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Estudo sobre as Unidades Locais de Saúde - 2025 | fevereiro 2026

ERS

Na sequência da reconfiguração organizacional do Serviço Nacional de Saúde (SNS), introduzida pelo Decreto-Lei n.º 102/2023, de 7 de novembro, que generalizou o modelo de integração entre cuidados de saúde primários e hospitalares, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) realizou um estudo com o objetivo de analisar o funcionamento das 39 Unidades Locais de Saúde (ULS) existentes em Portugal continental.

As análises realizadas abrangeram diferentes dimensões do desempenho das ULS, incluindo o acesso aos cuidados de saúde, os recursos disponíveis, a utilização de serviços, o cumprimento dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG), a eficiência produtiva, o desempenho económico-financeiro e a perspetivas de utentes e prestadores.

Os resultados evidenciaram heterogeneidade entre ULS na oferta de cuidados, na distribuição de recursos humanos e na capacidade instalada.

Em 2025, as ULS integravam 1.615 unidades de cuidados de saúde primários e 93 unidades hospitalares, contando com mais de 7 mil médicos e 6 mil enfermeiros nos cuidados primários e cerca de 23 mil médicos e 38 mil enfermeiros no setor hospitalar.

A análise do acesso identificou assimetrias territoriais associadas a diferenças nos níveis de necessidade em saúde e na disponibilidade de profissionais. No que respeita os cuidados saúde primários, destaca-se a existência de ULS localizadas no interior do país com níveis elevados de necessidade, afetando mais de 30% da população, combinados com rácios relativamente baixos de médicos (inferiores a 0,57 médicos por mil habitantes). Nos cuidados hospitalares, apenas uma pequena fração da população (1,3%) residia em concelhos com nível elevado de acesso potencial, persistindo territórios com níveis de acesso mais reduzidos.

No que respeita aos TMRG, as ULS registaram níveis de incumprimento que oscilaram entre 1,7% e 42,5%, no caso das cirurgias programadas e entre 18,3% e 70,5% nas primeiras consultas hospitalares.

No plano económico-financeiro, verificaram-se diferenças no prazo médio de pagamento a fornecedores, indicador que permaneceu acima do referencial legal em 34 unidades.

A análise da eficiência produtiva indicou níveis globalmente elevados de eficiência técnica, embora se tenham identificado situações de ineficiência de escala em 15 ULS.

A análise das reclamações dos utentes sugeriu estabilidade nos principais constrangimentos reportados, enquanto as respostas aos questionários dirigidos às ULS apontaram para ganhos na coordenação entre níveis de cuidados, coexistindo com desafios na articulação com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, na gestão de recursos humanos e nos modelos de financiamento.

Em síntese, a generalização do modelo ULS constituiu uma mudança estrutural na organização do SNS, coexistindo com diferenças territoriais no acesso, na disponibilidade de recursos e no desempenho das unidades. Os resultados permitiram identificar áreas prioritárias de acompanhamento, nomeadamente a equidade no acesso, o cumprimento dos TMRG, a eficiência na utilização de recursos e a consolidação da integração de cuidados.

Suspensão da comercialização das luvas de exame do fabricante Piranha Global, Lda.

INFARMED I.P.

Foi notificada ao INFARMED, I.P. a disponibilização no mercado nacional dos dispositivos médicos luvas de exame da marca Piranha, sem que, no entanto, houvesse evidência de cumprimento dos requisitos legais aplicáveis a nível europeu estabelecidos pelo Regulamento (UE) 2017/745 (RDM).

A rotulagem destes produtos identifica o operador económico Piranha Global, Lda. como fabricante, no entanto, após avaliação do processo, conclui-se que a empresa Piranha Global, Lda. não configura o fabricante legal destes produtos, atuando apenas como distribuidor.

Assim, por razões de precaução e zelo, o INFARMED, I.P. ordenou a suspensão da comercialização de todas as referências dos dispositivos médicos em apreço.

Qualquer questão sobre o assunto pode ser dirigida à Direção de Produtos de Saúde do INFARMED, I.P. através dos contactos: tel.: +351 21 798 72 35; e-mail [email protected].

Estudo financiado pela UE deteta em auscultadores substâncias químicas que perturbam o sistema hormonal

CNN

Estudo foi realizado pelo projeto ToxFree LIFE for All, que recebeu uma subvenção de cerca de dois milhões de euros da União Europeia. As empresas visadas pelo estudo questionam a metodologia usada

Um estudo que analisou 81 tipos diferentes de auscultadores concluiu que todos continham pelo menos vestígios de substâncias prejudiciais à saúde - como bisfenóis, ftalatos e retardadores de chama, que são químicos que perturbam o sistema endócrino. Estas substâncias estão associadas a problemas de saúde reprodutiva, problemas neurocomportamentais e outros riscos para a saúde.

“Acreditamos sinceramente que uma abordagem sistémica para proibir e eliminar gradualmente os produtos químicos mais nocivos - que têm efeitos que se estendem por várias gerações - é o caminho a seguir”.

Defende Karolína Brabcová - Coautora do relatório

Para conduzir o estudo, o site The Verge explica que os investigadores desmontaram os auscultadores e recolheram 180 amostras de plásticos rígidos e flexíveis dos produtos - usados por adultos, jovens e crianças. As amostras foram enviadas para um laboratório para que fossem analisadas e se detetasse a presença ou não destas substâncias químicas que perturbam o sistema hormonal.

O estudo classificou cada auscultador em três pontuações, referentes às partes que entram em contacto com a pele, partes que não ficam em contacto e uma avaliação global. Para cada categoria, os auscultadores foram classificados como verde para “risco mais baixo”, amarelo para “em conformidade com a legislação, mas excedendo limites voluntários mais rigorosos” ou vermelho para “elevado risco”.

A autora do estudo assegura que objetivo não era classificar os fones de ouvido nem dissuadir os consumidores de comprar certos produtos mencionados. Brabcová afirma que os produtos químicos foram encontrados em baixos níveis nas amostras e "não há perigo iminente no uso desses [fones de ouvido] e, novamente, essas concentrações são mínimas".

Os responsáveis pelo estudo dizem que o objetivo era e sempre foi chamar a atenção para as diversas maneiras como os consumidores são expostos a esses produtos químicos no dia a dia e para o risco cumulativo que isso acarreta: “Mesmo num produto pequeno como fones de ouvido, existe um coquetel de substâncias químicas às quais as pessoas podem ser expostas e, agora, multipliquem isso por 100 porque usamos centenas de produtos por dia”.

Como superar o medo do dentista: estratégias que realmente ajudam

Notícias Saúde

Acomodar-se numa cadeira reclinável e confortável e fechar os olhos pode ser tentador, exceto talvez se este cenário se passar no consultório do dentista. De acordo com um relatório recente do Journal of the American Dental Association, é grande a percentagem de pessoas com medo das consultas com estes profissionais de saúde. A boa notícia é que os dentistas estão bem preparados para acalmar os nervos, além de cuidar dos sorrisos.

“O medo é real. A boca é uma parte muito vulnerável e sensível do nosso corpo, e as pessoas têm medo da possibilidade de sentir dor”, afirma Christina Pastan, professora assistente clínica do Departamento de Endodontia da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Tufts, nos EUA. Juntamente com Edward Lahey, chefe do Departamento de Cirurgia Maxilo-Facial, explicam como tornar as visitas ao dentista menos assustadoras.

Partilhe os seus medos com o seu dentista

Um bom profissional reconhecerá a sua ansiedade e explicará cada passo do procedimento, juntamente com as opções de controlo da dor. “A sensibilidade é fundamental para construir confiança”, afirma Pastan. Ser sincero sobre o seu medo não magoará ninguém.

Anote as suas preocupações com antecedência

Se estiver ansioso(a) no dia da consulta, anote as suas preocupações, experiências dentárias anteriores e dúvidas sobre medicamentos quando estiver mais tranquilo(a). “Os doentes por vezes não dão o melhor quando estão muito ansiosos”, diz Lahey. “Quando os doentes chegam com níveis elevados de ansiedade, quase sempre mencionam alguma má experiência que tiveram com um profissional de saúde no passado. Enquanto profissional, é útil saber isso logo à partida.”

Partilhe o seu histórico médico completo

O seu dentista precisa de conhecer todas as suas condições de saúde e medicamentos, especialmente se houver anestesia envolvida, para evitar interações medicamentosas.

Feche os olhos, se isso ajudar

“Quando estiver a fazer um procedimento no pé ou no braço, pode virar a cabeça para o lado”, diz Lahey. Fechar os olhos pode reduzir o stress visual durante injeções, como bloqueios nervosos.

Pratique a respiração pelo nariz

Os equipamentos dentários podem dificultar a respiração pela boca, levando ao pânico. Pastan incentiva os pacientes a praticarem a respiração nasal lenta com antecedência. Expirar pelo dobro do tempo da inspiração ativa o sistema nervoso parassimpático, acalmando o batimento cardíaco e aprofundando a respiração.

Nunca é tarde para fazer perguntas

Por vezes, os pacientes sentem-se presos a uma decisão assim que a consulta começa, como se estivessem a entrar numa montanha-russa. Lahey observa que expressar preocupações, mesmo que seja no último minuto, pode evitar que a ansiedade aumente. Pode ainda discutir o controlo da dor ou diferentes abordagens em tempo real.

Pergunte sobre o controlo da dor

Para determinados procedimentos, muitos pacientes necessitam de ibuprofeno quando a anestesia passa. Pergunte quais os medicamentos seguros e quanto tempo costuma durar o desconforto. Saber o que esperar reduz o medo.

“Como profissionais de saúde, estamos aqui para melhorar as coisas. Ninguém quer causar dor”, explica Lahey.

Devem ser feitos ajustes para atender às suas necessidades. Se o seu dentista não reconhecer a sua ansiedade, não há problema em mudar de profissional. “Não se sinta como a vítima na cadeira… O paciente é a parte mais importante da interação”, diz Pastan.

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