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Feira internacional de medicina dentária chega à Arábia Saudita

DentalPRO

A Koelnmesse e a dmg events anunciaram a criação da International Dentistry Exhibition and Meeting Saudi Arabia (IDEM Saudi Arabia), uma nova feira internacional dedicada à medicina dentária. A estreia está marcada para 27 a 29 de setembro de 2026, no Riyadh International Convention and Exhibition Center, em Riade.

A criação do evento surge num contexto de forte crescimento do mercado dentário na Arábia Saudita. Segundo o IMARC Group, o mercado de dispositivos dentários deverá atingir 286,6 milhões de dólares até 2033, enquanto o segmento de consumíveis poderá chegar aos 465,5 milhões.

Este crescimento é impulsionado por vários fatores, incluindo o aumento da procura por tratamentos estéticos e implantes, a expansão das clínicas privadas, o crescimento do número de pacientes e a rápida adoção de tecnologias digitais, como scanners intraorais e impressão 3D. Apesar deste dinamismo, o país ainda não dispunha de uma grande plataforma internacional dedicada exclusivamente ao setor dentário. O IDEM Saudi Arabia surge assim para colmatar essa lacuna, alinhando-se com os objetivos da Vision 2030, que visa diversificar a economia e modernizar os serviços públicos.

O evento resulta de uma parceria estratégica entre a Koelnmesse, conhecida por organizar feiras internacionais de referência na área da medicina dentária, e a dmg events, com forte presença no Médio Oriente.

O IDEM Saudi Arabia irá reunir fabricantes internacionais, distribuidores regionais e fornecedores locais, apresentando soluções inovadoras e tecnologias avançadas. O programa incluirá ainda formação científica, workshops e sessões práticas focadas em medicina dentária digital e estética.

Além da vertente expositiva, o evento contará com fóruns de negócios e compras, abordando temas como concursos hospitalares e expansão de clínicas. Haverá também uma zona dedicada à inovação, com destaque para inteligência artificial aplicada ao diagnóstico, biomateriais e novos fluxos de trabalho clínico.

Programas de networking e reuniões B2B irão facilitar o contacto entre compradores da região do Golfo e fornecedores internacionais, promovendo parcerias e investimento.

Com esta iniciativa, a Arábia Saudita reforça a ambição de se afirmar como um dos principais mercados de medicina dentária no Médio Oriente, apostando na inovação, colaboração internacional e crescimento sustentável do setor.

Mosquito transmissor de dengue alarga presença a 28 concelhos do país em 2025

JN

O mosquito transmissor de doenças como dengue e febre-amarela foi detetado em 2025 em Lisboa, Oeiras, Almada e Sesimbra, elevando para 28 o número de concelhos onde foi identificado, mais 10 do que em 2024, segundo dados do Insa.

Os dados constam do Relatório REVIVE - Rede de Vigilância de Vetores, elaborado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa), através do Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infecciosas.

Em 2025, participaram na vigilância REVIVE as cinco regiões de saúde do continente e a Direção Regional de Saúde da Madeira, tendo sido realizadas colheitas de mosquitos em 243 concelhos.

No total, foram identificados 44 123 mosquitos de 22 espécies e 48 503 ovos de espécies invasoras.

O mosquito da espécie Aedes albopictus, um vetor de vírus e parasitas causadores de doenças, como chikungunya, dengue, febre-amarela e Zika, foi identificado pela primeira vez em Portugal em 2017, na região Norte, tendo depois sido detetado no Algarve em 2018, no Alentejo em 2022, na região de Lisboa em 2023 e na região Centro em 2024.

Em 2025, a espécie foi registada em 28 concelhos, confirmando o alargamento da sua distribuição geográfica no país.

Nesse ano, alargou a sua presença na região centro aos concelhos de Condeixa-a-Nova e Covilhã e aos concelhos de Lisboa, Oeiras, Almada e Sesimbra.

Segundo o relatório, a análise a flavivírus e alfavírus patogénicos para o ser humano foi negativa na maioria das amostras analisadas. No entanto, foi detetado vírus dengue serótipo 2 (DENV2) em amostras de Aedes aegypti provenientes da Região Autónoma da Madeira.

O mosquito invasor Aedes aegypti encontra-se presente na Madeira desde 2005.

O relatório revela também resultados da vigilância a outros vetores de doença.

No âmbito dos ixodídeos (carraças), foram identificados 6.612 exemplares em 2025, tendo 2,3% revelado presença de Borrelia e 19,7% de Rickettsia. Foram ainda detetados exemplares exóticos da família Argasidae.

Na vigilância aos flebótomos - pequenos insetos semelhantes a mosquitos e vetores de doenças como a leishmaniose - foram colhidos 1.448 exemplares, tendo sido identificadas cinco espécies presentes em Portugal.

Foi ainda detetado o flebovírus Toscana, que pode provocar encefalites e meningites, nos concelhos de Pedrógão Grande e Resende.

EDQM publica orientações sobre rastreabilidade de medicamentos em hospitais com participação portuguesa

INFARMED I.P.

A Direção Europeia da Qualidade do Medicamento e Cuidados de Saúde (EDQM, na sigla em inglês) publicou novas orientações sobre boas práticas para a rastreabilidade de medicamentos em ambiente hospitalar, com o objetivo de reduzir erros de medicação e reforçar a segurança do doente.

O documento, intitulado "Guidelines on the best practices for the traceability of medicines in hospital settings", resulta de um projeto conjunto dos comités de peritos CD-P-PH/PC* e CD-P-PH/CMED** daquela direção, que integram representantes do INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.

Este novo documento sublinha a importância de sistemas eficazes de rastreabilidade de medicamentos em contexto hospitalar, propondo abordagens harmonizadas a nível europeu para minimizar erros de medicação e garantir maior segurança para os doentes. Entre os principais desafios identificados para a implementação duma rastreabilidade completa, destaca-se a necessidade de substituir os registos manuais por sistemas baseados em documentação eletrónica e em códigos de barras ao nível da embalagem primária. Estas soluções permitirão um registo e monitorização mais rápidos, padronizados e seguros das informações relativas aos medicamentos.

Eva Mendes, da Direção de Avaliação de Medicamentos (DAM) do Infarmed e presidente do CD-P-PH/PC, refere que "o documento apresenta um conjunto de boas práticas para a rastreabilidade dos medicamentos e propõe um quadro regulamentar europeu harmonizado para a codificação ao nível da embalagem primária, com possibilidade de implementação faseada."

Por sua vez, Joana Vieira, que colaborou na redação da orientação desde 2022, salienta que "este projeto constitui um passo determinante para o reforço da segurança dos doentes, ao permitir a mitigação de potenciais erros de administração em contexto hospitalar", destacando ainda que "este esforço conjunto não termina com a publicação destas orientações, sendo agora necessário dar o passo em frente e criar mecanismos para fomentar a sua implementação".

O documento estará em destaque no simpósio "Cuidados de saúde e medicamentos: satisfazer as necessidades dos doentes através de programas nacionais e do Conselho da Europa/EDQM", a decorrer em Lisboa nos dias 5 e 6 de maio de 2026, no qual será discutida a sua aplicação prática com contributos de reguladores, indústria, farmacêuticos hospitalares e associações de doentes.

Investigadores do Porto descobrem que insuficiência cardíaca pode ser tratada mais rapidamente

JN

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que iniciar dois tratamentos em simultâneo em doentes com insuficiência cardíaca é viável e seguro e pode permitir que os doentes recebam tratamento recomendado pelas diretrizes internacionais.

"Esta descoberta é relevante porque muitos médicos hesitam em iniciar vários medicamentos ao mesmo tempo por receio de efeitos adversos. Este estudo sugere que, com acompanhamento adequado, uma abordagem mais rápida é viável e segura", afirma o professor e investigador da FMUP João Pedro Ferreira, citado em comunicado.

Publicado no "Journal of the American College of Cardiology", em janeiro, este estudo avaliou doentes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, um tipo de insuficiência cardíaca em que o coração tem dificuldade de bombear o sangue de forma eficaz. Os doentes estavam a ser seguidos em vários centros no Norte do país, nomeadamente nas Unidades Locais de Saúde São João e Santo António, no Porto, Gaia/Espinho e Matosinhos.

Segundo o autor principal do estudo, "as diretrizes internacionais recomendam que os fármacos sejam iniciados o mais precocemente possível e as doses ajustadas. "Antes deste ensaio, não se sabia se era seguro e eficaz iniciá-los em simultâneo ou se seria melhor começar um e só depois o outro, um a três meses depois", explicou o investigador que integra também a unidade de investigação RISE-Health.

Assim, com esta investigação ficou demonstrado que "a estratégia é segura, o que significa que não aumenta os efeitos adversos, quando se compara com a estratégia de começar o tratamento com apenas um medicamento e adicionar o outro após algumas semanas ou meses", acrescentou.

Para chegar a esta conclusão, os autores analisaram os doentes ao longo de cerca de seis meses. De acordo com o resumo enviado à Lusa, o foco esteve na ocorrência de eventos clínicos relevantes e efeitos adversos comuns, como, por exemplo, pressão arterial demasiado baixa, alterações perigosas do potássio e da função renal, ida à urgência e hospitalizações por insuficiência cardíaca e mortalidade por causa cardiovascular.

Nesta investigação foi testado o início simultâneo ou sequencial das terapêuticas "pilar" no tratamento desta patologia (sacubitril/valsartan) e de inibidores do SGLT2, que além da insuficiência cardíaca também estão indicados em doentes com diabetes e/ou doença renal crónica.

No total foram incluídos 62 participantes -- 29 no grupo simultâneo e 33 no grupo sequencial -- com idade média de 68 anos e a maioria do sexo masculino, de acordo com a epidemiologia da doença.

"Não houve aumento de complicações graves no grupo que iniciou ambos os fármacos em simultâneo", garante João Pedro Ferreira, destacando que "ao fim de 12 semanas, todos os doentes que continuavam no estudo já estavam a tomar ambos os medicamentos e a maioria conseguiu atingir doses-alvo até às 24 semanas".

"Não houve sinais de pior tolerância renal, baixa grave de pressão arterial ou de alterações graves de potássio no grupo simultâneo", concluiu João Pedro Ferreira que, na FMUP, tem seguido uma linha de investigação que visa melhorar o tratamento das doenças cardiovasculares, renais e metabólicas.

A insuficiência cardíaca é uma doença crónica grave que provoca sintomas como falta de ar e retenção de líquidos e que é uma das principais causas de mortalidade acima dos 65 anos de idade. Estima-se que, em Portugal, mais de meio milhão de pessoas vivem com insuficiência cardíaca.

Burnout não é uma moda: médica psiquiatra explica fenómeno que se agravou no século XXI

SAPO

Texto de Maria Moreno, médica psiquiatra. Em vésperas do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, que se assinala hoje, a 28 de abril, a especialista apresenta uma reflexão sobre o burnout, descrito pela primeira vez nos anos 70. O século XXI amplificou o problema com o teletrabalho, horários flexíveis e constante conectividade, tornando difícil desligar do trabalho e recuperar adequadamente.

O burnout não nasceu com as start-ups nem com o teletrabalho nem com a cultura das notificações. Já existia. Sempre existiu.

Corriam os anos 70 quando foi publicado o primeiro artigo sobre burnout. O termo pegou e veio tomar o lugar daquilo que durante décadas se apelidou corriqueiramente como o “esgotamento nervoso”. A expressão antiga ainda se ouve - muitas vezes dita com alguma leveza.

O nome mudou. A forma de descrever também. O fenómeno, esse, manteve-se. O que o século XXI fez foi amplificá-lo.

Hoje trabalhamos mais horas, com menos fronteiras e maior exigência de resposta. Ganhámos o teletrabalho e perdemos a nossa casa. Ganhámos horário flexível e perdemos o final de dia e os fins de semana em família. Ganhámos acesso a qualquer hora e de qualquer lugar e perdemos a possibilidade de desligar. Ganhámos visibilidade e perdemos privacidade. Ganhámos mais oportunidades e metas bem estabelecidas e perdemos a capacidade de dizer “não” e a margem para falhar.

Nunca se desliga – reparamos em mais uma notificação a cair e, eventualmente, adia-se – ou não. E, no meio disto, fomos normalizando sinais que antes nos fariam parar: o cansaço constante, a irritabilidade, a dificuldade em concentrar, a sensação de estar sempre “em falta”.

Não é só trabalhar muito. É perder a capacidade de recuperar. E pior – a capacidade de parar.

O burnout é uma resposta prolongada ao stress permanente no contexto laboral. Não surge de um dia para o outro. Instala-se de forma progressiva, muitas vezes silenciosa. Eu diria mais – a maioria das vezes, silenciosa.

Começa com mais esforço, mais entrega, mais disponibilidade. E, durante muito tempo, até é valorizado. “És tão dedicado”. “Estás sempre disponível”. O padrão aparece e é reforçado.

E quando os primeiros sinais aparecem - cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações do sono - são frequentemente ignorados ou minimizados. “É só uma fase”. “Isso com as férias passa.”

Nem sempre passa.

O que sabemos hoje, e não sabíamos com tanta clareza há 50 anos, é que o stress crónico tem um impacto real no organismo e no nosso cérebro. O sistema de resposta ao stress mantém-se ativado e a capacidade de regulação emocional e cognitiva vai diminuindo. E, principalmente, o cérebro adapta-se e torna-se dependente deste modus operandi.

Mas, apesar de toda a evolução científica, há algo que não mudou. Continuamos a interpretar o burnout como uma falha individual. Falta de organização. Falta de limites. Falta de resiliência. E isso atrasa tudo.

O burnout não é uma moda. Não é um exagero moderno. Também não é apenas uma consequência inevitável de trabalhar muito. É uma condição reconhecida, com impacto funcional real, que resulta da interação entre o indivíduo, o contexto em que está inserido e este novo modo de ser e estar, tão presente no século XXI.

O nome pode ter mudado. O problema permanece o mesmo.

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A equipa da MedSUPPORT.

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