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MD Clínica realiza cirurgia dentária inovadora em Portugal com navegação dinâmica em tempo real

Jornal Dentistry

Procedimento de implantologia com o sistema X-Guide será apresentado a 20 de fevereiro no Study Club Women Iberia na sede da Lusíadas Saúde.

A MD Clínica, clínicas de medicina dentária e estética integradas no Grupo Lusíadas Saúde, realizou uma cirurgia dentária inovadora em Portugal com navegação dinâmica em tempo real, recorrendo a tecnologia de última geração: o X-Guide.

Este procedimento será apresentado no dia 20 de fevereiro no Study Club Women Iberia, um encontro dedicado à inovação clínica, à formação avançada e à liderança feminina na medicina dentária, que decorrerá na sede do Grupo Lusíadas Saúde.

Após um prévio planeamento digital de elevada precisão, com base numa TAC e num scan intraoral, que permite definir ao milímetro a posição ideal de cada implante, a cirurgia consiste na colocação de implantes dentários com recurso a navegação cirúrgica dinâmica em tempo real.

No procedimento, o sistema X-Guide funciona como um ‘GPS’ cirúrgico que orienta continuamente a médica quanto à posição, inclinação e profundidade dos implantes.

Esta tecnologia inovadora permite uma execução guiada em tempo real, mantendo o controlo total nas mãos do cirurgião que, de forma instantânea, consegue corrigir micro-desvios durante a intervenção. O processo pós-operatório tende, igualmente, a ser menos invasivo e mais indolor, para uma recuperação mais rápida.

A cirurgia dentária foi realizada pela Dra. Alexandra Marques, médica-fundadora da MD Clínica, com o apoio de uma equipa clínica treinada em cirurgia navegada e implantologia. Após o procedimento, os dados dos implantes e o scan intraoral foram enviados digitalmente para o MD Lab, o laboratório da Lusíadas Saúde, onde foram produzidas as coroas adaptadas aos implantes colocados.

“Esta tecnologia permite-nos elevar significativamente o nível de precisão e segurança da cirurgia, mantendo sempre o controlo clínico e a tomada de decisão nas mãos do médico. A navegação dinâmica em tempo real representa um avanço muito relevante na implantologia moderna, sobretudo em casos mais exigentes, e traduz-se também numa melhor experiência e recuperação para o paciente. Em Portugal, são muito poucas as equipas com formação e experiência clínica em cirurgia navegada dinâmica, o que torna este procedimento altamente diferenciador.”

Dra. Alexandra Marques, médica fundadora da MD Clínica

Ordem dos Médicos preocupada com restrições na prescrição de sensores e medicamentos para diabetes

Observador

Nova portaria cria "barreiras desnecessárias" ao acesso pelos doentes, fragiliza continuidade assistencial e introduz "constrangimentos organizacionais" num sistema "já sob forte pressão", diz Ordem.

A Ordem dos Médicos manifestou-se na passada segunda-feira preocupada com uma portaria que condiciona a prescrição de sensores de glicemia e determinados medicamentos para a diabetes a algumas especialidades, considerando que cria “barreiras desnecessárias” ao acesso pelos doentes.

Em comunicado, a Ordem dos Médicos (OM) diz reconhecer a intenção de promover a utilização racional de recursos, mas sublinha que tal como está a portaria cria “barreiras desnecessárias” ao acesso pelos doentes, fragiliza a continuidade assistencial e introduz “constrangimentos organizacionais” num sistema “já sob forte pressão”.

A portaria, de abril do ano passado e que estabelece o regime excecional de comparticipação de tecnologias de saúde para a automonitorização da glicemia e controlo da diabetes mellitus, condiciona a prescrição a médicos especialistas em Endocrinologia e nutrição, Medicina Interna, Pediatria e Medicina Geral e Familiar.

Para a OM, ao limitar a prescrição a algumas especialidades a portaria “impede que doentes clinicamente estabilizados possam ter renovação terapêutica no âmbito do seu seguimento regular, gera atrasos evitáveis e sobrecarrega serviços hospitalares e consultas especializadas”.

A Ordem lembra que a prescrição é um ato médico, assente na avaliação individual e na responsabilidade científica do médico e que a sua “restrição genérica” – sem fundamentação técnico-científica robusta –, representa “uma limitação injustificada da autonomia clínica e não serve o superior interesse do doente, antes o prejudica”.

Na nota, a OM apela à “revisão urgente” desta portaria, salvaguardando a sustentabilidade do sistema, sem comprometer o acesso, a qualidade e a segurança dos cuidados e manifesta-se disponível para colaborar tecnicamente “na definição de soluções equilibradas e centradas nas pessoas com diabetes”.

Atividades intelectuais podem proteger o cérebro do Alzheimer

Notícias Saúde

Participar em diversas atividades intelectualmente estimulantes ao longo da vida, como ler, escrever e aprender uma língua, está associado a um menor risco de doença de Alzheimer e a um declínio cognitivo mais lento, mostra um novo estudo publicado na Neurology®, a revista médica da Academia Americana de Neurologia.

O estudo constatou que as pessoas com um maior nível de aprendizagem ao longo da vida desenvolveram a doença de Alzheimer cinco anos mais tarde e apresentaram um défice cognitivo ligeiro sete anos depois daquelas que têm um nível de aprendizagem mais baixo ao longo da vida.

“O nosso estudo analisou o enriquecimento cognitivo desde a infância até à velhice, com foco em atividades e recursos que estimulam a mente. Os nossos resultados sugerem que a saúde cognitiva na velhice é fortemente influenciada pela exposição ao longo da vida a ambientes intelectualmente estimulantes.”

autora do estudo, Andrea Zammit, especialista do Rush University Medical Center, em Chicago

O estudo envolveu 1.939 pessoas com uma idade média de 80 anos, sem demência no início do estudo, seguidas durante uma média de oito anos. Os participantes responderam a questionários sobre atividades cognitivas e recursos de aprendizagem em três fases:

  • o enriquecimento precoce, antes dos 18 anos, que incluiu a frequência com que ouviam histórias e liam livros, acediam a jornais e atlas em casa e tinham estudado uma língua estrangeira durante mais de cinco anos;

  • o enriquecimento na meia-idade, que incluiu o nível de rendimento aos 40 anos, recursos domésticos como assinaturas de revistas, cartões de biblioteca, e a frequência de atividades como visitar museus ou bibliotecas;

  • o enriquecimento na terceira idade, a partir da média de 80 anos, que incluiu a frequência da leitura, da escrita e dos jogos, e o rendimento total proveniente da Segurança Social, da reforma e de outras fontes.

Durante o estudo, 551 participantes desenvolveram doença de Alzheimer e 719 desenvolveram défice cognitivo ligeiro. Os investigadores compararam os participantes com o nível mais elevado de enriquecimento cognitivo (os 10% superiores) com aqueles com o nível mais baixo (os 10% inferiores) e verificaram que 21% dos participantes com o nível de enriquecimento mais elevado desenvolveram Alzheimer. Dos participantes com o nível mais baixo de enriquecimento ao longo da vida, 34% desenvolveram Alzheimer.

Após ajustes para fatores como a idade, o sexo e a escolaridade, os investigadores descobriram que pontuações mais elevadas no enriquecimento ao longo da vida estavam associadas a um risco 38% menor de doença de Alzheimer e 36% menor de défice cognitivo ligeiro.

Verificaram que as pessoas com o maior nível de enriquecimento ao longo da vida desenvolveram a doença de Alzheimer em média aos 94 anos, em comparação com os 88 anos para aqueles com o nível mais baixo de enriquecimento, um atraso de mais de cinco anos.

“Os nossos resultados são encorajadores, sugerindo que o envolvimento consistente numa variedade de atividades mentalmente estimulantes ao longo da vida pode fazer a diferença na cognição. Os investimentos públicos que alargam o acesso a ambientes enriquecedores, como bibliotecas e programas de educação concebidos para despertar o amor pela aprendizagem ao longo da vida, podem ajudar a reduzir a incidência de demência.”

autora do estudo, Andrea Zammit, especialista do Rush University Medical Center, em Chicago

Descobertas bactérias de 5.000 anos resistentes a antibióticos modernos

EuroNews

Uma estirpe de bactérias encontrada numa gruta gelada na Roménia mostra resistência a dez antibióticos modernos, segundo um novo estudo.

Bactérias congeladas preservadas há 5.000 anos numa gruta subterrânea revelaram-se resistentes a antibióticos modernos, segundo investigadores. Nas profundezas da gruta de gelo de Scărișoara, uma das maiores da Roménia, preservadas sob uma camada de gelo com 5 000 anos, cientistas descobriram uma estirpe de Psychrobacter, designada SC65A.3 – bactérias resistentes a antibióticos modernos.

Estas bactérias seguem as suas próprias regras, adaptadas para garantir a sobrevivência e a persistência ao longo do tempo.

Agora, investigadores romenos concluíram que as estirpes SC65A.3 de Psychrobacter – bactérias adaptadas a ambientes frios – são resistentes a dez antibióticos modernos de 8 classes diferentes.

“A estirpe bacteriana Psychrobacter SC65A.3 isolada da gruta de gelo de Scărișoara, apesar da sua origem ancestral, revela resistência a múltiplos antibióticos modernos e transporta mais de 100 genes associados à resistência”

Cristina Purcarea, autora do estudo e investigadora no Instituto de Biologia de Bucareste da Academia Romena.

A equipa de investigação retirou um testemunho de gelo com 25 metros da área da gruta conhecida como Grande Sala. Ao analisar fragmentos de gelo desta zona, isolou várias estirpes bacterianas e sequenciou os respetivos genomas para determinar que genes permitem às estirpes sobreviver a baixas temperaturas e quais lhes conferem resistência a antimicrobianos.

Purcarea acrescentou que os antibióticos a que foi detetada resistência são amplamente utilizados em terapêuticas orais e injetáveis para tratar várias infeções bacterianas graves na prática clínica, como tuberculose, colite e infeções do trato urinário (ITU).

“Estudar microrganismos como o Psychrobacter SC65A.3, recuperado de depósitos de gelo de gruta com vários milénios, revela como a resistência aos antibióticos evoluiu naturalmente no ambiente, muito antes de os antibióticos modernos começarem a ser usados”

Cristina Purcarea, autora do estudo e investigadora no Instituto de Biologia de Bucareste da Academia Romena.

Embora a resistência antimicrobiana seja um fenómeno natural, foi acelerada pelo uso crónico de antibióticos, o que promove a diversificação e a disseminação de genes de resistência, salientam os investigadores.

Resistência antimicrobiana, preocupação crescente

A resistência antimicrobiana (RAM) provoca milhões de mortes todos os anos em todo o mundo. Na Europa, estima-se que seja responsável por mais de 35 mil mortes anuais, número que deverá aumentar nos próximos anos.

Um conjunto de fatores criou o ambiente ideal para a RAM na região, indicou no ano passado o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

O envelhecimento da população europeia aumenta a vulnerabilidade às infeções, os agentes patogénicos resistentes a medicamentos estão a espalhar-se além-fronteiras, médicos e doentes recorrem em excesso a antibióticos e persistem lacunas graves na prevenção e controlo de infeções.

Uma em cada seis infeções bacterianas no mundo é atualmente resistente aos tratamentos padrão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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