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Notícias da Saúde em Portugal 772
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Um em cada 10 óbitos por infeções pode estar ligado à obesidade
Notícias Saúde
As pessoas com obesidade enfrentam um risco 70% maior de hospitalização ou morte por infeção do que aquelas com um peso saudável, revela um novo estudo liderado por um investigador da University College London (UCL), em Inglaterra, que descobriu que cerca de uma em cada 10 mortes por um número largo de doenças infecciosas pode ser atribuída à obesidade em todo o mundo.
A obesidade pode aumentar o risco de muitas doenças infeciosas diferentes, desde a gripe e a Covid-19 a gastroenterites e infeções do trato urinário, e os investigadores descobriram que quanto mais elevado o índice de massa corporal (IMC), maior o risco.
“A obesidade é bem conhecida como um fator de risco para a síndrome metabólica, diabetes, doenças cardiovasculares e muitas outras doenças crónicas. Aqui, encontramos evidências robustas de que a obesidade também está associada a piores resultados de doenças infecciosas, uma vez que estar muito doente por causa de uma infeção é notavelmente mais comum entre as pessoas com obesidade”
Os investigadores analisaram dados de mais de 540.000 pessoas que participam em grandes estudos no Reino Unido e na Finlândia, para investigar a relação entre a obesidade e as doenças infeciosas graves. O IMC dos participantes foi avaliado no início dos estudos e foram seguidos durante uma média de 13 a 14 anos.
E o estudo, publicado na revista The Lancet, descobriu que as pessoas com obesidade (definida como um IMC de 30 ou superior) apresentavam um risco 70% maior de hospitalização ou morte por qualquer doença infecciosa durante o período do estudo, em comparação com as pessoas com um IMC entre 18,5 e 24,9 (classificado como peso saudável).
O risco aumentava progressivamente com o aumento do peso corporal: as pessoas com um IMC de 40 ou superior apresentavam um risco três vezes maior de infeção grave em comparação com as pessoas com um peso saudável.
Quanto maior o IMC, maior o risco
O estudo incluiu dados sobre 925 doenças infecciosas bacterianas, virais, parasitárias e fúngicas, e os autores também se concentraram em 10 doenças infecciosas comuns com mais detalhe. Para a maioria destas doenças, incluindo gripe, Covid-19, pneumonia, gastroenterite, infeções do trato urinário e infeções do trato respiratório inferior, descobriram que as pessoas com obesidade tinham maior probabilidade de serem hospitalizadas ou morrerem do que as pessoas com IMC saudável. No entanto, a obesidade não pareceu aumentar o risco de VIH grave ou tuberculose.
Embora o estudo não tenha investigado as causas da associação, os investigadores afirmam que estudos anteriores sugeriram que a obesidade contribui para um comprometimento geral da função imunitária, incluindo a desregulação imunitária, a inflamação sistémica crónica e os distúrbios metabólicos.
“Os nossos resultados sugerem que a obesidade enfraquece as defesas do organismo contra as infeções, resultando em doenças mais graves. As pessoas podem não se infetar mais facilmente, mas a recuperação da infeção é claramente mais difícil”.
O efeito da perda de peso
Os investigadores encontraram evidências de que a perda de peso pode reduzir o risco de infeções graves, dado que as pessoas obesas que perderam peso apresentaram um risco aproximadamente 20% menor de infeções graves do que as que permaneceram obesas.
“Como se espera que as taxas de obesidade aumentem globalmente, também aumentará o número de mortes e hospitalizações por doenças infecciosas relacionadas com a obesidade”, refere a primeira autora, Dra. Solja Nyberg , da Universidade de Helsínquia.
“Para reduzir o risco de infeções graves, bem como de outros problemas de saúde associados à obesidade, existe uma necessidade urgente de políticas que ajudem as pessoas a manterem-se saudáveis e a apoiar a perda de peso, como o acesso a alimentos saudáveis a preços acessíveis e oportunidades para a prática de atividades físicas. Além disso, se alguém tem obesidade, é especialmente importante manter a vacinação em dia.”

Portugal atinge a menor mortalidade cardiovascular das últimas três décadas
DGS
Entre 2012 e 2023, Portugal registou uma redução relevante da mortalidade por doenças do aparelho circulatório. Em 2023, a proporção de óbitos por estas doenças atingiu o valor mais baixo das últimas três décadas, segundo o relatório “10 Anos das Doenças Cérebro e Cardiovasculares em Portugal (2013–2023)”, publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para as Doenças Cérebro e Cardiovasculares (PNDCCV).
As doenças cérebro e cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal, representando cerca de 25% do total de óbitos. No entanto, a sua proporção tem vindo a diminuir de forma sustentada, aproximando-se pela primeira vez da observada para os tumores malignos. Portugal apresenta atualmente indicadores de mortalidade cérebro e cardiovascular iguais ou inferiores à média europeia.
Nos cuidados de saúde primários registaram-se melhorias relevantes entre 2015 e 2024, com aumento da proporção de doentes com pressão arterial controlada e de pessoas com diabetes com níveis de colesterol LDL controlado, bem como um aumento marcado das consultas de cessação tabágica, sinalizando melhor controlo dos fatores de risco cardiovasculares.
Na última década, os internamentos por doenças do aparelho circulatório diminuíram 19%, refletindo ganhos em prevenção, melhoria da resposta assistencial e avanços terapêuticos. Verificou-se igualmente uma redução consistente da mortalidade hospitalar por enfarte agudo do miocárdio (EAM) e acidente vascular cerebral (AVC). Entre 2017 e 2023 registaram-se 198.927 internamentos por doenças cérebro e cardiovasculares, dos quais mais de 80% corresponderam a AVC agudo.
No mesmo período observou-se, também, uma melhoria consistente da letalidade intra-hospitalar no enfarte agudo do miocárdio e no acidente vascular cerebral isquémico, associada a um notório aumento do acesso a terapêuticas avançadas de reperfusão.
A insuficiência cardíaca destaca-se como um dos principais desafios da próxima década. Apesar de uma redução de 37% nos internamentos, a mortalidade associada mantém-se elevada, refletindo o peso da doença crónica e do envelhecimento. Mais de 65% dos internamentos por AVC e insuficiência cardíaca ocorrem em pessoas com mais de 70 anos.
Nos dados agora apresentados são identificados desafios, nomeadamente desigualdades regionais no acesso a cuidados diferenciados, a elevada letalidade dos AVC hemorrágicos, o crescente número de adultos com cardiopatia congénita e a necessidade de reforço da reabilitação cardiovascular e da integração de cuidados.

Despesa do SNS com medicamentos cardiovasculares aumentou 41% em nove anos
Observador
"Medicamentos para as doenças cérebro-cardiovasculares" representam "um dos principais determinantes da despesa farmacêutica pública", sendo uma das maiores parcelas de comparticipados pelo SNS.
O encargo do SNS com medicamentos para o tratamento das doenças do aparelho circulatório aumentou cerca de 41%, entre 2015 e 2024, passando de 357 milhões de euros para cerca de 505 milhões de euros, revela esta quarta-feira um relatório.
Segundo o relatório da Direção-Geral da Saúde, “este crescimento reflete a evolução demográfica, o aumento da prevalência de doenças cardiovasculares crónicas e o alargamento das opções terapêuticas disponíveis, sobretudo nas áreas da hipertensão, dislipidemia e insuficiência cardíaca”.
A farmácia comunitária concentra a esmagadora maioria da despesa – cerca de 92-93 % do total –, mantendo uma estrutura estável ao longo da última década”, sublinha o relatório “10 Anos das Doenças Cérebro e Cardiovasculares em Portugal (2013-2023)”, a que a agência Lusa teve acesso
Em 2024, o custo para o Serviço Nacional de Saúde com medicamentos cardiovasculares dispensados em farmácia comunitária rondou 466 milhões de euros, enquanto os medicamentos hospitalares representaram 38,8 milhões de euros (7,6% do total).
“Apesar da relativa estabilidade do peso hospitalar, a tendência de crescimento global tem sido constante, com apenas pequenas flutuações entre 2018 e 2020”, refere o documento, assinalando o aumento mais acentuado a partir de 2021, coincidente com a recuperação da atividade assistencial pós-pandemia e a introdução de terapêuticas inovadoras, nomeadamente na insuficiência cardíaca e na prevenção secundária.
A análise a longo prazo evidencia dois fenómenos complementares: A progressiva substituição terapêutica por fármacos mais recentes, mas de maior custo unitário e o envelhecimento populacional e a crescente cronicidade, que prolongam a duração média do tratamento e aumentam o número de doentes medicados.
“Os medicamentos para as doenças cérebro-cardiovasculares continuam a representar um dos principais determinantes da despesa farmacêutica pública, correspondendo a uma das maiores parcelas do total de medicamentos comparticipados pelo SNS”, salienta, defendendo a importância de otimizar a sua prescrição e reforçar a adesão terapêutica, “assegurando que o aumento do investimento se traduz em ganhos efetivos em saúde e redução de eventos agudos evitáveis”.
O relatório do Programa Nacional para as Doenças Cérebro e Cardiovasculares (PNDCCV) salienta que a comparticipação majoritária destes medicamentos em escalão B ou C tem impacto relevante no orçamento das famílias, reforçando “a pertinência da proposta do PNDCCV para a reclassificação em escalão A dos fármacos genéricos essenciais ao controlo da hipertensão arterial e dislipidemia”
“Tal medida permitiria melhorar a equidade no acesso e, simultaneamente, potenciar a eficiência da despesa pública”, defende.
Neste período, observou-se uma redução sustentada do número de episódios (-20,3%), mas com uma diminuição “pouco significativa” do custo total (-5,6%), uma discrepância que reflete um aumento progressivo do custo médio por internamento, que passou de 3.210 euros em 2017 para mais de 3.800 euros em 2024 (+18,3%), com tendência ascendente desde 2020.
“Este comportamento sugere que, apesar da redução global dos episódios, o perfil de gravidade aumentou e houve intensificação do consumo de recursos diagnósticos e terapêuticos nos internamentos, sobretudo nos contextos de insuficiência cardíaca, síndromes coronárias agudas e doenças cerebrovasculares, para além de ser um indicador de maior complexidade clínica e envelhecimento populacional”, conclui o relatório.

Apenas uma em cada três chamadas para o 112 em 2025 eram emergências
Observador
Num comunicado divulgado a propósito do Dia Europeu do 112, que esta quarta-feira se assinala, a PSP revela que o serviço recebeu 5.416.444 chamadas no ano passado, uma média de 14.840/dia, que foram atendidas numa janela temporal que ronda os 11 segundos.
O serviço 112 recebeu no ano passado mais de 5,4 milhões de chamadas, mas apenas um terço (1432980) eram emergências, segundo os dados esta quarta-feira divulgados pela PSP.
Do total de chamadas recebidas, 78% foram atendidas. As chamadas abandonadas correspondem tanto a ligações abandonadas por quem liga para o 112 antes de serem atendidas pelo operador, como a ligações fortuitas (pocket calls).
Os dados da PSP indicam que foram registadas 2.777.781 “chamadas indevidas”, o que corresponde a cerca de 66% do total.
Quanto às principais causas das chamadas, a tendência manteve-se em 2025, com a maioria das emergências relacionadas com pedidos de apoio a situações de doença ou trauma com risco de vida ou necessidade imediata de assistência médica.
Seguem-se os alertas para crimes em curso ou que acabaram de acontecer (77.033), sinistralidade rodoviária emergente (56.513 chamadas) e os incêndios graves (31.662 chamadas).
A PSP alerta para a importância de evitar o congestionamento da linha por motivos não urgentes, pois só assim é possível ter um socorro mais célere de quem efetivamente precisa.
Explica igualmente que apenas se deve ligar para o 112 em situações que envolvam pessoas em risco de vida/necessidade imediata de assistência médica, crimes a decorrer ou que acabaram de acontecer e incidentes graves como inundações, aluimentos, incêndios florestais ou acidentes rodoviários com feridos ou que impliquem risco para a circulação.
A descoberta de crianças e idosos perdidos, nomeadamente aderentes aos programas da PSP Estou Aqui Crianças e Estou Aqui Adultos, também pode ser motivo de chamada para o 112, para comunicar a sua localização e número da pulseira.
Em qualquer outra situação, as pessoas devem contactar diretamente a esquadra ou corpo de bombeiros da sua localidade e, nos casos relacionados com a saúde, deverão ligar para o SNS 24 (808 24 24 24).
Na nota, a PSP sublinha a importância de ensinar as crianças a usar o 112 e de contactar este serviço apenas em situações de emergência, ouvindo as perguntas do operador e respondendo de forma clara e concisa.


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