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Portugal registou número de casos de tuberculose mais baixo de sempre

OBSERVADOR

Portugal registou 1.536 casos de tuberculose em 2024, o valor mais baixo de sempre, segundo um relatório da Direção-Geral da Saúde. Taxa nos imigrantes é quase três vezes superior à média nacional.

O Relatório de Vigilância e Monitorização da Tuberculose em Portugal, divulgado no Dia Mundial da Tuberculose, confirma a tendência de descida da tuberculose no país, com uma taxa de notificação de 14,3 casos por 100 mil habitantes.

Sofia Sousa destacou ainda a evolução positiva na mortalidade, indicando que em 2024 se registaram 50 mortes por tuberculose, uma redução de quase 70% face aos números de 2015, o que aproxima Portugal das metas internacionais.

Segundo o relatório, Lisboa e Vale do Tejo e o Norte mantiveram-se como as regiões de maior incidência, com 17,1 e 16,4 casos por 100 mil habitantes, respetivamente.

A responsável explicou que esta concentração se deve à maior densidade populacional, à presença de grupos vulneráveis, a comorbilidades associadas e a fatores urbanos como a sobrelotação, que contribuem para “um aumento do número de casos, que já se verifica há muito tempo”.

Do total de casos, 1.418 correspondem a novos casos e 118 a retratamentos. Os homens continuam a ser mais afetados (64,4% do total de casos), enquanto as crianças e adolescentes até aos 15 anos representaram 2,4% das notificações.

A população migrante manteve-se como o grupo mais vulnerável, com uma taxa de notificação 2,7 vezes superior à média nacional, representando 39,1% dos casos em 2024, um aumento relativamente a 2023 (35,7%).

Sofia Sousa considerou que este intervalo “ainda é muito elevado”, sublinhando que o atraso na procura de ajuda médica continua a ser um dos principais desafios, defendendo o reforço da literacia em saúde e da proximidade aos serviços.

Referiu que em 2024 foi iniciada uma reorganização dos cuidados, com as consultas de tuberculose integradas nas consultas de cuidados respiratórias na comunidade, nas unidades locais de saúde, e a criação de centros de referência em Lisboa e no Porto para casos mais complexos, como a tuberculose multirresistente.

Apesar da evolução positiva, a DGS alerta para “uma desaceleração preocupante” no ritmo de redução da incidência da doença entre 2020 e 2024.

Esta tendência, associada ao aumento da tuberculose multirresistente e à crescente concentração da doença em populações vulneráveis, exige “uma reorientação estratégica” para alcançar as metas da OMS, defendeu.

Lembrou que a tuberculose é uma doença com cura e prevenível, destacando o papel dos tratamentos preventivos na redução do risco de desenvolvimento da doença ativa, sobretudo em pessoas com fatores de risco, como contatos de doentes, pessoas com VIH ou com imunossupressão.

Destacou a importância da sensibilização para os sintomas, como a tosse persistente e a perda de peso, incentivando a população a procurar cuidados de saúde atempadamente.

Por outro lado, vincou, o combate ao estigma continua a ser um desafio, sendo fundamental falar abertamente sobre a doença, “dar voz a quem está doente” e promover o diagnóstico precoce, contribuindo para que a tuberculose deixe de ser vista como uma doença “que já não existe ou que já não devia existir”.

Tuberculose desce nas crianças até aos cinco anos

Portugal registou 37 casos de tuberculose em crianças e jovens até aos 14 anos em 2024, com uma descida no grupo dos zero aos 5 anos.

A maioria dos casos (23) até aos 5 anos ocorreu em crianças nascidas em Portugal, registando-se também casos em crianças provenientes da Guiné-Bissau, Índia e Paquistão.

No grupo dos 6 aos 14 anos, a maioria dos casos (11) ocorreu em crianças não nascidas em Portugal, provenientes de Angola (2), Guiné-Bissau (2), Índia (2), Brasil, Cabo Verde, Paquistão, China e República Democrática do Congo.

A adjunta do Programa Nacional para a Tuberculose da DGS, Sofia Sousa, afirmou que “a tuberculose em contexto infantil existe, porque existem casos em adultos que transmitem esta doença às crianças”.

“É um grupo particularmente vulnerável. Uma exposição mesmo que breve pode conduzir ao desenvolvimento da infeção e da doença mais rapidamente”, alertou.

Sofia Sousa destacou que a DGS mantém uma vigilância apertada da tuberculose infantil em linha com as orientações de vacinação de grupos de risco elegíveis para a BCG, uma vacina que não previne a tuberculose, mas protege contra as formas mais graves da doença.

Portugal bate novo recorde de pedido de patentes europeias em 2025

TVI Notícias

A tecnologia informática e áreas relacionadas com a saúde "continuam a ser os principais setores de inovação em Portugal"

Portugal bateu novo recorde em pedidos de patentes europeias no ano passado, com um total de 368 pedidos junto da Organização Europeia de Patentes (OEP), um aumento homólogo de 6,1%, divulgou a entidade.

Este foi o "número mais elevado de sempre", de acordo com o EPO Technology Dashboard 2025 (anteriormente Patent Index), que hoje foi divulgado e que indica que, desde 2016, "os pedidos de patentes europeias provenientes de Portugal mais que duplicaram, refletindo um ecossistema de inovação cada mais dinâmico no país".

"OPRIMEE, NOS Inovação e INESC Porto são os três principais requerentes portugueses", é destacado no comunicado, referindo que o Note de Portugal "é a região com maior número de pedidos de patente europeia", ou seja, 39% do total.

Em 2025, a OEP recebeu um "número recorde de 201.974 pedidos de patente", uma subida de 1,4% face ao ano anterior, "ultrapassando pela primeira vez a marca dos 200.000 pedidos".

As tecnologias relacionadas com a saúde "voltaram a representar três das cinco principais áreas tecnológicas em Portugal".

Por exemplo, a tecnologia médica registou um crescimento "particularmente expressivo (+32% em termos homólogos), tal como a biotecnologia, que "também evidenciou uma evolução positiva, com um aumento de 5% em 2025, contrariando a tendência geral de descida ao nível da OEP".

Em contrapartida, "os pedidos na área farmacêutica diminuíram 9,5%, após um ligeiro crescimento no ano anterior".

O manuseamento (que inclui tecnologias de embalagens), com mais de 75,0%, ainda que a partir de um nível mais baixo, mobiliário/jogos, registaram mais de 62,5%, e transportes (que inclui tecnologias automóveis), com mais de 50,0%, também registaram aumentos.

A OPRIMEE - Innovation Design Engineering Solutions lidera os pedidos de patente portugueses em 2025, com 26 pedidos, seguida da NOS Inovação (18 pedidos) e do INESC Porto - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto (14 pedidos).

A BLC3 Evolution (11 patentes), Feedzai (10), Bial (8), Novadelta (8), Universidade de Aveiro (8), Universidade de Coimbra (8) e o centro de investigação CENTITVC - Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (7) completam o top 10.

Infeções sexualmente transmissíveis aumentam em Portugal

TVI Notícias

REVISTA DE IMPRENSA | Especialistas sublinham que o aumento pode estar ligado ao reforço do rastreio e da capacidade de diagnóstico

As infeções sexualmente transmissíveis estão a aumentar em Portugal, acompanhando a tendência europeia, com especialistas a alertarem que os casos já não se concentram apenas nos mais jovens, avança o Jornal de Notícias que dá ainda conta de que dados de várias unidades de saúde apontam para uma subida significativa.

Na Unidade Local de Saúde de São José, o número de consultas passou de menos de duas mil para quase seis mil por ano entre 2018 e 2025, com destaque para a gonorreia, seguida da clamídia e da sífilis.

Também a Unidade Local de Saúde de Coimbra regista aumentos entre 20% e 30%, enquanto noutras unidades há indicação de crescimento sustentado dos casos.

Especialistas sublinham que o aumento pode estar ligado ao reforço do rastreio e da capacidade de diagnóstico, mas também a mudanças comportamentais, como o uso inconsistente de preservativo e múltiplos parceiros.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças alerta para vulnerabilidades persistentes na prevenção. Em Portugal, os casos de sífilis cresceram 140% entre 2019 e 2023.

Apesar da maior incidência em adultos jovens, há registo de infeções em faixas etárias mais elevadas, refletindo falhas na educação e na literacia em saúde sexual.

Medicamentos biológicos: associações de doentes recebidas no Parlamento

Notícias Saúde

TNo próximo dia 25 de março, pelas 14h00, a Plataforma Saúde em Diálogo e a Associação de Asma Grave serão recebidas em audiência na Comissão Parlamentar de Saúde, transmitida em direto no site da Assembleia da República, com o objetivo de discutir o acesso equitativo a medicamentos biológicos em Portugal, uma realidade que permanece desigual no País.

Recorde-se que, no final do ano passado, estas entidades, às quais se juntaram também a Associação de Doentes com Lúpus e a Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas, tornaram pública uma Carta Aberta dirigida à Ministra da Saúde, à Secretária de Estado da Saúde e aos Deputados da Assembleia da República, exigindo medidas urgentes para corrigir as desigualdades no acesso a estas terapêuticas inovadoras.

A Portaria n.º 261/2024/1, publicada em outubro de 2024, uniformizou as condições de prescrição e dispensa de medicamentos biológicos relativas ao tratamento de doentes com Artrite Reumatóide, Espondilite Anquilosante, Artrite Psoriática, Artrite Idiopática Juvenil Poliarticular, Psoríase em Placas, Doença de Crohn e Colite Ulcerosa, permitindo o acesso às terapêuticas biológicas no setor privado, através de um regime excecional de comparticipação. No entanto, excluiu doentes com Asma Grave, Lúpus e Dermatite Atópica, que permanecem dependentes exclusivamente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o acesso a estas terapêuticas, enfrentando listas de espera muito superiores às previstas nos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG).

Os medicamentos biológicos permitem reduzir gradualmente o uso de corticoterapia, bem como diminuir agudizações e internamentos, devolvendo maior qualidade de vida aos doentes e aliviando a pressão a que o Serviço Nacional de Saúde está sujeito.

Neste contexto, as associações de doentes defendem o alargamento do regime excecional de comparticipação dos medicamentos biológicos aos doentes com Asma Grave, Lúpus e Dermatite Atópica e a uniformização nacional dos critérios de acesso, de modo a garantir justiça, celeridade e igualdade de tratamento para todos os doentes, independentemente da sua situação clínica, condição financeira ou local de residência.

Esta audiência, que conta ainda com a participação do clínico João Fonseca, imunoalergologista e Professor Catedrático, que irá explicar os benefícios destas terapêuticas, marca o seguimento desta carta aberta e uma oportunidade para impulsionar medidas que corrijam as desigualdades no acesso.

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