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Liga Contra o Cancro saúda alargamento da vacina HPV aos 26 anos e pede extensão a mais idades

JN

A Liga Portuguesa Contra o Cancro classifica o alargamento da vacinação contra o HPV até aos 26 anos como um avanço significativo na prevenção do cancro, mas defende a extensão a outras faixas etárias e a grupos vulneráveis.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou no passado dia 8 de abril a norma referente à estratégia de vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) no Programa Nacional de Vacinação, alargando a imunização até aos 26 anos.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) saúda, em comunicado, esta medida, afirmando que representa "um avanço significativo" nas estratégias de prevenção primária do cancro, alinhado com os objetivos nacionais e internacionais de controlo e eliminação das doenças associadas ao HPV.

Segundo dados divulgados pela Liga, o HPV é responsável por cerca de 100% dos cancros do colo do útero, 99% dos condilomas genitais, 84% dos cancros do ânus e percentagens significativas de cancros da orofaringe, vagina, vulva e pénis, totalizando 5% dos cancros no geral e 10% dos cancros na mulher.

O presidente da LPCC, Vítor Veloso, afirma que esta decisão do Ministério da Saúde e da DGS, "baseada em evidência científica sólida, é um passo extremamente relevante" para se conseguir proteger mais pessoas numa fase decisiva da vida.

Mas, apesar deste "passo gigante", que "trará benefícios incalculáveis para a prevenção do cancro", Vítor Veloso defende que ainda há um caminho a percorrer pela eliminação dos cancros causados pelo HPV em Portugal.

"É fundamental continuar a refletir sobre as estratégias que permitam alargar a vacinação a outras faixas etárias, como entre os 30 e os 50 anos, mas também aos grupos da população particularmente vulneráveis".

Defende O presidente da LPCC - Dr. Vítor Veloso.

Vítor Veloso reforça que a eliminação dos cancros associados ao HPV exige "uma abordagem continuada e abrangente ao longo do ciclo de vida".

"A nossa missão continua e exige um esforço contínuo de sensibilização, elevada adesão à vacinação e a manutenção dos programas de rastreio para que possamos, de facto, erradicar esta doença", realça.

A LPCC afirma que, desde a introdução da vacina em Portugal, tem sido "uma voz ativa e pioneira" na consciencialização e defesa do alargamento do Programa Nacional de Vacinação, defendendo que "o acesso generalizado à vacina é essencial para proteger a saúde de mais gerações e para concretizar o ambicioso objetivo da eliminação dos cancros relacionados com o HPV".

Para a Liga, a vacinação contra o HPV deve ser encarada como parte de uma visão integrada da prevenção do cancro, que inclua, não apenas uma elevada cobertura vacinal, mas também a continuidade e adesão aos programas de rastreio e o reforço da literacia em saúde junto da população.

"Só através da articulação destas dimensões será possível maximizar o impacto das estratégias preventivas, reduzir desigualdades no acesso e assegurar ganhos sustentados em saúde ao longo da vida", salienta.

O HPV é um vírus comum, transmitido por contacto sexual - genital ou oral - com o qual 75 a 80% das pessoas têm contacto em alguma altura das suas vidas. Embora muitas vezes eliminado naturalmente pelo organismo, pode persistir e levar ao desenvolvimento de doenças como verrugas genitais e diversos cancros.

Negligência médica no parto resulta em indemnização histórica de 13,3 milhões de euros em Espanha

SIC Notícias

Um juiz de Madrid condenou um hospital de Valência a pagar 13,3 milhões de euros a uma família por negligência médica durante um parto em 2019. A criança desenvolveu paralisia cerebral e outras complicações devido à falta de oxigênio no cérebro. Trata-se do caso mais caro da história espanhola.

Um juiz de Madrid atribuiu uma indemnização superior a 13 milhões de euros a uma família, na sequência de uma grave negligência médica ocorrida em 2019 durante um parto no Hospital de Sagunto, em Valência.

Segundo o El País, Neizan, agora com seis anos, deixou de receber oxigénio no cérebro durante o parto, sem que a equipa médica detetasse a situação, o que resultou em lesões neurológicas permanentes.

Tudo começou quando a mãe do menino, Andrea Téllez, deu entrada na unidade hospitalar às 6h31 da manhã de 16 de novembro desse mesmo ano. Neizan nasceu no dia 18 de novembro, à 00h05, num “estado clínico deplorável”, com fracos batimentos cardíacos, sem respirar espontaneamente e com tensão arterial muito baixa.

“Levaram-no para o Hospital Clínico de Valência, onde passou 35 dias na UTI. Quando acordei da anestesia da cesariana, a primeira coisa que perguntei foi por ele. Inicialmente disseram-me que estava bem, mas quando o vi em Valência, todo ligado a máquinas, o mundo caiu sobre mim”.

Andrea Téllez - A mãe do menino

A criança acabou por desenvolver paralisia cerebral, epilepsia, problemas de visão e dificuldades relacionadas com a alimentação, tendo sido atribuído um grau de incapacidade de 87%, de acordo com o advogado Rafael Martín Bueno, citado pelo jornal espanhol.

O caso de negligência médica mais caro de Espanha

Segundo a sentença, registaram-se falhas na monitorização fetal e na interpretação dos sinais clínicos durante o trabalho de parto, o que levou à não deteção atempada de uma situação de falta de oxigénio.

Apesar do agravamento do estado do feto, as intervenções recomendadas pelos protocolos hospitalares não foram realizadas, incluindo exames adicionais ou uma cesariana de emergência, o que terá permitido a progressão da asfixia perinatal. A equipa médica também teria recorrido ao uso de ventosas para acelerar o parto, quando o feto ainda não estava na posição indicada.

Aos pais de Neizan, agora separados, foi concedida uma indenização no total de 13,3 milhões de euros, que ainda pode ser alvo de recurso. O valor, que inclui capital e juros de mora, é o mais alto da história espanhola no que diz respeito a indenizações deste tipo.

Segundo Andrea Téllez, a indenização será fundamental para garantir um ambiente adaptado às necessidades de Neizan e assegurar todos os cuidados que o filho dependerá ao longo da vida.

União Europeia aprova primeira avaliação clínica conjunta com participação do Infarmed

INFARMER I.P.

A União Europeia (UE) concluiu a primeira Avaliação Clínica Conjunta (JCA, na sigla em inglês), um procedimento europeu que visa harmonizar a avaliação clínica de medicamentos e de dispositivos médicos.

A decisão foi aprovada a 30 de abril de 2026 pelo Grupo de Coordenação dos Estados-membros para a Avaliação das Tecnologias da Saúde (HTACG), durante a sua 19.ª reunião, assinalando um marco na implementação prática do novo Regulamento Europeu de Avaliação de Tecnologias de Saúde (HTAR), aplicável desde janeiro de 2025.

Esta primeira avaliação incidiu sobre o medicamento tovorafenib (Ojemda®), indicado para o tratamento de glioma pediátrico de baixo grau, tendo sido conduzida pelo National Centre for Pharmacoeconomics (NCPE), da Irlanda, como avaliador, em colaboração com o Institute for Quality and Efficiency in Health Care (IQWiG), da Alemanha, como coavaliador. O relatório agora aprovado será submetido à Comissão Europeia para verificação processual, seguindo-se a sua publicação no portal Europa.

"Trata-se de um passo concreto decisivo para reforçar a cooperação europeia na avaliação de tecnologias de saúde, permitindo decisões mais consistentes a nível europeu e contribuindo para um acesso mais rápido dos doentes a terapêuticas inovadoras", comenta o presidente do INFARMED, I.P., Rui Santos Ivo, que acrescenta: "O Infarmed regozija-se por este resultado para os doentes e sistemas de saúde nacionais e que expressa o impacto objetivo do Regulamento de Avaliação de Tecnologias, cuja negociação concluiu durante a Presidência Portuguesa da União Europeia em 2021".

No âmbito do procedimento europeu estabelecido, o Infarmed colaborou neste processo, contribuindo para a definição do âmbito da avaliação com base nas necessidades identificadas a nível nacional, tendo também intervindo no processo de revisão e aprovação do relatório final pelo HTACG. Assim que a empresa responsável do medicamento submeter o processo ao Infarmed, seguir-se-á a avaliação económica.

Esta primeira JCA demonstra a capacidade de cooperação entre entidades de avaliação a nível europeu, permitindo uma análise científica conjunta que servirá de base às decisões nacionais sobre financiamento e acesso a medicamentos. A iniciativa reforça a harmonização de metodologias e promove um acesso mais eficiente e equitativo a terapêuticas inovadoras para os cidadãos europeus.

II encontro Ibérico do International College of Dentists

O JornalDentistry

O segundo Encontro Ibérico do International College of Dentists (ICD), reuniu Fellows de Portugal e de Espanha, e constituiu um momento de elevado significado científico, institucional e humano, reforçando a proximidade natural entre os dois países e consolidando uma verdadeira ponte de entendimento e partilha entre os respectivos distritos.

O encontro contou com a presença dos Regentes do ICD-Portugal e Espanha, Professor Doutor Francisco do Vale e Dra. Débora Vilaboa e do Presidente eleito da Secção Europeia, Dr. Santiago Jane, entre outros ilustres Fellows, num ambiente marcado pela fraternidade e pelo espírito de missão que caracteriza esta prestigiada organização internacional.

O programa teve início na passada sexta-feira com um jantar solidário em favor da organização Mundo a Sorrir, sublinhando o compromisso do ICD com a responsabilidade social e o apoio a projectos que promovem a literacia e o acesso a cuidados de saúde oral junto das populações mais vulneráveis. No sábado, o encontro prosseguiu com uma componente científica de elevada qualidade, que teve lugar na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, a quem se reconhece e agradece a generosa disponibilidade na cedência das suas instalações. Para além das comunicações científicas, foram também apresentados diversos projectos sociais apoiados pelo ICD, evidenciando o alcance global e o papel transformador desta instituição.

O International College of Dentists, fundado há mais de um século e representado em mais de uma centena de países, congrega profissionais que se distinguem pelo seu mérito científico, académico e ético, bem como pelo seu compromisso com uma prática clínica humanista e socialmente responsável. Num contexto internacional cada vez mais desafiante, o ICD afirma-se como uma referência na promoção de valores de solidariedade e ética na profissão de médico dentista. O encontro terminou com um jantar de convívio entre os Fellows portugueses e espanhóis, encerrando dois dias marcados pela ciência, pela amizade e pelo reforço de laços institucionais e pessoais, com a ambição clara de dar continuidade a esta dinâmica de colaboração ibérica no futuro.

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