- MedSUPPORT.News
- Posts
- Notícias da Saúde em Portugal 824
Notícias da Saúde em Portugal 824
As notícias diárias à distância de um clique - sempre às 12:00h


Faturação das clínicas dentárias cresce 6,3% em 2025 para 1.875 milhões de euros
OBSERVADOR
Faturação das clínicas dentárias em Portugal cresceu para 1.875 milhões de euros em 2025. Evolução é explicada pelo aumento do emprego e maior preocupação com a saúde oral e a imagem pessoal.
A faturação das clínicas dentárias em Portugal cresceu 6,3% para 1.875 milhões de euros em 2025, segundo uma estimativa divulgada na passada sexta-feira pela Informa D&B, que reflete a expansão sustentada da procura por serviços de medicina dentária.
A despesa ‘per capita’ mais do que duplicou na última década, atingindo 173 euros por habitante, face aos 78 euros registados há dez anos, evolução explicada pela retoma do consumo das famílias, aumento do emprego e maior preocupação com a saúde oral e a imagem pessoal.

O mercado continua a ser sustentado, sobretudo, por clientes particulares, embora se observe uma penetração crescente dos seguros dentários, devendo o setor manter uma trajetória de crescimento no curto prazo, ainda que a um ritmo mais moderado.
A oferta permanece fragmentada, com predominância de clínicas independentes, num universo de 13.498 dentistas inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas em 2024, mais 3,9% face ao ano anterior, apesar do avanço gradual das cadeias.
Em termos de concentração, as cinco principais empresas detinham em 2025 uma quota conjunta de 13,7%, valor que sobe para 16,4% no caso das dez maiores, evidenciando ainda um reduzido grau de concentração no setor.
Empresas alertam para risco de escassez de dispositivos médicos em Portugal
DN
Se a guerra continuar e não forem tomadas medidas preventivas, “existe o risco de escassez de alguns produtos, devido à erosão das margens causadas pelos custos externos não controláveis pelas empresas”
A associação que representa as empresas de produção e distribuição de dispositivos médicos alertou na passada sexta-feira, 24 de abril, para o risco de escassez desses produtos em Portugal, caso a guerra no Médio Oriente se prolongue.
Se conflito continuar e não forem tomadas medidas preventivas, “existe o risco de escassez de alguns produtos, devido essencialmente à erosão das margens causadas pelos custos externos não controláveis pelas empresas”, como a logística, as matérias-primas e a energia, salientou o diretor executivo da Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED).
Citado num comunicado, João Gonçalves realçou ainda que as empresas do setor sentem dificuldades em refletir os aumentos de custos no cliente final, quando se trata de hospitais públicos com concursos a decorrer e cujo preço foi previamente estabelecido antes do conflito.
A associação manifestou-se também preocupada com o impacto que a guerra já está a ter na atividade das empresas de produção e distribuição deste tipo de produtos, recordando que, mesmo antes do conflito no Médio Oriente, o setor já estava a ser “negativamente impactado” com as tarifas aduaneiras impostas pelos EUA.
Os principais constrangimentos estão relacionados com os “elevados aumentos” dos custos da energia e dos transportes e com um “aumento muito significativo” - entre 15% a 40% - de várias matérias-primas utilizadas no fabrico e na esterilização de dispositivos médicos, como o PVC, o polietileno, o polipropileno, o alumínio, o aço, o óxido de etileno e o hélio, entre outras, adiantou a APORMED.
De acordo com a associação, a situação pode “tornar-se mais crítica, visto que o Orçamento do Estado para 2026 contempla um corte de 10,1% na despesa com a rubrica de aquisição de bens e serviços” para a área da saúde, com a consequente diminuição na despesa com dispositivos médicos.
“Poupar neste setor pode significar redução da atividade hospitalar, com impacto nas listas de espera para cirurgias e consultas médicas”, alertou a APORMED, reconhecendo que não se verificam ainda falhas generalizadas, mas existem “relatos de que alguns hospitais estão com dificuldades” na compra de consumíveis, como luvas de exame e de outros equipamentos de proteção individual.
A associação manifestou também “total disponibilidade” para se articular com as autoridades nacionais na procura de “soluções equilibradas” que permitam resolver ou mitigar eventuais cenários de ruturas de abastecimento.

Na passada quarta-feira, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) adiantou que alguns hospitais já enfrentam dificuldades na compra de consumíveis, como luvas e sacos, devido à forte subida dos preços de matérias-primas causada pela guerra no Médio Oriente.
Todos estes consumíveis tiveram um aumento muito significativo de preço, em alguns casos 30%, 40%, 50%, num espaço de tempo muito curto, desde que começou este conflito no Médio Oriente”, disse à Lusa o presidente da APAH, Xavier Barreto.
Também o Infarmed admitiu que o conflito no Médio Oriente está a ter impacto a nível da logística e dos custos de combustíveis e energia, mas garantiu que não foram registadas ruturas de abastecimento de medicamentos e dispositivos médicos.
Criada em 1990, a APORMED conta com 103 empresas associadas que representam mais de 60 por cento do mercado do setor das tecnologias para a saúde, das quais 94% são micro, pequenas e médias empresas.
Estudo revela que manter os dentes pode adicionar anos de vida independente
O JornalDentistry
O primeiro estudo realizado em Singapura a estimar como o número de dentes naturais impacta os anos de vida vividos sem limitações nas atividades diárias ou na função física entre adultos mais velhos.
Um estudo liderado pelo Centro Nacional de Medicina Dentária de Singapura (NDCS), em colaboração com pesquisadores da Escola de Medicina Duke-NUS, descobriu que manter mais dentes naturais está associado a um aumento significativo nos anos de vida independente entre adultos mais velhos, especialmente entre aqueles que não usam próteses dentárias removíveis.
O estudo, publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, avaliou como a retenção dentária influencia o número de anos vividos com e sem limitações nas atividades diárias (AVDs, como tomar banho, vestir-se e comer, e funções físicas como caminhar e subir escadas). Especificamente, o estudo descobriu que, entre os idosos que não usavam próteses dentárias removíveis, aqueles que mantinham de 20 a 32 dentes naturais experimentavam períodos substancialmente mais longos de vida independente em comparação com aqueles sem dentes naturais:
— Aos 60 anos: mais de 5 anos adicionais sem limitações nas atividades da vida diária (AVDs) e mais de 3 anos adicionais sem limitações na função física
— Aos 70 anos: mais de 4 anos adicionais sem limitações nas AVDs e 2,5 anos adicionais sem limitações na função física
— Aos 80 anos: mais de 2 anos adicionais sem limitações nas AVDs e mais de 1 ano adicional sem limitações na função física
O Professor Marco Peres, Vice-Diretor Executivo de Pesquisa, Inovação e Educação do NDCS e coautor sénior desta pesquisa, que liderou a análise relacionada à saúde oral, explicou: “Os nossos resultados sugerem que uma boa saúde oral não se resume a ter um sorriso bonito — ela é essencial para apoiar nossa função física, independência e bem-estar geral na terceira idade. Esta pesquisa destaca a importância tanto da retenção dentária quanto da reabilitação protética, que podem adicionar anos mais significativos de vida saudável e independente e promovendo o envelhecimento saudável."

A pesquisa também destacou o papel das próteses dentárias removíveis no apoio ao envelhecimento saudável, particularmente quando a perda dentária é inevitável. Entre os usuários de próteses com ensino médio ou superior, aqueles com 20 a 32 dentes naturais experimentaram mais anos sem limitações nas AVDs (Atividades da Vida Diária), enquanto aqueles com 10 a 19 dentes naturais experimentaram mais anos sem limitações na função física, em comparação com aqueles sem dentes naturais.
Essas conclusões foram obtidas a partir de uma pesquisa longitudinal nacionalmente representativa com mais de 3.000 singapurianos com 60 anos ou mais, reforçando a importância de manter a dentição natural pelo maior tempo possível. Reter mais dentes pode estar associado a mais anos de vida independente, sem limitações nas AVDs ou na função física. As próteses dentárias removíveis podem mitigar parcialmente os efeitos da perda dentária.
A pesquisa contribui para o crescente conjunto de evidências de que a saúde bucal desempenha um papel crucial no bem-estar geral e na qualidade de vida na terceira idade. Os resultados sugerem que investir em cuidados odontológicos preventivos, estratégias de preservação dentária e acesso a próteses dentárias removíveis pode trazer benefícios significativos para o envelhecimento saudável, tanto em nível individual quanto populacional.
Expodental 2026 reforça dimensão internacional e supera os 30 mil visitantes profissionais
O JornalDentistry
A Expodental 2026 encerrou em Madrid com mais de 30 mil visitantes profissionais, num balanço marcado pelo reforço da atividade comercial, pela maior internacionalização e por um perfil de participação mais focado no negócio.
Organizada pela IFEMA Madrid com o apoio da Fenin, a feira voltou a afirmar-se como uma das principais plataformas profissionais do setor dentário em Espanha e como uma referência no calendário europeu.
Segundo a organização, a edição deste ano beneficiou também da alteração de datas, que ajudou a consolidar um modelo mais estritamente profissional.
Em vez do tradicional sábado, habitualmente associado a uma componente mais social, a feira decorreu em três dias centrados em reuniões de negócio, demonstrações técnicas e contatos entre fabricantes, distribuidores, clínicas e laboratórios.

Um dos sinais mais evidentes desse reposicionamento foi o crescimento da presença internacional. A Expodental recebeu mais de 2.500 visitantes estrangeiros, o que representa um aumento de 8% face à edição anterior, com profissionais oriundos de 75 países. Entre os principais mercados de origem estiveram Portugal, Itália, França e Alemanha, a par de delegações de outros países europeus, da América Latina e da Ásia.
Para Luis Garralda, presidente do setor dentário da Fenin, os resultados confirmam “o dinamismo e a força do setor dentário em Espanha”. O responsável sublinha ainda que “o crescimento da presença internacional, o perfil profissional dos visitantes e o aumento do negócio gerado refletem a confiança do mercado neste evento”.
A organização destaca ainda a coincidência com a primeira edição da Expomedes, feira profissional dedicada à tecnologia e inovação em medicina estética. Com um perfil B2B, este novo evento ajudou a criar sinergias, aumentar a visibilidade e elevar o ecossistema comercial em torno da Expodental.
Cancro do testículo: altamente tratável, perigosamente ignorado
Notícias Saúde
O cancro do testículo é o cancro mais comum entre os jovens na Europa, mas continua a ser um dos menos discutidos. Apesar das elevadas taxas de sobrevivência em todas as fases, sobretudo quando detetado precocemente, muitos casos são diagnosticados mais tarde do que deveriam, frequentemente porque os homens hesitam em falar sobre o assunto, procurar cuidados médicos ou até mesmo reconhecer os sintomas.
“O cancro do testículo é altamente tratável, principalmente quando detetado precocemente”, afirma Thomas Jang, chefe de oncologia urológica do Rutgers Cancer Institute e do RWJBarnabas Health, nos EUA. “Mas o estigma e a falta de informação ainda impedem muitos jovens de procurar cuidados médicos quando sentem que algo não está bem.”
Para muitos homens, sobretudo jovens, falar sobre saúde, especialmente sobre algo tão pessoal como a saúde testicular, pode ser desconfortável ou até mesmo tabu. As expectativas culturais em torno da masculinidade desencorajam frequentemente a vulnerabilidade, tornando menos provável que os sintomas sejam discutidos com amigos, familiares ou até mesmo com os médicos.
Mas este silêncio pode ter consequências reais. “Muitos pacientes costumam esperar mais do que deveriam antes de fazer um exame”, explica Jang. “Por vezes, notam uma mudança, mas ignoram-na ou sentem-se constrangidos em falar sobre isso. Este atraso pode fazer diferença no estádio do cancro no momento do diagnóstico.”
Sinais que passam frequentemente despercebidos
Um dos desafios no tratamento do cancro do testículo é que os sintomas iniciais podem ser subtis e fáceis de ignorar. Os sinais de alerta comuns incluem:
Nódulo ou inchaço num dos testículos
Sensação de peso no escroto
Dor surda na parte inferior do abdómen ou na virilha
Acumulação repentina de líquido
“Estes sintomas nem sempre são dolorosos, o que explica em parte porque são ignorados”, diz Jang. “A dor nem sempre é o primeiro sinal, pelo que os homens podem assumir que não é nada de grave.”
Uma das ferramentas mais eficazes para a deteção precoce é também uma das mais simples: o autoexame mensal. Os especialistas em saúde recomendam que os homens se familiarizem com as sensações normais do seu corpo para que possam rapidamente notar qualquer alteração. O exame demora apenas alguns minutos e pode ser feito em casa.
“A autoconsciência é fundamental”, afirma o especialista. “Se algo mudar, não espere. A avaliação precoce pode levar a um resultado muito melhor.”

Avanços no tratamento
A boa notícia é que o cancro do testículo é um dos tipos de cancro mais tratáveis, mesmo em fases mais avançadas. Os avanços na cirurgia, quimioterapia e acompanhamento pós-tratamento levaram a taxas de sobrevivência superiores a 95% em muitos casos. “O tratamento evoluiu muito”, observa Jang. “A maioria dos doentes recupera muito bem, especialmente quando o cancro do testículo é detetado precocemente. É por isso que a sensibilização e a intervenção precoce são tão importantes.”
À medida que cresce a consciencialização sobre os cuidados preventivos e a saúde masculina, é altura de o cancro do testículo fazer parte desta conversa. Quebrar o estigma começa com a normalização, falando abertamente, partilhando informações e encorajando o autoexame de rotina sem constrangimento.
“Este é um cancro que afeta principalmente homens jovens no auge das suas vidas”, diz o Dr. Jang. “Precisamos de normalizar a conversa sobre ele, o autoexame e a procura de tratamento. Esta mudança pode salvar vidas.”

Obrigado por ler a medsupport.news.
A equipa da MedSUPPORT.
p.s. Se gostou desta newsletter, partilhe-a com os seus amigos e colegas! Todos podem subscrever aqui a medsupport.news.
Reply