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Notícias da Saúde em Portugal 846
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Associações apelam ao reconhecimento da vacinação como prevenção cardiovascular
Notícias saúde
Uma infeção respiratória pode parecer, para muitos, um problema menor. Mas para quem vive com uma doença cardíaca, pode ser fatal. É esta a mensagem central de uma Declaração Conjunta lançada pela Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), a Associação Respira, a Associação Asma Grave (AAG) e o Movimento Doentes pela Vacinação (MOVA), no âmbito de “Maio – Mês do Coração”, que apela ao reconhecimento formal da vacinação como medida de prevenção cardovascular.
As doenças cardiovasculares roubam, todos os anos, cerca de 1,7 milhões de vidas na União Europeia e custam mais de 282 mil milhões de euros à economia europeia, com as projeções a apontarem para um agravamento nas próximas décadas. Dados que, de acordo com as organizações acima, são suficientes para motivar à ação, sobretudo tendo em conta que uma parte significativa deste impacto poderia ser evitada.
A ciência já confirmou que vírus como o da gripe, da COVID-19 e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) desencadeiam respostas inflamatórias no organismo que podem precipitar enfartes, acidentes vasculares cerebrais e internamentos por descompensação cardíaca, sendo os doentes com insuficiência cardíaca ou doença arterial coronária os mais vulneráveis. Infeções para as quais existe prevenção, através da vacinação.

No entanto, apesar da evidência disponível, a vacinação continua a não ser encarada como uma medida de prevenção cardiovascular. É o que esta Declaração Conjunta pretende mudar. Alinhada com o Safe Hearts Plan da Comissão Europeia e com a Declaração de Consenso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que apontam a vacinação como forma essencial de prevenção nestes grupos, assim como com as Recomendações para a Vacinação contra o VSR na população adulta em Portugal, subscritas pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia e pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, as organizações defendem que a vacina contra o VSR, e outras vacinas contra infeções respiratórias, deve passar a integrar formalmente as estratégias nacionais de prevenção das doenças do coração.
O apelo é também dirigido ao sistema de saúde, que necessita de melhorar o acesso à vacinação contra o VSR na população adulta e grupos de risco, através de políticas públicas que respondam às necessidades dos mais vulneráveis; e às autoridades de saúde, no sentido da realização de campanhas de literacia em saúde que esclareçam a relação entre infeções respiratórias na idade adulta, nomeadamente o VSR, e risco cardiovascular.
SPMS debate potencial da IA na investigação clínica
SNS
O papel da inovação e da inteligência artificial (IA) na construção de um sistema de saúde mais centrado no doente foi o tema da participação da SPMS na conferência promovida pela APIFARMA e pela EUPATI Portugal. Realizou-se na Culturgest, em Lisboa, no dia 20 de maio.
Em representação da SPMS, Pedro Marques, coordenador da Unidade de Advanced Analytics, Inteligência Artificial e Robótica, dinamizou o painel “Dados, IA e Responsabilidade – O papel da Inovação centrada no doente”. Foram apresentados alguns dos principais projetos de dados e IA atualmente em desenvolvimento na SPMS.
Na sua intervenção, Pedro Marques afirmou que o desenvolvimento de soluções inovadoras assenta na disponibilidade de mais dados e em melhores condições para a investigação científica, sempre com uma abordagem responsável e centrada no doente.

Para o coordenador, o projeto Data Lake da Saúde deverá posicionar Portugal na vanguarda da utilização secundária de dados, assegurando o compromisso com o Espaço Europeu de Dados de Saúde. “Uma melhor inovação só será possível com mais dados e melhor investigação”, salientou.
Sob o mote “Inovar, por mais e melhor saúde”, a conferência reuniu especialistas, investigadores, profissionais de saúde, representantes de doentes e decisores. Teve como objetivo promover uma reflexão multidisciplinar sobre o papel da inteligência artificial na investigação clínica, destacando temas como a ética, a transparência e a governação dos dados.
Com uma estratégia assente na transformação digital, a SPMS desenvolve soluções que promovem uma utilização mais inteligente da informação em saúde, fomentando a investigação, a tomada de decisão e a melhoria contínua dos serviços prestados aos cidadãos.
Militar da GNR de Mogadouro infetado com legionella
JN
Um militar do posto da GNR em Mogadouro está internado no Hospital de Bragança, desde a passada terça-feira, com sintomas de legionela. A informação foi confirmada ao JN pelo comando geral da GNR, em Lisboa, através de uma fonte oficial que avançou "que o militar se encontra bem e a aguardar alta hospitalar".
A mesma fonte indicou que foram feitos testes de despistagem aos restantes militares daquele posto, tal como foram recolhidas amostras nos locais onde o doente esteve nos últimos dias, mas o foco do contágio é ainda desconhecido.

Até ao momento, não há outros militares com sintomas da doença, cujo contágio está associado à inalação de gotículas de água, através de bactérias presentes em meio aquático, nomeadamente, sistemas de água domésticos, como balneários ou piscinas, ou em zonas naturais, como lagos, rios e ribeiras ou outros.
Os sintomas da doença, cuja incubação demora cerca de seis dias após a aspiração da bactéria, são habitualmente vómitos e diarreia.
A fonte da GNR indicou ainda que as amostras recolhidas foram enviadas para o Instituto Dr. Ricardo Jorge, no Porto, e que se aguardam os resultados.
Calor já fez aumentar a procura dos serviços de saúde
OBSERVADOR
Temperaturas elevadas já resultaram num número elevado de chamadas para o INEM e no envio de alerta para um plano de contingência, afirmou a ministra da Saúde. Portugal está sob aviso amarelo.
A subida das temperaturas fez aumentar a procura do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o nível de prontidão dos planos de contingência, revelou a ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
“Nós já lançámos um alerta, naturalmente um alerta de nível 1 em termos do plano de contingência devido a este calor extremo e, neste momento, temos uma procura substancialmente maior”.
Todos os distritos de Portugal continental, com exceção de Faro, estão esta quarta e quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O aviso nos 17 distritos vai vigorar entre as 09h00 de quarta-feira e as 18h00 de quinta-feira face à previsão de persistência de valores elevados da temperatura máxima.

Tendo em conta as previsões de temperaturas elevadas, a Direção-Geral da Saúde já emitiu diversas recomendações à população, entre elas a ingestão de água com frequência (pelo menos 1,5 litros/dia) e a procura de ambientes frescos ou climatizados pelo menos durante duas a três horas por dia.
Recomenda igualmente que se evite a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11h00 e as 17h00, assim como a utilização de roupas de cor clara, leves e largas, que cubram a maior parte do corpo, chapéu e óculos de sol com proteção ultravioleta.
Pede especial atenção aos grupos mais vulneráveis ao calor, como crianças, pessoas idosas, doentes crónicos, grávidas ou trabalhadores com atividade no exterior.
UPatch: dispositivo de ecografia portátil pode mudar vigilância da gravidez
EURONEWS
Dispositivo visa reduzir falsos alarmes, evitar idas desnecessárias ao hospital e alargar o acesso a cuidados pré-natais em contextos com poucos recursos.
Cientistas desenvolveram um dispositivo de ecografia adesivo capaz de acompanhar continuamente a saúde do bebé no útero, identificando potencialmente complicações que a tecnologia atualmente disponível não deteta.
O adesivo, um dispositivo de prova de conceito denominado UPatch, pode ser usado durante várias horas seguidas, captando imagens do feto e monitorizando em tempo real o fluxo sanguíneo, incluindo em estruturas em movimento como o cordão umbilical.
Foi desenvolvido por uma equipa liderada pelo professor Sheng Xu, da Universidade de Stanford, em colaboração com investigadores da Universidade de Oxford e da UC San Diego, e os resultados foram publicados na revista Nature Biotechnology.

Porque falham os métodos atuais de monitorização
Os métodos atualmente usados para monitorizar o feto têm limitações significativas.
Ou fornecem aos médicos apenas imagens pontuais – meia dúzia de ecografias ao longo de toda a gravidez – ou dados contínuos tão cheios de falsos alarmes que se tornam difíceis de interpretar.
O UPatch procura situar-se a meio caminho, acompanhando automaticamente o fluxo sanguíneo e o estado de saúde do feto durante horas, sem necessidade de um especialista na sala.
Em ensaios com 62 grávidas, as medições do dispositivo coincidiram de forma muito próxima com as das ecografias portáteis tradicionais, o que sugere que consegue seguir de forma fiável o fluxo sanguíneo ao longo do tempo.
O que revelam os investigadores sobre o fluxo sanguíneo fetal
O dispositivo revelou ainda um dado clinicamente relevante: o fluxo sanguíneo fetal pode oscilar de forma dinâmica ao longo do tempo, com alterações temporárias que nem sempre indicam um problema persistente.
Num caso grave de pré-eclâmpsia, o adesivo detetou alterações preocupantes no fluxo sanguíneo, o que levou os médicos a intensificar a vigilância e a realizar uma cesariana quatro dias depois.
"esta tecnologia abre a possibilidade de monitorizar o bem-estar fetal de forma contínua e não invasiva durante períodos muito mais longos do que é atualmente possível".
A investigadora Mariana Tome foi mais longe, defendendo que o dispositivo pode transformar a própria experiência da gravidez, "ao ajudar as mulheres a sentirem-se mais seguras, tranquilas e acompanhadas ao longo de toda a gestação, reduzindo ao mesmo tempo deslocações desnecessárias ao hospital, exames repetidos e intervenções evitáveis".
Outros investigadores apontam benefícios mais amplos do UPatch. O primeiro autor, o médico Tom Park, destacou o potencial em contextos onde é difícil aceder a ecografistas especializados e a ferramentas de diagnóstico avançadas: "esta tecnologia pode alargar o acesso à imagiologia pré-natal em desertos de cuidados de saúde e em contextos com poucos recursos, onde a falta de ecografistas formados muitas vezes atrasa a assistência em gravidezes de alto risco".
Para já, o UPatch continua a ser uma prova de conceito. Depende ainda de uma ligação por cabo a um sistema de apoio e exige uma ecografia convencional para ser corretamente colocado. São também necessários mais ensaios clínicos com grupos maiores e populações mais diversificadas.
Mas os investigadores admitem que versões futuras possam ser totalmente sem fios e muito mais compactas. Se isso se confirmar, a monitorização contínua do feto poderá deixar de se limitar a momentos pontuais no hospital para passar a estar muito mais próxima do uso quotidiano.

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