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Ministra da Saúde admite revisões à legislação e novas portarias para acelerar cirurgias

OBSERVADOR

Ana Paula Martins admite que tempos de espera em várias especialidades "vão além do recomendado" e promete portarias e revisão dos centros de referência.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu na passada segunda-feira que está a preparar revisões na legislação e a criação de portarias especiais para acelerar os tempos de espera nas cirurgias, nomeadamente na cardíaca.

Na Maia, no distrito do Porto, onde visitou obras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Ana Paula Martins assumiu que “há áreas de especialidade em que os tempos vão para além daquilo que é o recomendado”, algo que, prometeu: “Tem que ser resolvido”.

“A parte que cabe ao Governo tem sobretudo que ver com o garantir de condições em termos de incentivos para que haja uma portaria no sentido de facilitar a resposta a estes doentes, pelo menos durante um determinado período de tempo, até conseguirmos atingir os tempos máximos de resposta garantido”.

Ana Paula Martins - A Ministra da Saúde.

Sublinhando que “nunca pode estar em causa a segurança dos doentes”, a ministra da Saúde acrescentou que “também nunca pode estar em causa as equipas que são necessárias para as cirurgias”.

“E aquilo que vamos fazer é trabalhar mais em rede”, disse aos jornalistas após ter admitido a revisão da legislação e a criação de portarias específicas.

“Temos portarias a sair, onde foram feitas revisões de várias dimensões para melhorar o acesso que efetivamente nos preocupa (…). Não há nenhuma dúvida sobre isso. Não vamos conseguir resolver tudo rapidamente até porque estas especialidades são especialidades altamente carenciadas. Mas temos de conseguir fazer mais e ter uma taxa de ocupação dos nossos blocos, assim que tínhamos anestesistas, para conseguir fazer mais cirurgias dentro do tempo máximo de resposta garantida”, referiu.

Questionada especificamente sobre a cirurgia cardíaca, área sobre a qual em fevereiro muito se falou devido a queixas e alertas de hospitais do Norte que não são centro de referência sobre tempos de espera e dificuldades de acesso, Ana Paula Martins garantiu que o Governo está a trabalhar num plano de incentivos.

“Vou-lhe chamar modelo de incentivo para conseguirmos recuperar tempos. Como tivemos, por exemplo para o OncoStop [cirurgia oncológica]. Podermos recuperar tempos em adicional, aquilo que chamamos em cirurgia adicional”, afirmou.

Ana Paula Martins contou, ainda, que a Direção Executiva do SNS “está a olhar para as condições dos centros que temos”.

“Nós também contamos muito rapidamente ter uma revisão da legislação sobre centros de referência”, disse referindo-se à comissão que é dirigida pelo professor Eduardo Barroso.

“Temos que olhar como um todo para os centros de referência e também para os centros de referência na área da cirurgia cardíaca”, concluiu.

Oeiras. Detetada bactéria legionella numa das torres do datacenter do TagusPark

OBSERVADOR

Bactéria foi encontrada numa torre de refrigeração. Sem evacuação, o edifício alberga a AIMA, a ANSR e o datacenter da RNSI.

A bactéria ‘legionella’ foi detetada na passada segunda-feira numa das torres do datacenter do Taguspark, em Oeiras, durante análises de controlo, estando a decorrer uma inspeção ao local, disse à Lusa fonte do Ministério da Administração Interna (MAI).

De acordo com a mesma fonte, depois do resultado positivo para ‘legionella’ na torre de refrigeração n.º 4 do datacenter do TagusPark, “foram, de imediato, desencadeados procedimentos de avaliação técnica, encontrando-se em curso a análise da distribuição da infraestrutura de refrigeração, para se identificar os locais potencialmente afetados”.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) foi alertada e, segundo fonte do MAI, “neste momento, está a decorrer uma inspeção ao local, por parte de uma equipa de peritos”, sendo posteriormente feito um relatório para determinar quais as medidas que deverão ser adotadas.

Para já, não foi necessária a evacuação do edifício ou a obrigatoriedade de uso de equipamentos de proteção individual, tendo sido “implementadas medidas corretivas, entre elas o reforço do tratamento com agentes químicos específicos anti-legionella”, acrescentou a mesma fonte.

No local onde foi detetada a presença da bactéria ‘legionella’ funcionam a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e o datacenter da Rede Nacional de Segurança Interna (RNSS).

Cigarros eletrónicos ajudam mais a deixar de fumar mas não são isentos de riscos

EURONEWS

Os cigarros eletrónicos são mais eficazes do que métodos tradicionais, como adesivos e pastilhas de nicotina, para deixar de fumar, indica um novo estudo.

Cigarros eletrónicos com nicotina podem ser mais eficazes para deixar de fumar do que os métodos tradicionais, conclui um novo estudo. Mas o crescente escrutínio sobre estes produtos também chama a atenção para outros riscos para a saúde.

O estudo, liderado por investigadores da Universidade de Oxford e publicado na revista Addiction (fonte em inglês), concluiu que os cigarros eletrónicos com nicotina eram mais eficazes para a cessação tabágica do que outras intervenções, como pastilhas e adesivos de nicotina.

Os investigadores elaboraram ainda um «Mapa de evidências e lacunas» para identificar as áreas onde é necessária mais investigação.

«Esperamos que esta síntese e o respetivo Mapa de evidências e lacunas ajudem a pôr fim a algumas afirmações de que as provas são “mistas” quanto aos impactos dos cigarros eletrónicos com nicotina na abstinência tabágica».

Angela Difeng Wu - Investigadora Sénior e docente no Nuffield Department of Primary Care Health Sciences, em Oxford.

«Na realidade, as evidências são claras e consistentes em todas as meta-análises que consultámos: os cigarros eletrónicos são eficazes a ajudar as pessoas a deixar de fumar.»

A revisão concluiu também que as provas sobre eventos adversos graves continuam inconclusivas. Para a maioria dos outros eventos adversos, a evidência apontou para poucas ou nenhumas diferenças entre os cigarros eletrónicos com nicotina e outros tratamentos.

Os cigarros eletrónicos são há muito escrutinados como alternativa ao consumo de tabaco e, embora os especialistas concordem que não fumar é sempre a opção mais saudável, há cada vez mais indícios de que podem ser uma ajuda para deixar o tabaco.

Os investigadores analisaram 14 revisões sistemáticas realizadas entre 2014 e 2023.

Entre elas estava uma revisão Cochrane de 2024 que concluiu que, por cada 100 utilizadores, mais duas a cinco pessoas deixariam de fumar com cigarros eletrónicos com nicotina do que com terapêutica de substituição de nicotina (TSN), como adesivos ou pastilhas.

Os investigadores de Oxford afirmaram que, apesar do reconhecimento recente, as incertezas e as polémicas percebidas em torno do papel dos cigarros eletrónicos na redução do consumo de tabaco dificultam a definição de políticas internacionais e a tomada de decisões clínicas e individuais.

Cigarros eletrónicos são inofensivos?

A atitude face a estes produtos continua dividida. As provas sobre os efeitos na saúde a longo prazo associados ao uso de cigarros eletrónicos estão a evoluir, em grande medida devido ao período relativamente curto em que estes produtos têm estado disponíveis para os consumidores e à constante evolução do próprio produto.

Embora haja cada vez mais provas da eficácia dos cigarros eletrónicos para deixar de fumar, os especialistas alertam que não são isentos de risco e devem ser evitados por não fumadores.

Um estudo publicado em fevereiro de 2026 salientou que, embora não existam atualmente provas em estudos em humanos de que os cigarros eletrónicos causem cancro, há evidência de que as pessoas que os utilizam estão expostas a substâncias químicas cancerígenas.

No entanto, em comparação com os produtos tradicionais de tabaco, o uso de cigarros eletrónicos em vez de tabaco fumado conduz a uma redução significativa da exposição a substâncias que provocam cancro, acrescentou o estudo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem sido uma crítica contundente dos 'vapes' e dos cigarros eletrónicos, devido ao impacto nas crianças.

Em 2025, estimou pela primeira vez o uso de cigarros eletrónicos à escala global e concluiu que mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo utilizam atualmente estes dispositivos.

Entre elas contam-se pelo menos 15 milhões de crianças, entre os 13 e os 15 anos, que já usam cigarros eletrónicos. Nos países com dados disponíveis, as crianças têm, em média, uma probabilidade nove vezes superior à dos adultos de utilizarem vapes, assinalou a OMS.

«Os cigarros eletrónicos estão a alimentar uma nova vaga de dependência da nicotina», afirmou Etienne Krug, da OMS. «São promovidos como uma forma de reduzir os danos mas, na realidade, estão a levar as crianças a ficarem dependentes de nicotina mais cedo e podem pôr em causa décadas de progressos.»

ULS Braga realiza termoablação por radiofrequência do tumor do pâncreas por via endoscópica

JUSTNEWS

A Unidade Local de Saúde de Braga anunciou ter realizado, "pela primeira vez em Portugal, um procedimento inovador minimamente invasivo: trata-se de um procedimento de termoablação por radiofrequência de um tumor do pâncreas por via exclusivamente endoscópica".

A intervenção, realizada no final do ano passado no Hospital de Braga, é considerada como "uma alternativa terapêutica inovadora para utentes com indicação cirúrgica, mas para os quais a cirurgia se encontra contraindicada devido ao elevado risco cirúrgico ou anestésico".

Bruno Gonçalves, médico gastroenterologista da ULS Braga e responsável pelo primeiro procedimento, refere que "a cirurgia é o único tratamento considerado curativo para tumores do pâncreas. Contudo, há situações clínicas em que as comorbilidades associadas inviabilizam essa abordagem”.

A termoablação por radiofrequência surge, segundo o especialista, como uma solução minimamente invasiva que permite a destruição direta da lesão tumoral, sem necessidade de procedimento cirúrgico.

Para além de poder ser aplicada em patologia maligna, esta técnica também pode ser utilizada em "lesões benignas com potencial de transformação maligna, permitindo a sua destruição precoce e prevenindo a evolução para cancro", refere a ULS Braga.

É ainda sublinhado que os estudos atualmente disponíveis indicam que "a termoablação por radiofrequência é uma técnica eficaz, com taxas de sucesso na ordem de 70% a 80%, e está associada a uma baixa taxa de complicações".

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