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Alerta: Burlões utilizam identidade oficial do Ministério da Saúde para cobrar dívidas falsas via SMS

DN

Esquema de "spoofing" permite que mensagens fraudulentas apareçam no mesmo histórico de comunicações legítimas do SNS, enganando até os utentes mais atentos.

Está a circular uma nova vaga de tentativas de burla através de mensagens escritas (SMS) que visam os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Ao contrário de esquemas mais óbvios, esta fraude utiliza uma técnica avançada conhecida como ID Spoofing, que permite aos atacantes "mascarar" o seu número de origem com o nome oficial de entidades públicas, como o "MIN.SAUDE" ou o "SNS 24".

O perigo reside na apresentação visual: a mensagem fraudulenta surge no telemóvel da vítima inserida na mesma "thread" ou linha de conversação onde estão guardadas comunicações verídicas, como códigos de receitas sem papel ou avisos de consultas. Esta proximidade com conteúdos legítimos confere uma falsa sensação de segurança que leva os cidadãos a baixar a guarda.

As mensagens fraudulentas seguem um padrão rígido: alegam um valor em incumprimento (frequentemente 46,70 euros -- como no exemplo reproduzido nesta página -- ou montantes semelhantes), estabelecem um prazo curto para pagamento (normalmente 5 dias) e fornecem dados de pagamento por Multibanco, utilizando quase sempre a entidade 21800.

As autoridades de cibersegurança e o Ministério da Saúde reiteram que o SNS nunca solicita pagamentos de dívidas ou taxas moderadoras através de SMS com referências bancárias.

Caso receba uma destas comunicações, a recomendação é clara: não efetuar qualquer pagamento, não clicar em links e eliminar a mensagem. Em caso de dúvida sobre dívidas reais, os utentes devem consultar a App SNS 24 ou contactar diretamente a sua unidade de saúde.

Tratamento de canal reduz o risco de doenças cardíacas e diabetes

O JornalDentistry

Um tratamento de canal bem-sucedido pode reduzir a inflamação associada a doenças cardíacas e melhorar os níveis de açúcar no sangue e de colesterol.

Numa pesquisa inédita, um estudo clínico do King's College London acompanhou as alterações na composição sanguínea após o tratamento de canal para uma infeção dentária comum (periodontite apical). A infeção pode levar à entrada de bactérias na corrente sanguínea e aumentar a inflamação, associada a riscos para a saúde cardíaca e à redução da capacidade de controlar os níveis de açúcar no sangue.

Apesar da ligação entre a infeção e impactos mais amplos na saúde, a associação entre o tratamento de canal bem-sucedido e os benefícios para a saúde cardíaca e metabólica não tinha sido investigada até então.

A equipa descobriu que o sucesso do tratamento de canal estava associado a:

  • Melhoria do metabolismo da glicose: Os níveis de açúcar no sangue diminuíram significativamente ao longo de dois anos após o tratamento, um fator chave na prevenção da diabetes.

  • Melhores perfis lipídicos: Melhorias a curto prazo nos níveis de colesterol e ácidos gordos no sangue, que estão intimamente ligados à saúde do coração.

  • Redução da inflamação: Os marcadores-chave da inflamação, frequentemente associados ao risco cardiovascular e a outras doenças crónicas, diminuíram ao longo do tempo.

  • Bactérias orais ligadas a efeitos em todo o organismo: As bactérias provenientes de dentes infetados têm sido associadas a alterações no metabolismo geral do organismo.

O estudo acompanhou a saúde de 65 pacientes do Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust durante dois anos após o tratamento de canal. Os cientistas analisaram moléculas no sangue dos pacientes para revelar como o corpo processa o açúcar, a gordura, outras substâncias-chave e como responde a doenças e tratamentos. Utilizaram uma técnica conhecida como espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN), utilizada para analisar proteínas no organismo.

As conclusões sugerem que a monitorização de marcadores metabólicos no sangue, como a glicose, os triglicéridos (gorduras) e a proteína triptofano, pode ajudar a avaliar a recuperação e o risco após o tratamento dentário.

“Os nossos resultados mostram que o tratamento de canal não só melhora a saúde oral, como também pode ajudar a reduzir o risco de doenças graves como a diabetes e as doenças cardíacas. É um lembrete importante de que a saúde oral está profundamente ligada à saúde em geral”.

A Dra. Sadia Niazi - Autora principal e professora sénior de Endodontia no King’s College London

“As infeções dos canais radiculares de longa duração podem permitir que as bactérias entrem na corrente sanguínea, desencadeando inflamação e aumentando os níveis de glicose e gordura no sangue, elevando o risco de problemas de saúde graves como doenças cardíacas e diabetes. É fundamental que os profissionais de medicina dentária reconheçam o impacto mais amplo destas infeções dos canais radiculares e defendam o diagnóstico e o tratamento precoces.

“Também precisamos de avançar para cuidados integrados, em que os médicos dentistas e os médicos de clínica geral trabalhem em conjunto para monitorizar os riscos através destes marcadores sanguíneos e proteger a saúde em geral. É tempo de ir além do dente e adotar uma abordagem verdadeiramente holística aos cuidados dentários.”

Embora seja necessária mais investigação para confirmar estes efeitos em populações maiores, o estudo abre novas e entusiasmantes portas para a compreensão de como os cuidados orais podem contribuir para a saúde e o bem-estar geral. O estudo foi publicado no Journal of Translational Medicine e financiado pela Faculdade de Cirurgia Dentária do Royal College of Surgeons (RCS) de Inglaterra.

Mais de 30% dos utentes operados fora de tempo em várias regiões do país - regulador

S+

Um estudo da Entidade Reguladora da Saúde que analisou o funcionamento das Unidades Locais de Saúde (ULS) mostra que em várias regiões do país mais de 30% dos utentes são operados para além do tempo recomendado.

Segundo o documento divulgado na passada terça-feira, que analisou o funcionamento das 39 ULS, na sequência da reconfiguração do modelo de organização do Serviço Nacional de Saúde, houve alguns avanços no cumprimento dos tempos de reposta, mas persistem “situações de incumprimento relevantes”.

A ERS diz igualmente que os tempos de espera para consultas e cirurgias programadas, bem como a percentagem de utentes com espera superior ao Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG), continuam a ser “um indicador crítico da equidade de acesso”.

Nas cirurgias programadas, por exemplo, a ERS refere que a percentagem de doentes com espera superior ao TMRG variou entre os 2% (ULS do Litoral Alentejano, Baixo Mondego, Póvoa de Varzim/Vila do Conde ou Castelo Branco) e valores superiores a 30%, como nas ULS de Almada-Seixal (42,5%), Barcelos/Esposende (36,1%), Alentejo Central (33,2%) ou Arrábida (31,7%).

Contudo, refere o regulador, há ULS com rácios de profissionais acima da média de Portugal continental (Coimbra, Trás-os-Montes e Alto Douro ou Santo António) que apresentam, ainda assim, valores elevados de consultas fora do TMRG, o que significa que a disponibilidade de recursos humanos, por si só, não configura uma garantia de acesso em tempo útil.

A ERS conclui que os tempos de espera para consulta e cirurgia não se explicam apenas pela dotação de recursos ou pela proximidade geográfica aos hospitais e às unidades de cuidados primários, insistindo que os dados sugerem uma combinação de determinantes que é preciso ter em conta.

A ERS refere ainda que a consolidação do modelo ULS exige que a integração de cuidados seja acompanhada de uma “gestão ativa dos tempos de resposta”, de uma melhor articulação entre níveis de cuidados e de mecanismos internos de monitorização que possam identificar e responder a situações de risco no acesso.

Criada Via Rápida de Insuficiência Cardíaca inédita para uma intervenção mais precoce

JustNews

O projeto de criação da Via Rápida de Insuficiência Cardíaca foi desenhado e apresentado à Direção Clínica do Hospital da Luz Lisboa (HLL ) pela equipa coordenada por Cândida Fonseca, que assegura a prestação de cuidados aos doentes com IC naquela instituição.

Tendo como palco o Atendimento Urgente de Adultos (AUA), coordenado por Sofia Corredoura, o propósito é claro: aplicar um protocolo na triagem que permita identificar o mais precocemente possível e de forma correta quem recorra àquele Serviço por uma suspeita de IC descompensada.

O objetivo é combater as sucessivas idas à Urgência e a mortalidade intra-hospitalar que caracterizam estes doentes. O internista Pedro Moraes Sarmento, coordenador adjunto do Hospital de Dia do HLL, explica como funciona esta Via Rápida.

"Não dispúnhamos, até ao momento, de qualquer instrumento do género"

Pedro Moraes Sarmento - Coordenador adjunto do Hospital de Dia do HLL

A Via Rápida de IC foi apresentada aos profissionais do Hospital da Luz Lisboa na sessão clínica realizada em dezembro e recebeu uma boa aceitação. “Apenas duas semanas depois, já tinham sido registadas perto de 40 ativações”, informa o internista Pedro Moraes Sarmento, coordenador adjunto do Hospital de Dia do HLL

Com 53 anos e particularmente dedicado à IC ao longo da sua carreira, revela que foi o seu especial interesse por esta síndrome que o levou a optar pela especialidade de Medicina Interna. Não admira, pois, que uma das suas principais preocupações seja o facto de a IC, “apesar de todo o progresso terapêutico observado na última década, continuar a apresentar uma mortalidade intra-hospitalar muito elevada, perto dos 12,5%”. Sendo que, paralelamente, se assiste a uma redução progressiva da mesma no caso do enfarte agudo do miocárdio (atualmente nos 8%) e do AVC (cerca de 10%), fruto da criação de vias verdes para abordagem destas doenças.

A necessidade de confirmar ou despistar a suspeita de uma IC descompensada

Pedro Moraes Sarmento sublinha que a IC é a primeira causa médica de internamento hospitalar após os 65 anos e que apresenta, como já se referiu atrás, uma mortalidade intra-hospitalar superior à do EAM e do AVC, “patologias que são prioritárias em termos de política de saúde”. E frisa: “Penso que está na altura de colocarmos a IC nesse mesmo patamar de gravidade e de relembrar que a mortalidade anual ronda os 20%, aproximando-se dos 50% aos 5 anos, e que o reinternamento é de 30% aos 30 dias.”

Projeto inclui uma ferramenta de assistência à decisão clínica

Mas o projeto de otimização da abordagem do doente com IC na Urgência não se esgota com a Via Rápida. Com efeito, adicionalmente, foi criada “uma ferramenta digital de assistência à decisão clínica”.

Trata-se de uma aplicação informática que permite ao médico ter uma orientação relativamente aos exames a pedir, à terapêutica a iniciar ainda durante o período de permanência do doente na Urgência e ao seu posterior encaminhamento. Ou seja, com indicação para ser internado ou então referenciado para o Hospital de Dia de IC, permitindo, neste caso, a sua reavaliação no espaço de 48 horas, 7 dias ou 14 dias, consoante a gravidade do caso.

“Uma das grandes mais-valias que esperamos que a implementação desta ferramenta nos traga é garantir que o doente não é enviado para casa quando deve ficar internado. Não tem sido raro observarmos no nosso Hospital de Dia de IC alguém que já veio anteriormente duas ou três vezes à Urgência e concluirmos que, efetivamente, deveria ter sido internado”, diz Pedro Moraes Sarmento, prosseguindo:

“Esta aplicação informática dá aos nossos colegas da Urgência não só a capacidade para identificar um caso suspeito de IC como também lhes permite, de uma forma estruturada, seguir um fluxograma que os ajuda a tomar a decisão mais adequada para a orientação diagnóstica e terapêutica do doente. No fundo, estamos desta forma a promover uma autonomização de quem está no balcão da Urgência para tomar, de forma mais célere, a decisão que a situação exige, de acordo com as recomendações e consensos internacionais de diagnóstico e tratamento da IC.”

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