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Notícias da Saúde em Portugal 786
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Aplicação criada em Portugal pode detetar cancro de pele através (apenas) de uma fotografia
SIC Notícias
O projeto foi desenvolvido por um aluno iraniano que está a estudar na Faculdade de Medicina da Universidade Católica em Portugal, ao abrigo da Iniciativa de Apoio ao Estudante Refugiado.
Fotografar um sinal, pode vir a bastar para detetar se um sinal na pele apresenta ou não risco de ser cancro.
A análise da fotografia, dos sintomas e das características do paciente é feita por um algoritmo de Inteligência Artificial (IA) que integra a plataforma Dermamatica.
Foi desenvolvida em Portugal pelo iraniano Sam Izadloo, aluno da Faculdade de Medicina da Universidade Católica onde estuda há quatro anos.

“É um aluno muito ativo e participativo, e foi sempre muito interessado em tentar encontrar soluções práticas para problemas reais”, destaca João Pereira, diretor executivo da Universidade Católica.
E, o dito problema real foi encontrado por Sam durante a rotação no internato médico em Dermatologia.
“Deparei-me com uma doente que tinha uma lesão atrás da orelha. Já a tinha há um ano mas o médico de família não sabia se era maligna nem o que fazer. Portanto, houve um atraso no encaminhamento para a dermatologia, o que levou a que quando foi vista, a lesão já tinha avançado”.
A Dermamatica foi, por isso, desenvolvida para ser usada por médicos de família mas há também uma versão para utentes, que podem enviar as imagens captadas ao médico.
No caso dos profissionais, o programa lê imagens captadas pelo telemóvel, pelo dermatoscópio e até imagens totais do corpo em 3D (três dimensões).
Neste processo, o médico tem sempre a última palavra e o resultado da dermamatica não dispensa os exames habituais.
O objetivo é reduzir o tempo de ação para que os tratamentos sejam mais eficazes e assim minimizar riscos e, no final, até pode ser possível poupar recursos.
“Demora-se quase um ano a conseguir uma consulta de dermatologia (…). Um em cada três melanomas não é detetado no primeiro contacto, ou seja, na consulta com o médico de família, e é muito importante que seja detetado na fase inicial”.
O algoritmo está terminado, a Dermamatica está agora em fase de testes à procura de parceiros e investidores para conseguir dar o salto da universidade para o mercado.
Cancro da próstata: projeto-piloto em Braga e Lisboa vai testar eficácia de rastreio nacional
SIC Notícias
Portugal prepara a adesão a um projeto europeu de rastreio do cancro da próstata que irá avaliar a implementação de um programa organizado dirigido a homens assintomáticos entre os 55 e os 70 anos, com o objetivo de "testar a adesão a estes programas para tirar conclusões sobre como criar um sistema nacional ajustado à nossa realidade".
Portugal testará, em 2027, a eficácia de um rastreio ao cancro da próstata graças a um projeto-piloto com uma amostra de 20.000 participantes das regiões de Braga e Lisboa, revelou em fevereiro o coordenador oncológico da Associação Portuguesa de Urologia.
Dependente de financiamento da União Europeia, o projeto está a ser montado por um grupo de trabalho europeu independente que junta especialistas de várias nacionalidades ligados à Associação Europeia de Urologia.

Projeto-piloto em Portugal
Portugal deverá integrar a segunda vaga de financiamento e serão chamados, através das listas dos centros de saúde, homens assintomáticos com idades entre os 55 e os 70 anos.
"Vamos testar a adesão a estes programas para tirar conclusões sobre como criar um sistema nacional ajustado à nossa realidade".
Desenhado para 5.000 participantes, este programa vai decorrer em Braga e em Lisboa, começando com uma convocatória para fazer o PSA (Antígeno Prostático Específico), uma análise ao sangue utilizada para detetar problemas na próstata, nomeadamente cancro.
Seguir-se-á uma ecografia, para quem revelar valores elevados, e uma ressonância multiparamétrica quando se detetar densidade de PSA (valor do PSA a dividir pelo tamanho da próstata) superior ao recomendado..
"Atualmente não existe um rastreio organizado para o cancro da próstata em Portugal, mas existe evidência que o cancro da próstata é uma doença com grande incidência. É de longe a neoplasia maligna mais frequente nos homens e a segunda com maior mortalidade. Há estudos que demonstram que o rastreio é eficaz na redução da mortalidade", disse Francisco Botelho.
A realização de um rastreio implica um esforço do ponto de vista organizacional, dos médicos de medicina geral e familiar, e um esforço de custos, mas Francisco Botelho defendeu que, a longo prazo, é esse o caminho.
Recordou que, em 2022, o grupo científico da União Europeia do Plano Europeu de Combate contra o Cancro recomendou o rastreio do cancro da próstata, recomendação que depois ficou vertida numa recomendação da União Europeia de iniciar projetos piloto.
Para o especialista, em causa está "um exame barato, algo sem muito significado em termos de custos", mas há desafios.
"O programa também tem algum risco de estarmos a diagnosticar doenças que não são clinicamente relevantes para o doente. Com tantos défices na saúde, como temos visto nos telejornais todos os dias e a vários níveis, como é que ainda vamos ter capacidade, esforço e resistência para estarmos a montar um programa numa nova área, mas acredito que o caminho na prevenção deste cancro é por aí e Portugal deve iniciá-lo", concluiu.
Mais de 3.000 pessoas processadas em operação contra rede de medicamentos falsificados
Notícias Saúde
Entre abril e novembro de 2025, autoridades policiais, judiciais, alfandegárias, médicas e antidoping de 30 países, entre os quais Portugal, uniram esforços na Operação SHIELD VI. A Europol coordenou este esforço global com o objetivo de combater o tráfico de medicamentos falsificados e utilizados indevidamente, bem como de substâncias dopantes e suplementos alimentares ilícitos. Uma operação que se saldou na apreensão de milhares de medicamentos.
A operação centrou-se em medicamentos falsificados e adulterados, no tráfico de esteróides anabolizantes androgénicos e outras substâncias dopantes, em suplementos alimentares e desportivos ilegais e em produtos de higiene e dispositivos médicos falsificados. Para as autoridades reguladoras e policiais, a relação entre o uso indevido de medicamentos, o crime organizado e o tráfico farmacêutico continua a ser um desafio complexo.
A Operação SHIELD VI teve como resultados, entre outros, 3.354 indivíduos processados, 43 grupos de crime organizado investigados, cinco laboratórios clandestinos apreendidos, 66 websites desativados, assim como a apreensão de 139.116 embalagens ilegais de medicamentos, de 3.285,14 kg de pó/matéria-prima, de 924,33 litros de ingredientes ativos, de 3.219.952 comprimidos/pílulas e de 916.173 frascos/ampolas.
No que diz respeito a substâncias dopantes, foram apreendidas também milhares de embalagens, de matérias-primas, ingredientes ativos, comprimidos e ampolas, assim como 71.610 embalagens de dispositivos médicos e 48.531 embalagens de suplementos alimentares. O valor total dos artigos apreendidos ascende a 33.167.423,00 euros.

Ameaças à saúde pública
A Operação SHIELD VI destacou várias ameaças críticas à saúde pública, incluindo a proliferação de produtos falsificados à base de semaglutida, utilizados como queimadores de gordura, e a crescente disponibilidade de medicamentos falsificados contendo substâncias sintéticas potentes, como os nitazenos. O potencial de intoxicação e sobredosagem aumenta devido à semelhança destas substâncias com os opióides legítimos.
O crime farmacêutico na Europa envolve diversas actividades ilegais que põem em perigo a saúde pública, exploram cadeias de abastecimento legítimas, infringem direitos de propriedade intelectual e geram lucros ilícitos substanciais. A questão central reside no uso indevido e no consumo anormal de medicamentos fora do contexto médico, o que impulsiona os mercados ilegais.
Como manter-se seguro online
O comércio de medicamentos falsificados na UE está em ascensão, o que acarreta um enorme custo para o indivíduo e para a sociedade. Em 2025, a Europol, o Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) uniram-se para aumentar a consciencialização sobre o problema dos medicamentos falsificados e proteger melhor os consumidores através de ações coordenadas de fiscalização e orientações públicas.
As redes sociais e os mercados online, tanto na internet aberta como na dark web, continuam a ser fundamentais para o comércio de produtos farmacêuticos falsificados. Estas plataformas proporcionam vários graus de anonimato e visam um vasto público, dificultando a identificação dos criminosos envolvidos.
A compra de medicamentos falsificados que financiam criminosos representa um risco para a saúde dos consumidores e prejudica a economia, afectando as empresas legítimas e a inovação que dependem da protecção da propriedade intelectual. Os consumidores são alertados para que tenham cuidado para não financiarem o crime organizado nem se prejudicarem a si próprios ao comprarem medicamentos falsificados.
Mulheres lançam petição para desbloquear acesso a ecografias mamárias pelo SNS
Público
Mulheres lançam petição para desbloquear acesso a ecografias mamárias pelo SNS
Unidades apresentam longos tempos de espera ou nem sequer têm agenda para quem apresenta requisição do SNS. Governo atualizou tabelas e aumentou preço da ecografia mamária para o dobro.
A dificuldade de marcação de ecografias mamárias pelo Serviço Nacional de Saúde e os tempos de espera a que as utentes têm de se sujeitar para fazer este exame levou um grupo de mulheres a criar uma petição pública com o objetivo de discutir o tema na Assembleia da República e forçar uma solução.
Ana Gaspar é um dos rostos dessa luta. Nos últimos dois anos, a marcação de uma ecografia mamária em unidades convencionadas do SNS tem sido um calvário em todo o país, mas em especial na região Norte.
“Não há laboratório que não tenha sido contactado [no Norte] e a resposta é sempre a mesma: não temos agenda”

“Apesar de a ecografia mamária estar formalmente prevista no SNS, muitas utentes não conseguem qualquer marcação, ou enfrentam tempos de espera incompatíveis com uma resposta clínica adequada”, afirma a empresária, numa denúncia enviada ao PÚBLICO. Em contraste, acrescenta, os mesmos exames continuam disponíveis no sector privado, o que levanta sérias questões de equidade no acesso aos cuidados de saúde.
Na petição, os autores pedem ao Governo e à Assembleia da República que “avaliem com urgência a situação real de acesso a ecografias mamárias no SNS, incluindo práticas discriminatórias entre utentes do SNS e do sector privado”
Pedem também que “promovam a revisão dos contratos e tabelas de preços aplicáveis aos prestadores convencionados, garantindo a viabilidade da prestação destes exames”. Esta revisão, que era reclamada há vários anos pelo sector convencionado, foi concretizada recentemente, através de um despacho assinado pelo secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Rocha Gonçalves.
A Associação Nacional de Laboratórios Clínicos saudou a medida, considerando que “deve ser lida como um sinal de reconhecimento das preocupações e das consequências para as quais os laboratórios convencionados têm vindo a alertar”, nomeadamente o risco de colapso da rede de convencionados.
No diploma, o Ministério da Saúde introduziu também uma alteração relativa ao momento em que o utente é encaminhado para a marcação de exames numa entidade convencionada. Com a nova redacção da lei, “considera-se que não existe capacidade de resposta interna no âmbito dos cuidados de saúde hospitalares quando não for possível realizar o MCDT até à data da marcação da consulta subsequente àquela em que o mesmo tenha sido prescrito”.
É nesse momento que o utente deve ser encaminhado para o sector convencionado, com o apoio necessário da respectiva unidade local de saúde ou do instituto de oncologia.

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