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Notícias da Saúde em Portugal 813
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Estudo explica porque alguns beneficiam mais de fármacos para perda de peso
EURONEWS
Variações genéticas podem ajudar a explicar por que motivo alguns doentes respondem de forma diferente aos populares medicamentos para emagrecer, indica um novo estudo.
Os medicamentos para perda de peso (agonistas) como o Ozempic, o Mounjaro e o Zepbound transformaram a gestão do peso e o tratamento da obesidade.
No entanto, nem todos os doentes respondem da mesma forma; alguns perdem menos de 5% do peso corporal, enquanto outros perdem mais de 20%.
A genética pode ter um papel decisivo para explicar porque é que estes agonistas dos recetores GLP-1 funcionam melhor em algumas pessoas do que noutras, incluindo na forma como variam os efeitos secundários, concluíram investigadores do Instituto de Investigação 23andMe, uma entidade sem fins lucrativos.
"O mercado está cheio de apoio e medicamentos para perda de peso, mas a abordagem à gestão do peso é, em geral, feita por tentativa e erro".
"Isto pode levar as pessoas a iniciarem um tratamento com um elevado grau de incerteza e expectativas pouco realistas quanto à eficácia e aos possíveis efeitos secundários."
Os agonistas do recetor GLP-1 são uma classe de medicamentos que fazem com que as pessoas se sintam saciadas durante mais tempo, imitando os efeitos da hormona GLP-1, produzida naturalmente pelo organismo e que ajuda a regular o apetite e os níveis de açúcar no sangue.

O estudo, publicado na revista Nature (fonte em inglês), analisou marcadores genéticos e as experiências de doentes que utilizaram fármacos GLP-1. Em seguida, identificou um conjunto de variantes genéticas que pode ajudar a explicar porque é que a resposta aos medicamentos contra a obesidade varia entre doentes.
Os investigadores analisaram dados de quase 28 mil participantes que tinham usado alguns dos medicamentos para perda de peso mais comuns pelo menos uma vez. Em mediana, os participantes relataram ter tomado medicamentos GLP-1 durante 8,3 meses.
Verificaram que uma variante missense no gene GLP1R estava associada a maior eficácia dos medicamentos GLP-1. As pessoas que tinham uma cópia da variante do recetor GLP-1 rs10305420 perderam, em média, mais 0,76 quilos ao longo de cerca de oito meses de tratamento do que as pessoas sem essa variante.
Outra variante no recetor do polipeptídeo inibidor gástrico (GIPR) esteve associada a náuseas e vómitos em pessoas a tomar tirzepatida (como o Mounjaro ou o Zepbound), mas não teve impacto na quantidade de peso perdido.
Genética não explica tudo
Os autores do estudo consideram que os resultados abrem caminho a tratamentos personalizados, mas alertam que os efeitos genéticos observados são modestos e que é necessária mais investigação.
Segundo Marie Spreckley, gestora de programas de investigação na Universidade de Cambridge, que não participou no estudo, os resultados fornecem provas biologicamente plausíveis de que as variações genéticas contribuem para a variabilidade das respostas.
"No entanto, a magnitude destes efeitos genéticos é pequena em termos clínicos", afirmou. "Nos ensaios clínicos, a perda de peso típica com estes medicamentos situa-se frequentemente na ordem dos 10-15%, por isso uma diferença de menos de 1 quilo por alelo é modesta."
Spreckley acrescentou que outros fatores, como o sexo, o tipo de medicamento, a dose e a duração do tratamento, parecem explicar uma proporção substancialmente maior dessa variabilidade.
"Do meu ponto de vista, isto aponta para um futuro muito promissor", disse Cristóbal Morales, responsável pela unidade de saúde metabólica, diabetes e obesidade do Hospital Vithas, em Sevilha, e membro da Sociedade Espanhola para o Estudo da Obesidade (SEEDO).
Morales acrescentou que a capacidade de antecipar a resposta ao tratamento através da farmacogenómica — o estudo de como a constituição genética de cada pessoa afeta a resposta aos medicamentos — representa um marco importante.
Isto permite uma abordagem mais precisa, não só na escolha das terapias, mas também na otimização da sua utilização, ao distinguir quem responde dos não respondedores e ao identificar as pessoas com maior risco de efeitos secundários.
Com a solidão a aumentar, portugueses têm cada vez menos amigos e menos interação social
SIC Notícias
Os portugueses têm hoje menos amigos do que há 10 anos e são os mais jovens e os mais pobres que convivem menos, revelou um estudo divulgado pelo ISCTE, que defende a necessidade de espaços públicos de convívio.
"Comparando 2025 com 2015, a diferença é evidente: há uma clara redução do número de amigos íntimos, um aumento do sentimento de solidão e uma diminuição da integração social, apesar de as pessoas não parecerem ter noção desta alteração".
O bom relacionamento social continua associado a maiores níveis de saúde e bem-estar, pelo que se recomenda "a remoção de obstáculos económicos" a um convívio mais frequente com os amigos, através de políticas públicas, nomeadamente da Administração Local, como a promoção de "espaços públicos de convívio com qualidade", cuja frequência não implique gastar dinheiro.
"Sobretudo os mais jovens, sentem-se atualmente mais sós, reduziram o seu número de amigos e de amigos íntimos e, nos últimos anos, têm menos práticas sociais do que antes da pandemia da covid-19, em 2020", afirmaram os autores do estudo "A Amizade em Portugal - Como é? O que Mudou?", realizado no ano passado.
A redução do número de amigos e da frequência dos encontros é também maior nas classes com menos rendimento do que nas classes altas.

"A população entre os 18 e os 64 anos confirma que Portugal passou a inserir-se na grande tendência internacional de isolamento dos mais novos e dos mais pobres. As pessoas que se sentem sós são mais frequentemente jovens, precários e com rendimentos mais baixos", referiram os investigadores.
De acordo com Luísa Lima, os relacionamentos mudaram muito depois da pandemia, registando-se "diferenças assinaláveis" face ao estudo feito em 2015.
"Desde então, os mais pobres reduziram o número de amigos, convivem menos com outras pessoas e sentem mais solidão. São o grupo que mais perdeu nos últimos dez anos em termos de relacionamento, capital social, saúde e bem-estar".
No entanto, segundo a mesma fonte, a grande maioria das pessoas "não tem a perceção" desta mudança nos relacionamentos. Cerca de 60% dos inquiridos considerou que os relacionamentos não sofreram alterações e apenas 20% assumiu que pioraram.
Os relacionamentos com os amigos, sublinharam os investigadores, são ainda mais determinantes para a felicidade do que os relacionamentos familiares. "Ter bons amigos parece fazer bem à saúde", concluíram.
"A conexão social é muito importante para a saúde e a solidão é uma questão preocupante. A Organização Mundial de Saúde [OMS] refere-se à solidão como um problema de saúde pública".
A solidão é mais sentida entre as pessoas que vivem sozinhas (33%), comparativamente com as que vivem com outros (20%).
O sentimento de isolamento é também mais frequente entre as pessoas LGBT+ (35%) do que nas pessoas heterossexuais (21%), entre os precários (24%) ou os desempregados (39%) do que entre os que têm um contrato estável (18%) e entre os mais pobres (43%) do que entre os mais ricos (13%).
"Este resultado mostra que a solidão não está dependente apenas de variáveis pessoais, mas de causas estruturais ligadas à pertença a grupos socialmente desvalorizados", acrescentou.
Governo aprova diploma para alargar uso de medicamentos genéricos e gerar poupanças
S+
O Governo aprovou na passada quinta-feira um diploma que pretende restringir a razões clínicas a proibição de substituição de medicamentos por outros que sejam genéricos, alargando o uso de fármacos mais baratos, gerando poupanças e “combatendo o desperdício”.
Em conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, apresentou dois diplomas referentes a acesso a medicamentos e terapêuticas inovadoras que pretendem tornar o acesso “mais equitativo” e reduzir custos para os utentes e para os contribuintes, baixando a despesa do Estado.
O objetivo do Governo é “disciplinar, aumentar a monitorização, a exigência, a transparência, na despesa com medicamentos e dispositivos médicos”, disse Leitão Amaro, sublinhando que a despesa com medicamentos representa cerca de sete mil milhões de euros de despesa pública.

Considerando “muito importante garantir que, sobretudo os mais vulneráveis, continuam a ter acesso às terapêuticas necessárias a um custo aceitável (…), incluindo a práticas inovadoras”, o ministro disse ser também necessário “garantir disciplina e combater o desperdício”.
Relativamente ao diploma que pretende alargar o uso de medicamentos genéricos, o ministro especificou que a alteração aprovada elimina a possibilidade de “trancar” receitas médicas à dispensa de medicamentos genéricos, a menos que haja razões clínicas que o justifiquem.
“Removemos da lei uma causa não clínica que levaria ainda que as receitas ficassem trancadas”, impedindo o utente de adquirir um medicamento genérico, disse o ministro, acrescentando que se preservam como exceções causas clínicas, como reações adversas.
O ministro afirmou ainda que o objetivo de equidade no acesso e poupança de gastos se estende ao outro diploma aprovado na área do medicamento, que estabelece um novo sistema de avaliação de tecnologias de saúde relativo ao acesso a medicamentos e terapias inovadoras.
“É um diploma muito importante, porque garante o acompanhamento, a aprovação, do apoio público à aquisição de certos dispositivos médicos e terapêuticas assegurando o acesso equitativo, que é baseado nos resultados e por isso não se está a fazer despesa em práticas que não têm resultados”, disse.
MedSUPPORT | Testemunho da semana
“Parceiros de trabalho com extrema importância”
Uma em cada quatro mortes está ligada ao ambiente: crise climática e saúde em debate no congresso Saúde e Ambiente
PÚBLICO
Uma em cada quatro mortes está ligada ao ambiente: crise climática e saúde em debate no congresso Saúde e Ambiente
Cerca de dois mil participantes de diversas áreas profissionais debatem, a partir da passada quinta-feira, em Lisboa, e durante dois dias, temas relacionados com a saúde e o ambiente, desde o medo das alterações climáticas às doenças do clima.
O 2.º Congresso Nacional de Saúde e Ambiente, na Fundação Calouste Gulbenkian, é organizado pelo Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), que, em comunicado, adianta que no encontro se debaterão dados como o de que “37% dos jovens portugueses hesitam em ter filhos devido às alterações climáticas”.
Outro tema a ser discutido, acrescenta, será o da presença de 21% de potenciais carcinogéneos mamários nos materiais que entram em contacto com os alimentos.

O congresso, segundo o CPSA, envolve mais de cem especialistas em 20 sessões, com temas como o impacto das alterações ambientais na saúde, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, é responsável por uma em cada quatro mortes a nível global.
Doenças transmitidas por alimentos, vírus com potencial pandémico, a prevalência na Europa de doenças anteriormente exclusivas dos trópicos, ou doenças provocadas pelos plásticos são outros temas em debate, bem como a pegada ambiental do sector da saúde, que representa cerca de 5% das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal.
No congresso de dois dias, os participantes vão também discutir a necessidade de se melhorar a literacia do público e a educação dos profissionais em relação ao impacto das alterações climáticas na saúde, as oportunidades da economia circular na saúde ou o papel das cidades na promoção da saúde e do ambiente, entre outros temas.
As responsabilidades dos profissionais da saúde — das profissões em que a sociedade mais confia —, que conhecem a forma como as alterações climáticas já estão a comprometer a saúde das pessoas, serão também tratadas.
“Será ainda defendida a necessidade urgente de integrar saúde e ambiente nas políticas públicas. As políticas de saúde têm ignorado o ambiente; as políticas de ambiente têm ignorado a saúde. Para metade dos portugueses, a saúde constitui a principal prioridade, enquanto as alterações climáticas ocupam apenas o 10.º lugar. É crucial comunicar que saúde e ambiente são indissociáveis”, diz o CPSA no comunicado.

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