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Notícias da Saúde em Portugal 790
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A OMS divulga orientações para a saúde oral sem mercúrio
O jornalDentistry
No passado dia 3 de março de 2026, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou novas diretrizes baseadas em evidências que aceleram a transição para uma medicina dentária sem mercúrio.
Estas orientações promovem alternativas menos invasivas e amigas do ambiente ao amálgama dentário — como os cimentos de ionómero de vidro e os compósitos à base de resina — para o tratamento da cárie, apoiando as metas de redução gradual da Convenção de Minamata sobre o Mercúrio.

Principais aspetos das novas orientações da OMS:
Foco na prevenção: Recomendações robustas para cuidados preventivos em toda a população, incluindo uma maior utilização de verniz fluoretado e selantes de fóssulas e fissuras para crianças de alto risco.
Tratamento minimamente invasivo: Recomenda métodos não invasivos, como a aplicação semestral de fluoreto de diamina de prata (SDF), para travar a progressão de cáries moderadas, reduzindo a necessidade de restaurações tradicionais de amálgama.
Materiais sem mercúrio: Promove alternativas seguras e eficazes, como os cimentos de ionómero de vidro e os compósitos à base de resina, que estão agora incluídos na Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS.
Protocolos de segurança: Inclui orientações para o manuseamento de materiais à base de resina e a gestão de resíduos ambientais.
Populações vulneráveis: Recomenda a limitação do uso de produtos dentários que contenham derivados do bisfenol A (BPA) em crianças, adolescentes e mulheres grávidas ou em período de amamentação.
Estas orientações foram elaboradas para ajudar os países a implementar cuidados dentários sustentáveis, de alta qualidade e acessíveis, em consonância com as metas globais de saúde e os objetivos de ação climática.
Portugal e Espanha unidos por uma "Saúde oral sem fronteiras"
OMD
A Eurocidade Tui-Valença recebeu, na passada sexta-feira, dia 20 de março, as comemorações do Dia Mundial da Saúde Oral.
Este compromisso transfronteiriço para a promoção da saúde oral materializou-se na assinatura da Declaração da Eurocidade Tui-Valença: Saúde Oral Sem Fronteiras, subscrita pelo bastonário da OMD, Miguel Pavão, pelo presidente da Câmara Municipal de Valença, José Manuel Carpinteira, pelo alcaide de Tui, Enrique Cabaleiro González, pela presidente do Colegio Oficial de Dentistas de Pontevedra y Ourense, Adriana Sanz Marchena, pela presidente do Colegio de Odontólogos y Estomatólogos de Lugo, Maria Núñez Otero, e pelo presidente do Colegio de Odontólogos y Estomatólogos de A Coruña, José Maria Suárez Quintanilla.
Cooperação transfronteiriça
A Declaração da Eurocidade Tui-Valença: Saúde Oral Sem Fronteiras estabelece cinco pontos de atuação conjunta entre os subscritores: integração política e sistémica, cooperação transfronteiriça ativa, prioridade à prevenção e literacia, equidade e acesso universal, monitorização e sustentabilidade.
O objetivo consiste em desenvolver estratégias de atuação conjunta, através da criação de mecanismos que facilitem a cooperação entre os vários organismos, nomeadamente no intercâmbio de boas práticas e de otimização de recursos tecnológicos e humanos entre Portugal e Espanha.
Com o intuito de beneficiar diretamente as populações de Valença e Tui, esta declaração cria a Comunidade Eurocidade de Saúde Oral.

Incrementar sinergias
Miguel Pavão, bastonário da OMD, afirma que esta declaração vem reforçar a “importância das autarquias e do poder local na promoção da saúde oral”, estimulando assim uma “maior aposta e desenvolvimento de políticas que possam ser potenciadoras da promoção de cuidados e estilos de vida saudáveis”.
Adriana Sanz, presidente do Colegio Oficial de Dentistas de Pontevedra y Ourense, salienta que “este é um excelente caminho para melhorar a saúde oral da população, abordando o tema desde a sua base, que é a literacia”.
José Manuel Carpinteira, presidente da Câmara de Municipal de Valença, acrescenta que este compromisso “vai motivar-nos mais a trabalhar em conjunto com a nossa comunidade para que, sobretudo as nossas crianças e os nossos idosos, possam ter um maior acompanhamento em matéria de saúde oral”.
Novo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral adiado para 2027 levanta dúvidas sobre execução e redução do valor do cheque-dentista
O JornalDentistry
Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) alerta para risco de nova reforma “ficar no papel” e critica ausência de envolvimento do setor.
A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) manifesta preocupação face ao novo modelo do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral 2030 (PNPSO 2030), publicado no passado dia 20 de março em Diário da República, data em que se celebra o Dia Mundial da Saúde Oral, alertando para o risco de a reforma anunciada “não sair do papel”.
Apesar de o Governo apresentar o novo modelo como um reforço do acesso à saúde oral no Serviço Nacional de Saúde, a OMD sublinha que a distância temporal para a sua implementação (apenas está prevista para 1 de janeiro de 2027) levanta sérias dúvidas quanto à sua concretização. Miguel Pavão, Bastonário da OMD, afirma que “não é um bom prenúncio, pois não significa que a mesma venha a ser concretizada”, afastando-se a OMD da portaria apresentada pelo Governo, tendo em conta que não foi envolvida na redação final.
“Temos assistido, ao longo dos anos, a sucessivos anúncios e reformulações que não chegam a ser executados, com o documento agora apresentado a anunciar um conjunto de medidas que já estavam desenhadas e algumas delas refletidas em relatórios e portarias anteriores. O facto de esta estratégia só entrar em vigor em 2027 não é um bom prenúncio”, alerta Miguel Pavão.
Redução do cheque-dentista contraria discurso de reforço
Entre as medidas previstas no PNPSO para 2030, destaca-se a alteração do atual cheque-dentista – agora designado “cheque de saúde oral” – cujo valor será reduzido para 40 euros, abaixo dos 45 euros fixados na portaria de 2023. “Esta decisão contraria a narrativa de reforço do acesso. Num momento em que se anuncia um reforço da resposta em saúde oral, é difícil compreender a redução do valor do cheque-dentista, sobretudo quando estava prevista a sua atualização periódica, que nunca chegou a acontecer”, sublinha o Bastonário.
Ainda assim, a Ordem dos Médicos Dentistas reconhece um avanço a possibilidade de alargamento dos cheques de tratamento, que passam a abranger até dois dentes, com a possibilidade de excecionalmente ser emitido um terceiro, embora considere que esta medida é insuficiente para responder às necessidades reais da população.
A Ordem dos Médicos Dentistas lamenta ainda que o desenho deste diploma não tenha envolvido os principais stakeholders, nomeadamente a rede de prestadores do PNPSO, de um processo que terá impacto direto na prestação de cuidados. Embora a criação da Rede Nacional de Saúde Oral seja positiva, trata-se de um mapeamento que já existiu e não é atualizado desde 2018.
Além disso, várias das medidas agora anunciadas já constavam de propostas anteriores, sem que tenham sido implementadas. É o caso da desmaterialização do cheque-dentista ou da atualização do sistema SISO 2.0, que permanece inalterado desde 2008.

Reorganização das Unidades Locais de Saúde (ULS)
Relativamente à organização dos serviços de saúde oral nas novas ULS, apesar de se definirem os papéis da Direção Geral da Saúde e da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, em termos do governance, o bastonário salienta que com esta portaria “perde-se, mais uma vez, a oportunidade de empoderar os médicos dentistas no SNS. A medicina dentária acaba, novamente, desprotegida, ao ficar sob a alçada dos médicos de saúde pública, em vez dos médicos dentistas”.
OMD vai acompanhar execução
A Ordem dos Médicos Dentistas garante que continuará a acompanhar de forma próxima a evolução do PNPSO 2030, defendendo a necessidade de garantir que a saúde oral deixa de ser uma área sucessivamente adiada nas políticas públicas.
“Vamos continuar a acompanhar a execução deste diploma, de forma crítica, e a pugnar junto da tutela para que a população beneficie efetivamente de um direito básico. Mais do que novos anúncios, o país precisa de medidas concretas, executadas e com impacto real na vida das pessoas. O direito à saúde oral não pode continuar a ser adiada”, conclui o Bastonário da OMD, Miguel Pavão.
O ibuprofeno pode aumentar a pressão arterial?
SAPO
Todos os fármacos têm benefícios e riscos. Normalmente, recomenda-se a toma de medicamentos em situações em que os benefícios compensam os riscos. Mesmo os de venda livre podem estar contraindicados para pessoas com determinadas doenças. É o caso do ibuprofeno? Este fármaco pode aumentar a pressão arterial em algumas pessoas?
É verdade que o ibuprofeno pode aumentar a pressão arterial?
Sim, em certas circunstâncias, o ibuprofeno pode levar à subida da pressão arterial (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
O ibuprofeno faz parte de um grupo de medicamentos chamados anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que são utilizados “no tratamento da dor, febre e inflamação”, refere-se num texto da Ordem dos Farmacêuticos (OF).
Tal como se explica num texto da Ordem dos Médicos (OM), a utilização de AINEs “está associada a elevação da pressão arterial, diminuição da eficácia dos anti-hipertensores, retenção hídrica e agravamento da função renal”.
Assim, por precaução, recomenda-se “não administrar anti-inflamatórios não esteroides” em pessoas “com hipertensão arterial e/ou alteração da função renal”, optando por “outros analgésicos, como o paracetamol, metamizol magnésico ou tramadol”.
Sabe-se, também, que “existe um aumento do risco de acontecimentos cardiovasculares (tal como enfarte do miocárdio ou AVC), associado à utilização do ibuprofeno de dose alta (igual ou superior a 2400 mg por dia)”, refere-se num documento da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla inglesa).
Por isso, “a utilização do ibuprofeno de dose alta deixou de ser recomendada se sofre de doenças cardíacas ou circulatórias”, ou “se já sofreu previamente um ataque cardíaco ou um AVC”, explica-se.

Isto não significa que o ibuprofeno aumenta a pressão arterial se for tomado ocasionalmente (ver aqui).
O risco de hipertensão ou de sofrer um enfarte ou um AVC associado à toma de ibuprofeno depende de vários fatores. “O primeiro é a duração do tratamento”, sublinha-se num texto da Harvard Medical School.
O risco cardiovascular “é extremamente reduzido durante um tratamento de curta duração (menos de um mês), como seria o caso no tratamento da dor aguda”.
Outra consideração importante “é a dose e a frequência”, já que “o risco tende a aumentar com doses mais elevadas e maior frequência”.
O terceiro fator “é se a pessoa tem alguma doença cardiovascular pré-existente”. Em pessoas sem doença cardiovascular, “o aumento absoluto do risco é incrivelmente pequeno”, refere-se no mesmo texto.
No caso de uma pessoa com hipertensão, que toma medicamentos para baixar a pressão arterial, tomar ibuprofeno pode ser particularmente perigoso, porque há o risco de o medicamento inibir o efeito dos anti-hipertensores (ver aqui, aqui e aqui).
Que outros efeitos adversos é que o ibuprofeno pode causar?
Além dos possíveis efeitos a nível cardiovascular, a toma de ibuprofeno pode desencadear: reações gastrointestinais, como, “ardor, dor de estômago, diarreia, úlceras, hemorragias”; alterações do funcionamento dos rins ou do fígado; e, como acontece com todos os fármacos, causar reações alérgicas.

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