Notícias da Saúde em Portugal 826

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Sistema de Gestão de Reclamações, elogios e sugestões | Relatório do ano 2025

ERS

A ERS aprecia e monitoriza o seguimento dado pelos prestadores de cuidados de saúde às suas reclamações, elogios e sugestões, competindo-lhe, no âmbito das suas competências estatuárias, divulgar periodicamente informação estatística sobre estes processos.

Assim, o relatório do Sistema de Gestão de Reclamações, Elogios e Sugestões divulga a seguinte informação sobre os processos do ano de 2025, sem qualquer ponderação quanto à dimensão dos estabelecimentos, produção ou população alvo.

Durante o ano de 2025 foram submetidos à análise da ERS 91.553 reclamações, 22.293 elogios e 782 sugestões de 2025.

Comparativamente com o período homólogo do ano anterior, verificou-se um aumento de 4,4% e de 10,2% no número de reclamações e elogios do ano, respetivamente, e uma diminuição de 10,5% no número de sugestões efetuadas.

Contudo, estes dados podem não traduzir uma menor satisfação dos utentes quanto à prestação de cuidados de saúde, mas resultar de um aumento no nível de literacia dos utentes quanto ao seu direito a reclamar ou de um maior compromisso dos prestadores de cuidados de saúde no cumprimento do seu dever de submeter, em tempo útil, as suas reclamações à ERS. De igual forma, e pelos mesmos motivos, o aumento no número de elogios não significa necessariamente uma maior satisfação dos utentes quanto à prestação de cuidados de saúde.

Assuntos mais visados nas reclamações de 2025

Nos prestadores de cuidados de saúde do setor público destacando-se assuntos como (1) o tempo de espera para atendimento clínico não programado nos estabelecimentos com internamento – aplicável a todas as situações de tempos de espera nos serviços de urgência do SNS (desde triagem, ativação das Vias Verdes instituídas e/ou primeiro atendimento clínico e atendimento subsequente) – e (2) a prestação de cuidados de saúde atempada, num período razoável e adequado ao que o utente necessita, nomeadamente no que diz respeito aos estabelecimentos sem tipologia de internamento.

Relativamente aos setores privado e social ou cooperativo verificou-se que o assunto “Adequação e pertinência dos cuidados de saúde” foi o mais visado em 2025 para estes prestadores, independentemente da tipologia de cuidados. Este assunto está relacionado com a adequação, pertinência ou relevância dos cuidados prestados e/ou dos procedimentos clínicos adotados pelos prestadores de cuidados de saúde, incluindo situações de alegada desadequação de diagnósticos, procedimentos, meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT), bem como situações de indução artificial da procura de cuidados de saúde.

Assuntos mais visados nos elogios e sugestões de 2025

Os elogios foram mais frequentemente dirigidos ao pessoal clínico com 32,8% dos elogios, seguindo-se os elogios relacionados com o funcionamento dos serviços de apoio (20,7%) e com o pessoal não clínico (20,3%). Já nas sugestões, os assuntos mais mencionados diziam respeito a instalações (29,8%) e ao funcionamento dos serviços administrativos (23,0%) e clínicos (20,0%).

Entidades mais visadas em 2025

75,2% das reclamações diziam respeito a 1.441 estabelecimentos de saúde, pertencentes a 35 entidades – 565 (39,2%) da região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo, 488 (33,9%) da região de saúde do Norte, seguindo-se as regiões de saúde do Centro (258; 17,9%), Alentejo (104; 7,2%) e Algarve (26; 1,8%).

Por sua vez, os estabelecimentos com maior número de elogios e sugestões (75,5%) corresponderam a 514 (53,7%) unidades de saúde localizadas na região de saúde de Lisboa e Vale e Tejo, seguindo-se a região de saúde do Norte com 303 (31,6%) estabelecimentos.

Cada entidade pode ser responsável por um ou vários estabelecimentos de saúde, pelo que o maior ou menor número de processos poderá ser proporcional à dimensão das entidades visadas. O relatório apresentado divulga informação recebida na ERS sobre as reclamações, elogios e sugestões dos utentes dos serviços de saúde, não tendo sido efetuada, no entanto, qualquer ponderação que permita a comparação entre as entidades de saúde visadas relativamente à maior ou menor insatisfação dos utentes.

Decisão da ERS

Em 2025 a ERS decidiu 88.903 processos, dos quais 64.553 diziam respeito a 2025 e 24.350 de anos anteriores.

Das 64.553 reclamações de 2025 decididas, em 21,6% (13.967 reclamações) verificou-se incumprimento dos prestadores de cuidados de saúde e consequente atuação da ERS no âmbito dos seus poderes de regulação, regulamentação, supervisão, fiscalização e sancionatórios.

As reclamações com incumprimento dos prestadores de cuidados de saúde do setor público diziam maioritariamente respeito à incapacidade de resposta em tempo útil dos cuidados hospitalares (14,6%) e ao incumprimento dos tempos máximos de resposta garantidos no caso dos estabelecimentos sem internamento (17,5%).

Relativamente ao setor privado (3.961 reclamações), nos estabelecimentos com internamento destacaram-se os constrangimentos com a faturação excessiva (11,1%), enquanto, nos estabelecimentos sem internamento, a desadequação dos cuidados de saúde prestados e/ou dos procedimentos clínicos adotados (10,2%) foi o constrangimento mais identificado.

Quanto ao setor social ou cooperativo (197 reclamações), os assuntos mais mencionados nas reclamações com incumprimento diziam respeito à desadequação dos cuidados de saúde prestados (14,2%), no caso dos estabelecimentos com internamento, e a falhas na qualidade da informação de saúde disponibilizada ao utente nos estabelecimentos sem internamento (12,5%).

Por outro lado, em 2025 identificaram-se 6.413 (9,9%) reclamações que foram decididas pela ERS com incumprimento dos prestadores de cuidados de saúde quanto ao seu dever de apresentar uma resposta final e clara aos reclamantes, bem como as respetivas alegações à ERS, das quais 93,1% diziam respeito ao setor público, 6,6% ao setor privado e 0,3% ao setor social ou cooperativo, tendo a ERS intervindo concretamente também nestas situações.

A versão integral do documento pode ser consultada aqui.

Mulher operada após falso diagnóstico de tumor indemnizada em 91 mil euros

SIC Notícias

Uma mulher foi submetida a uma cirurgia altamente invasiva após lhe ter sido diagnosticado um tumor que, afinal, não existia. O erro teve origem numa falha na identificação de uma amostra clínica e acabou por resultar numa operação com consequências irreversíveis.

De acordo com a Telecinco, o caso ocorreu num hospital público na região de Valência, em Espanha, quando a paciente, então com 55 anos, recebeu o diagnóstico de um tumor e foi encaminhada para uma intervenção cirúrgica complexa.

A intervenção implicou a remoção de várias partes do sistema digestivo, incluindo parte do pâncreas, do intestino delgado, da vesícula biliar e dos canais biliares.

Só após a operação e vários meses de recuperação é que se confirmou que não existia qualquer tumor, tendo tudo resultado de um erro na etiquetagem da amostra analisada.

Perante a situação, a mulher apresentou um pedido de indemnização no valor de 300 mil euros, mas o Conselho Jurídico Consultivo decidiu atribuir 91 mil euros, reconhecendo apenas parcialmente a responsabilidade pelo sucedido.

Segundo a própria, o erro teve impacto direto na sua qualidade de vida, tanto a nível físico como psicológico, obrigando-a a interromper a atividade profissional e dificultando o regresso ao trabalho devido ao estado físico resultante da intervenção desnecessária.

Infarmed lança ferramenta que permite acompanhar processos de financiamento de medicamentos no SNS

INFARMED I.P.

O INFARMED, I.P. lançou na passada quarta-feira uma nova ferramenta digital que permite acompanhar, de forma pública, o estado dos processos de comparticipação e financiamento de medicamentos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Designada "Tracker de Processos", a plataforma online disponível no site do Infarmed apresenta informação atualizada diariamente sobre os pedidos em avaliação, desde a sua submissão até à proposta de decisão do regulador.

O objetivo é reforçar a transparência e facilitar o acesso à informação por parte de pessoas com doença e/ou associações de pessoas com doença, profissionais de saúde, indústria farmacêutica e cidadãos no geral.

Em que consiste?

O "Tracker de Processos" permite o acesso aos processos de financiamento em curso ou já concluídos, o estado de cada processo e as diferentes etapas de avaliação, bem como indicadores sobre o progresso da análise.

A ferramenta abrange todos os pedidos em avaliação, sendo nesta fase limitado a medicamentos.

A informação apresentada baseia-se nos dados do Sistema de Informação para a Avaliação das Tecnologias de Saúde (SIATS), permitindo acompanhar as várias fases do processo, como a avaliação clínica, a avaliação económica e a negociação.

A ferramenta está disponível numa versão inicial (beta), prevendo-se melhorias com base nos contributos dos utilizadores, incluindo pessoas com doença e/ou associações de pessoas com doença, profissionais de saúde, indústria farmacêutica e cidadãos no geral.

A Avaliação de Tecnologias de Saúde é um dos principais instrumentos usados para decidir o financiamento de medicamentos no SNS, procurando garantir benefícios clínicos, ganhos em saúde e uma utilização eficiente dos recursos públicos.

Comunicado de Imprensa - Tracker de Processos.pdf181.66 KB • PDF Arquivo

Movymia, teriparatida, 0.25 mg/ml, solução injetável - Autorização de utilização de lotes rotulados em língua estrangeira

INFARMED I.P.

Circular Informativa n.º 043/CD/100.20.200 de 28/04/2026

Com vista a minimizar o impacto da rutura de stock do medicamento Movymia, teriparatida, 0.25 mg/ml, solução injetável, o Infarmed autorizou, a título excecional, a utilização do seguinte medicamento com rotulagem em língua inglesa:

  • Medicamento: Movymia 20 micrograms/80 microliters solution for injection

  • DCI: Teriparatida

  • Forma farmacêutica: Solução injetável

  • Dosagem: 0.25 mg/ml

  • Apresentação: 1 unidade

  • Titular de AIM: Stada Arzneimittel A.G.

  • Origem: Reino Unido

  • Língua de rotulagem: Inglesa

  • N.º de registo: 5764154

  • PVP: 200,93€

  • Comparticipação: 69%

Estas embalagens serão acompanhadas de folheto informativo em português.

Para facilitar a acessibilidade ao medicamento, o número de registo, preço e comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde desta apresentação será o mesmo do medicamento autorizado em Portugal, pelo que a prescrição e dispensa poderão ocorrer conforme habitual.

Movymia - Autorização de utilização de lotes rotulados em língua estrangeira.pdf222.43 KB • PDF Arquivo

Investigadores desenvolvem plataforma para deteção precoce de Alzheimer através da voz

OBSERVADOR

Uma plataforma criada por investigadores permite identificar padrões de declínio cognitivo através da análise de sinais acústicos e linguísticos na voz humana, ajudando a detetar Alzheimer.

Um grupo de investigadores da Universidade de Alicante (UA) e do Instituto de Investigação em Saúde e Biomedicina (ISABIAL) criou uma plataforma de inteligência artificial para a identificação precoce da doença de Alzheimer através da análise da voz.

O projeto, financiado pelo Ministério da Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Comunidade Valenciana com recursos do programa Next Generation EU, centrou-se na deteção da doença de Alzheimer, dado que os tratamentos atuais se mostraram mais eficazes quando administrados nas fases iniciais da doença.

A UA explicou, em comunicado, que a Plataforma de Inteligência Artificial para a Deteção Precoce da Doença de Alzheimer através da Voz (IAEAV) foi concebida para identificar padrões de declínio cognitivo através da análise de sinais acústicos e linguísticos na voz humana, noticiou na passada terça-feira a agência Efe.

Para tal, utilizaram tecnologias avançadas de processamento de linguagem natural (PLN) e de aprendizagem profunda que permitem aos utilizadores, através de uma aplicação móvel, gravar as suas vozes em diversos contextos, como a leitura de textos, a narração espontânea ou a resposta a perguntas padronizadas.

Posteriormente, as gravações são processadas para extrair características acústicas, incluindo o tom, a intensidade e as pausas, bem como características linguísticas, como a riqueza semântica e as lacunas de fluência. Estas características são depois avaliadas por modelos de aprendizagem automática para obter uma deteção mais precisa e personalizada.

A equipa de investigação foi liderada por Miguel Ángel Teruel, da UA, como investigador principal, e Ángel Pérez Sempere, do ISABIAL. A aplicação foi concebida para utilização tanto em ambientes clínicos como domiciliários, o que, segundo os investigadores, “reduz as barreiras de acesso e facilita a recolha de dados em populações com recursos limitados”.

Esta tecnologia “não só procurou melhorar a deteção clínica, como também contribuiu para o desenvolvimento científico ao gerar grandes volumes de dados de voz, o que pode facilitar a investigação mais aprofundada sobre a relação entre as perturbações da linguagem e as alterações neurodegenerativas, promovendo avanços no tratamento e controlo da doença”, realçou Teruel.

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