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Notícias da Saúde em Portugal 810
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Preços dos medicamentos vão aumentar: indústria farmacêutica alerta para situações críticas
SIC NOTÍCIAS
O preço dos medicamentos vai subir inevitavelmente, alerta a Associação da Indústria Farmacêutica, que prevê situações críticas no futuro próximo. A associação apela ao Governo para fornecer apoios adicionais, garantindo que a cadeia de distribuição se mantém equilibrada.
Segundo João Almeida Lopes, presidente da associação, os aumentos são apenas uma questão de tempo:
"O petróleo tem um peso enormíssimo, não só nos transportes e em tudo o que está ligado à energia, que de alguma maneira acaba por causar inflação, mas também relativamente àquilo que são derivados do petróleo. Plásticos, vidros, alumínios são coisas que inevitavelmente vão subir de preço, e isso é muito importante no caso dos medicamentos."
Em entrevista à Antena 1, João Almeida Lopes sublinhou que Portugal não vai escapar aos efeitos do conflito no Médio Oriente, nem às pressões dos Estados Unidos sobre a Europa, no sentido de equilibrar os mercados:
"Nós temos na Europa preços substancialmente mais baixos do que nos Estados Unidos e isso é claramente uma realidade. Os medicamentos inovadores, a maior parte vem dos Estados Unidos. Portanto, por um lado, temos a inflação e o que ela acarreta, e por outro, a pressão política que vai existir no sentido de os preços europeus se poderem aproximar dos preços americanos."

Para já, a indústria farmacêutica tenta antecipar-se aos impactos e acautelar o que ainda está por vir.
"Não serão coisas que acontecem de repente e não acontecerá de certeza para todos os medicamentos ao mesmo tempo. Haverá coisas eventualmente mais críticas, coisas menos críticas. Os preços são regulados e os reguladores, nalguns casos, vão ter de ser capazes de eventualmente admitirem mexidas nos preços mais rapidamente. A maior preocupação neste momento são os custos de transporte, mesmo os contratos não têm a ver diretamente com gasóleo ou gasolina. Mas os custos de energia para as empresas que não têm contratos de futuros começam agora a estar em cima da mesa", explicou João Almeida Lopes.
Ainda assim, a indústria espera que o Governo português avance com apoios semelhantes aos de Espanha, como preços diferenciados para o combustível, de forma a evitar consequências mais severas para o setor e para os consumidores.
Plataforma Saúde em Diálogo alerta para ruturas de medicamentos, listas de espera e exige registo único para modernizar o SNS
EXPRESSO
No Dia Mundial da Saúde, a organização que reúne 86 associações de doentes e consumidores destaca a pressão crescente sobre o serviço de saúde e sublinha que, no final de 2025, havia mais de 1,3 milhões de utentes a aguardar resposta.
A Plataforma Saúde em Diálogo alerta para fragilidades do SNS, como listas de espera e rutura de medicamentos nos hospitais, e defende a urgência do registo único para melhorar eficiência, acesso à saúde e criar "um banco de dados valioso".
Aponta como prioridade a implementação urgente do registo único de saúde, plenamente interoperável entre todos os níveis de cuidados primários, hospitalares, setor social, farmácias e outros prestadores para melhorar a continuidade de cuidados e reforçar a segurança clínica.
Como vantagens do registo único, aponta a poupança de custos e recursos, evitar a duplicação de exames complementares e tratamentos e a criação de "um banco de dados valioso para gerar evidência em saúde", o que considera "muito importante".
A organização afirma que esta "visão de futuro" é baseada numa "realidade que ainda evidencia fragilidades profundas e que exigem resposta imediata".
Entre as principais fragilidades, destaca a pressão crescente sobre o SNS: No final de 2025, mais de 1,3 milhões de utentes aguardavam resposta, incluindo 1.088.656 em lista de espera para consulta de especialidade e 264.615 para cirurgia.
"A este cenário soma-se a crescente rutura de medicamentos nos hospitais do SNS, uma situação que está já a ter um impacto direto e preocupante, especialmente no dia-a-dia dos doentes crónicos", realça.
O presidente da direção da Plataforma Saúde em Diálogo, Jaime Melancia, alerta no comunicado que "situações de rutura, conjugadas com tempos de espera prolongados, comprometem a eficácia dos tratamentos, o controlo da doença e a confiança dos cidadãos no SNS".
Segundo a plataforma, "as falhas na produção internacional e os constrangimentos orçamentais começam a ter repercussões concretas na vida dos doentes, exigindo-se uma resposta estrutural e urgente que garanta a continuidade e segurança dos tratamentos".
Aponta também limitações na implementação do programa de dispensa de medicação hospitalar em farmácias comunitárias, uma medida que diz ser essencial para promover equidade no acesso aos tratamentos.
"Atualmente, apenas 1.380 utentes beneficiam deste regime, um número muito aquém do universo potencial estimado entre 150 mil e 200 mil doentes".
Segundo a plataforma, esta realidade obriga "muitos cidadãos a deslocações longas e penalizadoras, com impacto direto na sua vida pessoal e profissional e, em alguns casos, na adesão à terapêutica".

Para Jaime Melancia, "a dispensa em proximidade não é uma comodidade, é uma questão de justiça social e territorial".
A plataforma alerta ainda para atrasos no acesso à inovação terapêutica, sublinhando que os portugueses continuam a esperar mais tempo do que noutros países para aceder a tratamentos inovadores, o que compromete a equidade e os resultados em saúde.
Defende, por isso, o reforço da cooperação entre autoridades, indústria e associações de doentes, de forma a tornar os processos mais ágeis e centrados nas necessidades reais das pessoas.
Por fim, alerta para desigualdades no acesso a medicamentos biológicos, com disparidades entre hospitais e limitações no regime de comparticipação.
"Portugal precisa de diretrizes nacionais claras que assegurem que todos os doentes têm acesso aos mesmos tratamentos, independentemente do local onde residem", defende Jaime Melancia, considerando que as atuais iniquidades são "inaceitáveis" e exigem "uma resposta urgente, articulada e centrada nas necessidades reais das pessoas".
Movimento alerta para "retrocessos no acesso" das mulheres aos cuidados de saúde
OBSERVADOR
Movimento Democrático de Mulheres propõe investimento nos profissionais de saúde em termos de remunerações e condições de trabalho e ao nível da formação na área da Saúde Sexual e Reprodutiva.
O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) alertou na passada segunda-feira para “os retrocessos no acesso” das mulheres aos cuidados de saúde, considerando que as fraquezas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) as atingem particularmente.
Em comunicado divulgado na véspera do Dia Mundial da Saúde, o MDM diz ser “impossível ignorar os retrocessos no acesso das mulheres à saúde”, acrescentando que o SNS “enfrenta fragilidades que atingem de forma particular as mulheres, refletindo opções políticas que não podem continuar”.
“As desigualdades e assimetrias regionais em saúde persistem e até se têm agravado, devido à suborçamentação e desinvestimento, refletindo-se em diversas áreas da saúde da mulher no acesso ao SNS”, adianta o movimento criado em 1968.
O MDM alertou para “um nível de acesso baixo a cuidados de saúde de obstetrícia“, agravado com os “encerramentos temporários ou definitivos” destas urgências, para o aumento dos utentes que esperam para aceder às técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) e para as dificuldades relativas à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).

Assinala ainda que “as mortes por doença do aparelho circulatório afetam mais as mulheres, assim como as doenças cerebrovasculares” e que “os tempos de espera têm estado frequentemente acima dos limites máximos garantidos nas consultas hospitalares”, tendo duplicado nas cirurgias cardíacas mais graves.
Face à situação, o MDM salienta ser “urgente uma mudança nas políticas públicas de saúde”, que tenha em conta as especificidades das mulheres e promova uma “maior humanização, a equidade no acesso à prevenção, acompanhamento e tratamento”, combatendo “as desigualdades que ainda persistem”.
Propõe como prioridade o investimento nos profissionais de saúde, quer em termos de remunerações e condições de trabalho, quer ao nível da formação na área da Saúde Sexual e Reprodutiva.
O cumprimento efetivo da lei da IVG, o reforço dos cuidados de saúde primários para garantir acesso rápido, às consultas de planeamento familiar e à contraceção mais adequada, assim como o acesso à educação sexual na escola, “abrangendo todas as dimensões da sexualidade que responda às necessidades da juventude”, são outras das medidas propostas pelo MDM.
“O SNS tem de ter um olhar específico para as adolescentes, imigrantes e para as situações de pobreza extrema“, defende.
Considerando que “a saúde da mulher é uma questão de relevância pública e política, com repercussões de grande alcance social e económico, e um indicador inquestionável do desenvolvimento do país e da igualdade”, o movimento também apela à mobilização das mulheres para defenderem os seus direitos, como o da saúde.
Doação de óvulos: processo seguro, regulado e essencial para muitas famílias
Notícias Saúde
Numa altura em que, segundo Mary Branquinho, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia na AVA Clinic, em Lisboa, a procura por óvulos doados tem aumentado, “reflexo das mudanças na sociedade, como a maternidade tardia e uma maior consciencialização sobre as opções de tratamento da fertilidade”, a doação torna-se uma parte fundamental do caminho que muitos casais percorrem para concretizar o sonho de ter uma família. No Mês de Doação de Óvulos em Portugal, uma iniciativa do Sou Dadora, é tempo de reconhecer e celebrar quem faz este gesto altruísta que, ao doar, oferece a outra pessoa uma das possibilidades mais preciosas: a de ter um filho.
A doação de óvulos é um ato voluntário e altruísta, em que uma mulher doa os seus óvulos para ajudar outra a engravidar. É um processo seguro e regulamentado, realizado por equipas médicas especializadas, com total supervisão médica, em que as dadoras recebem uma compensação legalmente estabelecida de 1075€ pelo seu tempo e disponibilidade, de acordo com a legislação portuguesa.
A questão da confidencialidade é uma das que mais preocupa as dadoras, assim como a garantia de não anonimato e “as possíveis implicações futuras e responsabilidades legais. Muitas perguntam também sobre o número máximo de doações, como é controlado o número de famílias e crianças nascidas e a sequência de todo o processo de doação, incluindo os possíveis efeitos secundários, se há algum impacto na fertilidade futura e o tempo necessário para completar uma doação”.
Aqui junta-se ainda um sentimento de “alívio e segurança, o que muitas vezes as motiva a regressar e a realizar donativos dentro dos limites legalmente permitidos”.
Após a conclusão da dádiva, “a maioria descreve um forte sentido de propósito, acompanhado de orgulho e satisfação por poder contribuir para a construção de uma família. Mesmo com a confidencialidade envolvida, é comum expressarem curiosidade e esperança de que a sua dádiva ajude a criar um percurso rumo à parentalidade”.

Como funciona a doação de óvulos?
O processo é seguro e simples: a mulher inscreve-se através do site soudadora.pt, vai a consultas médicas, psicológicas e de enfermagem, numa clínica perto de si, para garantir a sua elegibilidade; após a validação, segue um protocolo de estimulação hormonal para aumentar a produção de óvulos, que são recolhidos através de um procedimento simples guiado por ecografia, sob supervisão médica.
Quem pode tornar-se dadora de óvulos?
As mulheres que preenchem os critérios médicos e psicológicos podem tornar-se dadoras de óvulos. O processo é voluntário, totalmente supervisionado e oferece a oportunidade de fazer uma diferença real na vida de outra pessoa. Os requisitos ajudam a garantir que o processo de doação é seguro e eficaz tanto para a dadora como para as recetoras, e incluem:
ter entre 18 e 34 anos
estar em bom estado geral de saúde física e mental
ter um Índice de Massa Corporal (IMC) normal
ter ambos os ovários
não ter diagnóstico de síndrome do ovário poliquístico (SOP)
não ter antecedentes de infeções sexualmente transmissíveis ou doenças genéticas.
No âmbito do Mês de Doação de Óvulos, em abril, o Sou Dadora vai partilhar conteúdos informativos e iniciativas de sensibilização, promovendo uma maior literacia sobre este tema e incentivando a reflexão sobre o impacto da doação de óvulos na vida de tantas famílias. Estes conteúdos poderão ser acompanhados através do Instagram: @sou_dadora

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