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Modelos de IA igualam médicos em tarefas complexas de raciocínio clínico, revela estudo

Euronews

Investigadores concluem que modelo de IA supera médicos humanos na maioria das tarefas de raciocínio clínico, do diagnóstico à gestão dos doentes.

Modelos de inteligência artificial superaram médicos nas decisões clínicas nos serviços de urgência, segundo um novo estudo.

Investigadores da Harvard Medical School e do Beth Israel Deaconess Medical Center, nos Estados Unidos, compararam a inteligência artificial com médicos humanos numa vasta gama de tarefas de raciocínio clínico.

Concluíram que os grandes modelos de linguagem (LLM) superaram os médicos em várias tarefas, desde tomar decisões na urgência com base nas informações disponíveis, a identificar diagnósticos prováveis e a escolher os passos seguintes na condução do caso.

"Testámos o modelo de IA em praticamente todos os referenciais e ele ultrapassou tanto os modelos anteriores como os nossos valores de referência com médicos".

Afirmou Arjun Manrai - Coautor sénior e professor na Harvard Medical School.

"Isso não significa, porém, que a IA vá necessariamente melhorar os cuidados: a forma e os contextos em que deve ser utilizada continuam pouco estudados e precisamos urgentemente de ensaios prospetivos rigorosos para avaliar o impacto da IA na prática clínica."

Como foi testado o modelo de IA?

Os investigadores avaliaram primeiro o o1-preview, o modelo de raciocínio da OpenAI lançado em 2024, ao qual apresentaram vários casos clínicos, incluindo conferências de casos publicadas e registos reais de serviços de urgência.

A IA superou os médicos humanos na maioria das experiências, sobretudo no raciocínio sobre a abordagem, no raciocínio clínico, na documentação e em cenários reais de urgência com informação limitada.

"Os modelos estão cada vez mais capazes. Antes avaliávamos os modelos com testes de escolha múltipla; agora obtêm sistematicamente resultados perto dos 100% e deixámos de conseguir acompanhar os progressos porque já chegámos ao teto".

Afirmou Peter Brodeur - O coautor principal.

Num dos testes, os investigadores pediram ao LLM – o o1 e o GPT-4o – que avaliasse doentes em vários momentos de uma passagem típica pelo serviço de urgência, desde a triagem inicial até às decisões mais tardias de internamento.

Em cada fase, o modelo recebia apenas a informação disponível naquele momento e era solicitado a indicar diagnósticos prováveis e a recomendar o passo seguinte.

A maior diferença entre a IA e os médicos verificou‑se na fase de triagem, em que há menos informação sobre o doente.

Tal como acontece com os médicos, os modelos de IA foram melhorando a capacidade de diagnóstico à medida que ficava disponível mais informação.

"Embora a aplicação de IA para apoiar a decisão clínica seja por vezes vista como uma aposta de alto risco, uma utilização mais ampla destas ferramentas poderá contribuir para reduzir os custos humanos e financeiros do erro diagnóstico, do atraso e da falta de acesso", escreveram os autores.

Necessária mais investigação

Os investigadores defendem a realização de ensaios prospetivos para avaliar estas tecnologias em contextos reais e apelam a que os sistemas de saúde invistam em infraestruturas de computação e desenvolvam enquadramentos que permitam integrar com segurança ferramentas de IA nos fluxos de trabalho clínicos.

"Um modelo pode acertar no diagnóstico principal, mas sugerir exames desnecessários que podem expor o doente a riscos", afirmou Brodeur. "Os seres humanos devem continuar a ser a referência última na avaliação do desempenho e da segurança."

O estudo tem algumas limitações. Os autores salientam que os resultados refletem apenas o desempenho dos modelos e se concentram sobretudo na versão de pré-visualização do modelo o1, entretanto substituída por modelos mais recentes, como o o3 da OpenAI.

"Embora se espere que o desempenho se mantenha ou melhore com os modelos mais recentes, são necessários novos estudos para perceber como varia o desempenho entre modelos e para analisar de que forma humanos e LLM podem colaborar", escreveram os autores.

Médicos exigem que Infarmed revogue prescrição de sensores de glicose como genéricos

S+

A Ordem dos Médicos (OM) exigiu na passada segunda-feira que o Infarmed revogue a sua decisão de permitir a prescrição de sensores de monitorização da glicose como genéricos, alegando que isso representa um “perigo real” para a segurança dos doentes.

A OM manifestou em comunicado a sua “profunda preocupação e firme discordância” em relação à decisão de abril da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) de implementar a prescrição por descrição genérica dos sensores de monitorização contínua da glicose.

Na circular informativa em causa, o Infarmed considerou que tem sido reforçada a oferta de sensores de monitorização da glicose no sangue, que permitem aos diabéticos evitar as picadas no dedo, existindo atualmente alternativas comparticipadas.

Perante isso, o Infarmed identificou a necessidade de alterar o modelo de prescrição destes dispositivos médicos, passando a sua prescrição a ser efetuada à semelhança dos medicamentos genéricos, em substituição das receitas por marca comercial que estavam em vigor.

A circular adiantou ainda que, após as adaptações necessárias nos sistemas informáticos de prescrição e dispensa, tornou-se possível implementar este novo modelo que entrou em vigor em 13 de abril, com o Infarmed a salientar que a medida contribui para “um maior acesso a estas tecnologias de saúde”.

Apesar de reconhecer a importância de garantir o acesso equitativo e eficiente aos dispositivos, a OM alertou que esse objetivo não pode ser alcançado através de uma “solução administrativa que trata dispositivos médicos complexos como se fossem medicamentos genéricos”.

“A comparação não faz sentido do ponto de vista clínico”, salientou a ordem, adiantando que, ao contrário dos medicamentos genéricos, os sistemas de monitorização contínua da glicose não são equivalentes entre si.

Segundo a OM, os dispositivos diferem na precisão, nos algoritmos utilizados, na necessidade de calibração, nos alarmes, nas aplicações digitais, na duração de utilização, na adaptação ao perfil do doente e na forma como a informação é apresentada e interpretada pelo utilizador.

De acordo com a OM, trocar um sensor de glicose não é o mesmo que substituir uma embalagem de medicamentos, uma vez que pode significar alterar uma ferramenta usada todos os dias por pessoas com diabetes para “tomar decisões críticas”, como a administração de insulina, a prevenção de hipoglicemias e o controlo metabólico.

“A decisão anunciada pelo Infarmed, embora bem intencionada, constitui um retrocesso e um perigo real para a segurança dos doentes porque trata sensores de glicose como se fossem todos iguais, quando na prática têm diferenças importantes que podem influenciar decisões críticas no tratamento”.

Avisou o Dr. Manuel Carlos Lemos - O presidente do Colégio de Endocrinologia e Nutrição da OM.

“Ao limitar a possibilidade de escolha do médico, a medida compromete a individualização dos cuidados e pode prejudicar o controlo da doença, com consequências que podem sair mais caras para todos”, referiu Manuel Carlos Lemos, citado no comunicado.

Perante isso, a OM defendeu a “revogação urgente” da decisão do Infarmed e a abertura imediata de um processo de diálogo com as associações profissionais, sociedades científicas, médicos prescritores, farmacêuticos e associações de doentes para se obter uma fundamentação técnica e científica.

“Estamos a defender os doentes, a segurança clínica, a responsabilidade médica e a qualidade dos cuidados. O acesso às tecnologias é fundamental, mas o acesso sem adequação clínica pode transformar uma boa intenção numa má decisão”.

Realçou Carlos Cortes - O bastonário da OM.

Lavagem das mãos nos hospitais sobe e está quase ao nível da pandemia

JN

A adesão dos profissionais de saúde à higiene das mãos nas unidades de saúde em Portugal atingiu, no ano passado, uma taxa de 82,2%, próxima à observada durante a pandemia de covid-19 (82,6%). Os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) são divulgados no âmbito do Dia Mundial da Higiene das Mãos, que é assinalado nesta terça-feira.

O valor representa um crescimento sustentado face a 2015, altura em que a taxa rondava os 73%, refletindo o esforço contínuo das equipas de saúde na prevenção e controlo de infeções. Ainda assim, a DGS sublinha a necessidade de reforçar estratégias para alcançar níveis de excelência alinhados com os padrões internacionais.

Em 2025, foram observadas mais de 530 mil oportunidades de higiene das mãos, das quais cerca de 436 mil foram efetivamente cumpridas. Apesar dos progressos, persistem fragilidades, sobretudo no momento "antes do contacto com o doente", que continua a registar a taxa de adesão mais baixa (75,8%), embora com tendência de melhoria.

A higiene das mãos é considerada uma das medidas mais eficazes na prevenção das infeções associadas aos cuidados de saúde e na redução da transmissão de microrganismos, incluindo aqueles resistentes aos antibióticos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a resistência aos antimicrobianos é uma das maiores ameaças globais à saúde pública.

Segundo estimativas internacionais, até 2050, as infeções associadas aos cuidados de saúde e a resistência aos antibióticos poderão causar cerca de 10 milhões de mortes por ano em todo o Mundo - um número equivalente à mortalidade por cancro.

A campanha deste ano, promovida pela OMS sob o lema "Cada ação conta. A ação salva vidas", reforça a importância do cumprimento dos chamados "Cinco momentos para a higiene das mãos": antes do contacto com o doente, antes de procedimentos asséticos, após risco de exposição a fluidos, após contacto com o doente e após contacto com o ambiente envolvente. Outro dos desafios identificados prende-se com o uso inadequado de luvas.

As autoridades de saúde defendem que o reforço da adesão depende de liderança ativa, compromisso institucional e formação contínua dos profissionais, bem como da garantia de acesso a recursos essenciais, como água, sabão e soluções antissépticas.

Prescrição Eletrónica Médica – Intervenção programada na PEM SNS 06/05/2026

OM

A pedido Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, E.P.E. informamos que no âmbito do processo de atualização e melhoria contínua da aplicação PEM - Prescrição Electrónica Médica, utilizada dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a SPMS procederá à atualização da aplicação no dia 6 de maio de 2026.

Esta intervenção tem como objetivo corrigir erros aplicacionais e melhoria do desempenho da aplicação PEM SNS. Em caso de necessidade, envie o seu feedback.

Nova injeção contra o cancro reduz tratamento de 2 horas para 1 minuto

SAPO

Nova forma de administração de imunoterapia permite reduzir tratamentos de várias horas para apenas um minuto, trazendo maior conforto e eficiência para doentes oncológicos.

Uma inovação no tratamento do cancro está a transformar a experiência de milhares de doentes: uma nova versão injetável do medicamento pembrolizumab, também conhecido como Keytruda, pode agora ser administrada em menos de um minuto, substituindo sessões hospitalares que antes demoravam até duas horas.

De acordo com o The Times, esta nova forma de administração já está a ser implementada no NHS e deverá beneficiar dezenas de milhares de pacientes. O medicamento, utilizado no tratamento de 14 tipos de cancro – incluindo mama, pulmão e colo do útero – passa agora a ser administrado por injeção subcutânea na coxa ou no abdómen.

Até agora, o tratamento era feito por via intravenosa, exigindo longos períodos no hospital e preparação complexa por parte das equipas farmacêuticas. Com esta mudança, os doentes podem entrar e sair do hospital em poucos minutos, embora a administração continue a ser feita por profissionais de saúde.

Impacto direto na qualidade de vida

Segundo o The Times, cerca de 14 mil pacientes iniciam todos os anos este tratamento em Inglaterra, sendo que a maioria deverá transitar para a nova versão injetável. A frequência mantém-se: a cada três ou seis semanas.

Shirley Xerxes, de 89 anos, foi uma das primeiras pacientes a experimentar esta nova abordagem. A rapidez do procedimento permitiu-lhe reduzir drasticamente o tempo passado no hospital, libertando mais tempo para atividades do dia a dia, como cuidar do jardim.

Como funciona esta imunoterapia

O pembrolizumab é um tipo de imunoterapia conhecido como “inibidor de checkpoint”. Atua bloqueando a proteína PD-1, que é utilizada pelas células cancerígenas para “desligar” o sistema imunitário. Ao travar esse mecanismo, o medicamento permite que o organismo reconheça e destrua as células tumorais de forma mais eficaz.

Este tratamento foi aprovado em 2015 para melanoma avançado e, desde então, foi alargado a vários outros tipos de cancro. Em alguns casos, como o melanoma avançado e o cancro do pulmão de não pequenas células, demonstrou mais do que duplicar o tempo de sobrevivência.

Benefícios para o sistema de saúde

A nova forma de administração não traz apenas vantagens para os doentes. Ao eliminar a necessidade de preparar bolsas intravenosas em condições estéreis, permite poupar horas de trabalho às equipas hospitalares todas as semanas.

O secretário da Saúde britânico, Wes Streeting, destacou a importância desta evolução, sublinhando que tratamentos mais rápidos tornam o processo menos desgastante e aumentam a capacidade de resposta dos serviços de saúde.

Também Cancer Research UK considera esta inovação uma excelente notícia, ao permitir que os doentes passem menos tempo no hospital e mais tempo a viver a sua vida fora dele.

Um avanço com impacto psicológico e social

Para muitos pacientes, o impacto vai além do físico. Claire Pearson, doente com melanoma, explicou que as longas sessões hospitalares obrigavam a faltar ao trabalho durante meio dia. Com a nova injeção, será possível reduzir esse impacto, permitindo retomar rotinas e responsabilidades familiares com maior facilidade.

Esta evolução representa, assim, não só um avanço clínico, mas também uma melhoria significativa na qualidade de vida e no bem-estar emocional dos doentes oncológicos.

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