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Notícias da Saúde em Portugal 791
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Cientistas reprogramam pela primeira vez um tipo de células antitumorais
Público
A estratégia facilita o desenvolvimento de imunoterapias mais eficazes, possibilitando ainda o avanço de novas abordagens contra o cancro e outras doenças do sistema imunitário.
Um grupo de cientistas, coordenados pela Universidade de Coimbra e pela Universidade de Lund (Suécia), reprogramou pela primeira vez em laboratório um tipo de célula do sistema imunitário que actua na primeira linha da defesa tumoral.
Trata-se da recriação, através de reprogramação celular, das células natural killer (NK), no âmbito de uma investigação liderada pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), integrado no Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia, e pela instituição de ensino superior sueca.
Esta reprogramação foi possível graças à criação de uma plataforma, “que vai auxiliar os cientistas em processos de mapeamento e reprogramação de células imunitárias”, revelou a Universidade de Coimbra num comunicado.
Na plataforma, “os investigadores criaram uma biblioteca composta por mais de 400 fatores de transcrição – proteínas capazes de reprogramar a maioria dos tipos de células imunitárias –, identificados por ‘códigos de barras’, o que permite rastrear quais promovem a reprogramação dos diferentes tipos de células imunitárias”.
O investigador do CNC-UC que coordenou a investigação, Carlos Filipe Pereira, explicou que a ferramenta permite testar dezenas de combinações de fatores em simultâneo, de forma a identificar quais possibilitam a obtenção de vários tipos de células imunitárias.
Além de permitir programar células NK, a investigação também identificou fatores para melhorar a reprogramação de tipos celulares já conhecidos. “Esta investigação vem assim abrir caminho ao desenvolvimento de novas abordagens para a imunoterapia celular”, reforça-se no comunicado.

De acordo com a universidade, a imunoterapia é atualmente uma das áreas mais promissoras da medicina, mas uma parte significativa dos tumores e indivíduos não responde a este tipo de tratamento.
“Muitos tipos de células imunitárias são úteis em imunoterapia, mas são raras no sangue e difíceis de obter directamente de pacientes, sendo muito importante o avanço da sua produção em laboratório, tal como foi feito neste estudo”
Os investigadores construíram também um “mapa-guia” dos fatores que controlam a formação das diferentes linhagens de células imunitárias, o que vai contribuir para gerar células para fins de imunoterapia.
“A abordagem funciona como uma ‘caixa de ferramentas’, que permite gerar células imunitárias em laboratório a partir de células mais fáceis de recolher e replicar, como as da pele”, disse Carlos Filipe Pereira. Esta estratégia, acrescentou, facilita o desenvolvimento de imunoterapias mais eficazes, reduzindo o risco de ineficácia em determinados pacientes e possibilitando o avanço de novas abordagens contra o cancro e outras doenças do sistema imunitário.
“No futuro, além de permitir gerar células que activam o sistema imunitário contra o cancro, esta abordagem poderá ser expandida para produzir células que o ensinam a não atacar o próprio corpo, abrindo caminho a novas terapias em doenças auto-imunes, como a diabetes ou a artrite reumatóide”, completou o investigador.
O Papel da Realidade Virtual na Educação Dentária Contemporânea
O JornalDentistry
A integração da Realidade Virtual (RV) no ensino da Medicina Dentária marca o início de uma era onde a competência técnica pode ser moldada num ambiente de risco zero. Esta tecnologia não substitui o contacto humano, mas atua como uma ponte sofisticada entre a teoria e a prática clínica.
A Evolução do Treino Pré-Clínico
A principal vantagem da RV reside no refinamento da proprioceção (capacidade do corpo de perceber a posição, o movimento e a força aplicada pelos músculos e articulações sem depender da visão.). Através de sistemas de feedback háptico, o estudante consegue distinguir, pelo tato, a transição entre diferentes densidades de tecidos, como o esmalte e a dentina cariada. Esta sensibilidade tátil, aliada a uma visualização estereoscópica que permite "ampliar" a anatomia interna do dente, oferece uma compreensão espacial que os métodos tradicionais, como os dentes extraídos ou manequins de plástico, raramente conseguem replicar com tanta precisão e repetibilidade.
Além disso, a RV permite a padronização do ensino. Num ambiente virtual, todos os alunos enfrentam o mesmo desafio clínico, permitindo que repitam o procedimento inúmeras vezes até atingirem os critérios de proficiência estabelecidos. Este feedback é imediato e baseado em métricas objetivas (como a profundidade da fresagem ou a angulação do corte), reduzindo a subjetividade da avaliação docente.

Desafios e Considerações Críticas
No entanto, a implementação desta tecnologia não está isenta de inconvenientes. A barreira económica é a mais evidente: o elevado investimento inicial em hardware e manutenção de software continua a ser um obstáculo para muitas instituições. Do ponto de vista fisiológico, existe o risco de cyber sickness — náuseas e fadiga visual que podem limitar a duração das sessões de treino.
É também crucial reconhecer que, embora a RV seja excelente para o treino da técnica cirúrgica ou restauradora, ela ainda não consegue replicar a complexidade do ecossistema oral. A gestão da saliva, o controlo da língua, a fadiga muscular do paciente e, acima de tudo, a componente psicológica da interação médico-paciente são elementos que, por enquanto, permanecem exclusivos do ambiente clínico real.
Em suma, a Realidade Virtual deve ser vista como um complemento de alta performance. Acelera a curva de aprendizagem e aumenta a segurança do paciente ao garantir que o aluno chega à clínica com uma memória muscular já desenvolvida. O desafio futuro reside na criação de simuladores que consigam fundir, de forma cada vez mais fiel, a precisão digital com a imprevisibilidade biológica da cavidade oral.
Associação pede ao novo Presidente que faça da fertilidade prioridade nacional
Observador
No dia em que António José Seguro toma posse como Presidente da República, a Associação Portuguesa de Fertilidade apela que a prioridade no mandato seja "a defesa dos direitos fundamentais".
A Associação Portuguesa de Fertilidade pediu na passada segunda-feira ao novo Presidente da República que faça da fertilidade uma prioridade nacional, alertando que o direito à família e à saúde reprodutiva “não pode ficar refém da inércia política e administrativa”.
“Esta é uma área persistentemente negligenciada pelo Estado, marcada por graves falhas estruturais em Portugal e que afeta diretamente milhares de pessoas e famílias”.

Segundo a organização, “a realidade no terreno permanece profundamente desigual e penalizadora para quem enfrenta infertilidade”, uma condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que afeta uma em cada seis pessoas no mundo.
“A escassez persistente de doações no Banco Público de Gametas compromete o acesso efetivo aos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida (PMA) e as longas filas de espera para aceder a estes gametas ultrapassam limites clinicamente aceitáveis”, alerta Cláudia Vieira.
De acordo com a responsável, “estas condicionantes reduzem drasticamente as probabilidades de sucesso dos tratamentos e empurram muitas pessoas para soluções no estrangeiro, acessíveis apenas a quem dispõe de recursos financeiros suficientes”.
Paralelamente, afirma, “a gestação de substituição precisa da mão firme do Presidente da República, uma vez que a lei continua num inaceitável vazio jurídico”.
A Associação lembra que “o prazo legal para a sua regulamentação foi ultrapassado há muito tempo sem que o Governo tenha apresentado qualquer solução, criando um cenário de insegurança jurídica, frustração e sofrimento para todas as pessoas que dependem deste recurso para concretizar um projeto parental”.
De acordo com a lei, a gestação de substituição é apenas aplicável em casos de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão ou outra situação clínica que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez de uma mulher.
“O direito a constituir família e o acesso à saúde reprodutiva não podem continuar reféns da inércia política e administrativa”.
Cláudia Vieira realça que “a fertilidade não é um tema secundário nem ideológico: é uma questão de saúde pública, de igualdade e de direitos humanos, e o Estado não pode continuar a falhar a quem espera há anos por respostas”.
“Esperamos que o novo Presidente da República possa usar a sua magistratura de influência para promover o debate público, incentivar soluções concretas e contribuir para desbloquear processos legislativos e regulamentares que permanecem injustificadamente parados”, defende.
A Associação Portuguesa de Fertilidade reafirma a sua total disponibilidade para colaborar com os órgãos de soberania na construção de políticas públicas baseadas na evidência científica, na ética e no respeito pela dignidade de todas as pessoas.
Cláudia Vieira adianta que a associação vai pedir uma audiência ao novo Presidente da República para debater as políticas de fertilidade e sensibilizar para os problemas estruturais no acesso aos tratamentos de PMA.
Stress dos pais pode ser determinante na obesidade infantil, indica estudo
Euronews
Gerir o stress dos pais reduz de forma significativa o risco de obesidade nas crianças mais novas, indica um estudo científico recente.
Quando os pais se sentem sobrecarregados, as rotinas familiares podem desorganizar-se, aumentam as escolhas alimentares pouco saudáveis e diminuem os comportamentos parentais positivos.
Investigadores da Universidade de Yale concluíram que intervir ao nível do stress parental, associado a uma alimentação saudável, é eficaz para prevenir a obesidade precoce e melhorar as práticas parentais positivas e a ingestão de alimentos saudáveis pelas crianças.
“Já sabíamos que o stress pode ser um grande contributo para o desenvolvimento da obesidade infantil. A surpresa foi que, quando os pais lidavam melhor com o stress, a forma como educavam melhorava e o risco de obesidade nos filhos mais novos diminuía”.
Como foi feito o estudo
Os investigadores realizaram um ensaio randomizado de 12 semanas com 114 pais de diferentes origens étnicas e socioeconómicas. Todos os pais tinham excesso de peso ou eram obesos e tinham filhos entre os dois e os cinco anos.
Os pais foram divididos em dois grupos. O primeiro recebeu uma intervenção de gestão do stress, denominada Parenting Mindfully for Health (PMH), centrada em técnicas de mindfulness e de autorregulação comportamental, combinadas com aconselhamento sobre alimentação saudável e atividade física.
O segundo grupo recebeu uma intervenção de controlo, apenas com aconselhamento sobre alimentação saudável e atividade física. Ambos os grupos se reuniam até duas horas por semana.
Os níveis de stress dos pais e o peso das crianças foram monitorizados ao longo das 12 semanas.
Os pais no grupo PMH relataram menos stress e mostraram melhorias nas práticas parentais positivas. Os seus filhos consumiram menos alimentos pouco saudáveis e não registaram aumento de peso após o estudo.
No outro grupo, o cenário foi diferente. Os pais não apresentaram melhorias semelhantes e os seus filhos registaram aumentos significativos de peso; tinham uma probabilidade seis vezes superior de ser classificados com excesso de peso ou obesidade

Problema global em expansão
A obesidade infantil continua a aumentar em todo o mundo. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade, o número de crianças com excesso de peso deverá atingir 228 milhões até 2040, ultrapassando pela primeira vez o número de crianças com baixo peso a nível global.
O excesso de peso na infância não só aumenta o risco de doenças crónicas mais tarde na vida, como também representa perigos logo nos primeiros anos, quando um desenvolvimento saudável é crucial.
Os Estados-Membros da Organização Mundial da Saúde definiram as Metas Globais de Nutrição (fonte em inglês) para melhorar a alimentação de mães, bebés e crianças pequenas entre 2025 e 2030, com o objetivo de reduzir em cinco por cento o excesso de peso nos próximos cinco anos.

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