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Fundação Champalimaud garante acesso a novas tecnologias para acelerar o desenvolvimento de terapias celulares de última geração contra o cancro

O JornalDentistry

O acesso a estas tecnologias permitirá ao Centro Integrado de Terapia Celular da Fundação transformar mais rapidamente descobertas científicas em novos tratamentos para os doentes.

A Fundação Champalimaud anunciou na passada quarta-feira a aquisição de um conjunto significativo de tecnologias associadas a receptores de células T, plataformas de desenvolvimento, dados científicos e materiais biológicos anteriormente pertencentes à Medigene Immunotherapies GmbH, bem como a celebração de um acordo de licença exclusiva com o instituto alemão Helmholtz Munich que lhe permitirá a utilização de tecnologias fundamentais baseadas em receptores co-estimuladores quiméricos.

Os dois acordos estão diretamente ligados. Parte das tecnologias adquiridas à Medigene depende, para o seu pleno desenvolvimento, de propriedade intelectual originalmente desenvolvida pelo Helmholtz Munich. A licença agora celebrada assegura à Fundação Champalimaud a liberdade de operação necessária para continuar a desenvolver estas abordagens terapêuticas e criar condições para a sua futura aplicação clínica. A aquisição destes ativos foi possível graças à contribuição do filantropo e empresário alemão Philipp Meyer-Schmeling.

Em termos simples, estas tecnologias permitem modificar células do sistema imunitário, em particular linfócitos T, para que sejam capazes de identificar e eliminar células cancerígenas com maior precisão, maior segurança e menos efeitos indesejados.

A licença concedida pelo Helmholtz Munich confere à Fundação direitos exclusivos sobre um conjunto de tecnologias patenteadas com recurso a proteínas de fusão, incluindo elementos baseados em PD-1/4-1BB e CD40L/CD28. Estas tecnologias foram concebidas para melhorar a ativação, a persistência e a função terapêutica das células T modificadas em laboratório, aumentando a sua capacidade de atuar contra certos tipos de tumor.

Este reforço de ativos e direitos permite à Fundação Champalimaud consolidar uma abordagem integrada no desenvolvimento de imunoterapias de nova geração, com particular incidência na terapia celular adoptiva. Este tipo de terapêutica consiste em recolher, modificar ou selecionar células do sistema imunitário, prepará-las em laboratório e administrá-las ao doente com o objetivo de reforçar a resposta do sistema imunitário contra o cancro.

A combinação entre as tecnologias agora detidas pela Fundação, os direitos licenciados pela Helmholtz Munich e a plataforma translacional integrada no CCTC cria um percurso mais coerente e eficaz entre a descoberta científica e a aplicação clínica. Este modelo permite reduzir barreiras de desenvolvimento, encurtar prazos e aumentar a probabilidade de transformar inovação científica em intervenções terapêuticas com impacto real para os doentes.

O potencial terapêutico dos ativos agora consolidados abrange o desenvolvimento de terapias baseadas em TCR dirigidas contra tumores sólidos e doenças hematológicas, bem como aplicações mais amplas em engenharia avançada de células T. As plataformas tecnológicas criam ainda condições para o desenvolvimento futuro de estratégias combinadas e de soluções de engenharia celular ainda mais sofisticadas.

“Este passo reflete uma decisão estratégica clara de construir uma capacidade plenamente integrada em terapias celulares”, afirmou Markus Maeurer, da Fundação Champalimaud. “Ao alinhar ativos científicos de elevada qualidade com a propriedade intelectual necessária e uma infra-estrutura translacional robusta, criamos as condições para levar terapias inovadoras à clínica de forma consistente, rigorosa e escalável.”

A Fundação Champalimaud continuará a avaliar oportunidades de desenvolvimento e colaboração que permitam expandir esta plataforma, com o objetivo de acelerar a tradução clínica e contribuir ativamente para o avanço das terapias celulares e génicas na Europa e a nível internacional.

Investigadores criam sistema de IA que pode conceber, acelerar e otimizar novos antibióticos

OBSERVADOR

Um sistema de IA criado por investigadores pode ajudar a combater as infeções resistentes aos medicamentos e a agilizar a criação de medicamentos mais potentes e eficazes contra agentes patogénicos.

Investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, criaram um sistema de inteligência artificial (IA) generativa que concebe e acelera o desenvolvimento de novos antibióticos.

O sistema pode ajudar a combater as infeções resistentes aos medicamentos e a agilizar a criação de fármacos mais potentes e eficazes contra os agentes patogénicos mais difíceis de tratar, noticiou na passada quarta-feira a agência Efe.

Liderados pelo investigador espanhol César de la Fuente, os cientistas da Universidade da Pensilvânia desenvolveram uma ferramenta, a que deram o nome de ApexGO, capaz de procurar compostos já existentes e otimizá-los para criar antibióticos mais potentes e eficazes.

O sistema concentra-se nos peptídeos, que são pequenas moléculas semelhantes a proteínas que podem atuar como antibióticos. Em vez de simplesmente pesquisar listas existentes de moléculas conhecidas, o ApexGO parte de modelos de peptídeos e sugere alterações que podem aumentar a sua eficácia na eliminação de bactérias nocivas.

Assim, o modelo atua como um mecanismo de design inteligente e “aprende padrões a partir de sequências de peptídeos e depois propõe novas versões com maior probabilidade de funcionar”, explicou a universidade. Para testar este método, os investigadores começaram com 10 peptídeos básicos e usaram a sua ferramenta para criar versões melhoradas.

O investigador enfatizou a necessidade de tecnologias capazes de acelerar o desenvolvimento para tentar obter candidatos terapêuticos reais e afirmou que este sistema de IA “é um passo importante rumo a este futuro”. “Encontrar novos antibióticos é, geralmente, um processo lento, dispendioso e baseado em tentativas e erros”, observou o investigador Marcelo Torres na mesma nota. “O que é entusiasmante aqui é que conseguimos utilizar a IA para orientar o processo de design, fabricar os compostos mais promissores e, em seguida, validar experimentalmente muitos deles”, acrescentou.

Infarmed proíbe exportação de 35 medicamentos

OBSERVADOR

Vacina pneumocócica e antibióticos para tuberculose e Helicobacter pylori estão entre os fármacos bloqueados pelo Infarmed. São mais sete do que em abril.

Trinta e cinco medicamentos, entre os quais uma vacina pneumocócica e antibióticos usados no tratamento da bactéria Helicobacter pylori, da tuberculose e de infeções do trato respiratório, estão temporariamente proibidos de exportação desde a passada quarta-feira, segundo o Infarmed.

A lista divulgada pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), que contém mais sete medicamentos comparativamente a abril, integra fármacos usados no tratamento de problemas de circulação, da infeção por VIH, da hipertensão, da insuficiência cardíaca aguda, entre outras doenças.

Esta lista de medicamentos cuja exportação é temporariamente suspensa é definida todos os meses e inclui os fármacos em rutura no mês anterior cujo impacto tenha sido considerado médio ou elevado, bem como outros que estejam a ser abastecidos ao abrigo de Autorização de Utilização Excecional (AUE).

A proibição destina-se a assegurar o abastecimento do mercado nacional e aplica-se a todos os intervenientes do circuito, incluindo aos fabricantes. O Infarmed monitoriza diariamente a informação sobre as faltas, as ruturas e as cessações de comercialização, para identificar e evitar situações críticas que possam afetar a disponibilidade dos medicamentos.

A autoridade nacional do medicamento integra a rede europeia de pontos de contacto das autoridades nacionais competentes, da Agência Europeia de Medicamentos (EMA na sigla em inglês) e da Comissão Europeia que, desde abril de 2019, é utilizada para a partilha de informação sobre ruturas de abastecimento e questões de disponibilidade de medicamentos autorizados na União Europeia.

Bruxelas vai recomendar a Estados-membros que proíbam terapias de conversão

S+

A Comissão Europeia anunciou na passada quarta-feira que vai recomendar aos Estados-membros, no próximo ano, que proíbam as terapias de conversão para pessoas LGBTIQ+, após mais de um milhão de cidadãos ter assinado há um ano uma petição nesse sentido.

Em comunicado, a Comissão Europeia salienta que as terapias de conversão se “baseiam na ideia falsa de que as pessoas LGBTIQ+ estão doentes” e frisa que podem criar “danos psicológicos e físicos duradouros”.

“De acordo com um relatório da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (UE), 24% das pessoas LGBTIQ+ na UE sofreram práticas desse tipo, incluindo violência física e sexual, abuso verbal e humilhação. Esse número quase duplica para mulheres e homens trans”, refere-se.

O executivo comunitário recorda que, há um ano, 1,1 milhão de cidadãos da UE pediu à Comissão Europeia que tomasse medidas contra essas práticas e propusesse uma proibição das terapias de conversão destinadas a pessoas LGBTIQ+.

A Comissão analisou as possibilidades jurídicas e tenciona adotar uma recomendação que apela aos Estados-membros para banirem as terapias de conversão”, afirma.

O executivo comunitário salienta que irá apresentar esta recomendação em 2027 e compromete-se a “apoiar os países nos seus esforços para proibir estas práticas prejudiciais”.

Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, a comissária europeia para a Igualdade, Hadja Lahbib, frisou que, após a submissão da petição subscrita por mais de um milhão de cidadãos, falou com pessoas que passaram por terapias de conversão, que lhe transmitiram “histórias horríveis, de medicação forçada, choques elétricos, abusos sexuais, violência verbal e física”.

“Metam-se na pele dessas pessoas: os vossos pais ou as pessoas mais próximas, dizem-vos ‘sabes, há algo de errado contigo, tu não estás bem, mas não te preocupes, nós vamos tratar de ti’. Pouco a pouco, começas a acreditar que estás doente, porque os teus entes queridos to dizem, e começas a sentir vergonha, porque as terapias não funcionam”, referiu, frisando que uma das pessoas com quem falou lhe disse que pensou em suicidar-se.

Dirigindo-se às pessoas que passaram por essas terapias de conversão, Hadja Lahbib disse-lhes que “nunca tiveram nada de errado, nem nada que precisasse de ser reparado”, que “são perfeitos tal e qual como são”, e que a Comissão Europeia os ouviu.

“A Comissão Europeia está a enviar uma mensagem clara, sem qualquer tipo de ambiguidade, a todos os Estados-membros desta União: proíbam as terapias de conversão agora. Essas práticas são danosas e devem ser ilegais”, defendeu.

Questionada sobre porque é que se trata de apenas uma recomendação e não de uma medida vinculativa, a comissária frisou que, para uma lei ser adotada, é necessária unanimidade, recordando que uma diretiva sobre igualdade de tratamento está em discussão há 18 anos precisamente porque não se está a conseguir chegar a consenso.

“Neste caso, mais do que prolongar discussões que nos iriam levar para um horizonte de 10 ou 15 anos, preferimos esta recomendação, que é um ato histórico, jurídico, que indica a posição da Comissão”, referiu.

Há quase um ano, em 16 de maio de 2025, mais de um milhão de cidadãos europeus tinham assinado uma petição na qual pediam a proibição das “terapias de conversão” para pessoas LGBTIQ+ no continente.

Entre os signatários dessa petição, estava o ex-primeiro-ministro francês Gabriel Attal ou a cantora belga Angèle.

A questão das terapias de conversão tem também sido discutida em Portugal, depois de, no início de março, um grupo de 17 mil cidadãos ter entregado na Assembleia da República uma petição que pedia a legalização dessas práticas, que foram proibidas no país em 2024.

Em resposta a essa petição, outros 30 mil cidadãos subscreveram outra iniciativa contra a legalização dessas terapias, recordando que a ONU defende a sua proibição.

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