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Notícias da Saúde em Portugal 795
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Entidade Reguladora da Saúde com 91.553 reclamações em 2025
OBSERVADOR
Setor público foi responsável por 64,2% das reclamações, o privado por 34,6% e o social 1,2%. No público as queixas incidem mais sobre o acesso a cuidados, no privado é sobre o preço.
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) recebeu no ano passado 91.553 reclamações, na esmagadora maioria relacionadas com o setor público, mas também 22.234 elogios, segundo dados divulgados na passada sexta-feira, em vésperas do Dia Mundial do Consumidor.
O tema “Acesso a Cuidados de Saúde” é o mais frequente nas reclamações do setor público, enquanto as “Questões financeiras” são o mais comum no privado.
Das reclamações relativas ao setor público, destaca-se a “resposta em tempo útil” (39,1%), seguindo-se o “tempo de resposta garantido” (22,5%) e as “redes de referenciação” (12,9%).
Nas relativas ao privado, a maioria vai para a “faturação excessiva (27,8%), a “informação prévia sobre custos” (23,9%) e as “comparticipações” (17%).
No que respeita às cinco zonas do país, o maior número de reclamações no setor público é no Alentejo (88,1%), seguindo-se o Centro (77,3%), o Algarve (71,2%), o Norte (69,6%) e Lisboa e Vale do Tejo (57,3).
No privado, Lisboa aparece em destaque (42%), seguida do Algarve (28,6%), Norte (28,2%), Centro (21,5%) e Alentejo (7,5%).
As reclamações sobre o setor social são praticamente residuais, com exceção do Alentejo (4,4%) e Norte (2,2%).

Em vésperas do Dia Mundial do Consumidor, que se assinalou passado no domingo, a ERS afirmou que “reclamar é um direito de todos e contribui para a melhoria dos cuidados de saúde”.
Aquela entidade do Ministério da Saúde sublinha que as reclamações são importantes porque refletem a perspetiva dos utentes sobre os cuidados prestados, permitem à ERS ter uma visão do funcionamento global do sistema de saúde e atuar de forma preventiva, informada e eficaz e a identificação rápida de falhas na prestação de cuidados de saúde.
Promovem igualmente a transparência do sistema de saúde, incentivam melhorias nos cuidados prestados e são um meio de proteção dos direitos dos utentes.
Portugal lidera ranking europeu de infeções hospitalares com mais de 100 mortes mensais
SIC Notícias
Ir ao hospital devia ser encontrar o lugar mais seguro, mas é sempre um risco potencial. A pandemia silenciosa das infeções hospitalares foi o tema do “Essencial” na passada sexta-feira.
Portugal regista uma média de mais de uma centena de mortes por mês nas últimas décadas, devido a infeções hospitalares.
Estas infeções são um dos grandes desafios da saúde em todo o mundo e parte desse problema prende-se com o uso excessivo de antibióticos.
A automedicação e o consumo desnecessário destes medicamentos em doenças virais provocam uma maior resistência das bactérias e diminuem a capacidade de tratamento.
Nos hospitais, cada internamento torna-se uma espécie de roleta russa, que pode atingir qualquer doente, especialmente os mais vulneráveis.
O caso de Benedito Pacheco
Benedito Pacheco conta-nos como durante meses lutou pela vida, depois de ter tido contacto com uma bactéria durante um internamento hospitalar devido a um acidente.
Estava a trabalhar na parte elétrica de um reclamo luminoso, quando a escada rodou e caiu. Escapou do imprevisto apenas com um pé partido.
Foram os colegas que o levaram para o Hospital, na madrugada de uma sexta-feira.
Depois de ter passado o fim de semana à espera nas Urgências, chegou o dia da operação. Quando os resultados dos exames chegaram, a decisão de avançar para uma cirurgia teve de ser alterada.
“Não fui operado. Meteram-me, mandaram-me para ali, para um lado, e para o outro, e eu ali, pronto, não. Na cama, nunca me disseram nada. Mas não sou operado. Depois disso, não, não sou operado. Depois é que me disseram que eu não poderia ser operado. Porque apanhei uma bactéria”.
Sem ver grandes melhoras de dia para dia, diz que questionou os profissionais de saúde que o acompanhavam sobre o que lhe tinha acontecido.
A infeção obrigou-o a passar três meses no isolamento do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Portugal lidera ranking da UE de infeções hospitalares
O que aconteceu a Benedito, acontece a um em cada dez doentes internados. Portugal é o país da União Europeia com maior incidência estimada de infeções hospitalares.
Contactámos a Direção-Geral de Saúde e o Ministério da Saúde sobre o que está planeado para diminuir o número de infeções nos hospitais, mas não obtivemos esclarecimentos.
Doentes em macas nos corredores, equipas reduzidas e excesso de trabalho levam a que os procedimentos para evitar infeções deixem de ser prioritários.
As contas para diminuir custos não têm estado a ter em conta os custos maiores provocados pelas infeções hospitalares.
Quem é que está a ser responsabilizado por isso? Quem é que deve ser responsabilizado por isso?
São perguntas “Essenciais” para as quais estão a faltar respostas.
Ordem dos Médicos alerta para "exclusão administrativa" de utentes das listas de médicos de família
TVI Notícias
Novo despacho do Governo permite retirar utentes das listas de médicos de família caso não tenham contacto com o SNS "há mais de cinco anos". Responsável da ordem denuncia que esta opção ignora a possibilidade de os utentes serem saudáveis.
A Ordem dos Médicos (OM) alertou na passada sexta-feira para o “risco de exclusão administrativa” de utentes das listas de médico de família, na sequência de um novo despacho do Governo que considerou apresentar “lapsos processuais”.
“O despacho permite retirar utentes das listas de médicos de família caso não tenham contacto com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) há mais de cinco anos”.
Segundo a médica, esta opção ignora a possibilidade de os utentes serem saudáveis ou terem razões de natureza social que motivem a inexistência de registos administrativos no SNS, o que “pode não significar ausência efetiva de necessidades de saúde”.
“Um dado incompleto não é equivalente a uma pessoa sem necessidade de cuidados”, realçou Paula Broeiro, uma posição também manifestada pelo bastonário da OM, Carlos Cortes, para quem “não é solução excluir utentes do sistema”.
A ACSS referiu ainda que existem mais de 121 mil utentes sem contacto com o seu centro de saúde ou unidade de saúde familiar há mais de cinco anos, a grande maioria dos quais entre os 18 e os 64 anos.
Após a análise do despacho, o Colégio de Medicina Geral e Familiar alertou que foram identificados “lapsos processuais que podem comprometer direitos fundamentais”, incluindo o risco de exclusão administrativa de cidadãos com necessidades reais das listas de médicos de família.
O colégio da especialidade da OM salientou ser necessário uma clarificação do conceito de “contacto com o SNS”, alegando que fica por esclarecer se atos clínicos como a vacinação, a prescrição eletrónica ou quaisquer outros contactos clínicos podem são considerados, o que permite “abrir espaço a interpretações restritivas e injustas”.

“A relação médico-doente e a continuidade assistencial, pilares da Medicina, ficam ameaçadas por uma lógica administrativa. O combate à ineficiência administrativa não pode ser alcançado prejudicando a equidade e a inclusão”, realçou Carlos Cortes, para quem o problema “não se revolve administrativamente, mas sim criando as adequadas condições de atratividade do SNS que motivem a retenção e contratação de médicos de família”.
Num esclarecimento divulgado na passada quarta-feira, a ACSS defendeu que as novas regras que atualizam as listas dos cuidados primários pretendem garantir que os médicos de família “acompanham efetivamente quem necessita de cuidados regulares” e que não iriam levar à perda de acesso por parte dos utentes.
Segundo referiu, a inscrição para atribuição de médico de família passa também a exigir que, dentro da dimensão previamente contratualizada com as unidades, “haja disponibilidade de vagas de médicos de família na unidade local de saúde do utente”, que tem de estar inscrito no SNS com a tipologia de “registo atualizado”.
Os cidadãos podem atualizar ou completar os seus dados em qualquer unidade do SNS, adianotu a ACSS.
Testes a sangue menstrual revolucionam saúde feminina
JN
A pesquisa em torno do sangue menstrual pode acelerar a deteção precoce de doenças como endometriose, cancro do colo do útero, infertilidade sem causa aparente, HPV e até tuberculose genital. Uma janela que se abre para a saúde feminina em idade fértil, mas que ainda está longe de fazer parte do dia a dia.
Adeus agulhas e seringas, espéculos e escovinhas de raspagem do colo do útero. O uso do sangue menstrual para análises clínicas e deteção e identificação de doenças é raro, mas começa a suscitar interesse na medicina, podendo revolucionar a vida das mulheres. Uma nova "mina de ouro" nada invasiva e dolorosa para a saúde feminina em idade fértil que emerge, quando, desde há cerca de dois séculos, se usa o sangue venoso e as fezes como procedimento de diagnóstico e a urina, que já conta com registos desde há seis mil anos, vindos da Babilónia e da Suméria.
"Estudos recentes mostraram ser possível identificar doenças como a endometriose, cancro do colo do útero, infertilidade inexplicada e ainda infeções virais com o Human Papiloma Vírus, conhecido como HPV", confirma o ginecologista e obstetra Alcides Pereira. O especialista, refere que, no caso desta infeção, os "testes mostram uma sensibilidade muito elevada, com cerca de 97% a 100 % de concordância com as citologias tradicionais, conhecidas com teste de papanicolau".

No caso da endometriose, doença incapacitante cujo diagnóstico ainda hoje leva sete a dez anos a ser confirmado em Portugal, estas novas análises podem ser um acelerador. "Têm uma sensibilidade de 81%, e uma especificidade de 85%, mesmo para as fases mais precoces da doença", detalha. O médico do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, revela ainda vantagens no que diz respeito à deteção de alguns marcadores tumorais, com "boa correlação com as análises tradicionais por punções venosas".
Os benefícios podem ainda ser mais amplos. "Através de culturas, é possível identificar no sangue menstrual, doenças felizmente raras, como a tuberculose genital. E existem ainda estudos que mostram uma boa correlação com as análises tradicionais ao sangue, no doseamento de vitaminas e marcadores inflamatórios como a proteína c-reactiva".
Material único, disponível mensalmente em idade fértil, e que tem vindo a ser desperdiçado ao longo de décadas, mas que pode agora mudar de sentido. "Apesar de representar ainda uma área de investigação em desenvolvimento, para muitas doentes, estes métodos de análises, no sangue menstrual contido nos pensos ou copos vaginais, serão uma forma mais confortável do que as tradicionais punções venosas com agulhas", avisa o ginecologista.
Autotestes menstruais caseiros
A ciência não está apenas a avançar nos múltiplos diagnósticos extraíveis de amostras de sangue menstrual. Há também soluções, ainda em desenvolvimento, como "autotestes caseiros que usam o sangue menstrual seco nos pensos", revela o médico Alcides Pereira. Mecanismos discretos que já podem ajudar a detetar a chegada iminente da menopausa, mas também serem decisivos a identificar infeções ou variações hormonais.

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