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Notícias da Saúde em Portugal 805
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Ordem dos Médicos e gestores hospitalares alarmados: listas de espera estão a aumentar por falta de orçamento
CNN
Corte de 887 milhões impede hospitais de enfrentar crise de preços
Os hospitais terão de reduzir cirurgias, consultas, exames e demais atos médicos se o Orçamento de Estado (OE) não for corrigido. “O orçamento já era curto. Agora, num contexto de inflação e aumento dos custos, é inevitável que seja reforçado”, apela o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Xavier Barreto.
O problema agravou-se com a guerra no Irão, mas começou no Conselho de Ministros. O OE para 2026 consagrou um corte de 887 milhões de euros (10%) na rubrica de aquisições de bens e serviços. “Temos um aumento das necessidades e, ao mesmo tempo, um travão orçamental”, lamenta o bastonário da Ordem dos Médicos. “Se há desperdício, vamos identificá-lo e cortar nesse desperdício. Não podemos é, com um corte cego, atirar mais doentes para uma lista de espera de mais de um milhão de pessoas para uma consulta e 300 mil para cirurgia, isso é totalmente inaceitável”, protesta Carlos Cortes.
Estado investe menos do que os outros países
De acordo com o último relatório de indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), publicado no ano passado, o Estado português investe menos 30% em saúde do que a média dos 38 países desenvolvidos analisados. A despesa pública por cidadão é de 2.900€ por ano em Portugal, contra uma média de 4.140€ nos 38 países da OCDE.

“É muito importante desmistificar a ideia de que temos pouco retorno para aquilo que gastamos. É uma ideia falsa, que infelizmente tem sido promovida por muitas pessoas em Portugal. O nosso Serviço Nacional de saúde, quando o comparamos com outros serviços nacionais de saúde de toda a OCDE, tem excelentes resultados para aquilo que gasta”.
Já a despesa privada em saúde é maior em Portugal. Cada português paga do próprio bolso, em média, 1.840€ por ano em saúde, contra a média de 1.380€ dos cidadãos dos 38 países da OCDE.
O relatório “Health at a Glance 2025”, alerta os governos para a pressão que o envelhecimento e as doenças crónicas farão sobre os sistemas de saúde. A OCDE estima que o peso da despesa pública em saúde no produto interno bruto (PIB) deverá aumentar cerca de 1,5 pontos percentuais até 2045. Os Estados deveriam apostar mais na prevenção, até porque “mais despesa não garante melhores resultados”.
Suspensão imediata da comercialização e retirada do mercado do produto "DIVES MED / Glow X9 Biorevitalization Peel 4ml"
INFARMED I.P.
Na sequência de uma denúncia, e no âmbito das suas competências de monitorização e fiscalização do mercado de produtos de saúde, o INFARMED, I.P. verificou que o produto DIVES MED / Glow X9 Biorevitalization Peel 4ml, classificado como produto cosmético, possui na sua composição o ingrediente “fenol” cuja utilização se encontra proibida em produtos cosméticos (conforme entrada n.º 1175 do Anexo II do Regulamento (CE) n.º 1223/2009, de 30 de novembro).
Por outro lado, as alegações associadas a este produto não cumprem com o previsto no Regulamento (UE) n.º 655/2013 de 10 de julho aplicável aos produtos cosméticos.
Neste sentido, o INFARMED, I.P. determina que:
As entidades que eventualmente disponham deste produto não o devem disponibilizar ou utilizar. Para obter informações adicionais, devem contactar as empresas Asas Arrojadas Unip. Lda. ou DivesMed Portugal;

Os consumidores que tenham o referido produto na sua posse devem abster-se de o utilizar.
Portugueses desenvolvem método para identificar risco de défice cognitivo após AVC
Público
Objetivo é o de que os sobreviventes beneficiem de tratamentos mais protetores para reduzir risco de sofrerem mais sequelas cerebrais no futuro, explicam investigadores.
Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) está a desenvolver um método não invasivo para identificar doentes em maior risco de défice cognitivo após Acidente Vascular Cerebral (AVC), foi divulgado este domingo.
Através de um estudo que envolveu mais de 300 sobreviventes de AVC admitidos no Hospital de São João, no Porto, o grupo de investigadores concluiu que os doentes nos quais se detecta a passagem de micro-êmbolos (partículas que podem bloquear pequenos vasos sanguíneos) para o cérebro têm um risco duas vezes maior de sofrer défices cognitivos a longo prazo.
Para chegar a estas conclusões foram analisados 316 doentes com AVC com idade média de 67 anos, dos quais 68% eram do sexo masculino.
Os doentes foram submetidos a um exame específico de monitorização com doppler transcraniano para pesquisa de sinais microembólicos cerebrais durante as primeiras 72 horas após o evento.
"Além de apontar um mecanismo fisiopatológico de declínio cognitivo em sobreviventes de AVC, esta investigação demonstra o enorme potencial de ferramentas simples com base em ultra-sons no auxílio da actividade clínica", lê-se nas conclusões.
A monitorização com o doppler transcraniano permite detectar micro-êmbolos em circulação em tempo real, funcionando como "o radar de um submarino", e o "médico neurossonologista torna-se um detective de ouvido apurado para detecção dos sons característicos destas partículas circulantes sobre o normal barulho do fluxo sanguíneo".

Destacando que esta foi a primeira vez que a neurossonologia foi utilizada para identificar estes sinais com o objetivo de prever défices cognitivos em doentes internados na fase aguda do AVC, a equipa de investigadores realçou que em causa está um exame não invasivo, fácil, portátil, porque pode ser feito à cabeceira do doente, pouco dispendioso e considerado seguro (sem radiação).
A equipa de investigação defendeu, assim, que "esta técnica pode ser realizada, no futuro, de forma mais generalizada, para rastreio e identificação dos doentes de alto risco e com pior prognóstico, que possam beneficiar de intervenções terapêuticas mais assertivas".
À Lusa, a FMUP apontou que o próximo passo será desenhar um novo ensaio clínico com o objetivo de comprovar que tratar mais agressivamente os doentes com AVC e sinais microembólicos reduz, de facto, o declínio cognitivo a longo prazo.
Este estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
A linha de investigação cerebrovascular, com recurso a ultrassonografia, foi criada por Elsa Azevedo, professora da FMUP, neurologista e líder de investigação na área das Neurociências do RISE-Health.
SPMS afirma papel de Portugal na construção da resposta europeia a emergências de saúde pública
SNS
A SPMS tem liderado o consórcio nacional da ação europeia EU-HIP (EU Interoperability with HERA’s IT Platform), enquanto autoridade nacional competente. Na reunião de encerramento deste consórcio, apresentou os resultados do trabalho conjunto de mais de três anos.
Entre os dias 24 e 26 de março, decorreu a reunião final do Consórcio do EU-HIP, em Copenhaga, na Dinamarca. O consórcio trabalhou em estreita colaboração com entidades europeias e nacionais, de modo a construir respostas eficazes e coordenadas a emergências de saúde pública.
A reunião representou o momento de encerramento de mais de três anos de trabalho conjunto entre quinze Estados-Membros e contou com a participação ativa da SPMS, marcada por apresentações que evidenciam a centralidade do papel de Portugal neste projeto.
Foi apresentado o trabalho desenvolvido sobre a relação entre a plataforma europeia para preparação e resposta a emergências de saúde pública, ATHINA, atualmente em desenvolvimento pela Autoridade Europeia de Preparação e Resposta a Emergências Sanitárias (DG HERA), e o Espaço Europeu de Dados de Saúde (EEDS).
Esta contribuição integra o trabalho realizado no âmbito da definição de recomendações para a sustentabilidade do ecossistema da DG HERA e demonstra de que forma o EEDS pode constituir o enquadramento estratégico para a sustentabilidade da ATHINA. A análise realizada mapeia as necessidades técnicas identificadas pelos Estados-Membros em quatro dimensões do regulamento europeu:
Disponibilidade e harmonização de dados;
Interoperabilidade e automação;
Preparação e vigilância em saúde pública;
Acesso transfronteiriço, propondo recomendações concretas, tanto a nível técnico como de governação.

No âmbito dos desenvolvimentos nacionais, a SPMS apresentou também os avanços no projeto HealthData@PT, fundamentais para o fortalecimento da vigilância epidemiológica em Portugal e para o alinhamento com os requisitos do EEDS.
O trabalho publicado na revista “Frontiers in Public Health“ Harnessing Artificial Intelligence for Enhanced Public Health Surveillance: A Narrative Review” foi igualmente destacado durante a intervenção da SPMS. Constitui uma análise ao potencial da inteligência artificial na vigilância epidemiológica e os princípios que devem orientar a sua implementação responsável,
A participação da SPMS no EU-HIP reforça o compromisso de Portugal na construção de uma infraestrutura digital de saúde pública robusta, interoperável e preparada para responder a futuros desafios sanitários, em estreita articulação com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Administração Central do Sistema de Saúde, I.P. (ACSS).

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