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Notícias da Saúde em Portugal 771
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Estudo alerta para riscos do uso de chatbots de IA para aconselhamento médico
Observador
Investigação publicada na Nature Medicine revela que modelos de linguagem baseados em IA geram informações enganadoras e não ajudam doentes a tomar melhores decisões sobre saúde.
Os grandes modelos de linguagem (LLM), baseados em inteligência artificial (IA) e treinados para processar e compreender a linguagem natural em larga escala, representam um risco para quem procura conselhos médicos, por fornecerem informações imprecisas e inconsistentes.
De acordo com um estudo publicado na segunda-feira na Nature Medicine, ainda existe um grande fosso entre o que os LLM (Learning Management Models, em inglês) prometem e a sua utilidade real para os doentes que procuram informação sobre os seus sintomas.
O estudo, liderado pelo Instituto de Internet de Oxford e pelo Departamento Nuffield de Ciências da Saúde dos Cuidados Primários da Universidade de Oxford, no Reino Unido, concluiu que aqueles que utilizam a IA para determinar a gravidade de uma condição não tomam melhores decisões do que aqueles que se baseiam em métodos tradicionais, como pesquisar na Internet ou no seu próprio julgamento.
Nos últimos tempos, vários prestadores de cuidados de saúde em todo o mundo têm proposto os LLM como potenciais ferramentas para realizar avaliações preliminares de saúde e gerir condições antes da consulta médica.
Para testar esta capacidade da IA, os autores do estudo avaliaram se os LLM poderiam ajudar as pessoas a identificar com precisão condições médicas, como uma constipação comum, anemia ou cálculos biliares (pedras na vesícula), e a decidir se devem consultar o seu médico de cuidados primários ou ir ao hospital.
A equipa conduziu um ensaio aleatório com quase 1.300 participantes, pedindo-lhes que identificassem possíveis problemas de saúde e recomendassem ações apropriadas.
Os cenários, detalhados pelos médicos, variavam entre um jovem com uma forte dor de cabeça após uma noite de festa e uma mãe recente que se sentia constantemente exausta e com falta de ar.
Um grupo utilizou um LLM para auxiliar na tomada de decisões, enquanto um grupo de controlo utilizou fontes de informação tradicionais, como as pesquisas online.
Os resultados revelaram um fosso significativo entre o desempenho teórico da IA e a sua utilização prática.
Após analisar manualmente as interações entre humanos e LLM, a equipa descobriu falhas significativas de comunicação em ambas as direções, pois os participantes forneciam frequentemente informações insuficientes ou incompletas ao modelo, e os LLM geravam informações enganadoras ou erróneas, com recomendações que misturavam bons e maus conselhos.
O estudo concluiu que os LLM atuais não estão prontos para implementação nos cuidados diretos ao doente.
“Desenvolver testes robustos para modelos de linguagem é fundamental para compreendermos como podemos tirar partido desta nova tecnologia. Neste estudo, demonstrámos que a interação com humanos representa um desafio até para os melhores modelos. Esperamos que este trabalho contribua para o desenvolvimento de sistemas de IA mais seguros e úteis”
Com os resultados do estudo, os autores alertam que, tal como os ensaios clínicos para novos medicamentos, os sistemas de IA devem ser testados no mundo real antes de serem implementados.

Tomada de Posse dos Novos Coordenadores - ERS
ERS
O Conselho de Administração da ERS deu hoje posse aos novos coordenadores das seguintes Unidades Orgânicas:
Coordenação do Gabinete de Estudos
Coordenação da Unidade de Qualidade
Coordenação da Unidade de Registo e Licenciamento
Coordenação da Unidade de Fiscalizações
Coordenação da Unidade de Intervenção Administrativa
Coordenação da Unidade de Intervenção Sancionatória
Coordenação da Unidade Gestão de Reclamações
Coordenação da Unidade de Informação e Literacia
Este procedimento permitiu reforçar a capacidade de liderança interna, consolidando equipas fundamentais ao cumprimento da missão regulatória da ERS e promovendo uma gestão orientada para a qualidade, a eficiência e o serviço público.

O teste que poderá contar todas as infeções da sua vida
Notícias Saúde
Ao longo da sua vida já teve contacto com infeções. Mas quais? No futuro, um simples exame de sangue poderá ser tudo o que precisa para responder a esta questão. Investigadores da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberg (FAU) e do Hospital Universitário de Erlangen, na Alemanha, pretendem investigar os sensores que o sistema imunitário utiliza para identificar agentes patogénicos.
O projeto, que receberá aproximadamente 1,5 milhões de euros de financiamento do Ministério Federal da Investigação, Tecnologia e Espaço (BMFTR) nos próximos quatro anos, centra-se nos linfócitos T. Estas células fazem parte do sistema imunitário e atuam como tropas de defesa: são treinadas para reconhecer moléculas estranhas, por exemplo, de um determinado agente patogénico. Se encontrarem uma, disparam o alarme, multiplicam-se e combatem o invasor.
No entanto, os linfócitos T são altamente especializados: cada ser humano possui aproximadamente 100 milhões de tipos diferentes. E cada um destes tipos está atento a um sinal de alerta diferente. Alguns deles tornam-se ativos, por exemplo, quando encontram uma molécula de um vírus da gripe. Outros podem ser estimulados por uma determinada proteína na superfície dos vírus da rubéola.
Estas respostas são desencadeadas por sensores que se encontram na superfície dos linfócitos T: os recetores das células T. Reagem a indicadores moleculares específicos que podem parecer muito diferentes dependendo do tipo de recetor. “Chamamos a estes indicadores antigénios”, explica Kilian Schober, do Instituto de Microbiologia – Microbiologia Clínica, Imunologia e Higiene do Uniklinikum Erlangen, cujo grupo de investigação recebe financiamento.
“Os recetores das células T podem ligar-se aos antigénios, mas apenas se houver uma correspondência exata, como uma chave numa fechadura.”
Normalmente, quando isto acontece, as células T começam a dividir-se rapidamente. Isto cria um arsenal inteiro de células idênticas, ou clones. Como todas elas têm o mesmo recetor de células T que a célula-mãe, também conseguem reconhecer o antigénio relevante. A maioria delas morre após combater as infeções com sucesso. No entanto, algumas, conhecidas como células T de memória, sobrevivem. Garantem que o sistema imunitário lida melhor com este agente patogénico específico no futuro.
As infeções deixam vestígios duradouros no sistema imunitário.
“Cada uma das infeções deixa um rasto no sistema imunitário”, destaca Schober. “Por exemplo, se já teve gripe, terá mais células T cujos recetores correspondem aos antigénios do vírus da gripe do que alguém que nunca teve.” Partindo desta premissa, seria possível determinar com que agentes patogénicos uma pessoa entrou em contacto ao longo da vida, verificando que células T estão a circular na sua corrente sanguínea. Isto também indicaria a que agentes patogénicos ela pode ser considerada imune.
Contudo, este potencial diagnóstico não está a ser totalmente explorado. O projeto INTRA-SEQ deve mudar isso. A sigla significa “Diagnóstico de infeções usando análise e sequenciação do recetor de células T”. Esta é uma descrição bastante precisa dos objetivos dos investigadores: esperam determinar quais os recetores que se multiplicam em caso de que infeções.
E deverá ser necessária apenas uma simples picada de alfinete para obter uma visão geral de todo o historial de infeções e do estado imunitário de um indivíduo. O princípio básico é semelhante aos procedimentos serológicos estabelecidos, baseados em anticorpos, embora estes sejam geralmente utilizados apenas para um agente patogénico de cada vez.
Quais as semelhanças entre os recetores de células T em pessoas que tiveram determinadas doenças?
Existem grandes diferenças entre os recetores das células T nas diferentes pessoas. Além disso, uma infeção não leva à reprodução de um clone específico de células T. Em vez disso, cada agente patogénico tem centenas ou milhares de características distintivas diferentes e pode desencadear a multiplicação de um número igualmente grande de células T com os recetores correspondentes.
“No entanto, a exposição a determinados agentes patogénicos faz com que muitas pessoas desenvolvam clones de células T semelhantes ou até idênticos”,
Isto cria um padrão, uma “impressão digital imunológica”, que é altamente individual nos seus detalhes, mas que pode fornecer indicações reproduzíveis de que agentes patogénicos uma pessoa encontrou no passado.
Os investigadores irão, portanto, investigar pessoas que comprovadamente tiveram infeções por determinados agentes patogénicos ao longo da vida. A comparação dos recetores nas suas células T permitirá aos investigadores identificar características comuns específicas para estes agentes patogénicos. Os investigadores utilizarão algoritmos da área de aprendizagem automática. “Desta forma, esperamos criar bibliotecas de recetores de células T típicas de certas doenças”, afirma Schober.
Colaboração entre vários hospitais e institutos
Os investigadores estão a concentrar-se, em primeiro lugar, nos vírus que podem causar complicações na gravidez, como o agente patogénico da rubéola. O objetivo é, por exemplo, determinar se as grávidas ainda têm imunidade suficiente adquirida com a vacina contra a rubéola, através da análise de células T.
“No futuro, um único teste poderá ser suficiente para ilustrar o historial de infeções de um indivíduo ao longo da sua vida.”

Ordem dos Médicos: acompanhamento de grávidas deve ser feito sem sobreposição de competências
Observador
Posição surge na sequência de um despacho do Governo que dá conta da criação de um projeto de vigilância de gravidez de baixo risco em zonas com baixa cobertura de médicos de família.
A Ordem dos Médicos (OM) defendeu esta segunda-feira que a resposta assistencial às grávidas deve estar assente na complementaridade entre profissões, alertando que isso deve ser feito sem sobreposição de competências entre médicos e enfermeiros.
Esta posição da OM surge na sequência do despacho do Governo, publicado esta segunda-feira em Diário da República, que cria um projeto de vigilância da gravidez de baixo risco realizada por enfermeiros especialistas a implementar em centros de saúde com baixa cobertura de médicos de medicina geral e familiar.
“A OM entende que o modelo assistencial deve preservar a complementaridade entre profissões, sem promover substituição de competências, princípio que deve estar sempre salvaguardado na prática clínica”
Em particular, a prescrição e a interpretação clínica de exames complementares de diagnóstico constituem atos médicos exclusivos, devendo manter-se sob responsabilidade do médico“, avisou ainda a Ordem dos Médicos.
Nos casos em que a grávida não tenha médico de família, a OM defendeu que o envolvimento dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, no “quadro exclusivo das competências da enfermagem”, deve acontecer com “salvaguarda inequívoca de condições mínimas de segurança clínica”, num percurso assistencial que inclua um especialista em medicina geral e familiar, garantindo “articulação, supervisão clínica e referenciação atempada sempre que necessário”.
Para a OM, a resposta estrutural para garantir o acompanhamento de todas as grávidas no SNS, em especial as de baixo risco sem seguimento nos cuidados de saúde primários por falta de médico de família, passa por “criar condições efetivas de captação e retenção” de médicos especialistas e de outros profissionais de saúde.
Desta forma, é possível assegurar equipas multidisciplinares completas, estáveis e com continuidade assistencial, realçou a ordem, que disse que vai analisar o despacho sobre esta matéria para enviar os seus contributos ao Ministério da Saúde.
Segundo o despacho, a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) tem agora 30 dias para indicar as unidades locais de saúde onde será implementado o projeto, que visa “reforçar a acessibilidade e a equidade no acesso à vigilância da gravidez de baixo risco” e “promover a continuidade dos cuidados ao longo do ciclo gravídico e puerperal”.

De acordo com o documento, assinado pela ministra da Saúde, a adoção do modelo será feita de “forma prudente, gradual e devidamente avaliada”, permitindo uma monitorização contínua, nomeadamente ao nível da segurança clínica, dos resultados em saúde, da experiência das utentes e do impacto na organização dos cuidados de saúde primários.
Sempre que sejam identificados “critérios de risco ou intercorrências clínicas de relevo”, o enfermeiro especialista faz a referenciação imediata da grávida para o especialista em medicina geral e familiar de referência, assegurando a continuidade assistencial até à efetiva observação médica, adianta.
A Ordem dos Enfermeiros (OE) já saudou o projeto e apelou ao alargamento da medida a todas as unidades locais de saúde.

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