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Bial premeia investigação biomédica pelo quarto ano consecutivo

OMD

A quarta edição do prémio Bial Award in Biomedicine distinguiu o trabalho “Gut microbiome influences efficacy of PD-1–based immunotherapy against epithelial tumors”, um estudo liderado pelos investigadores Laurence Zitvogel e Guido Kroemer, que foi publicado na revista Science em janeiro de 2018.

Este trabalho documenta um dos maiores avanços recentes no tratamento do cancro, ao revelar que o microbioma intestinal tem um efeito determinante na eficácia da imunoterapia.

O júri do Bial Award in Biomedicine 2025 analisou 58 publicações, sendo que a vencedora do prémio de 359 mil euros contou com uma equipa superior a 46 cientistas internacionais. Este é um dos maiores prémios europeus na área das ciências da saúde e foi entregue no passado 24 de fevereiro, numa cerimónia que se realizou no Grande Auditório do Edifício Abel Salazar da Universidade do Porto e contou com a presença de várias entidades do setor, entre elas, o bastonário da OMD, Miguel Pavão.

Esta iniciativa tem o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa e os patrocínios do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e da European Medical Association.

Polícia espanhola apreende equipamento falsificado de rejuvenescimento facial que imitava tecnologia médica

Ministério do Interior – Espanha

A Polícia Nacional de Espanha apreendeu, numa clínica estética em Madrid, um dispositivo falsificado utilizado para tratamentos de rejuvenescimento facial, que imitava tecnologia médica original. O equipamento tinha sido adquirido por cerca de 4.500 euros, quando o valor real de mercado da tecnologia autêntica ultrapassa os 70.000 euros.

Segundo as autoridades, o dispositivo reproduzia permanentemente no ecrã um vídeo que simulava imagens captadas por um ecógrafo, com o objetivo de dar credibilidade ao tratamento e enganar os pacientes. A intervenção rápida da polícia permitiu localizar e apreender o equipamento em apenas cinco dias, evitando potenciais lesões nos utilizadores, nomeadamente queimaduras na pele.

Investigação identificou materiais de baixa qualidade e risco para os pacientes

A investigação teve início em janeiro, quando surgiram suspeitas sobre a utilização de uma máquina de estética que poderia ser falsificada. Após as primeiras diligências, os agentes localizaram o equipamento numa clínica da cidade de Madrid, onde realizaram uma inspeção no dia 20 de janeiro.

Durante a inspeção, verificou-se que o dispositivo imitava o equipamento original e apresentava componentes de qualidade significativamente inferior, o que poderia representar riscos para a segurança dos pacientes. Perante estas evidências, as autoridades procederam à apreensão da máquina e da respetiva documentação.

Tratamentos eram promovidos online

A clínica anunciava nas suas redes sociais e página web tratamentos de rejuvenescimento facial com preços entre 700 e 1.000 euros, valores semelhantes aos praticados com equipamentos legítimos.

Os investigadores apuraram ainda que o dispositivo tinha sido comprado por cerca de 4.800 euros, muito abaixo do preço de mercado do equipamento original, estimado em mais de 70.000 euros.

Equipamentos importados da China

Depois de identificado o vendedor, a polícia realizou uma inspeção à empresa responsável pela comercialização do equipamento, localizada num armazém num parque industrial na província de Toledo. No local foram encontrados documentos que indicam que o administrador da empresa importava estes dispositivos para Espanha a partir da China.

Detenção e investigação em curso

A operação resultou na detenção do administrador da empresa, suspeito da prática de crimes contra a propriedade industrial e contra a saúde pública. A responsável pela clínica estética também está a ser investigada pelos mesmos factos.

As autoridades indicam que a investigação permanece em curso, não estando excluídas novas detenções.

ULS do Nordeste expande atividade da Unidade de Diagnóstico Precoce

SNS

A Unidade de Diagnóstico Precoce da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste vai alargar a sua atividade de forma a abranger outras situações que necessitem de um diagnóstico rápido mas não emergente. A funcionar no Hospital de Bragança desde 17 de novembro de 2025, esta Unidade possibilitou uma diminuição significativa de episódios de urgência e agilizou a assistência aos doentes através de uma maior rapidez no atendimento, com agendamento de consulta entre as 24 e as 72 horas de utentes com sintomas agudos ou em fase de reavaliação clínica após observação, “traduzindo-se numa qualidade acrescida dos cuidados prestados”, explica a instituição em comunicado.

Ao longo de três meses, foram observados 235 doentes. As patologias mais observadas nesta Unidade dizem respeito ao foro respiratório (por exemplo, traqueobronquite aguda, pneumonia), cardiovascular (como insuficiência cardíaca descompensada, dor torácica), urinário, hematológico e ainda a alterações de comportamento.

“Recorde-se que a UDP procurou, desde o início, reforçar a articulação com as instituições sociais, nomeadamente as Estruturas Residenciais para pessoas Idosas (ERPI) e melhorar a resposta clínica à população, sobretudo durante o período de inverno, caracterizado por maior pressão sobre os serviços de saúde”, adianta a ULS do Nordeste. Por um lado, “verificou-se uma diminuição significativa de episódios de urgência relacionados com as patologias referidas nos grupos de doentes que preenchem os critérios atuais de admissão a esta Unidade, por outro, a assistência tornou-se mais rápida, traduzindo-se numa maior qualidade dos cuidados prestados aos doentes”, acrescenta. Face às mais-valias desta Unidade, as perspetivas apontam para a continuidade e um possível alargamento do seu âmbito de atuação.

Com a criação da Unidade de Diagnóstico Precoce, a ULS do Nordeste “reforçou o seu compromisso com a humanização dos cuidados, a eficiência na gestão de recursos e a proximidade às comunidades locais, promovendo uma resposta mais ágil, integrada e centrada nas necessidades dos utentes”.

Manifesto alerta para tratamento desigual da obesidade e pede estratégia nacional

JN

Especialistas e doentes denunciaram hoje um tratamento discriminatório da obesidade em relação a outras doenças crónicas, exigindo ao Governo uma estratégia nacional que assegure um acesso equitativo e respostas estruturadas no Serviço Nacional de Saúde.

O alerta surge no Dia Mundial da Obesidade com o lançamento do Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade, assinado por sociedades e associações médicas - Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo; Estudo da Obesidade; Medicina Geral e Familiar; Medicina Interna; Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas - e pela Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO).

Em declarações à Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), José Silva Nunes, explicou que o manifesto pretende "chamar a atenção para o impacto da obesidade em Portugal", não só em termos de saúde, mas também de custos para o SNS.

"Face à expressão pandémica que esta doença tem, o impacto é significativo em termos financeiros. Por isso, é mesmo um problema grave de saúde pública", disse o endocrinologista, lembrando que a obesidade é um fator de risco para mais de 200 complicações de saúde, incluindo 13 tipos de cancro.

O manifesto defende uma estratégia nacional centrada no doente, que transforme recomendações existentes em ações concretas, garantindo "uma melhoria real" no tratamento das pessoas com obesidade, salientou.

Segundo o especialista, estas pessoas são injustamente rotuladas "como preguiçosa" ou com "pouca força de vontade" para perder peso, como de bastasse "fechar a boca e mexerem-se mais".

"Isso não é de todo verdade. A obesidade é uma doença de base neurológica”.

Presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) - José Silva Nunes

José Silva Nunes alertou ainda para desigualdades no acesso ao tratamento: "Não só desigualdades regionais, mas dentro da mesma região desigualdades sociais", uma vez que os fármacos, que são "um pilar essencial" do tratamento, não estão ao alcance de todos, por serem caros e não serem comparticipados.

É "profundamente injusto" que o acesso ao tratamento dependa do local de nascimento ou residência, lamentou.

Apesar de reconhecida como doença crónica desde 2004, a obesidade continua a ser tratada de forma discriminatória, criticou, apelando à sociedade e aos decisores políticos para promover o combate ao estigma, garantindo que a doença seja tratada com a mesma prioridade de outras doenças crónicas, como a diabetes, hipertensão ou dislipidemia.

A presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, reforçou a necessidade de consultas de obesidade nos cuidados de saúde primários.

"Precisamos de todos para tratar estes doentes e também precisamos daquilo que é a primeira porta de entrada: A medicina geral e familiar"

A presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) - Paula Freitas

Em Portugal, mais de um quarto da população adulta tem excesso de peso e cerca de dois milhões vivem com obesidade, doença responsável por cerca de 10% da despesa total em saúde e 3% do PIB, segundo a Direção-Geral da Saúde.

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