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Notícias da Saúde em Portugal 837
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Governo abre a porta aos privados na emergência pré-hospitalar
CNN
Para evitar o caos dos últimos meses, em que muitas vítimas não têm resposta a tempo, e caso seja necessário, as situações menos graves vão poder ser socorridas em ambulâncias privadas. Uma opção que se pode ser usada pelo INEM no próximo inverno.
O Governo decidiu avançar com várias medidas para reorganizar o INEM e assim tentar evitar novos casos de rutura. E entre as alterações em marcha está a abertura da emergência pré-hospitalar aos privados. Num despacho do gabinete da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, publicado em Diário da República a 6 de maio, é definido que nas situações menos urgentes, que podem esperar 120 minutos, o socorro é feito em veículos com “avisadores luminosos sem avisadores sonoros”, o que vai permitir o recurso aos privados que não possuem veículos com sirene.
Esta alteração surge no âmbito de um conjunto de medidas que definem várias alterações. Segundo explica à CNN Portugal o presidente do INEM, Luís Cabral, não está previsto o recurso ao setor privado no imediato, mas admite-se essa possibilidade, caso seja preciso, por exemplo, no “próximo inverno”.
A opção de se usar ambulâncias de empresas privadas destina-se aos casos considerados “pouco graves” e com “com risco clínico baixo” e que estão no nível mais baixo de prioridade, segundo o documento. Nesse tipo de veículos há dois tripulantes de ambulância de transporte que têm formação em suporte básico de vida.

Ao todo estão fixados no INEM quatro níveis de prioridade: no primeiro (emergente) a chegada do socorro ao local tem de ser feita até oito minutos, no segundo (muito urgente) estão estipulados 18 minutos; no terceiro (urgente) o tempo máximo de espera são 60 minutos e depois há o quarto, em que são considerados episódios pouco urgentes e que podem implicar demoras de 120 minutos. Só neste último se exclui a obrigatoriedade de as ambulâncias andarem com “avisadores sonoros e luminosos”.
“É uma novidade. Nunca esteve previsto que as ambulâncias de emergência pré-hospitalar pudessem andar sem sirenes”, diz à CNN Portugal o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pre-Hospitalar, considerando que esta situação pode “contrariar o próprio código da estrada, uma vez que marcha de emergência nos termos da lei só se assinala com sinais luminosos e sonoros”. Por outro lado, Rui Lázaro sublinha que é sempre “um risco deixar emergências à espera ou mandar profissionais com pouca formação, pois a triagem telefónica será sempre um pouco falível e às vezes a situação pode agravar-se a meio do processo”.
Os bombeiros também já anunciaram publicamente a sua oposição a esta possibilidade: “A Liga dos Bombeiros Portugueses manifesta-se frontalmente contra a possibilidade de as empresas privadas virem a fazer socorro pré-hospitalar”, avisaram em publicações nas redes sociais, explicando que esta posição foi “retomada na sequência das informações vindas a público sobre a refundação do INEM”.
Lembrando que “não é por acaso que os bombeiros são responsáveis por 95% do socorro pré-hospitalar no nosso país”, a Liga sublinha que são cumpridos “padrões de qualidade e competência”.
A direção do INEM, por seu lado, aposta tudo numa mega reorganização que está a fazer no instituto: passar a usar as ambulâncias dos bombeiros para os pedidos de socorro de todo o pais e reservar 40 viaturas do INEM para o transporte de doentes entre hospitais e para serem usadas em períodos críticos, entre outras medidas.
UE alcança acordo para reforçar disponibilidade de medicamentos críticos
INFARMED I.P.
A Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia alcançaram um acordo político sobre o Critical Medicines Act (CMA, na sigla em inglês), um novo quadro legislativo europeu destinado a reforçar a disponibilidade, o abastecimento e a produção de medicamentos críticos na União Europeia (UE).
O acordo político alcançado no âmbito dos trílogos sobre esta iniciativa, durante a presidência cipriota do Conselho da União Europeia, pretende responder às ruturas no fornecimento de medicamentos em vários Estados-membros. As tensões geopolíticas nas cadeias globais de abastecimento farmacêutico e as lições da pandemia de COVID-19 evidenciaram a necessidade de reforçar a capacidade europeia de produção e de garantir maior segurança no acesso a medicamentos críticos. Nesse contexto, Portugal está também a trabalhar na aprovação de uma reserva estratégica no âmbito do PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, alinhando-se com os esforços europeus para reforçar a capacidade de resposta em situações de crise.
O acordo político alcançado introduz igualmente o princípio da "preferência europeia" na contratação pública de medicamentos críticos, permitindo valorizar produtos com maior componente de fabrico na UE e reforçar a capacidade de produção em solo comunitário, com vista a reduzir dependências externas e aumentar a segurança do abastecimento. O CMA prevê ainda a criação de critérios para a identificação de "projetos estratégicos" industriais na UE, destinados a modernizar e aumentar a capacidade de fabrico de medicamentos críticos, contemplando mecanismos de apoio direto ou indireto às empresas farmacêuticas. As empresas que beneficiem de financiamento nacional ou europeu ficam sujeitas a obrigações específicas, incluindo a priorização do abastecimento do mercado europeu.

As novas regras procuram diversificar as cadeias de abastecimento, facilitar a cooperação entre os Estados-membros na aquisição conjunta e reforçar a capacidade de fabrico de substâncias ativas em solo comunitário. O acordo prevê igualmente princípios de transparência, solidariedade e proporcionalidade na definição de requisitos nacionais de stocks de medicamentos críticos, promovendo a troca de informação entre os Estados-membros e possibilitando a realocação voluntária de medicamentos através do mecanismo voluntário de solidariedade (VSM) do Executive Steering Group on Shortages and Safety of Medicinal Products (MSSG), já utilizado pelos Estados-membros.
O INFARMED, I.P. acompanhou e contribuiu, no âmbito do Grupo de Trabalho "Medicamentos e Dispositivos Médicos" do Conselho da União Europeia, para a discussão desta legislação, intervindo a vários níveis, nomeadamente através da Unidade de Gestão da Disponibilidade e para o Sistema de Saúde (USS), que promove diariamente o acesso a medicamentos em Portugal, no contexto do sistema de saúde e para os cidadãos. Associa-se, assim, à EMA na saudação do acordo político alcançado, considerando que este representa um passo importante para reforçar a resiliência, a segurança e a sustentabilidade do abastecimento de medicamentos críticos na UE.
Como funciona o medo social perante o hantavírus? A marca emocional e traumática deixada pela covid
RTP Notícias
A "memória coletiva da pandemia" gera receios na sociedade, mais devido à memória do que aconteceu do que por causa da situação real.
Especialistas em sociologia e psicologia explicam como surge um medo por vezes irracional e alertam para outro grande vírus: a desinformação.
Vírus, confinamento, quarentena, contágio, PCR... são algumas das palavras que voltaram aos noticiários devido ao surto de hantavírus no navio de cruzeiro Hondius, que fez três mortos e quase uma dezena de infetados.
Ouvi-las de novo levou a sociedade a suster a respiração, pelo menos nos primeiros momentos de dúvida, mais pela memória do que a pandemia do coronavírus significou nas nossas vidas do que por um perigo real e justificado para a saúde pública.
Esta é a principal conclusão de especialistas em psicologia e sociologia, que explicam como a sociedade é afetada por esta memória coletiva pandémica que nos mostrou, ensinou e obrigou a uma nova forma de viver - confinados e isolados -, de nos relacionarmos - sem contacto, sem beijos, sem abraços e com máscaras pelo meio -, de chorar a morte de um ente querido - sem poder dizer adeus - e, em suma, uma nova forma de encarar a própria vida.
Tudo isto num contexto de extrema vulnerabilidade face a uma pandemia global que chegou sem alerta e deixou mais de 22 milhões de mortos, segundo dados divulgados esta semana pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A OMS tem sido responsável por repetir uma mensagem clara durante estes dias - "não se trata de outra covid"- consciente de que na mente de todos a memória do que foi o coronavírus é recorrente, inevitável e gera um alarme por vezes difícil de controlar.

Como atua o medo perante a memória?
"Quando vivemos uma experiência traumática coletiva como a que vivemos durante a pandemia, que envolveu confinamento e isolamento severos, deixa uma marca emocional que condiciona a nossa perceção do risco muitos anos mais tarde, e é mais do que normal que o medo e a incerteza surjam face a este surto, mesmo antes de conhecermos a sua extensão", diz a psicóloga da saúde Silvia Álava à RTVE Noticias.
"O medo permite-nos estar vivos e funciona como um sistema de sobrevivência, é uma resposta adaptativa dos seres humanos que ajuda a antecipar os riscos, a aumentar a vigilância. Senti-lo é normal, mas o problema surge quando não sabemos como lidar com ele, quando se torna contagioso a nível emocional e é difícil discernir entre o que tem validade científica e o que não tem".
Cristina Ait-Chaib é psicóloga especializada em crises e catástrofes e explica à RTVE Noticias que, apesar de existirem provas científicas claras que diferenciam o coronavírus do hantavírus, quando a sociedade deteta uma potencial ameaça à saúde e ao bem-estar "que pode ou não ser real", ocorre o chamado "sequestro da amígdala" ou, por outras palavras, a nossa parte mais racional é "sequestrada" pela nossa parte mais primitiva, o que nos faz perder o controlo em situações de stress emocional.
"Impede o raciocínio lógico e racional sobre o que se está a passar e faz com que o nosso lado mais analítico e crítico não consiga lidar com o problema que estamos a enfrentar", explica.
O sociólogo Jordi Busquet afirma que o que vivemos durante a pandemia foi um "verdadeiro choque" para a sociedade, que marcou um antes e um depois nas nossas vidas e criou uma nova perspetiva sobre as coisas, "nem sempre para melhor".
"O medo é uma emoção muito intensa e pode ter um aspeto positivo, porque se tivermos medo preparamo-nos para o pior. Na história da evolução humana, o medo ajudou-nos a sobreviver e a ultrapassar situações difíceis, mas temos de ter cuidado porque o medo também paralisa, gera desconforto e tem uma componente muito importante de contágio e disseminação", afirma, para lançar uma mensagem de alerta: "Uma sociedade que vive numa situação de medo constante é uma sociedade muito manipulável porque o medo é muito irracional e não se consegue controlá-lo".
Até agora, os casos de hantavírus têm sido circunscritos ao navio de cruzeiro Hondius, mas a sociedade assistiu com apreensão aos primeiros testes PCR de pessoas com sintomas que não tinham sido contatos próximos. Os resultados negativos foram tranquilizadores.
Os especialistas entrevistados concordam que a memória pandémica que já temos altera o significado das coisas e que algumas palavras completamente neutras, como "máscara", têm agora uma nova componente e desencadeiam memórias muito duras na sociedade.
Lutos mal resolvidos
Ángel Terrón perdeu um familiar próximo durante a pandemia e criou uma plataforma de apoio a familiares e vítimas, que ainda tem um grupo ativo no Whatsapp. É psicólogo e utilizou os seus conhecimentos para apoiar aqueles que passaram por momentos difíceis durante o pior da pandemia. Conta à RTVE Noticias como, especialmente durante os primeiros momentos deste surto de hantavírus e quando havia dúvidas sobre o seu alcance, este chat foi reativado com mensagens que deixam claro que as memórias e o medo permanecem na sociedade.
Nesse grupo, falou-se quase mais sobre a pandemia de covid e o que fez à vida das pessoas do que sobre a realidade atual.
Este psicólogo explica que há lutos que não se puderam realizar - "lutos mal resolvidos" - que continuam a gerar consequências psicológicas importantes nas pessoas que não puderam enterrar e despedir-se dos seus entes queridos.
Mas, para além destas queixas individuais, os especialistas apontam também para o facto de o luto coletivo da sociedade face a uma pandemia de tal magnitude não ter sido bem feito.
"voltámos rapidamente ao mundo e não trabalhámos a nível emocional, não gerimos os efeitos que a pandemia tinha tido em nós. Queríamos tanto voltar a viver que quisemos virar a página rapidamente. A desinibição prevaleceu e saímos para a rua sem a gerir, e agora, à mínima suspeita de que algo semelhante possa acontecer, começamos a tremer".
"Ait-Chaib concorda e diz que a "exaustão e a sobrecarga" causadas pelo coronavírus "contribuíram para que tudo aquilo por que passámos não fosse devidamente processado" e quase se tornasse um "assunto tabu". "Isto agora encoraja a propagação deste medo porque não foi bem resolvido", acrescenta a psicóloga.
Idade e personalidade influenciam o medo
Além disso, os traumas e os medos não são iguais para todas as pessoas, dependem da idade, da personalidade e das experiências vividas durante a covid.
Não é a mesma coisa para a pessoa que reage com hiper-relaxamento e decide colocar uma máscara desnecessariamente ou cancelar uma viagem sem uma justificação real, ou para a pessoa que evita, minimiza qualquer risco e até se recusa a reconectar com o que viveu.
Os especialistas explicam que quando uma palavra - hantavírus - desencadeia os nossos medos, estes variam. Assim, uma pessoa que esteve doente durante a pandemia teme novamente a doença; um adolescente preocupa-se com um novo confinamento porque o confinamento marcou essa geração de uma forma especial; uma pessoa mais velha pode pensar diretamente na morte, e alguém que vive num lar de idosos pode reviver o horror vivido nesses espaços durante o confinamento. Mais uma vez, o medo atual é mais influenciado pelas sensações do passado do que pela realidade do presente.
Busquet explica como a pandemia intensificou na sociedade de uma forma "espetacular" "a necessidade de sair, de viajar, de encher estádios em concertos, de partilhar experiências, momentos e lugares". "A experiência do confinamento foi muito dura para os adolescentes e jovens e deixou a sua marca", afirma.
Desinformação e notícias falsas: outro vírus potente
O sociólogo explica que "a sociedade vive mal em situações de mudança e de incerteza" e o desconhecimento do alcance do que está a acontecer e das suas consequências "deixa-nos nervosos e pedimos à ciência respostas rápidas, definitivas e imediatas, e às vezes a ciência precisa de tempo". "Neste lapso de tempo e no meio de situações de incerteza ou de caos, a indústria das 'fake news' funciona muito rapidamente", lamenta.
A opinião é unânime entre os especialistas, que estão preocupados com outro grande vírus do nosso tempo: a desinformação e as notícias falsas.
VerificaRTVE tem vindo a recolher boatos desde o início da crise do hantavírus, desde falsas restrições e encerramentos de escolas inexistentes em França a notícias falsas sobre vacinas e fotografias falsas que apenas servem para alarmar a sociedade.
"A informação é muito polarizada, por vezes formada através de rumores nas redes sociais, vídeos virais e títulos alarmistas. E é aqui que ocorre o viés de confirmação, em que o nosso cérebro seleciona informações que apenas confirmam uma hipótese que já estamos a criar. Há tanta desinformação de um lado ou de outro que ouvimos e vemos apenas o que queremos".
"A gestão do ponto de vista da informação e dos líderes políticos vai condicionar muito a forma como processamos e nos adaptamos enquanto sociedade a esta crise e, neste ponto, temos de apelar à responsabilidade de todos nós", acrescenta Cristina Ait-Chaib.
MedSUPPORT | Testemunho da semana
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Portugal continental com concentração de pólen elevada na próxima semana
OBSERVADOR
Todo o território continental estará na próxima semana com níveis elevados de concentração de pólen na atmosfera. Na Madeira e nos Açores a concentração será baixa.
Portugal continental vai estar a partir desta sexta-feira e até à próxima quinta-feira com níveis elevados de concentração de pólen na atmosfera, enquanto as regiões autónomas manterão valores baixos.
Segundo as previsões do Boletim Polínico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) divulgadas na passada quinta-feira, todo o território continental estará na próxima semana com níveis elevados de concentração de pólen na atmosfera, sobretudo das árvores oliveira, pinheiro, sobreiro e das ervas gramíneas, tanchagem, azeda, urtiga e urticáceas (incluindo a parietária).

No norte do país, no distrito de Vila Real (região de Trás-os-Montes e Alto Douro), do Porto (região de Entre Douro e Minho), de Coimbra (região da Beira Litoral) e o centro do país em Castelo Branco (região da Beira Interior), além das espécies referidas, haverá uma concentração de pólen na atmosfera das árvores bétula e carvalhos.
Os distritos de Lisboa (região de Lisboa e Setúbal) e de Faro (região do Algarve) vão ter igualmente a concentração de pólen na atmosfera de carvalhos e da erva quenopódio.
No Alentejo, no distrito de Évora, a concentração de pólen na atmosfera vai estar elevada também com grãos provenientes das ervas quenopódio.
No Funchal (região autónoma da Madeira), a concentração de pólen na atmosfera encontra-se baixa, maioritariamente com pólenes das árvores cipreste, pinheiro, eucalipto e também das ervas gramíneas, tanchagem, quenopódio, urtiga e urticáceas (inclui a parietária).
Em Ponta Delgada (região autónoma dos Açores), a concentração de pólen na atmosfera encontra-se baixa. Na atmosfera vão estar sobretudo os pólenes das árvores cipreste (e/ou criptoméria) e pinheiro e também das ervas gramíneas, tanchagem, urtiga e urticáceas (inclui a parietária).

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