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Notícias da Saúde em Portugal 792
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Défice de sono atinge mais de metade da população e é problema de saúde pública
JN
Mais de metade dos portugueses tem défice de sono, um problema de saúde pública que tem razões socioeconómicas e que representa um risco de surgimento de doenças metabólicas e cardiovasculares, alertou esta terça-feira o especialista Joaquim Moita.
"Podemos concluir, com alguma segurança, que mais de metade dos portugueses dorme menos de sete horas" por dia, o mínimo recomendado para um adulto, adiantou à agência Lusa o pneumologista, que preside à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Sono (APS).
A propósito do Dia Mundial do Sono, que se assinala na próxima sexta-feira, o ex-diretor do Centro de Responsabilidade Integrado de Medicina do Sono da Unidade Local de Saúde de Coimbra adiantou que, no caso de um adulto entre os 18 e os 65 anos, é recomendado que durma entre sete e nove horas por dia.
"Tudo o que é menos de sete horas falamos em insuficiência de sono", alertou Joaquim Moita, que atribuiu esse défice a uma "questão de natureza socioeconómica que Portugal tem e que não está a ser fácil de mudar".
"Temos a imposição social de nos levantarmos cedo para trabalhar e para estudar, um hábito muito nórdico. Mas, em contrapartida, temos a televisão, as atividades sociais e mesmo trabalho até à meia-noite, hábitos do sul da Europa".
Depois de defender a realização de um "grande estudo" sobre a quantidade, mas também a qualidade do sono dos portugueses, o especialista alertou para a situação concreta das crianças, a quem são recomendadas nove a 11 horas de sono diárias, mas que "têm de se levantar muito cedo" para irem para a escola, acabando "por se deitarem às 11 horas ou mais, com insuficiência de sono".
Além disso, os portugueses vivem numa "sociedade iluminada, explosiva, alimentada por dispositivos eletrónicos", sublinhou o presidente da Assembleia Geral da APS, que alertou ainda para a iluminação LED que emite radiação azul e que elimina "completamente a produção de melatonina, uma hormona fundamental para que a pessoa possa adormecer".

Problema de saúde pública
Reconhecendo que a insuficiência de sono é "sem dúvida" um problema de saúde pública em Portugal, Joaquim Moita salientou que se trata também de uma doença que, ao longo do tempo, é um fator de outras patologias metabólicas, como a diabetes e obesidade, e cardiovasculares, caso de enfarte do miocárdio, arritmias e insuficiência cardíaca.
O pneumologista referiu também que os portugueses ainda enfrentam dificuldades de acesso a cuidados médicos nesta área, defendendo que a solução pode passar por um modelo envolvendo mais a Medicina Geral da Familiar.
"Há coisas que podem ser resolvidas logo num centro de saúde. É a minha opinião que resulta da minha experiência", realçou o médico.
Sobre o surgimento no mercado de dispositivos que permitem monitorizar o sono, como os smartwatches e os smart rings, Joaquim Moita referiu que "não deixam de ser importantes", mas não substituem a consulta médica e os exames específicos para esta área.
A associação sublinha que o rigor nos horários do sono é tão vital para a saúde como a alimentação ou o exercício físico, uma vez que é repouso que o corpo atravessa ciclos essenciais de recuperação física e cognitiva.
Ex-ginecologista de Arnhem gerou 16 filhos com o próprio sémen sem conhecimento das pacientes
Expresso
É mais um caso numa série de escândalos similares nos Países Baixos, onde a falta de regulamentação até à década de 1990 facilitou práticas consideradas hoje criminosas.
Um ex-ginecologista neerlandês que trabalhava na cidade de Arnhem gerou 16 filhos utilizando o seu próprio sémen para inseminação artificial nas suas pacientes durante as décadas de 1970 e 1980, sem o conhecimento das recetoras.
De acordo com uma investigação independente realizada pelo centro médico onde trabalhava, agora denominado Hospital Rijnstate em Arnhem, o médico admitiu aos investigadores que utilizou o seu próprio sémen para inseminar mulheres quando o dador pretendido não compareceu.
A investigação determinou ainda que o especialista é portador de uma doença hereditária, cuja natureza não foi divulgada publicamente. "Não se sabe por que razão o fez e quantos filhos de dador existem", enfatizou o centro médico no seu comunicado.
O hospital pediu a qualquer pessoa que suspeite ser filho biológico do ginecologista que forneça o seu ADN à Fiom, uma organização neerlandesa especializada em questões de paternidade.

Este não é um caso isolado no sistema de saúde neerlandês, dado que têm vindo a público inúmeros casos nos últimos anos em que ginecologistas e especialistas em clínicas de fertilidade utilizaram o seu próprio esperma sem autorização em mulheres que desejavam engravidar.
O ginecologista Jan Karbaat, falecido em 2017, gerou dezenas de filhos utilizando o mesmo procedimento em clínicas em Roterdão e Barendrecht, naquele que é considerado um dos escândalos de fertilidade mais graves dos Países Baixos.
A Associação de Ginecologistas dos Países Baixos (NVOG) confirmou, após investigação da televisão pública, que as práticas das clínicas de fertilização no país, desde 2004, resultaram em pelo menos 85 dadores que ultrapassaram largamente os limites recomendados.
A diretiva que estabelece um máximo de 12 famílias por dador só se tornou juridicamente vinculativa em 2018, e a sua aplicação foi consistentemente deficiente no passado.
Análise ao sangue pode prever demência até 25 anos antes do início dos sintomas
TVI Notícias
Conclusões baseiam-se em dados de 2.766 mulheres, entre os 65 e os 79 anos, que foram recrutadas para o estudo no final da década de 1990 e acompanhadas ao longo de 25 anos.
Um novo biomarcador pode prever, através de análises ao sangue, o risco de uma mulher desenvolver demência até 25 anos antes do aparecimento dos sintomas, concluiu um estudo da Universidade da Califórnia divulgado na passada terça-feira.
Publicado na revista médica JAMA Network Open, a investigação demonstrou que níveis mais elevados de uma proteína ligada às alterações cerebrais observadas na doença de Alzheimer - a p-tau217 - estavam fortemente associados a futuros défices cognitivos ligeiros e a demência entre mulheres idosas que eram cognitivamente saudáveis no início do estudo.
De acordo com as conclusões, as amostras de sangue recolhidas no início do estudo foram analisadas para medir a proteína p-tau217 e, ao longo dos anos de seguimento, os investigadores identificaram mulheres que desenvolveram problemas de memória ou de raciocínio, incluindo demência.
As que apresentavam níveis elevados de p-tau217 no sangue no início do estudo tiveram maior probabilidade de desenvolver demência mais tarde, um risco que era ainda maior nos casos em que o nível da proteína era também superior, concluíram os investigadores.

O estudo descobriu ainda que a p-tau217 era mais preditiva de demência entre as mulheres que foram randomizadas para terapia hormonal com estrogénio e progestina em comparação com as que tomaram um placebo.
“Os biomarcadores sanguíneos como a p-tau217 são especialmente promissores porque são muito menos invasivos e potencialmente mais acessíveis do que os exames de imagem cerebral ou os testes de líquido cefalorraquidiano”.
Para a também professora da Herbert Wertheim School of Public Health, isto é importante para acelerar a investigação sobre os fatores que afetam o risco de demência e para avaliar estratégias que possam reduzir este risco.
Atualmente, os biomarcadores sanguíneos não são recomendados para uso clínico em pessoas sem sintomas de comprometimento cognitivo e autores reconhecem que, por isso, são necessários estudos adicionais para determinar como o teste de p-tau217 pode ser utilizado na prática clínica de rotina.
“Em última análise, o objetivo não é apenas a previsão”, mas usar esse conhecimento para atrasar ou prevenir a demência por completo, sublinhou Aladdin Shadyab.
Ordem dos Médicos exige reversão de medida que limita atividade hospitalar
SAPO
A Ordem dos Médicos criticou na passada terça-feira a orientação da Direção Executiva do SNS para travar, em 2026, consultas e cirurgias hospitalares e limitar recursos, alertando para o impacto negativo nos doentes e exigindo a reversão da medida.
“Num SNS [Serviço Nacional de Saúde] já sob enorme pressão, esta opção não traduz qualquer ganho de eficiência: trata-se de um travão administrativo com impacto clínico negativo para os doentes”, alerta a Ordem dos Médicos (OM) em comunicado.
Com este alerta, a OM manifesta preocupação com “a orientação da Direção Executiva do SNS para travar, em 2026, o aumento de consultas e cirurgias nos hospitais e limitar o reforço de recursos humanos e financeiros necessários”.
“Congelar a atividade assistencial num sistema já pressionado não é uma reforma e sem melhoria da eficiência é um erro de gestão com consequências diretas na vida dos doentes”, avisa o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, citado no comunicado.

A OM destaca o impacto previsível desta medida, nomeadamente mais listas de espera, mais atrasos no diagnóstico e no tratamento e mais sofrimento para os doentes.
“A saúde não pode ser gerida contra os doentes”, afirma, exigindo a reversão desta orientação e “a adoção de medidas sérias de eficiência assentes em governação clínica, investimento adequado, valorização e captação dos médicos necessários, bem como na defesa do acesso atempado, da qualidade e da segurança dos cuidados”.
Para a Ordem dos Médicos, “decidir, sem base racional conhecida, travar a atividade assistencial por via de um estrangulamento financeiro é escolher o caminho mais perigoso e o mais errado”.
“Há espaço e necessidade para fazer melhor, para gerir melhor, não para tratar menos. É fundamental avaliar com rigor as consultas realizadas, os exames solicitados e os tratamentos instituídos, reforçando a qualidade e a fundamentação da decisão clínica”.
A Ordem dos Médicos já alertou que menos financiamento disponível, sem uma gestão mais eficiente, significará inevitavelmente menos cuidados, maiores listas de espera, mais consultas e cirurgias adiadas e mais doentes por tratar.
“Reformar o SNS exige organização, governação clínica e investimento inteligente. Não se reforma o sistema tratando mal e menos pessoas”, sublinha o bastonário dos médicos.

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