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OMD e congénere turca debatem publicidade e o seu impacto no fenómeno "turkishteeth”

OMD

A Ordem dos Médicos Dentistas participou na sessão plenária da Organização Regional Europeia (ERO) da Federação Dentária Internacional, realizada em Sofia, na Bulgária, a 25 e 26 de abril. A OMD esteve representada pelo bastonário, Miguel Pavão, e pelo membro do Conselho Diretivo com o pelouro das Relações Internacionais e Cooperação, António Roma Torres, que integraram a discussão de vários temas estruturantes para o futuro da profissão.

No contexto da cooperação europeia, a Ordem abordou o tema da publicidade em medicina dentária com a congénere da Turquia. Esta discussão assume particular relevância devido ao fenómeno “turkishteeth”, que se traduz na promessa de tratamentos em tempo recorde e a preços muito mais baratos do que nos países de origem.

Esta análise conjunta, no âmbito do fórum “Dental Liberal Practice”, teve como objetivo central a definição de estratégias para mitigar o impacto negativo desta realidade e a cooperação entre os dois países, com foco na segurança dos pacientes.

Portugal, Espanha ou Reino Unido são alguns dos destinos onde estas práticas de aliciamento são mais comuns.

A agenda de trabalhos da sessão plenária da Organização Regional Europeia incidiu sobre outros temas prioritários para o setor. A reunião permitiu aprofundar matérias como a formação contínua em medicina dentária e os desafios colocados pelo envelhecimento da população. Os representantes europeus debateram ainda o papel da equipa de saúde oral, a digitalização e a inteligência artificial, bem como a articulação entre os médicos dentistas e as universidades e a necessária interligação entre a saúde oral e a saúde geral.

Crianças com apetite "emocional" apresentam maior risco de obesidade e diabetes, revela estudo

SIC Notícias

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), divulgado nesta segunda-feira, mostra que crianças com apetite "emocional" arriscam ter pressão arterial elevada, resistência à insulina e perímetro da cintura mais elevado no início da adolescência..

A investigação teve como base a análise de crianças que apresentam uma ingestão alimentar dita "emocional", ou seja comem em resposta a emoções e demonstram um apetite ávido.

Apresentando níveis elevados de triglicerídeos (gorduras) no sangue, pressão arterial elevada, resistência à insulina e perímetro da cintura mais elevado no início da adolescência, estas crianças "correm risco de ter pior saúde", lê-se no resumo enviado à agência Lusa.

O objetivo do estudo foi analisar o impacto de fatores ambientais e hábitos familiares nas "trajetórias" dos comportamentos alimentares de crianças e adolescentes, entre os 7 e os 13 anos, relacionando-os com fatores como as condições socioeconómicas, hábitos das mães na gravidez e índice de massa corporal (IMC).

"Demonstrámos que os determinantes do ambiente alimentar estão relacionados com o apetite e têm impacto na saúde cardiometabólica", explica Alexandra Costa, doutorada em Saúde Pública pela FMUP e principal autora deste trabalho.

De acordo com a investigadora, "aos 13 anos, já existe uma grande diferença nos indicadores cardiometabólicos das crianças, de acordo com os seus comportamentos alimentares.

"Apetite ávido" associa-se a fatores socieconómicos desfavoráveis

"O grupo com o apetite mais ávido registou piores marcadores, comparativamente com outros grupos", explicou a investigadora que dedicou a sua tese de doutoramento, defendida em março deste ano, a este assunto e tem já sete estudos sobre o tema.

Salvaguardando que não se pode já falar em doença metabólica, Alexandra Costa salienta que as crianças com apetite "descontrolado" tendem a apresentar um risco mais elevado de virem a ter problemas como obesidade e diabetes na idade adulta.

O estudo identificou dois tipos de comportamentos extremos perante a comida: apetite ávido e pouco apetite.

O apetite ávido, mais voraz, que envolve uma maior ingestão de alimentos, associa-se a fatores socioeconómicos desfavoráveis, mães mais novas e com mais peso.

Em causa está um perfil que tende a estar mais presente em casos de insegurança alimentar e de experiências adversas na infância.

Estas crianças comem mais de todo o tipo de alimentos, incluindo os mais saudáveis.

"Muitos pais pensam que, se os filhos têm muita fome e comem muito, é bom sinal e desconhecem as consequências para a saúde, que vão além do sobrepeso e da obesidade".

Alerta Alexandra Costa - Doutorada em Saúde Pública pela FMUP e principal autora deste trabalho.

Pelo contrário, as crianças que apresentaram um menor apetite têm baixa resposta emocional à comida, melhor regulação da ingestão alimentar, padrões alimentares mais saudáveis, caracterizando-se por fatores socioeconómicos mais favoráveis, designadamente mães com mais escolaridade e mais magras.

Nesta investigação, foram utilizados dados de diferentes 'coortes'.

Entre os três meses e os 12 meses de idade, foi usada a 'coorte' BITWIN, com cerca de 300 participantes.

Nas restantes idades, foi utilizada a 'coorte' longitudinal (Geração XXI).

Defendendo que a responsabilidade não é apenas dos pais e famílias, a autora aponta para a necessidade de envolver as escolas e o marketing alimentar.

"Os determinantes socioeconómicos e ambientais só podem ser mudados com políticas globais. Devemos sensibilizar os pais e famílias para a regulação das quantidades dos alimentos e, no extremo oposto, para a necessidade de oferecer várias vezes uma diversidade de alimentos saudáveis".

Conclui a Dr.ª Alexandra Costa.

Estudo alerta que toxinas e alterações climáticas agravam crise global de fertilidade

SIC Notícias

A combinação entre químicos tóxicos e impacto climático pode provocar graves efeitos na reprodução em humanos e animais. Especialista alerta para a presença crescente de novos contaminantes no ambiente.

A exposição simultânea a químicos tóxicos e aos impactos das alterações climáticas pode estar a contribuir para a diminuição global da fertilidade.

A investigação publicada na revista Nature Reviews Earth & Environment, aponta para um efeito “aditivo” e “sinérgico” entre os dois fatores, capaz de aumentar os danos no sistema reprodutivo de várias espécies, incluindo humanos.

O estudo analisou 177 investigações sobre os efeitos de químicos desreguladores endócrinos, frequentemente presentes em plásticos e produtos de consumo, e fenómenos associados às alterações climáticas, como o stress térmico.

Segundo os autores, apresar de existirem muitos dados sobre cada ameaça de forma isolada, há ainda pouca investigação sobre os impactos da exposição simultânea.

“Não se está apenas exposto a um fator de stress, mas a dois ao mesmo tempo, ambos capazes de afetar a fertilidade, e o impacto global acaba por ser pior”.

Refere Susanne Brander, autora principal do estudo e docente da Universidade Estatal de Oregon, citada pelo The Guardian.

Fertilidade em risco

Os investigadores destacaram substâncias como microplásticos, bisfenóis, ftalatos e substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), associadas a problemas hormonais e reprodutivos.

Os ftalatos, por exemplo, têm sido relacionados com alterações na forma dos espermatozoides em invertebrados, perturbações na espermatogénese em roedores e redução da contagem de espermatozoides em humanos. Os PFAS também surgem ligados à deterioração da qualidade do esperma.

O aumento das temperaturas, a redução dos níveis de oxigénio e o stress térmico podem agravar problemas de infertilidade. O estudo refere ainda que a temperatura influencia a determinação do sexo em espécies como peixes, répteis e anfíbios, e que o aquecimento global pode desequilibrar esse processo natural.

Shanna Swan, coautora da investigação, participou num estudo de 2017 que concluiu que a concentração de espermatozoides em homens de países ocidentais caiu mais de 50% em quatro décadas. Outros trabalhos científicos apontam para uma diminuição semelhante da fertilidade humana.

O Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde da Universidade de Washington já tinha alertado para um “futuro de baixa fertilidade”, prevendo que mais de três quartos dos países fiquem abaixo da taxa de substituição populacional até 2050.

“Há um conjunto de tóxicos verdadeiramente novos a aparecer no ecossistema"

No congresso 1H-TOXRUN 2026, no Porto, o investigador Ricardo Dinis-Oliveira afirmou à Lusa que “há um conjunto de tóxicos verdadeiramente novos a aparecer no ecossistema que nós não temos qualquer conhecimento sobre eles na atualidade”.

O especialista destacou a presença de metais pesados em resíduos eletrónicos e a crescente contaminação das águas por medicamentos.

“Nós praticamente não sabemos como tirar um paracetamol da água”.

A firmou o investigador Ricardo Dinis-Oliveira.

O investigador referiu ainda que já existe fluoxetina, um antidepressivo, nas águas do rio Douro.

A redução do uso de químicos tóxicos e o combate às alterações climáticas serão essenciais para diminuir os riscos para a saúde humana e ambiental.

Alterações climáticas e poluição aumentam risco de AVC, conclui novo estudo

Euro News

As alterações climáticas e a poluição do ar podem estar associadas a um maior risco de acidente vascular cerebral, alerta a Organização Mundial do AVC.

As alterações ambientais agravadas pelas alterações climáticas, incluindo temperaturas extremas, variações súbitas de temperatura, humidade, pressão atmosférica, incêndios florestais, tempestades de poeira e de areia, podem estar associadas a um risco mais elevado de acidente vascular cerebral (AVC), de acordo com uma nova investigação (fonte em inglês).

Os investigadores que trabalham com a Organização Mundial do AVC (World Stroke Organization) analisaram estudos já publicados que avaliavam a relação entre AVC e alterações ambientais ligadas ao clima.

Concluíram que um clima cada vez mais instável pode aumentar o risco de sofrer um AVC e de morrer devido a esta causa.

Os investigadores alertaram que a maioria das provas aponta para associações, sem demonstrar que os fenómenos meteorológicos relacionados com o clima causem diretamente AVC. No entanto, referem que o conjunto dos resultados é coerente e biologicamente plausível.

“As temperaturas elevadas podem provocar desidratação, ‘espessando’ o sangue e aumentando o risco de obstrução dos vasos sanguíneos, enquanto as alterações de humidade e de pressão atmosférica podem elevar a tensão arterial, um importante fator de risco de AVC”, afirmou Anna Ranta, principal autora da análise e investigadora no Departamento de Medicina da Universidade de Otago, em Wellington, na Nova Zelândia.

Ranta referiu que os extremos meteorológicos que ocorrem em simultâneo, como calor extremo e seca, ou frio, humidade e vento, podem ter um efeito cumulativo, aumentando ainda mais o risco de AVC e de morte.

O estudo concluiu que alguns grupos parecem estar mais expostos, nomeadamente os idosos, as pessoas com perturbações metabólicas e quem vive em regiões mais frias ou com baixos rendimentos, onde tanto o frio como o calor extremos contribuem de forma mais marcada para o peso do AVC.

A Organização Mundial do AVC destacou ainda a poluição do ar como um fator de grande relevância no risco de AVC.

A ficha global de dados sobre o AVC mais recente indica que os fatores de risco ambientais, sobretudo a poluição do ar e a exposição ao chumbo, representam cerca de 37% da carga global de AVC.

“As partículas dos ‘poluentes atmosféricos’ entram na corrente sanguínea através dos pulmões e danificam as paredes dos vasos sanguíneos. Isto pode provocar a obstrução e rutura de artérias cerebrais e causar um AVC.”

Dado que as alterações climáticas e a poluição atmosférica têm uma origem comum, a queima de combustíveis fósseis, a Organização Mundial do AVC defende que a redução das emissões de gases com efeito de estufa pode contribuir para diminuir o risco de AVC associado ao clima e proteger a saúde do cérebro.

O AVC é a terceira principal causa de morte e incapacidade no mundo, com 11,9 milhões de novos casos em 2021 e 1 em cada 4 adultos em risco ao longo da vida, segundo a Organização Mundial da Saúde (fonte em inglês).

ASAE apreende aperitivos e batatas fritas em ação contra tóxico formado na confeção

S+

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu duas toneladas de aperitivos e 40 quilos de batatas fritas numa ação contra um tóxico que se forma durante a confeção dos alimentos, anunciou na passada quinta-feira o organismo.

Em causa está a acrilamida, "um contaminante que se forma em alimentos ricos em hidratos de carbono quando sujeitos a processos de confeção ou transformação a temperaturas superiores a 120ºC, e em condições de baixa humidade" e que representa um risco para a saúde.

Na ação nacional dirigida à indústria de batatas fritas e aperitivos, realizada durante o mês de abril, foram ainda apreendidos mais de 27.600 embalagens de produtos alimentares, duas toneladas de bobines de rótulos e um instrumento de pesagem, refere a ASAE.

Simultaneamente, foram instaurados "seis processos contraordenacionais por incumprimentos em matéria de higiene e segurança alimentar", incluindo pela "inexistência de processos baseados nos princípios do HACCP", um sistema de análise para controlar os perigos da confeção.

Outras das infrações detetadas estão relacionadas com a rotulagem dos alimentos e a exploração ilegal de um estabelecimento industrial.

No total, foram fiscalizados 15 operadores económicos no âmbito da operação "Temperatura Máxima".

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