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Ordem e SMDSP abordam desafios do setor público

OMD

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, reuniu com o Sindicato dos Médicos Dentistas do Setor Público e Social Português (SMDSP) para debater alguns dos principais desafios do setor e o atual momento de implementação da carreira de medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde.

O encontro, realizado no passado dia 18 de maio, na sede da OMD, contou com a participação do presidente do SMDSP, António Pereira da Costa, da vice-presidente, Elisa Laranjo, e dos médicos dentistas Miguel S. Costa e Paulo Guilherme Guimarães.

Neste contexto de acompanhamento da evolução e da estruturação carreira, aprovada em Assembleia da República no dia 17 de abril, os representantes do sindicato aproveitaram a oportunidade para expor algumas preocupações. Em cima da mesa estiveram, em particular, as fragilidades identificadas nos procedimentos dos concursos de acesso para os médicos dentistas no setor público.

A Portaria nº 123/2026/1, de 20 de março, que enquadra o novo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral 2030, foi outro dos temas discutidos. Perante o cenário atual, o SMDSP apelou à intervenção da Ordem junto da tutela tendo em vista a revisão deste diploma até ao prazo legal previsto, estabelecido para janeiro de 2027. Esta revisão é considerada prioritária para assegurar a adequação do programa à realidade e às necessidades do setor.

Os representantes do sindicato reforçaram também a importância de dar continuidade ao processo de criação da especialidade de medicina dentária hospitalar. Para o SMDSP, este passo assume um caráter fundamental para assegurar a diferenciação dos profissionais e qualificar a prestação de cuidados integrados em ambiente hospitalar.

Por fim, os responsáveis sindicais partilharam com o bastonário uma nota sobre o crescimento da organização, que ultrapassou recentemente a marca dos 100 colegas sindicalizados, os quais exercem a sua atividade no Serviço Nacional de Saúde, no Serviço Regional de Saúde e no setor social.

Apenas 20% dos protetores solares testados são seguros e eficazes

CNN

Consumidores são frequentemente atraídos por produtos mais caros que atingem níveis de FPS até 100+, alegando bloquear 99% dos raios UVB. No entanto, segundo este estudo, há pouca diferença de eficácia, sendo que um protetor solar 50+ mais barato pode bloquear 98% dos raios.

Está na altura de abastecer-se de protetor solar, mas poucas opções disponíveis nas prateleiras das lojas são simultaneamente seguras e eficazes, segundo um relatório anual do Environmental Working Group (EWG), uma organização sem fins lucrativos de defesa da saúde e do ambiente.

Agora na sua 20.ª edição, o “Guia de Protetores Solares 2026” do EWG analisou 2.784 produtos e concluiu que apenas 550 — cerca de 20% — oferecem proteção segura e eficaz contra os raios nocivos do sol.

O novo guia, divulgado a 19 de maio, lista os melhores protetores solares para bebés e crianças, incluindo os que oferecem uma boa relação qualidade-preço e os principais protetores solares de uso recreativo, destinados a atividades ao ar livre, como desporto ou idas à praia.

Além disso, os consumidores podem encontrar no relatório protetores solares de uso diário com melhor classificação, incluindo hidratantes com fator de proteção solar (FPS) e os melhores bálsamos labiais com FPS.

Para serem recomendados pelo EWG, os protetores solares devem proteger contra os raios UVA e UVB, dois tipos de radiação ultravioleta conhecidos por danificar o ADN e acelerar o envelhecimento da pele. Por questões de risco de inalação, sprays e pós não são incluídos. Os fabricantes não podem reivindicar FPS superior a 50+ nem usar alegações proibidas a nível federal, como “à prova de água”.

Os protetores recomendados no novo guia também evitam o palmitato de retinilo, uma forma de vitamina A, bem como químicos suspeitos de causar cancro, irritação da pele, reações alérgicas ou danos reprodutivos, problemas no desenvolvimento ou neurotoxicidade.

“O palmitato de retinilo faz parte da família dos retinoides que os dermatologistas recomendam para combater rugas e outros sinais de envelhecimento. Esses produtos vêm com avisos para não expor a pele ao sol”

afirmou Alexa Friedman, cientista sénior do EWG.

“Em 2010, cerca de 40% dos produtos continham palmitato de retinilo, sendo que hoje esse valor caiu para 3%, o que é uma boa notícia para os consumidores.”

referiu Friedman

Protetores minerais vs químicos

Dos 550 produtos recomendados pelo EWG, 497 são maioritariamente feitos a partir de minerais que permanecem na pele e desviam fisicamente os raios solares. Como não são absorvidos pela derme, estes protetores causam pouca irritação ou toxicidade.

A FDA aprovou dois minerais para uso em protetores solares — óxido de zinco e dióxido de titânio — que eram conhecidos por deixar um tom esbranquiçado na pele. Novas formulações e opções com tonalidade disponíveis no mercado têm vindo a reduzir esse problema.

Já os protetores solares químicos são concebidos para serem absorvidos pela pele e funcionam através de uma reação química que absorve a radiação ultravioleta e a dissipa sob forma de calor. Durante décadas foram utilizados sem preocupação, mas em 2019 cientistas da FDA concluíram que seis dos ingredientes mais comuns podiam entrar na corrente sanguínea em níveis inseguros após apenas um dia de utilização.

Esses químicos permaneceram no sangue mesmo dias depois da aplicação ter sido interrompida. Dois deles — homosalato e oxibenzona — mantiveram-se na corrente sanguínea acima dos níveis de segurança durante mais de duas semanas.

Nos últimos 19 anos, o número de produtos com oxibenzona caiu de 70% para apenas 5%, segundo o guia de 2026. Ainda assim, apenas 53 protetores químicos foram recomendados.

A indústria, através do Personal Care Products Council, afirmou à CNN que colocar em causa a segurança dos protetores solares prejudica décadas de investigação científica.

“Sugerir que apenas um número limitado de protetores solares é seguro e eficaz desencoraja o seu uso, o que pode prejudicar a saúde pública”

afirmou o cientista-chefe do PCPC, Dr. Jaap Venema.

A CLÍNICA MODERNA JÁ NÃO PODE DEPENDER DA MEMÓRIA DAS PESSOAS

Jornal Dentistry

Há um momento muito particular na vida de muitas clínicas em que quase tudo parece finalmente estar a correr bem. O número de utentes aumenta, entram novos profissionais, os horários começam a ficar preenchidos com mais facilidade e aquilo que começou como um projeto pequeno ganha dimensão, reputação e ritmo. Durante algum tempo, esse crescimento traz entusiasmo. A clínica sente-se viva. Sente-se que o esforço valeu a pena.

Curiosamente, é também nesse momento que começam a surgir os primeiros sinais de fragilidade. No início, quase tudo funcionava de forma intuitiva. A equipa era pequena e os processos existiam sobretudo através das pessoas. A assistente sabia exatamente quando determinado equipamento precisava de manutenção. O diretor clínico lembrava-se de cada detalhe técnico da operação. Os documentos estavam “naquela pasta”. Os contactos importantes estavam guardados no telemóvel certo. E, enquanto a dimensão da clínica permitia esse modelo, tudo parecia controlado. O problema é que a medicina dentária mudou muito depressa. Hoje, uma clínica moderna já não é apenas um espaço de consultas. É uma organização técnica complexa, onde convivem equipamentos digitais, sistemas informáticos, imagiologia, scanners intraorais, software clínico, rastreabilidade documental, manutenção técnica, requisitos regulamentares, reprocessamento de dispositivos médicos e uma pressão crescente para garantir conformidade permanente. E quanto mais a clínica cresce, mais difícil se torna sustentar essa complexidade apenas com base na experiência e na memória das pessoas.

“Hoje, uma clínica moderna já não é apenas um espaço de consultas. E quanto mais a clínica cresce, mais difícil se torna sustentar essa complexidade apenas com base na experiência e na memória das pessoas”

Na MedSUPPORT acompanhamos frequentemente clínicas exatamente nesta fase. São projetos sólidos, equipas competentes compostas por profissionais dedicados. Não existe falta de qualidade clínica. O que existe é uma diferença cada vez maior entre a complexidade real da operação e a estrutura que existe para a suportar. É normalmente de forma silenciosa que isso começa a tornar-se visível. Uma manutenção preventiva que passou despercebida porque alguém estava de férias. Um equipamento cujo histórico técnico ninguém consegue localizar rapidamente. Uma calibração fora de prazo que só é descoberta quando surge uma auditoria. Um ciclo de esterilização sem o registo devidamente associado. Pequenos episódios que, isoladamente, parecem menores, mas que revelam uma realidade importante: a clínica cresceu mais depressa do que os seus processos.

“Enquanto o volume era pequeno, a operação conseguia sobreviver à base de improviso organizado. Mas chega um momento em que isso deixa de funcionar”

E esse talvez seja um dos maiores desafios das unidades de saúde modernas. Durante muitos anos, a qualidade esteve muito associada às pessoas certas: profissionais experientes, equipas dedicadas, colaboradores que “sabiam tudo”. Mas chega um ponto em que isso deixa de ser suficiente. Não porque as pessoas sejam menos competentes, mas porque nenhuma organização complexa consegue funcionar de forma sustentável dependendo apenas da memória humana. A memória falha. As equipas mudam. As responsabilidades multiplicam-se. O volume de trabalho aumenta. E aquilo que antes era possível gerir informalmente começa a transformar-se numa fonte permanente de risco, desgaste e ansiedade operacional.

E é precisamente aqui que muitas organizações descobrem uma verdade desconfortável: o crescimento da clínica não foi acompanhado pelo crescimento das ferramentas de gestão. Enquanto o volume era pequeno, a operação conseguia sobreviver à base de improviso organizado. Mas chega um momento em que isso deixa de funcionar. Curiosamente, existe ainda a ideia de que organizar processos, documentar procedimentos ou implementar sistemas de controlo significa criar burocracia. Na prática, acontece exatamente o contrário. Quando um sistema está bem desenhado, a operação torna-se mais leve, mais previsível e mais tranquila. As pessoas deixam de carregar tudo “na cabeça”. As responsabilidades tornam-se claras. Os equipamentos passam a ter histórico acessível. Os prazos deixam de depender da memória de alguém. A clínica ganha capacidade para crescer sem aumentar proporcionalmente o caos. Ao longo dos anos, a MedSUPPORT tem observado que as organizações mais sustentáveis não são necessariamente as maiores nem as mais tecnológicas. São normalmente aquelas que conseguiram transformar conhecimento individual em conhecimento organizacional. Clínicas onde os processos continuam a funcionar mesmo quando alguém falta, onde a informação está acessível, onde a qualidade não depende exclusivamente da experiência acumulada de uma única pessoa. É esse o momento em que a organização deixa de funcionar apenas graças ao esforço humano e passa verdadeira mente a funcionar como sistema. E essa transformação raramente acontece de um dia para o outro. Começa normalmente pelo essencial: garantir conformidade, organizar documentação, estruturar manutenção, criar rastreabilidade, definir responsabilidades. Depois evolui para uma lógica de melhoria contínua, onde a clínica deixa de apenas reagir aos problemas e começa a antecipá-los.

“O futuro parece pertencer às organizações que conseguem crescer sem perder controlo sobre os seus próprios processos”

Talvez seja precisamente essa a grande mudança que está hoje a acontecer na medicina dentária. Durante muito tempo, o crescimento das clínicas foi medido sobretudo pela dimensão física, pelo número de gabinetes ou pela tecnologia instalada. Mas o futuro parece pertencer às organizações que conseguem crescer sem perder controlo sobre os seus próprios processos. Porque equipamentos podem ser adquiridos. Software pode ser instalado. Espaços podem ser ampliados. Mas construir uma clínica capaz de sustentar qualidade de forma consistente exige algo mais profundo: exige estrutura. E talvez a verdadeira maturidade de uma clínica comece exatamente no momento em que deixa de depender da memória das pessoas, para garantir que tudo funciona como deve ser. Na MedSUPPORT acreditamos que esse é um dos maiores desafios — e também uma das maiores oportunidades — da medicina dentária moderna. Porque quando a qualidade deixa de viver apenas nas pessoas e passa a viver no sistema, a clínica ganha aquilo que mais precisa para crescer com segurança: confiança.

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Consulte aqui a edição completa de abril d’ "O JornalDentistry"

Doentes portugueses são dos que mais esperam pela chegada de novos medicamentos

Saúde Mais

Portugal é o segundo país europeu onde os novos medicamentos demoram mais tempo a chegar ao mercado, segundo um relatório internacional que revela que os portugueses têm de esperar mais de dois anos por novos fármacos.

Esta é uma das conclusões do relatório da Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA), que aponta para “um cenário de desigualdade crescente” no acesso e disponibilidade de medicamentos inovadores na Europa.

Os investigadores quiseram perceber quanto tempo demora uma nova terapia a ficar disponível e para isso olharam para 168 fármacos que receberam autorização de comercialização entre 2021 e 2024.

Em média, estes medicamentos demoraram 532 dias a chegar ao mercado, mas existem grandes disparidades entre países: os alemães tiveram de esperar apenas 56 dias, enquanto os romenos aguardaram 1.201 dias, ou seja, mais de três anos e quatro meses.

Neste ‘ranking’, que compara 36 países, Portugal surge em penúltimo lugar, com um tempo médio de espera de 784 dias entre a autorização de introdução no mercado e a data de disponibilização aos doentes.

Entre os que esperam menos tempo estão, depois dos alemães, os suíços (212 dias), sérvios (235), austríacos (259), dinamarqueses (268) e ingleses (282).

Os investigadores foram ver também quantos medicamentos aprovados continuavam sem chegar ao mercado e perceberam que era a maioria: Das 168 novas terapias, apenas 76 estavam disponíveis no início deste ano (45%).

Neste campo, Portugal destaca-se pela positiva, com 89 medicamentos disponíveis (53%), ficando em 12.º lugar do ‘ranking’ novamente liderado pela Alemanha, que em janeiro deste ano já tinha 93% dos fármacos no mercado.

Depois da Alemanha, surge a Áustria (85%) , Itália (79%), Suíça (76%) e Espanha (69%).

Os investigadores sublinham que existe uma “disparidade de acesso de 88% entre o país europeu com melhor acesso e o com pior acesso”.

O estudo mostra ainda que a situação está a agravar-se e, hoje, há maiores desigualdades entre os estados-membros, os pacientes europeus esperam mais tempo e há maiores restrições.

Antes, a disponibilidade total dos novos medicamentos era a principal forma de acesso, mas agora há cada vez mais restrições, alertam os investigadores.

A Alemanha volta a ser o país que apresenta melhores condições, com 93% dos medicamentos totalmente disponíveis, por oposição à Turquia, onde os pacientes têm acesso apenas a 5% dos fármacos. Em Portugal o valor é de 28%, igual à média europeia.

Os investigadores apontam várias causas para a indisponibilidade e atraso no acesso a novos medicamentos, desde a lentidão dos processos regulatórios, ao desalinhamento nos requisitos de evidência e orçamentos insuficientes nos Estados-Membros.

No estudo, a EFPIA defende mais investimento nos novos medicamentos e que os pacientes possam ter acesso aos novos tratamentos “enquanto decorrem os processos nacionais de avaliação de valor terapêutico e de reembolso, dentro de um prazo acordado de 180 dias”.

A diretora geral da EFPIA, Nathalie Moll, alerta para o facto de a Europa enfrentar “problemas de acesso a medicamentos há 25 anos”, estimando que as reformas globais de preços agravem a situação.

“É irrealista esperar maior investimento na Europa e acesso mais rápido a novos tratamentos para os europeus se os Estados-Membros continuarem também a exigir os preços mais baixos possíveis e as mais elevadas taxas de devolução ao Estado. Precisamos de fazer uma escolha” .

acrescentou a diretora geral da EFPIA, Nathalie Moll

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