sintéticos.

Esta alteração anatómica e hormonal leva a uma profunda reorganização do metabolismo, com impacto direto no controlo do apetite, na utilização da gordura corporal e na melhoria de doenças associadas, como a diabetes tipo 2, muitas vezes ainda antes de ocorrer perda de peso significativa.

Eficácia e durabilidade: o que diz a ciência

A evidência científica acumulada ao longo de décadas mostra de forma consistente que a cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz e duradouro da obesidade grave. A perda de peso é superior à obtida com fármacos, a manutenção dos resultados é significativamente melhor e a melhoria das doenças associadas é mais profunda e sustentada no tempo.

Enquanto a terapêutica farmacológica depende da toma contínua do medicamento, a cirurgia produz uma alteração permanente dos mecanismos fisiológicos da obesidade. Por isso, não é surpreendente que continue a ser, e provavelmente continuará a ser, o tratamento mais eficaz para muitos doentes.

Tratamentos complementares, não rivais

Isto não significa que os medicamentos não tenham lugar no tratamento da obesidade. Pelo contrário: podem ser uma ferramenta útil em fases iniciais da doença, em doentes selecionados, como ponte para a cirurgia ou como complemento em casos específicos. O erro está em apresentar a terapêutica farmacológica como substituta da cirurgia ou como uma “cura” definitiva.

A obesidade deve ser tratada com seriedade, individualização e base científica. Simplificar a doença ou vender soluções fáceis é, no mínimo, enganador e, no limite, perigoso.

Tratar a obesidade não é apenas perder peso. É tratar uma doença crónica, complexa e com impacto profundo na saúde. E para isso, é preciso informação rigorosa, decisões médicas fundamentadas e expectativas realistas.

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A equipa da MedSUPPORT.

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