- MedSUPPORT.News
- Posts
- Notícias da Saúde em Portugal 789
Notícias da Saúde em Portugal 789
As notícias diárias à distância de um clique - sempre às 12:00h


Vacinação da gripe de maiores de 65 anos abaixo da meta da OMS
JN
Mais de 73% das pessoas com 65 ou mais anos já foram vacinadas contra a gripe na campanha deste ano, uma percentagem que está ligeiramente abaixo da meta de 75% definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os dados constam do quarto e último relatório Vacinómetro, divulgado na passada quinta-feira, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), que desde 2009 monitoriza, através de questionários, a taxa de cobertura de vacinação contra a gripe.
O estudo indica que 73,5% das pessoas com 65 ou mais anos foram vacinadas na campanha que arrancou no final de setembro, valor que, pelo segundo ano consecutivo, deixa Portugal próximo da meta de 75% estipulada pela OMS para esse grupo etário.
Do total da amostra inquirida, a recomendação do médico foi o principal motivo para a vacinação (33,1%), tendo sido relevante nos grupos de risco como doentes crónicos (39,1%) e grávidas (65,7%), com os médicos de família a serem responsáveis pela quase totalidade destas recomendações no grupo com 60 ou mais anos.

De acordo com os dados, a grande maioria da população com 85 ou mais anos recebeu a vacina num centro de saúde (96,4%), local também privilegiado pela população com 65 ou mais anos (65,2%), enquanto as pessoas entre os 60 e os 64 anos recebeu a vacina maioritariamente na farmácia.
Para o presidente da SPP, estes resultados representam um "marco importante" para a saúde pública em Portugal, salientando a "extraordinária cobertura" de quase 90% entre a população com 85 ou mais anos.
"Este nível de proteção traduz-se numa menor probabilidade de complicações graves e numa redução significativa da pressão sobre os serviços de saúde"
Para o responsável, apesar de pelo segundo ano consecutivo se ficar aquém da meta de 75% da OMS para a população acima dos 65 anos, o "aumento consistente da cobertura vacinal na maioria dos grupos demonstra que se está claramente no rumo certo".
Segundo o último relatório da Direção-Geral da Saúde, entre 23 de setembro de 2025 e de 1 de março, foram vacinadas contra a gripe 2.560.440 pessoas, das quais 1.385.748 no Serviço Nacional de Saúde e 1.172.114 nas farmácias.
Dois milhões de cheques-dentista para crianças e jovens nunca foram usados
Observador
O programa que oferece consultas e tratamentos dentários gratuitos não está a ser devidamente esclarecido para as famílias, pelo que pode ser esta a causa da falta de uso, diz a ordem dos dentistas.
Mais de dois milhões de cheques-dentista destinados a crianças e jovens nunca foram utilizados, em muitos casos porque as famílias desconheciam ou não sabiam como usar o programa que desde 2008 oferece consultas gratuitas.
O alerta é da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), que critica os médicos e as escolas que não conseguem promover devidamente o programa que oferece consultas e tratamentos dentários gratuitos.
Desde 2008, foram emitidos mais de 7,5 milhões de vales para crianças e jovens até aos 18 anos, mas só foram usados 5,1 milhões, segundo o mais recente relatório da OMD, que recolheu dados até julho de 2025.
Mais de dois milhões de consultas gratuitas nunca saíram do papel.
O número preocupa o bastonário da OMD que aponta vários motivos para a “baixa utilização” deste benefício, num país onde 22% dos portugueses não vai ao dentista por questões económicas.
“O grande problema dos cheques dentista é que são emitidos mas a população não acede a eles, em grande parte por displicência e desconhecimento dos médicos de família e das escolas que não têm mecanismos verdadeiramente ativos para promover o programa”.
Sofia Branco é mãe de um rapaz de 10 anos e a sua história corrobora este alerta.
No final do ano passado, contactou o centro de saúde para marcar um check-up médico. A higienista oral confirmou que o Pedro tinha direito a uma consulta gratuita, mas teria de esperar pelo documento entregue pela escola.
Em janeiro, Sofia Branco iniciou uma troca de e-mails com a escola, que lhe disse desconhecer quando chegariam os vales. Já em meados de fevereiro, a mãe voltou a questionar a escola, explicando que tinha urgência uma vez que o filho tinha já uma consulta marcada e gostaria “de poder usar aquilo a que tem direito”.
Como o agrupamento de escolas Luís de Camões admitiu não ter “nenhuma indicação sobre o assunto”, perguntou a quem poderia então recorrer.
Os e-mails terminaram com a escola a informá-la de que, por ser “um programa nacional, não existe nenhuma entidade a que possa recorrer. O cheque-dentista é enviado para a escola e esta faz a distribuição do mesmo”. Sofia Branco continua à espera do cheque-dentista.
O estudo da OMD confirma que o caso desta família não é uma exceção: 11,5% dos utentes disse não saber como obter ou usar o cheque dentista.

Segundo o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), Filinto Lima, algumas escolas já distribuíram os vales enquanto outras não, “porque ainda não os receberam, mas os pais ficam preocupados e ligam a perguntar o que se passa”.
Uma das principais razões da não-utilização dos vales é precisamente o facto de perderem a validade. Foi pelo menos essa a resposta de 23,1% das pessoas que não beneficiaram deste direito, segundo o relatório da OMD.
Para o bastonário, a emissão dos cheques dentista já devia ter sido desmaterializada, mas “esta é uma promessa que ainda não passou do papel”.
A Lusa questionou a Direção-Geral da Saúde, o Serviço Nacional de Saúde e o Ministério da Saúde, mas nenhuma das entidades respondeu às perguntas.
MedSUPPORT | Testemunho da semana
"Já não imagino o dia a dia na clínica sem a MedSUPPORT! São todos muito profissionais e atenciosos. O meu obrigada!"
Infarmed alerta para falta de medicamento para a angina de peito até junho
Sapo
A autoridade nacional do medicamento recomenda alternativas terapêuticas e orienta farmácias a limitarem a dispensa.
O Infarmed alertou para a indisponibilidade do fármaco Mononitrato de Isossorbido Mylan 60, para o tratamento da angina de peito, até 30 de junho, recomendando alternativas terapêuticas e a dispensa limitada nas farmácias para garantir 'stock'.
"O Infarmed confirmou a existência de 'stock' junto de titulares de AIM [Autorização de Introdução no Mercado] com medicamentos contendo mononitrato de issosorbida na dosagem de 50 mg, comprimido de libertação prolongada", refere no documento.
No entanto, atendendo a que não existem outros medicamentos contendo mononitrato de isossorbida na mesma dosagem (60 mg), e após consulta à Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica, o Infarmed deixa recomendações aos médicos, farmacêuticos e utentes.

Dirigindo-se aos médicos, a autoridade nacional do medicamento refere que existem medicamentos para as mesmas indicações terapêuticas que podem ser alternativas.
"A substituição deste medicamento pelas apresentações com a mesma forma farmacêutica e dosagem de 50 mg não deverá ter impacto na resposta clínica dos doentes, contudo sugere-se uma monitorização clínica mais atenta", sublinha na circular informativa.
Aos farmacêuticos, apela para que dispensem apenas uma embalagem de Mononitrato de Isossorbido Mylan, 60 mg comprimido de libertação prolongada, mediante consulta do histórico do doente, para que a quantidade disponível possa colmatar as necessidades de todos doentes.
"Para que seja possível garantir uma gestão criteriosa das quantidades disponíveis, as farmácias devem abster-se de dispor de quantidades elevadas destes medicamentos em 'stock", aconselha.
Recomenda ainda aos utentes que não consigam adquirir o medicamento que contactem o seu médico para que lhes seja indicada uma alternativa terapêutica.
Detox de cortisol ajuda a emagrecer “sem contar calorias”? Tem riscos?
Sapo
No Instagram circula a promessa de que fazer um “detox de cortisol” é o segredo para emagrecer “sem contar calorias”. Segundo a publicação, controlar esta hormona, através de uma dieta específica, seria a chave para perder peso de forma rápida e eficaz.
No post escreve-se ainda que “a maioria das mulheres não percebe que o cortisol é que está a bloquear o emagrecimento”. Mas será mesmo assim? Existe base científica para falar num “detox de cortisol”?
O cortisol é o principal culpado pelo aumento de peso?
O cortisol cronicamente elevado, associado ao stress crónico, pode ser “um fator contribuinte, mas não o principal culpado” do ganho de peso, adianta a endocrinologista Joana Menezes Nunes, em declarações ao Viral.
“O que a ciência diz é que o cortisol elevado aumenta o apetite (particularmente por alimentos hipercalóricos, ricos em açúcar e gordura) e favorece a acumulação de gordura na zona abdominal (a chamada gordura visceral, a mais perigosa em termos de saúde)”, detalha.
Ainda assim, a especialista esclarece que esta hormona “é apenas uma peça do xadrez”. Culpar exclusivamente o cortisol pelo ganho de peso “é ignorar que 70% a 80% do peso” é determinado por genética e epigenética, além de fatores como qualidade do sono, distúrbios endócrinos, fármacos promotores do aumento de peso, ambiente, relação emocional com a comida, sarcopenia (falta de massa muscular), alterações hormonais, disruptores endócrinos e outras variáveis.

Faz sentido “fazer detox” de uma hormona?
Do ponto de vista fisiológico, não. “O cortisol não é uma toxina; é uma hormona da sobrevivência. Precisamos de um pico de cortisol de manhã simplesmente para conseguir acordar e sair da cama, e para manter a nossa tensão arterial estável, e à noite menos cortisol (quando a melatonina está mais alta) para dormirmos”, explica.
“Fazer ‘detox’ de uma hormona vital faz tanto sentido como fazer ‘detox’ à insulina ou ao oxigénio”, compara a endocrinologista.
Existe alguma dieta com evidência para reduzir o cortisol?
“Não existe nenhuma dieta mágica”, aponta. Segundo a endocrinologista, o que pode ajudar a regular o eixo do stress é seguir uma alimentação de padrão anti-inflamatório, como a dieta Mediterrânica, “baixa em sal e rica em fibras, ómega-3 e antioxidantes”.
Neste sentido, deixa um reparo: “Vender programas para tratar uma doença que a pessoa não tem é algo grave, no meu entender”.
Faz sentido “fazer detox” de uma hormona?
Do ponto de vista fisiológico, não. “O cortisol não é uma toxina; é uma hormona da sobrevivência. Precisamos de um pico de cortisol de manhã simplesmente para conseguir acordar e sair da cama, e para manter a nossa tensão arterial estável, e à noite menos cortisol (quando a melatonina está mais alta) para dormirmos”, explica.
“Fazer ‘detox’ de uma hormona vital faz tanto sentido como fazer ‘detox’ à insulina ou ao oxigénio”, compara a endocrinologista.
Existe alguma dieta com evidência para reduzir o cortisol?
“Não existe nenhuma dieta mágica”, aponta. Segundo a endocrinologista, o que pode ajudar a regular o eixo do stress é seguir uma alimentação de padrão anti-inflamatório, como a dieta Mediterrânica, “baixa em sal e rica em fibras, ómega-3 e antioxidantes”.
A publicação do Instagram em análise assegura também que a chamada “dieta do cortisol” pode levar a uma perda de 22 quilos em seis semanas, cerca de 3,6 quilos por semana, embora não exista evidência científica que o prove.
Perdas de peso tão rápidas são “uma violência em termos metabólicos, hormonais, nutricionais e de imagem (saúde física e mental)”, resume. O Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos EUA (NIDDK) recomenda explicitamente evitar “dietas-choque” que prometem perda de peso rápida, precisamente por este risco.
É eticamente aceitável um especialista recomendar este tipo de programa?
Segundo Joana Menezes, a prática clínica deve basear-se em orientações nacionais e internacionais, que recomendam para o tratamento de obesidade terapia “cognitiva comportamental, fármacos aprovados e/ou cirurgia bariátrica”.
Em suma, não existe evidência científica que sustente a ideia de que um “detox de cortisol” seja a chave para emagrecer. O cortisol não é uma toxina, mas uma hormona essencial ao funcionamento do organismo. Embora o stress crónico possa contribuir para alterações do apetite e acumulação de gordura abdominal, está longe de ser o principal responsável pelo aumento de peso.

Obrigado por ler a medsupport.news.
A equipa da MedSUPPORT.
p.s. Se gostou desta newsletter, partilhe-a com os seus amigos e colegas! Todos podem subscrever aqui a medsupport.news.

Reply