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Notícias da Saúde em Portugal 843
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Cientistas descobrem ponto fraco de uma das 15 bactérias mais perigosas para os humanos
SIC NOTÍCÍAS
A bactéria Pseudomonas aeruginosa, presente no solo, na água e em ambientes húmidos, é uma causa frequente de infeções hospitalares.
Uma equipa internacional de cientistas descobriu o mecanismo molecular que permite à bactéria Pseudomonas aeruginosa resistir ao tratamento, uma descoberta que pode ajudar a reverter a sua resistência aos antibióticos atuais.
O estudo, publicado no Journal of the American Chemical Society, foi conduzido por investigadores do Blas Cabrera Institute of Physical Chemistry (CSIS) e da Universidade de Notre Dame (Estados Unidos), noticiou na passada sexta-feira a agência Efe.
Neste estudo, os investigadores identificaram como esta bactéria ancora a sua membrana externa protetora à parede celular utilizando uma espécie de "rebite molecular".
Ao replicar este mecanismo in vitro, os investigadores descobriram que o bloqueio da formação deste "rebite" enfraquece a dupla blindagem da bactéria, tornando-a vulnerável aos medicamentos.

Além disso, uma vez que o mecanismo de ancoragem descoberto é partilhado com outros agentes patogénicos Gram-negativos, a descoberta abre um caminho crucial para o desenvolvimento de novos alvos terapêuticos.
"Os nossos resultados abrem caminho para o desenvolvimento de novas estratégias antimicrobianas que visam e interferem especificamente neste processo, tornando a membrana mais permeável aos fármacos".
A crescente resistência aos antibióticos, que pode levar a humanidade de volta a uma era pré-antibiótica, está já associada a milhões de mortes anualmente em todo o mundo, dificulta o tratamento de infeções e é considerada uma das maiores ameaças à saúde global.
Uma vez que o mecanismo descrito neste estudo também se encontra noutros agentes patogénicos Gram-negativos, a investigação, conduzida em conjunto pelo IQF-CSIC e pela Universidade de Notre Dame, abre caminho a novas estratégias para enfraquecer estas bactérias multirresistentes, conhecidas como "superbactérias", e assim melhorar a eficácia dos antibióticos.
A infeção dentária silenciosa pode estar a prejudicar todo o seu corpo.
O JornalDentistry
Como médico dentista e investigador de saúde pública, observei o mesmo padrão durante anos. Os doentes com infeções profundas na raiz do dente apresentavam frequentemente problemas de saúde mais amplos, principalmente aqueles com diabetes.
Uma infeção dentária pode parecer um problema de saúde relativamente pequeno, mas os seus efeitos podem ir muito além da boca. Pesquisas recentes descobriram que as pessoas que fizeram um tratamento de canal para infeções de longa duração na ponta da raiz apresentaram níveis mais baixos de açúcar no sangue e uma redução da inflamação nos dois anos seguintes.
Os exames de sangue antes e depois do tratamento mostraram melhorias nos níveis de açúcar no sangue a longo prazo e nos marcadores relacionados com a saúde cardíaca e metabólica. A simples remoção do tecido infetado no interior do dente pareceu beneficiar o organismo em áreas distantes do local da infeção.
Uma das razões é que estas infeções nem sempre se mantêm localizadas. Quando as bactérias atingem os tecidos em redor da raiz do dente, o sistema imunitário reage. Se a infeção persistir, o organismo produz uma inflamação de baixo grau: uma resposta imunitária constante e latente que nunca se desliga completamente.
Este tipo de inflamação de fundo pode espalhar-se pela corrente sanguínea. Pode dificultar a regulação eficaz do açúcar pelo organismo, porque a inflamação crónica interfere com a forma como a insulina funciona, reduzindo a capacidade do organismo de transportar o açúcar do sangue para as células.
Para compreender como este problema local pode desencadear efeitos em todo o corpo, os investigadores reuniram as evidências: uma revisão narrativa resume as descobertas de muitos estudos e mapeia as vias biológicas que podem ligar a periodontite apical a doenças sistémicas mais amplas.

Infeções orais e diabetes
Muitos estudos exploraram esta ligação entre as infeções orais e a diabetes, e estas descobertas podem ser resumidas de forma mais simples. Uma revisão de sete estudos constatou que as pessoas com diabetes têm maior probabilidade de apresentar lesões persistentes em torno de dentes tratados endodonticamente.
Neste caso, é a diabetes que aumenta o risco de cicatrização lenta – e não o contrário. O nível elevado de açúcar no sangue enfraquece a resposta imunitária e prejudica a reparação óssea, pelo que as lesões na ponta da raiz (visíveis nas radiografias como áreas mais escuras onde o osso não cicatrizou adequadamente) são mais comuns.
Outra revisão constatou que as pessoas com diabetes também enfrentam um maior risco de desenvolver periodontite apical em dentes tratados endodonticamente, em comparação com pessoas sem diabetes. Um estudo clínico envolvendo centenas de dentes tratados endodonticamente reportou a mesma tendência.
Estas descobertas corroboram o que sabemos sobre as doenças gengivais. O tratamento de infeções gengivais pode melhorar o controlo do açúcar no sangue em pessoas com diabetes, uma relação apoiada por estudos que mostram que a terapia periodontal – tratamento profissional para remover a placa bacteriana, o tártaro e a infeção abaixo da linha das gengivas – reduz modestamente os níveis de HbA1c.
A hemoglobina glicada (HbA1c) é uma medida da média de açúcar no sangue ao longo de várias semanas, pelo que mesmo uma pequena redução indica um melhor controlo da glicose a longo prazo. Os cientistas sugerem que reduzir a inflamação crónica na boca pode ajudar o corpo a regular o açúcar de forma mais eficaz.
Nada disto significa que o tratamento de canal seja um tratamento para a diabetes. As alterações observadas nos estudos são moderadas e dependem de fatores como a gravidade da infeção e a saúde geral.
E os investigadores são claros ao afirmar que a causalidade ainda não foi estabelecida, pelo que são necessários mais ensaios controlados. Mas a investigação sugere fortemente que a saúde oral tem um papel mais amplo na saúde metabólica do que a maioria das pessoas imagina.
Para as pessoas com diabetes ou em risco de a desenvolver, esta ligação é importante. Um dente dorido, ou mesmo um que simplesmente parece diferente, pode ser mais do que um problema local.
Estas descobertas também destacam um problema maior: a dificuldade em tratar os cuidados dentários e os cuidados médicos como mundos separados. A investigação sobre infeções de canais radiculares mostra o quão intimamente ligados podem estar. Um dente tratado adequadamente pode salvar mais do que um sorriso; pode contribuir para uma melhor saúde geral.
Aditivos alimentares podem aumentar risco de cancro, diabetes e doenças cardiovasculares
SAPO
Três estudos com mais de 100 mil participantes em França revelam que corantes e conservantes alimentares podem aumentar significativamente o risco de cancro, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Três novos estudos conduzidos por investigadores franceses alertam para uma possível ligação entre o consumo de corantes e conservantes alimentares e um risco acrescido de cancro, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Segundo os investigadores, mais de 139.000 produtos alimentares e bebidas registados no Open Food Facts, uma base de dados colaborativa e de acesso aberto que reúne informação sobre produtos alimentares vendidos em diferentes países, contêm pelo menos um corante e mais de 700.000 incluem conservantes.
Corantes e diabetes tipo 2
Os três estudos, publicados nas revistas científicas Diabetes Care, European Journal of Epidemiology e European Heart Journal, concluem que as pessoas que consomem mais corantes alimentares têm um risco 38% maior de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aquelas com menor exposição.
Alguns aditivos específicos apresentaram associações ainda mais fortes, como o caramelo comum (E150a), ligado a um aumento de 46% do risco, e a curcumina (E100), com um aumento de 49%.
Corantes e cancro
Em relação ao cancro, os estudos descobriram que o elevado consumo de corantes alimentares está associado a um aumento de 14% no risco de cancro em geral, a um aumento de 21% no risco de cancro da mama e a um aumento de 32% no risco de cancro da mama pós-menopausa.

Conservantes e hipertensão
Entretanto, a investigação sobre conservantes mostrou que os consumidores com maior exposição aos mesmos apresentam um risco 24% maior de desenvolver hipertensão.
Alguns compostos, como o sorbato de potássio (E202), um conservante muito utilizado na indústria alimentar para prevenir o crescimento de bolores, leveduras e alguns fungos, têm sido associados a um risco 39% superior de hipertensão.
Os autores realçam que estes são os primeiros estudos epidemiológicos de grande escala a analisar uma grande variedade de aditivos alimentares em relação a estas doenças.
Observam ainda que os resultados são consistentes com investigações experimentais anteriores realizadas em modelos celulares e animais.
Os cientistas acreditam que estas descobertas reforçam a necessidade de as autoridades de saúde reavaliarem a segurança de certos aditivos alimentares e recomendam limitar o consumo de produtos ultraprocessados e priorizar alimentos frescos ou minimamente processados.
Nova Via Verde para dar resposta rápida a doença cardíaca já em funcionamento
SNS
A nova Via Verde Choque Cardiogénico (VVCC) começou a funcionar este mês. Trata-se de uma rede de referenciação médica urgente projetada para encaminhar rapidamente doentes com falência cardíaca, uma doença grave em que o coração não consegue bombear devidamente e em que, sem uma resposta dada a tempo, pode levar à morte.
O projeto-piloto desta nova Via Verde está neste momento a funcionar em três centros de referência de hospitais – ULS de São João, ULS de Coimbra e ULS de São José – e vai testar a organização e eficácia desta resposta. Estando previsto que esta rede possa ser alargada a todo o país até ao final deste ano.
O choque cardiogénico acontece quando o coração começa a perder a capacidade de bombear sangue, provocando falta de oxigénio nos órgãos vitais do corpo humano o que pode ser fatal.
Em Portugal, segundo dados do último relatório das doenças cardiovasculares, existem, em média, 800 doentes por ano com esta doença e a taxa de mortalidade ronda os 60%.
Os centros onde funciona esta Via Verde Choque Cardiogénico dispõem de uma equipa multidisciplinar, com cardiologia de intervenção, medicina intensiva, cirurgia cardíaca e, em alguns casos, transplante e suporte circulatório avançado.

O objetivo é garantir uma organização ágil e uma articulação em rede que permita que o doente seja identificado precocemente e referenciado para um canal próprio e rápido para um centro de referência. Desta forma pretende assegurar-se que a todos os doentes, independentemente do local onde vivem, é dada a mesma oportunidade de tratamento.
Ao contrário das outras vias verdes que já existem – a do enfarte e a do AVC – em que muitos dos acionamentos são de pessoas que estão em casa ou na rua, neste caso, a VVCC será mais usada pelos hospitais.
No referencial para implementação do projeto-piloto estabeleceram-se critérios de identificação destes doentes, o grau de gravidade da doença e como deve funcionar a articulação entre os vários hospitais, que têm diferentes níveis de diferenciação, e cria uma linha nacional que funcionará 24 horas por dia para os médicos, que devem ligar para confirmar o caso e decidir o melhor encaminhamento, se for essa a situação.
Durante a fase piloto, com uma duração entre seis e 12 meses, esta rede deverá funcionar sob coordenação técnica da DGS, com monitorização de indicadores, avaliação periódica e identificação dos ajustamentos necessários antes de ser alargada a todo o país.

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