Notícias da Saúde em Portugal 848

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Tratamento da obesidade. Wegovy mais barato em Portugal

SAPO

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou uma redução de 19% no preço de duas das dosagens mais elevadas do medicamento Wegovy, utilizado no tratamento da obesidade. A medida entra em vigor a 1 de junho e aplica-se às doses de 1,7 mg e 2,4 mg.

Com esta alteração, avançada pela CNN, o Wegovy de 1,7 mg passa a custar 173,98 euros, quando até agora custava 214,26 euros, o que representa uma descida de 40,28 euros. Já a dosagem de 2,4 mg baixa de 244,80 euros para 198,53 euros, uma redução de 46,27 euros.

A empresa justifica esta decisão com a intenção de aumentar o acesso ao tratamento da obesidade, sublinhando que cerca de dois em cada três adultos em Portugal têm excesso de peso ou obesidade, mas que muitos não conseguem aceder a terapias devido ao custo. A Novo Nordisk afirma que esta redução faz parte do seu compromisso com os doentes e pretende facilitar tanto o início como a continuidade do tratamento, uma vez que se trata de uma doença crónica.

A farmacêutica volta também a chamar a atenção para a ausência de financiamento público destes medicamentos em Portugal, defendendo que a comparticipação seria essencial para melhorar o acesso. Nesse sentido, aguarda a publicação de um regime excecional que permita pedidos de financiamento ao Estado.

Em 2022, segundo dados do INE (Inquérito às Condições de Vida e Rendimento), a proporção da população residente em Portugal com 18 ou mais anos com obesidade era de 15,9% no total. A diferença entre sexos é relativamente pequena: 16,1% nas mulheres e 15,7% nos homens.

A prevalência de obesidade varia de forma significativa com a idade. No grupo dos 18 aos 44 anos, a taxa situa-se nos 10,0%. Entre os 45 e os 64 anos, sobe para 19,1%, sendo mais elevada nos homens (20,9%) do que nas mulheres (17,5%). Já no grupo dos 65 aos 74 anos, a obesidade atinge 21,3% no total, mas aqui a tendência inverte-se: é mais elevada nas mulheres (23,5%) do que nos homens (18,7%). Finalmente, entre os 75 e mais anos, a taxa desce ligeiramente para 17,6%, com valores muito próximos entre sexos (18,1% nas mulheres e 17,2% nos homens).

No geral, os dados mostram um aumento claro da obesidade com a idade até à faixa dos 65-74 anos, seguido de uma ligeira diminuição nos grupos mais idosos, mantendo-se, ainda assim, em níveis relativamente elevados.

Tem havido um forte procura global por medicamentos como o Wegovy, que utiliza semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic, outro fármaco da empresa usado no tratamento da diabetes tipo 2 e também associado à perda de peso. Entretanto, continuam a decorrer desenvolvimentos regulatórios internacionais, incluindo a aprovação de novas dosagens e de uma versão em comprimido nos Estados Unidos, enquanto na Europa essas decisões ainda estão pendentes.

Bruxelas processa Portugal por falhas no reconhecimento profissional em áreas da saúde

S+

Comissão Europeia decidiu na passada quinta-feira instaurar um procedimento de infração a Portugal por falhas na adoção das regras da União Europeia (UE) sobre reconhecimento das qualificações profissionais de enfermeiros, dentistas e farmacêuticos.

O executivo comunitário enviou uma carta de notificação a Portugal e outros sete Estados-membros por não terem feito a transposição para o direito nacional da Diretiva (UE) 2024/782, relativa ao reconhecimento de qualificações profissionais na área da saúde.

O prazo de transposição terminou em 04 de março.

A diretiva em causa atualiza os requisitos mínimos de formação para enfermeiros de cuidados gerais, médicos dentistas e farmacêuticos, de modo a refletir o progresso científico e técnico geralmente reconhecido.

As atualizações, segundo um comunicado de imprensa, introduzem ou desenvolvem a nível da UE os requisitos de formação em áreas como a saúde eletrónica (‘e-health’), tecnologias digitais, imunologia, medicina regenerativa, medicina dentária, biofármacos, biotecnologia, genética e farmacogenómica.

Até à data, a Dinamarca, a Alemanha, a Grécia, a Croácia, Chipre, Malta, a Áustria e Portugal não comunicaram à Comissão as medidas de transposição integral das novas regras para o direito nacional.

Os Estados-membros em causa têm um prazo de dois meses para responder.

DGS atualiza procedimentos para responder a eventuais casos suspeitos de ébola

CNN

A Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou os procedimentos para os casos suspeitos de ébola em Portugal, definindo como hospitais de referência o Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, e o São João, no Porto.

O documento refere que, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), os países não diretamente afetados pelo surto que se verifica na República Democrática do Congo, como é o caso de Portugal, devem reforçar a deteção precoce e a gestão de eventuais casos importados.

De acordo com a DGS, uma pessoa que apresente febre acima dos 38 e náuseas, vómitos, diarreia, anorexia, dor abdominal e hemorragias, entre outros sintomas, e que tenha estado em áreas com circulação do vírus deve ser considerada como caso suspeito de infeção.

O profissional de saúde que identifique um caso suspeito de febre hemorrágica deve contactar de imediato a DGS por via telefónica e notificá-lo na plataforma informática do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, determina a orientação.

A DGS é a entidade responsável pela validação de casos suspeitos, cabendo-lhe ainda informar o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que assegura o transporte, o hospital de referência e o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), a quem cabe confirmar o diagnóstico.

"Um caso suspeito deve permanecer em isolamento físico, em espaço dedicado com controlo de acesso, e bem ventilado para o exterior de forma segura. Deve ainda reforçar a higiene das mãos e a etiqueta respiratória, e usar uma máscara cirúrgica, aguardando a chegada da equipa do INEM ao local", avança o documento.

Para os viajantes com destino a áreas endémicas ou com surtos ativos, a DGS recomenda que, previamente, realizem uma consulta do viajante, que façam o registo no Portal das Comunidades e efetuem um seguro de viagem.

Após o regresso, devem efetuar uma automonitorização ativa durante 21 dias, evitar dádiva de sangue até 60 dias após a viagem e não se deslocar a qualquer serviço de saúde sem orientação prévia.

Os viajantes que venham a adoecer nos primeiros 21 dias após o regresso devem ligar para o 112 em caso de emergência médica, mencionando os sintomas, as datas e o itinerário da sua viagem.

Na República Democrática do Congo foram registadas 246 mortes e mais de mil casos suspeitos, de acordo com um relatório divulgado na passada quinta-feira pelo Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência para a área da saúde da União Africana (UA).

Dieta vegetal pode ajudar a prevenir demência, mesmo quando a alimentação só muda depois dos 60

CNN

Trocar ultraprocessados por alimentos vegetais saudáveis pode reduzir o risco de Alzheimer e outras demências

Uma alimentação de qualidade, rica em alimentos de origem vegetal como cereais integrais, legumes e fruta, pode ajudar a prevenir o défice cognitivo, mesmo quando é adotada apenas a partir do final dos 50 ou dos 60 anos, segundo um estudo.

Adultos mais velhos que, ao longo de uma década, reduziram significativamente o consumo de alimentos pouco saudáveis tiveram um risco 11% menor de desenvolver doença de Alzheimer e outras demências, em comparação com aqueles cuja alimentação não sofreu alterações, refere Unhee Lim.

Por outro lado, as pessoas que passaram a consumir mais opções vegetais pouco saudáveis, como cereais refinados e alimentos com açúcares adicionados, tiveram cerca de 25% mais probabilidade de desenvolver algum tipo de demência ao fim de 10 anos, aponta.

O que é, afinal, uma dieta vegetal saudável?

A definição de uma dieta de base vegetal é ampla: implica, de forma geral, dar prioridade ao consumo de alimentos de origem vegetal em detrimento de produtos animais, como carne, leite e ovos.

O relatório, publicado na revista científica Neurology, procurou perceber de que forma a qualidade de uma dieta de base vegetal influencia o risco de demência. O estudo incluiu quase 93 mil pessoas, com uma idade média de 59 anos, e uma amostra etnicamente diversa, que integrou participantes afro-americanos, nipo-americanos, latinos, havaianos nativos e brancos. Todos os participantes responderam a um questionário sobre a sua alimentação no início do estudo. Dez anos depois, um subgrupo mais reduzido, com pouco mais de 45 mil pessoas, voltou a reportar os seus hábitos alimentares.

No topo da lista ficaram os alimentos vegetais considerados mais saudáveis: cereais integrais, fruta, vegetais, óleos vegetais, frutos secos, leguminosas, chá e café. Segundo os investigadores, consumir maiores quantidades destes alimentos foi o que mais protegeu a saúde cerebral.

Quando os investigadores compararam entre si as pessoas que seguiam uma alimentação vegetal mais saudável, concluíram que aquelas que consumiam maiores quantidades destes alimentos reduziram o risco de demência em 7% face às que consumiam menos.

Por outro lado, entre as pessoas que faziam escolhas vegetais menos saudáveis, aquelas que consumiam maiores quantidades desses alimentos apresentaram um risco 6% superior de desenvolver demência, de acordo com o estudo.

Benefícios mais amplos de uma alimentação vegetal

Além dos benefícios para o cérebro, estudos anteriores já tinham demonstrado que uma alimentação vegetal saudável está associada a uma redução de até 68% do risco de diabetes, doenças cardiovasculares e fatores de risco metabólicos, como a hipertensão arterial. Por outro lado, uma alimentação vegetal menos saudável esteve associada a um aumento de até 63% do risco destas doenças.

No que diz respeito à saúde cardiovascular, vários estudos mostram que limitar o consumo de carne vermelha e privilegiar cereais integrais, leguminosas e uma variedade de frutas e vegetais coloridos pode ajudar a reduzir o colesterol e o risco de doenças cardiovasculares.

O risco de desenvolver diabetes tipo 2 diminuiu 24% entre as pessoas que consumiam maiores quantidades de cereais integrais, fruta e vegetais frescos, ao mesmo tempo que limitavam a ingestão de alimentos vegetais e animais menos saudáveis. Esta alimentação esteve também associada à redução do índice de massa corporal e da circunferência abdominal.

"As conclusões mostram até que ponto a saúde humana e a saúde do planeta estão interligadas. Uma alimentação saudável promove a sustentabilidade ambiental - e isso é essencial para a saúde e o bem-estar de todas as pessoas na Terra", acrescenta Willett.

Farmacêuticos querem ter um papel ativo na saúde dos portugueses

EXPRESSO

As declarações dos protagonistas do último dia do 15.º Congresso das Farmácias, organizado pela Associação Portuguesa das Farmácias e a que o Expresso se associou como media partner.

“Foi desde sempre considerado que as farmácias faziam intrinsecamente parte deste Serviço [Nacional de Saúde]. Fomos evoluindo para um aumento enorme de competências, decorrentes da formação científica dos farmacêuticos, mas também das equipas”, considera Ana Paula Martins, ministra da Saúde.

“Foi um congresso muito mobilizador, no sentido em que tivemos mais de 1500 participantes. Houve uma enorme adesão às sessões em auditório e foi possível discutir um conjunto de temas que estão na ordem do dia”, considera Ema Paulino, presidente da Associação Nacional das Farmácias.

“Acho que as farmácias em Portugal fazem um excelente trabalho – sempre que cá venho, vou às farmácias e vejo o ambiente profissional que têm, quão acessível é aos doentes e às comunidades”, afirma Janet Morrison, presidente da Community Pharmacy England.

“As farmácias estão muito sensíveis ao impacto que tem no seu negócio todas estas questões da sustentabilidade – não só ambiental, mas também social e de governança. Estamos muito empenhados em diminuir o impacto na nossa atividade”.

Paula Dinis - Direção da Associação Nacional das Farmácias

“Acima de tudo, são necessárias decisões políticas quando falamos em integração da farmácia no percurso doente. Estamos a falar de ter a farmácia como local onde podem ser diagnosticas e tratadas situações ligeiras, onde fazemos o acompanhamento do doente crónico, onde os doentes podem ser triados e encaminhados para o SNS”, acredita Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.

APA e Politécnico de Beja promovem Curso sobre Radão

APA

Realizou-se nos dias 28 e 29 de maio, no IPBeja – Escola Superior de Tecnologia e Gestão, o Curso Teórico-Prático sobre Radão.

Esta iniciativa decorre da parceria criada entre ambas as instituições para o Projeto de Monitorização de Radão em Beja e teve como objetivo reforçar competências técnicas e promover a sensibilização para os riscos associados ao radão, no âmbito das ações previstas no Plano Nacional para o Radão.

Os participantes eram predominantemente profissionais ou futuros profissionais de saúde e segurança no trabalho.

Durante o curso, foram abordados temas como:

  • Propriedades do radão e mapa de suscetibilidade

  • Técnicas de medição

  • Impactos na saúde e perceção de risco

  • Enquadramento legal

  • Estratégias de prevenção, remediação e gestão em locais de trabalho

A formação incluiu ainda uma componente prática, com exercícios aplicados e demonstração de colocação de detetores.

Para além da APA, participaram igualmente nesta sessão oradores da EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A. e do Laboratório de Radioatividade Natural, da Universidade de Coimbra.

Obrigado por ler a medsupport.news.

A equipa da MedSUPPORT.

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